{"id":49135,"date":"2018-10-16T12:08:56","date_gmt":"2018-10-16T15:08:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=49135"},"modified":"2018-10-16T12:08:56","modified_gmt":"2018-10-16T15:08:56","slug":"sbp-lanca-campanha-para-o-uso-racional-de-exames-de-diagnostico-por-imagem-em-criancas-e-adolescentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/sbp-lanca-campanha-para-o-uso-racional-de-exames-de-diagnostico-por-imagem-em-criancas-e-adolescentes\/","title":{"rendered":"SBP lan\u00e7a campanha para o uso racional de exames de diagn\u00f3stico por imagem em crian\u00e7as e adolescentes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Os riscos da exposi\u00e7\u00e3o excessiva de crian\u00e7as e adolescentes a exames de diagn\u00f3stico por imagem, como tomografias computadorizadas (TCs) e raios-X, s\u00e3o o foco principal da campanha Image Gently Brasil, que a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lan\u00e7a na pr\u00f3xima sexta-feira (12), no Rio de Janeiro (RJ). O objetivo dos especialistas \u00e9 estimular o uso racional dessas ferramentas, contando com o apoio de pais e profissionais da sa\u00fade. Tamb\u00e9m h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o de se estimular os t\u00e9cnicos respons\u00e1veis pela execu\u00e7\u00e3o dos exames a fazerem as adapta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias nos equipamentos, adequando-os \u00e0s caracter\u00edsticas f\u00edsicas dos pequenos pacientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os m\u00e9dicos, os exames de imagem (raios-X, tomografias, ultrassonografias e resson\u00e2ncia) s\u00e3o muito \u00fateis \u00e0 Medicina e, por vezes, essenciais ao diagn\u00f3stico em adultos e crian\u00e7as. Entretanto, alguns desses exames emitem radia\u00e7\u00e3o nociva \u00e0 sa\u00fade e, por isso, a SBP, em parceria com outras entidades nacionais e internacionais, lan\u00e7a uma campanha que alerta sobre o uso racional dessas ferramentas. Al\u00e9m dos pediatras, os radiologistas e outros t\u00e9cnicos envolvidos no processo tamb\u00e9m devem ser bem orientados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 preciso muita cautela para n\u00e3o expor as crian\u00e7as e os adolescentes a riscos desnecess\u00e1rios. Essa popula\u00e7\u00e3o, devido ao fato de seus tecidos e \u00f3rg\u00e3o ainda estarem em desenvolvimento, possui maior sensibilidade aos efeitos da radia\u00e7\u00e3o ionizante. Quanto mais jovem for o paciente, maiores s\u00e3o as chances de desdobramentos adversos\u201d, ressaltou a presidente da SBP, Luciana Rodrigues Silva, que atribui aos pediatras papel chave nesse processo de conscientiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ela, em primeiro lugar, durante a consulta os especialistas devem fazer uma investiga\u00e7\u00e3o atenta e solicitar o exame quando os sinais e os sintomas exigirem. Por outro lado, os pediatras devem orientar outros m\u00e9dicos e tamb\u00e9m os pais e respons\u00e1veis sobre os riscos, pois, \u201cn\u00e3o s\u00e3o raros os casos em que os procedimentos decorrem de um pedido da pr\u00f3pria fam\u00edlia\u201d, argumenta. Segundo a presidente, \u00e9 fundamental \u201cindividualizar a situa\u00e7\u00e3o de cada paciente, com bom senso cr\u00edtico e uma boa hip\u00f3tese diagn\u00f3stica antes de solicitar os exames complementares e, em muitas oportunidades, at\u00e9 discutir a situa\u00e7\u00e3o com o radiologista\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, segundo Dolores Bustelo, refer\u00eancia em radiologia pedi\u00e1trica no Brasil, o aumento na solicita\u00e7\u00e3o de tomografias computadorizadas para pacientes na faixa de zero a 19 anos \u00e9 um alerta. \u201cA tomografia \u00e9 um exame frequentemente indicado e geralmente necess\u00e1rio em muitos situa\u00e7\u00f5es, como nos casos de traumatismo cranioencef\u00e1lico, por exemplo. Mas \u00e9 fundamental que sejam solicitados quando estritamente necess\u00e1rios\u201d, destacou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, ela ressalta que os exames diagn\u00f3sticos s\u00e3o ferramentas importantes para o diagn\u00f3stico e tratamento de doen\u00e7as e agravos. \u201cEles ajudam a salvar vidas e a oferecer bem-estar aos pacientes. H\u00e1 estudos realizados em alguns pa\u00edses que indicam que seu uso no processo de assist\u00eancia em sa\u00fade tem estendido a expectativa de vida da popula\u00e7\u00e3o em cerca de oito meses. O que se quer com a campanha \u00e9 promover o uso adequado desse poderoso auxiliar por meio de boas pr\u00e1ticas\u201d, ressaltou Dolores Bustelo. Ela acrescentou ainda: \u201ca popula\u00e7\u00e3o deve confiar na orienta\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos ao prescreverem os exames, pois os riscos s\u00e3o m\u00ednimos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Detec\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica<\/strong> \u2013 Dados do Minist\u00e9rio da sa\u00fade revelam que na rede p\u00fablica brasileira, todos os anos, milhares de crian\u00e7as e adolescentes s\u00e3o submetidos a exames de tomografia computadorizada (TC), t\u00e9cnica de diagn\u00f3stico por imagem que permite uma visualiza\u00e7\u00e3o da fisiologia humana por detec\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica. No entanto, em termos nacionais, esse n\u00famero deve ser muito maior, pois n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o sobre o total de procedimentos desse tipo realizados pelos planos de sa\u00fade ou de modo particular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dados apurados pela SBP a partir do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es Ambulatoriais (SIA-SUS) mostram que cerca de 350 milh\u00f5es \u2013 4% de todos os procedimentos m\u00e9dicos por imagem nos \u00faltimos dez anos \u2013 foram realizados em crian\u00e7a e adolescentes at\u00e9 19 anos. Um ponto que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que, embora o tamanho dessa popula\u00e7\u00e3o tenha diminu\u00eddo no per\u00edodo, o volume de exames de diagn\u00f3stico por imagem aumentou em todo o Pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o IBGE, em 2008 havia no Brasil um total de 67,9 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes de zero a 19 anos, que representavam em torno de 36% da popula\u00e7\u00e3o geral daquele ano. J\u00e1 em 2017, esse n\u00famero passou para 63 milh\u00f5es. Ao comparar os dois n\u00fameros, percebe-se que esse contingente sofreu uma redu\u00e7\u00e3o percentual de 7%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, apesar dessa mudan\u00e7a no perfil demogr\u00e1fico, no caso das tomografias computadorizadas, por exemplo, o volume de exames realizados em pacientes com idade at\u00e9 19 anos dobrou nesse intervalo de tempo. O total pulou de 225,4 mil, em 2008, para 466,9 mil, no ano passado. As maiores varia\u00e7\u00f5es percentuais foram observadas no Esp\u00edrito Santo (aumento de 466%), no Rio de Janeiro (420%), Acre (351%), Santa Catarina (249%), Mato Grosso do Sul (214%), Amazonas (190%), Alagoas (186%), Paran\u00e1 (167%), e Goi\u00e1s e Tocantins (ambos com um \u00edndice de crescimento de 143%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os estados onde o aumento percentual foi menos significativo foram Para\u00edba (com alta de 48%), Distrito Federal (47%), Cear\u00e1 (25%), Minas Gerais (13%) e Sergipe, onde n\u00e3o foi percebida mudan\u00e7a no n\u00famero de exames realizados. Em S\u00e3o Paulo, que responde pela maior produ\u00e7\u00e3o desse tipo de procedimento no Pa\u00eds, o n\u00famero cresceu 94%, saltando de 71.420 tomografias computadorizadas feitas em pacientes com at\u00e9 19 anos, em 2008, para um total de 138.838 exames, em 2017. Ver TABELA I<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos gerais, proporcionalmente, a utiliza\u00e7\u00e3o de TCs evoluiu de 3,3 exames, em 2008, para uma taxa de 7,4 exames para cada grupo de mil crian\u00e7as e adolescentes, em 2017. Em alguns estados, a raz\u00e3o ultrapassa a o par\u00e2metro de dez exames por mil habitantes. \u00c9 o caso de Roraima (12,4 exames por mil crian\u00e7as), S\u00e3o Paulo (11,2), Rio de Janeiro (10,7), al\u00e9m do Acre e Rio Grande do Sul (ambos com uma taxa de 10,9 tomografias a cada mil crian\u00e7as e adolescentes). Ver TABELA II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alta produtividade<\/strong> \u2013 A SBP reconhece que uma parte dessa alta produtividade pode ser consequ\u00eancia da amplia\u00e7\u00e3o no n\u00famero de equipamentos dispon\u00edveis para exames, em especial nos estados menos desenvolvidos ou onde a rede p\u00fablica recebeu investimentos mais consistentes na \u00e1rea. Contudo, argumentam os especialistas, o aumento na produ\u00e7\u00e3o \u00e9 proporcionalmente muito maior do que o crescimento da infraestrutura dispon\u00edvel, o que sugere o est\u00edmulo \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas no uso dessa ferramenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Sa\u00fade (CNES), atualmente existem 4.588 tom\u00f3grafos computadorizados em funcionamento no Brasil. Destes, somente 2.007 (44%) est\u00e3o dispon\u00edveis no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), que atente a 160 milh\u00f5es de brasileiros que dele dependem exclusivamente. No caso dos aparelhos de raios-X, s\u00e3o 25.243 unidades, dos quais 10.286 (41%) est\u00e3o na rede p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nAl\u00e9m da desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o entre p\u00fablico e privado, a desproporcionalidade na oferta de equipamentos entre os estados tamb\u00e9m \u00e9 um problema que se constata pelos dados oficiais. S\u00f3 a Regi\u00e3o Sudeste concentra cerca de 40,5% dos TCs de todo o Pa\u00eds. No caso dos equipamentos de raios-X, esse percentual chega a 41%. S\u00f3 o estado de S\u00e3o Paulo, por exemplo, concentra um quinto dos equipamentos de todo o Pa\u00eds, com mais TCs (392) e raios-X (1.900) no SUS do que a soma do dispon\u00edvel nas regi\u00f5es Norte e Centro-Oeste (311 TCs e 1.775 raios-X). Ver TABELA III<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Calibragem<\/strong> \u2013 Mas o problema do uso racional dos exames de diagn\u00f3stico por imagem n\u00e3o se limita a sua alta produ\u00e7\u00e3o no Brasil. De acordo com a m\u00e9dica radiologista Dolores Bustelo, uma das organizadoras da campanha, a calibragem nos equipamentos utilizados pode ser aperfei\u00e7oada. Segundo relata, diversos estudos cient\u00edficos confirmam ser poss\u00edvel reduzir as doses de radia\u00e7\u00e3o aplicadas durante os exames de TC, sem perder a qualidade do resultado e nem interfer\u00eancia no diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHoje j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel realizar um exame de imagem com a menor dose de radia\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, sem a perda na qualidade diagn\u00f3stica da tomografia, evitando a repeti\u00e7\u00e3o do exame. Em compara\u00e7\u00e3o com alguns anos atr\u00e1s, a dose de radia\u00e7\u00e3o usada hoje j\u00e1 \u00e9 muito menor\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela acrescenta que quando uma tomografia ou um exame de raios-X s\u00e3o estritamente necess\u00e1rios para uma crian\u00e7a os aparelhos permitem a adequa\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica em fun\u00e7\u00e3o do peso do paciente e da extens\u00e3o da \u00e1rea a ser analisada. Se bem manuseados, estes aparelhos podem reduzir significativamente a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o. \u201cO Brasil possui excelentes equipamentos de diagn\u00f3stico por imagem, com tecnologia de ponta. O problema \u00e9 que ainda existem localidades sem acesso a exames especializados, sendo que muitos pacientes precisam ser encaminhados a centros maiores\u201d, destacou Dolores Bustello.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Campanha<\/strong> \u2013 Tamb\u00e9m por essa raz\u00e3o o p\u00fablico-alvo da campanha capitaneada pela SBP n\u00e3o se limita aos pediatras. Tamb\u00e9m se quer sensibilizar para o problema e alcan\u00e7ar ades\u00e3o junto a m\u00e9dicos de outras especialidades e tamb\u00e9m a outras categorias profissionais, como t\u00e9cnicos e tecn\u00f3logos da \u00e1rea de exames de imagem, e aos pr\u00f3prios servi\u00e7os de sa\u00fade (p\u00fablicos e privados).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSem contar os empres\u00e1rios, que podem atuar no desenvolvimento e na produ\u00e7\u00e3o de aparelhos mais modernos e adapt\u00e1veis, e \u00e0s fam\u00edlias dos pacientes, que devem estar bem informadas e conscientes sobre a import\u00e2ncia desse cuidado\u201d, acrescentou a presidente da Sociedade Paranaense de Pediatria, Kerstin Abagge, tamb\u00e9m do grupo que desenvolveu esse projeto na SBP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reconhecida mundialmente, a iniciativa Image Gently \u2013 a qual a campanha lan\u00e7ada pela SBP est\u00e1 vinculada \u2013 integra a Alliance for Radiation Safety in Pediatric Imaging, uma rede internacional composta por mais de cem institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, em cinco continentes e pa\u00edses como Estados Unidos, Austr\u00e1lia, Inglaterra, Canad\u00e1, B\u00e9lgica, It\u00e1lia, Jap\u00e3o, Portugal, entre outros. Iniciada em 2006, pela The Society for Pediatric Radiology, ao longo dos anos a campanha ganhou a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas nas \u00e1reas da Fluoroscopia, Interven\u00e7\u00e3o e Odontologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, a iniciativa foi encampada preliminarmente pela Sociedade Paranaense de Pediatria (SPP), em 2016. Al\u00e9m da SBP, que a partir deste ano promove as diretrizes da Image Gently, a campanha conta com o apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM), Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira (AMB), Col\u00e9gio Brasileiro de Radiologia (CBR), Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), Sociedade Latinoamericana de Radiologia Pedi\u00e1trica (SLARP), Col\u00e9gio Interamericano de Radiologia (CIR), Comit\u00ea de Prote\u00e7\u00e3o Radiol\u00f3gica do Latin Safe e Federa\u00e7\u00e3o Mundial de Radiologia Pedi\u00e1trica (WFPI).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A campanha ser\u00e1 oficialmente lan\u00e7ada no Dia das Crian\u00e7as, 12 de outubro, durante o Congresso Brasileiro de Radiologia no Rio de Janeiro. \u201cNossa proposta nessa campanha de radioprote\u00e7\u00e3o \u00e9 estimular a conscientiza\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade e dos familiares quanto aos cuidados com a radia\u00e7\u00e3o ionizante, mas sem p\u00e2nico, com bom senso e cautela\u201d, explica Dolores Bustelo, uma das principais entusiastas do programa Image Gently no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o do Cremepe<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os riscos da exposi\u00e7\u00e3o excessiva de crian\u00e7as e adolescentes a exames de diagn\u00f3stico por imagem, como tomografias computadorizadas (TCs) e raios-X, s\u00e3o o foco principal da campanha Image Gently Brasil, que a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lan\u00e7a na pr\u00f3xima sexta-feira (12), no Rio de Janeiro (RJ). 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