{"id":49739,"date":"2018-11-14T08:25:55","date_gmt":"2018-11-14T11:25:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=49739"},"modified":"2018-11-14T08:25:55","modified_gmt":"2018-11-14T11:25:55","slug":"no-dia-mundial-do-diabetes-pacientes-denunciam-dificuldades-no-tratamento-em-pe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/no-dia-mundial-do-diabetes-pacientes-denunciam-dificuldades-no-tratamento-em-pe\/","title":{"rendered":"No Dia Mundial do Diabetes, pacientes denunciam dificuldades no tratamento em PE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Pacientes denunciam falta de insulinas e materiais para o tratamento. Rem\u00e9dios deveriam seriam disponibilizados na Farm\u00e1cia de Pernambuco<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta quarta-feira (14) \u00e9 lembrado o Dia Mundial do Diabetes, doen\u00e7a que afeta 425 milh\u00f5es de pessoas no mundo. No ranking global, o Brasil fica em quarto lugar, com 13 milh\u00f5es de pessoas diagnosticadas com essa doen\u00e7a cr\u00f4nica e silenciosa. Enquanto deveriam estar recebendo assist\u00eancia equivalente \u00e0 gravidade da enfermidade, pacientes reclamam da falta de insulinas e materiais que deveriam ser disponibilizados pelo Estado de Pernambuco para que o tratamento fosse feito corretamente. Em muitos dos casos, diab\u00e9ticos precisam arcar com produtos e servi\u00e7os particulares para evitar agrava\u00e7\u00f5es no quadro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA pior parte de ter diabetes s\u00e3o os tr\u00e2mites para conseguir a medica\u00e7\u00e3o. Precisamos passar por uma avalia\u00e7\u00e3o a cada tr\u00eas meses para conseguir a renova\u00e7\u00e3o de receita. Mas, como dependo da rede p\u00fablica, nem sempre tem vaga para as consultas. Por vezes, s\u00f3 consigo marcar consulta para daqui a quatro meses. Sem m\u00e9dico, n\u00e3o consigo o documento e tenho que comprar a insulina com meu dinheiro. As vezes \u00e9 mais de R$ 400\u201d, conta o taxista Erivaldo Luiz Bezerra, 43 anos. Diab\u00e9tico desde os 9 anos, ele precisa fazer uso cont\u00ednuo das insulinas Lantus, NovoRapid ou Humalog. H\u00e1 mais de seis meses ele compra o medicamento em farm\u00e1cias particulares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e3e de Erivaldo tamb\u00e9m \u00e9 diab\u00e9tica. Em uma das vezes que o tratamento do taxista foi interrompido por falta de insulina na Farm\u00e1cia de Pernambuco, no bairro da Boa Vista, \u00e1rea central do Recife, foi preciso que o controle fosse feito com o mesmo medicamento utilizado por sua m\u00e3e. \u201cO efeito n\u00e3o era o mesmo, mas infelizmente precisamos nos submeter a isso\u201d, lembra. Segundo ele, a disponibiliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 irregular h\u00e1 cerca de 5 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O diabetes \u00e9 uma doen\u00e7a em que o corpo n\u00e3o produz, ou n\u00e3o utiliza de forma adequada, o horm\u00f4nio da insulina. \u201cSe caracteriza por uma glicemia alta no sangue, que se deve a uma dificuldade em metabolizar a glicose pela insulina, \u00fanico horm\u00f4nio do corpo que \u00e9 hipoglicemiante, ou seja, \u00e9 capaz de baixar a glicose\u201d, explica a endocrinologista do Real Hospital Portugu\u00eas, Maria Amazonas. Muitas vezes assintom\u00e1tico, est\u00e1 ligado a fatores que influenciam na predisposi\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m das complica\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria s\u00edndrome, tem rela\u00e7\u00e3o com outras doen\u00e7as graves e recorrentes em todo o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sedentarismo, sobrepeso, falta de alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e casos de diabetes em parentes pr\u00f3ximos s\u00e3o pontos que podem acarretar a doen\u00e7a. Segundo a endocrinologista Ge\u00edsa Macedo, presidente da Regional Pernambuco da Sociedade Brasileira de Diabetes e do Instituto Brasileiro de Diabetes (Ibradi), \u00e9 preciso que a doen\u00e7a seja menos negligenciada. \u201cVivemos uma epidemia sem controle. No Nordeste a taxa \u00e9 maior que em outras \u00e1reas e est\u00e1 aumentando. A cada minuto, tr\u00eas pernas e p\u00e9s s\u00e3o amputados\u201d, diz. De acordo com a m\u00e9dica, leis estaduais e federais obrigam que o tratamento seja garantido no sistema p\u00fablico de sa\u00fade. \u201c\u00c9 preciso individualizar os tratamentos, criar centros e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) espec\u00edficas. Os pacientes precisam ter mais acesso ao sistema de sa\u00fade. O Governo teoricamente d\u00e1 os medicamentos. Mas, se falta, como os pacientes ficam? Isso n\u00e3o poderia acontecer\u201d, acrescenta a m\u00e9dica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falta de materiais<\/strong><br \/>\nA estudante de psicologia Mar\u00edlia Barros, 19, descobriu o diabetes tipo 1 ainda crian\u00e7a. Durante anos de controle de glicose, o tratamento mudou algumas vezes, mas a dificuldade para conseguir as insulinas e os materiais para o controle continuaram. \u201cA insulina \u00e9 mais f\u00e1cil, falta menos. As tiras para fazer o teste de glicemia faz mais de um ano que n\u00e3o recebo. Outras coisas, como a agulha e a lanceta, por exemplo, nunca cheguei a receber. Todo o material tem que ser comprado\u201d, comenta. Nos meses em que falta insulina, os pais da jovem chegam a gastar cerca de R$ 550, sem acrescentar o restante do material, que pode chegar a R$ 400.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 os 13 anos, a estudante morava em S\u00e3o Jos\u00e9 da Coroa Grande, no Litoral Sul do Estado. Para conseguir os medicamentos, os pais viajavam ao Recife. No entanto, nem sempre havia insulina para que o tratamento continuasse. Para a renova\u00e7\u00e3o da receita, Mar\u00edlia consegue avalia\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos do seu plano de sa\u00fade, mas, ainda assim, sofre com a burocracia. \u201cMesmo sabendo que \u00e9 um medicamento que eu vou usar pelo resto da vida, eles pedem renova\u00e7\u00e3o da receita. Caso eu n\u00e3o leve na data determinada, eles n\u00e3o entregam mais naquele m\u00eas e corre risco de no m\u00eas seguinte n\u00e3o ter. A gente liga para a Farm\u00e1cia de Pernambuco e dizem que n\u00e3o tem previs\u00e3o\u201d, relata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sofrer com crises de hipoglicemia noturna, foi indicado que a estudante utilizasse uma bomba de insulina de infus\u00e3o cont\u00ednua, que funciona como um p\u00e2ncreas artificial. O aparelho custa aproximadamente R$ 15 mil. Para a fam\u00edlia dela, a op\u00e7\u00e3o foi recorrer ao plano de sa\u00fade particular. \u201cFoi dif\u00edcil, mas \u00e9 a op\u00e7\u00e3o mais vi\u00e1vel, porque pelo Governo o tempo de espera seria muito maior\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Complica\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nA falta da insulina pode acarretar diversas complica\u00e7\u00f5es aos pacientes, seja a curto ou longo prazo. \u201cO diab\u00e9tico come\u00e7a a urinar muito, e isso pode levar \u00e0 desidrata\u00e7\u00e3o. O corpo fica mais vulner\u00e1vel a infec\u00e7\u00f5es de qualquer tipo e, para que isso evolua, \u00e9 r\u00e1pido. Muitas pacientes procuram as emerg\u00eancias com mal estar, mas esses sintomas s\u00e3o negligenciados e o quadro pode evoluir. Les\u00f5es simples nos p\u00e9s tamb\u00e9m s\u00e3o preocupantes, pois o risco de infec\u00e7\u00e3o \u00e9 maior e isso leva a amputa\u00e7\u00e3o. Somando problemas como hipertens\u00e3o, que acomete 50% dos diab\u00e9ticos. O infarto, por exemplo, \u00e9 a maior causa de morte entre pacientes com diabetes, junto com o acidente vascular cerebral (AVC). Tamb\u00e9m \u00e9 a maior causa de insufici\u00eancia renal e cegueira em adultos\u201d, explica a endocrinologista Ge\u00edsa Macedo. Segundo ela, esta \u00e9 a quarta doen\u00e7a que mais mata no Pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dificuldade nos medicamentos n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica queixa das fam\u00edlias com diab\u00e9ticos. A artes\u00e3 Celi Regina Pereira, 50, tem uma filha que sofre com diabetes h\u00e1 quatro anos. Thalita Dias tem 29 anos e \u00e9 deficiente auditiva. No caso dela, o medidor de glicose oferecido pelo Estado tamb\u00e9m \u00e9 ineficaz. \u201cN\u00f3s us\u00e1vamos um glicos\u00edmetro que funcionava bem. Por achar caro, o Governo trocou de marca, mas essa segunda n\u00e3o funciona. Eles disponibilizam fitas para esse novo medidor, por isso precisamos comprar para que Thalita use o aparelho antigo, que \u00e9 mais preciso\u201d. Segundo a artes\u00e3, em uma das falhas do novo equipamento, a jovem sofreu convuls\u00f5es e teve que ser hospitalizada. \u201cA glicose dava alta e n\u00f3s aplic\u00e1vamos insulina. Os valores n\u00e3o baixavam e depois de v\u00e1rias doses, ela passou mal com hipoglicemia, mas o aparelho continuava dando valores que n\u00e3o coincidiam com o n\u00edvel glic\u00eamico dela. Quando reclamamos, o Governo disse, em outras palavras, que n\u00f3s \u00e9 que n\u00e3o sab\u00edamos usar\u201d, denuncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nota, a Secretaria Estadual de Sa\u00fade (SES) informa que disponibiliza as insulinas Levemir, Lantus, Apidra, Humalog, Novorapid, NPH e Regular &#8211; as duas \u00faltimas distribu\u00eddas pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade -, distribu\u00eddos para 17 mil pacientes cadastrados, que tamb\u00e9m recebem as tiras medidoras de glicose, lancetas, agulhas e glicos\u00edmetros. Pacientes informaram a falta da insulina Lantus atualmente. Quando questionada, a SES diz que recebeu no in\u00edcio desta semana aproximadamente 30 mil canetas preenchidas com esse tipo de medicamento, o que seria suficiente para os pr\u00f3ximos meses. Assim como a Humalog, que tamb\u00e9m est\u00e1 dispon\u00edvel no estoque. J\u00e1 as insulinas Detemir e Asparte, a Secretaria \u201cinforma que a entrega est\u00e1 atrasada pelos fornecedores, que j\u00e1 foram notificados pelo \u00f3rg\u00e3o. Outro processo de compra foi iniciado a fim de agilizar a aquisi\u00e7\u00e3o\u201d. A pasta tamb\u00e9m informa que um processo de compra est\u00e1 em andamento para a aquisi\u00e7\u00e3o da insulina tipo glusilina, mas nenhuma empresa apresentou proposta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A\u00c7\u00d5ES DO DIA DO DIABETES<\/strong><br \/>\nNa Unidade P\u00fablica de Atendimento Especializado (UPAE)Deputado Ant\u00f4nio Luiz Filho, no Arruda, Zona Norte do Recife, ser\u00e1 realizada uma programa\u00e7\u00e3o para o Dia Mundial do Diabetes. A partir das 8h15, pacientes e funcion\u00e1rios poder\u00e3o participar da realiza\u00e7\u00e3o de exames de detec\u00e7\u00e3o, palestras e momentos para orienta\u00e7\u00e3o e retirada de d\u00favidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No shopping RioMar, a Sociedade Brasileira de Diabetes, o Ibradi e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia tamb\u00e9m estar\u00e3o realizando uma a\u00e7\u00e3o de conscientiza\u00e7\u00e3o. O evento acontece das 13h \u00e0s 18h, e o p\u00fablico poder\u00e1 realizar exames de medi\u00e7\u00e3o de glicemia, medi\u00e7\u00e3o de cintura para detectar obesidade p\u00e9lvica &#8211; que est\u00e1 relacionada ao diabetes -, al\u00e9m de aferi\u00e7\u00e3o de press\u00e3o arterial. Oftalmologistas tamb\u00e9m estar\u00e3o no local realizando exames do fundo do olho, para detectar glaucoma em pacientes j\u00e1 diagnosticados com diabetes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Jornal do Commercio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pacientes denunciam falta de insulinas e materiais para o tratamento. Rem\u00e9dios deveriam seriam disponibilizados na Farm\u00e1cia de Pernambuco Nesta quarta-feira (14) \u00e9 lembrado o Dia Mundial do Diabetes, doen\u00e7a que afeta 425 milh\u00f5es de pessoas no mundo. 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