{"id":50170,"date":"2018-12-04T08:38:08","date_gmt":"2018-12-04T11:38:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=50170"},"modified":"2018-12-04T08:54:15","modified_gmt":"2018-12-04T11:54:15","slug":"estudo-alerta-para-impactos-das-mudancas-climaticas-na-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/estudo-alerta-para-impactos-das-mudancas-climaticas-na-saude\/","title":{"rendered":"Estudo alerta para impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o a maior preocupa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de sa\u00fade do s\u00e9culo 21. O aumento da temperatura global j\u00e1 \u00e9 sentido nas atuais ondas de calor, nas doen\u00e7as transmitidas por vetores e na seguran\u00e7a alimentar de popula\u00e7\u00f5es de todas as regi\u00f5es do mundo. Para monitorar essa quest\u00e3o, 27 institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas de todos os continentes, entre elas a Fiocruz, acabam de publicar o relat\u00f3rio Lancet Countdown [Contagem regressiva para a sa\u00fade e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relat\u00f3rio, que existe desde 2016 e re\u00fane um total de 41 indicadores, \u00e9 um alerta para o risco que os sistemas de sa\u00fade de todo mundo correm se os governos e a sociedade n\u00e3o agirem r\u00e1pido para frear o aquecimento global.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAt\u00e9 pouco tempo os impactos na sa\u00fade eram pouco estudados nesse campo, mas tudo recai sobre a sa\u00fade\u201d, explica Sandra Hacon, pesquisadora da Escola Nacional da Sa\u00fade P\u00fablica S\u00e9rgio Arouca (Ensp\/Fiocruz) que participou do estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pequenas mudan\u00e7as de temperatura e chuvas podem ter grande impacto na transmiss\u00e3o de doen\u00e7as transmitidas por vetores e pela \u00e1gua. Segundo o relat\u00f3rio, em 2016, a capacidade vetorial global para a transmiss\u00e3o do v\u00edrus da dengue foi a mais alta j\u00e1 registrada, subindo em 9,1% para o Aedes aegypti e 11,1% para o Aedes albopictus, a partir da linha de base de 1950. A c\u00f3lera e a mal\u00e1ria tamb\u00e9m registraram aumentos associados a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Em 2016, a regi\u00e3o costeira do B\u00e1ltico teve um aumento de 24% na capacidade de transmiss\u00e3o de Vibrio cholerae, em compara\u00e7\u00e3o a 1980, e os planaltos da \u00c1frica subsaariana registraram um aumento de 27% capacidade de transmiss\u00e3o da mal\u00e1ria, em compara\u00e7\u00e3o com 1950.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vulnerabilidade a extremos de calor tamb\u00e9m tem aumentado constantemente desde 1990 em todas as regi\u00f5es. Em 2017,157 milh\u00f5es de pessoas a mais do que em 2000 foram expostas a eventos de onda de calor, um aumento de 18 milh\u00f5es de pessoas em rela\u00e7\u00e3o a 2016. Estas ondas est\u00e3o associadas ao aumento das taxas de estresse por calor, insola\u00e7\u00e3o, insufici\u00eancia card\u00edaca e les\u00e3o renal aguda por desidrata\u00e7\u00e3o. Idosos e pessoas que trabalham ao ar livre, como agricultores e trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil, s\u00e3o especialmente vulner\u00e1veis a essas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs tend\u00eancias nos impactos, exposi\u00e7\u00f5es e vulnerabilidades da mudan\u00e7a clim\u00e1tica mostram um n\u00edvel inaceitavelmente alto de risco para a sa\u00fade atual e futura das popula\u00e7\u00f5es em todo o mundo\u201d, alerta o documento, que foi publicado pela mais importante revista europeia de medicina, a Lancet, no dia 28 de novembro e contou com a participa\u00e7\u00e3o do Banco Mundial e da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO Lancet Countdown \u00e9 um parceiro essencial para progresso na consecu\u00e7\u00e3o dos objetivos do Acordo de Paris, o mais importante tratado de sa\u00fade do s\u00e9culo\u201d, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas tamb\u00e9m s\u00e3o sentidos nas economias nacionais e or\u00e7amentos familiares. De acordo com a publica\u00e7\u00e3o, 153 bilh\u00f5es de horas de trabalho foram perdidas em 2017 por causa do calor, um aumento de mais de 62 bilh\u00f5es de horas desde 2000. Em 2017, um total de 712 eventos clim\u00e1ticos extremos resultaram em US $ 326 bilh\u00f5es em perdas econ\u00f4micas, quase o triplo das perdas totais de 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A seguran\u00e7a alimentar \u00e9 outra \u00e1rea atingida pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, com a diminui\u00e7\u00e3o do rendimento das colheitas em todas as regi\u00f5es do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o podemos esperar para agir, temos que ser proativos. Os preju\u00edzos econ\u00f4micos e na sa\u00fade s\u00e3o muito altos se esperarmos os desastres acontecerem\u201d, considera a pesquisadora da Fiocruz. Globalmente, os gastos para a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas permanecem bem abaixo do compromisso de US$ 100 bilh\u00f5es por ano feito sob o Acordo de Paris. \u201c<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo ainda precisa reduzir efetivamente suas emiss\u00f5es de gases. A velocidade da mudan\u00e7a clim\u00e1tica amea\u00e7a nossa vida e a vida de nossas crian\u00e7as. Seguindo as tend\u00eancias atuais, esgotamos a provis\u00e3o de carbono necess\u00e1ria para manter o aquecimento abaixo de dois graus at\u00e9 2032. Os impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas sobre a sa\u00fade acima deste n\u00edvel amea\u00e7am sobrecarregar nossos servi\u00e7os de emerg\u00eancia e de sa\u00fade\u201d, afirma o co-presidente do Lancet Countdown e ex-diretor da OMS, Anthony Costello.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recomenda\u00e7\u00f5es para Brasil<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conjunto com o relat\u00f3rio global, foram lan\u00e7adas recomenda\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para alguns pa\u00edses, entre eles o Brasil. Al\u00e9m da Fiocruz, participaram da colabora\u00e7\u00e3o brasileira o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Sociedade Brasileira de Medicina de Fam\u00edlia e Comunidade (SBMFC).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto as ondas de calor s\u00e3o a maior preocupa\u00e7\u00e3o na Europa, onde o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o a torna mais vulner\u00e1vel a esses eventos, a Am\u00e9rica do Sul e o sudeste asi\u00e1tico tendem a ser mais afetada por enchentes e secas. As frequ\u00eancias anuais de inunda\u00e7\u00f5es e eventos extremos de temperatura aumentaram desde 1990. A altera\u00e7\u00e3o dos fluxos pode causar mudan\u00e7as nos ecossistemas e gerar o aparecimento de novas doen\u00e7as, al\u00e9m de alterar a incid\u00eancia de doen\u00e7as vetoriais j\u00e1 conhecidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Sandra, os riscos, no entanto, tamb\u00e9m abrem possibilidades, como o progresso cient\u00edfico. Ela destaca o papel que os cientistas e institui\u00e7\u00f5es brasileiros t\u00eam nessa \u00e1rea. \u201cO Brasil lidera os estudos sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, estamos \u00e0 frente da Am\u00e9rica Latina nessa \u00e1rea tanto em sa\u00fade, como em recursos h\u00eddricos e agricultura. Temos a Amaz\u00f4nia, que \u00e9 um laborat\u00f3rio natural. A Amaz\u00f4nia \u00e9 um destaque n\u00e3o s\u00f3 para o Brasil, mas para o mundo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As experi\u00eancias de economia de baixo carbono na Amaz\u00f4nia e o no Cerrado demonstram que o desenvolvimento sustent\u00e1vel \u00e9 uma oportunidade para resolver tamb\u00e9m a quest\u00e3o da pobreza. \u201cInfelizmente, n\u00e3o poderemos mostrar essas experi\u00eancias para o mundo. \u00c9 lament\u00e1vel a decis\u00e3o do Brasil de deixar de receber a COP 25, que seria um espa\u00e7o para o pa\u00eds reafirmar sua lideran\u00e7a neste campo\u201d, afirma Sandra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora o Lancet Countdown n\u00e3o inclua um indicador sobre os efeitos do desmatamento na sa\u00fade, o documento para o Brasil inclui um estudo de caso sobre a regi\u00e3o amaz\u00f4nica que ilustra a interrela\u00e7\u00e3o entre mudan\u00e7as globais e altera\u00e7\u00f5es em microclimas. As estimativas sugerem que a Amaz\u00f4nia ser\u00e1 mais afetada pelo aumento da temperatura que outras regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, as queimadas e o desflorestamento j\u00e1 s\u00e3o uma das principais causas de adoecimento na regi\u00e3o. A \u00e9poca das queimadas est\u00e1 associada ao nascimento de crian\u00e7as com baixo peso e ao aumento das interna\u00e7\u00f5es hospitalares e das doen\u00e7as respirat\u00f3rias, principalmente em crian\u00e7as e idosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desflorestamento da Amaz\u00f4nia est\u00e1 atualmente na faixa de 15 a 17%, pr\u00f3ximo ao ponto de inflex\u00e3o de 20 a 25%, apontado por alguns autores como irrevers\u00edvel na savaniza\u00e7\u00e3o da maior parte da floresta. Esse dado n\u00e3o apenas aumenta as emiss\u00f5es de gases do pa\u00eds, como prejudica que novas descobertas cient\u00edficas sejam feitas, com a destrui\u00e7\u00e3o da biodiversidade \u00fanica da floresta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o da AMPE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o a maior preocupa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de sa\u00fade do s\u00e9culo 21. O aumento da temperatura global j\u00e1 \u00e9 sentido nas atuais ondas de calor, nas doen\u00e7as transmitidas por vetores e na seguran\u00e7a alimentar de popula\u00e7\u00f5es de todas as regi\u00f5es do mundo. 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