{"id":50484,"date":"2018-12-19T08:32:17","date_gmt":"2018-12-19T11:32:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=50484"},"modified":"2018-12-19T08:32:17","modified_gmt":"2018-12-19T11:32:17","slug":"carencia-de-recursos-do-sus-e-o-grande-desafio-do-novo-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/carencia-de-recursos-do-sus-e-o-grande-desafio-do-novo-governo\/","title":{"rendered":"Car\u00eancia de recursos do SUS \u00e9 o grande desafio do novo governo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Escassez de recursos do SUS se agrava pelo aumento da demanda com a impossibilidade de a popula\u00e7\u00e3o pagar planos de assist\u00eancia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A car\u00eancia que abate o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) \u00e9 o principal desafio para os pr\u00f3ximos anos. A lenta recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que mant\u00e9m um contingente de milh\u00f5es de desempregados afastou a popula\u00e7\u00e3o dos planos de sa\u00fade e, consequentemente, aumentou o volume de atendimentos p\u00fablicos, que conta com recursos escassos. Para minimizar o problema, um dos caminhos apontados por observadores do setor \u00e9 o investimento em aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Segundo eles, dessa forma, a longo prazo, o custo em medicina especializada cair\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Internacionalmente reconhecido como um dos principais programas de sa\u00fade p\u00fablica do mundo, o SUS completou tr\u00eas d\u00e9cadas exigindo uma reinven\u00e7\u00e3o de sua estrutura. A Organiza\u00e7\u00e3o Pan- Americana da Sa\u00fade (Opas) est\u00e1 preocupada com o que ocorrer\u00e1 com a popula\u00e7\u00e3o devido ao subfinanciamento da sa\u00fade p\u00fablica. A entidade teme que avan\u00e7os, como vacina\u00e7\u00e3o, combate \u00e0 mortalidade infantil, redu\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as \u2014 como a Aids \u2014, e a distribui\u00e7\u00e3o de medicamentos fiquem severamente comprometidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alcides Miranda, presidente do Centro Brasileiro de Estudos de Sa\u00fade, classifica como \u201ccr\u00f4nico\u201d o subfinanciamento do SUS. \u201cEsse \u00e9 um problema que acompanha o programa desde o in\u00edcio. O sistema sempre operou com menos dinheiro do que necessita. \u00c9 matem\u00e1tica, n\u00e3o tem como ampliar atendimento sem investimento\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele aponta dois pontos para tentar diminuir o deficit. O primeiro \u00e9 o investimento em aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, que s\u00e3o servi\u00e7os b\u00e1sicos, como consultas e tratamentos menos invasivos. \u201cQuando se diagnostica uma doen\u00e7a em sua fase inicial, o tratamento \u00e9 menos penoso ao paciente e mais barato aos cofres p\u00fablicos. Para cada d\u00f3lar investido na preven\u00e7\u00e3o, US$ 4 seriam economizados em servi\u00e7os de sa\u00fade\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O especialista diz que esse ciclo reduziria gastos com aten\u00e7\u00e3o especializada, como grandes cirurgias e interna\u00e7\u00f5es longas. \u201cN\u00e3o \u00e9 o tempo de um mandato, mas sim uma pol\u00edtica de estado que poria fim nisso\u201d, conclui. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso, segundo Alcides, a regionaliza\u00e7\u00e3o de sa\u00fade. \u201cNenhum munic\u00edpio com mais de 10 mil habitantes consegue disponibilizar todos os servi\u00e7os de sa\u00fade. A ideia de aten\u00e7\u00e3o integral s\u00f3 \u00e9 vi\u00e1vel no conceito de regi\u00e3o\u201d, avalia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele d\u00e1 dicas do que poderia refor\u00e7ar o caixa da sa\u00fade. \u201cN\u00e3o temos uma pol\u00edtica tribut\u00e1ria com rela\u00e7\u00e3o de produtos nocivos \u00e0 sa\u00fade. Esses erros persistem e precisam ser corrigidos. Uma pol\u00edtica p\u00fablica s\u00f3 se legitima quando tem valor de uso. O SUS tem mais que isso, ele prioriza os mais pobres, os mais vulner\u00e1veis. Precisamos ajust\u00e1-lo \u00e0 sua realidade\u201d, adverte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dificuldades<\/strong><br \/>\nA demora no atendimento dos hospitais p\u00fablicos j\u00e1 virou marca registrada para quem s\u00f3 tem a rede p\u00fablica como alternativa. O aposentado Aurino Braz, 78 anos, conta que priorizar a sa\u00fade se tornou uma via de m\u00e3o \u00fanica, j\u00e1 que o estado n\u00e3o propicia atendimento adequado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 muito demorado. Sempre tive que esperar anos para fazer qualquer tipo de procedimento\u201d, reclama o morador do Sol Nascente, \u00e1rea carente de Ceil\u00e2ndia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele conta que passou mais de quatro anos esperando uma cirurgia para a revasculariza\u00e7\u00e3o do mioc\u00e1rdio (ponte de safena) e s\u00f3 foi atendido quando infartou. \u201cEu sabia que demoraria, porque a fila de cirurgia sempre \u00e9 grande. Mas n\u00e3o esperava que eu tivesse que chegar a esse ponto para ser atendido. Me senti jogado, como se n\u00e3o tivesse import\u00e2ncia para o meu estado. S\u00f3 prestamos quando estamos trabalhando e produzindo. Depois que nos aposentamos, n\u00e3o representamos mais nada para o pa\u00eds\u201d, lamenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de ter feito a cirurgia, ele ainda espera atendimento e, desta vez, para um procedimento mais simples: um exame de rotina. \u201cJ\u00e1 tem tr\u00eas anos e, sinceramente, eu n\u00e3o estou positivo quanto ao atendimento. Sei que vai demorar bastante\u201d, disse. Para ele, que vive com R$ 1.032 da aposentadoria e sustenta a casa com a filha desempregada e a neta, ainda crian\u00e7a, a regra \u00e9 esperar. \u201cO que eu recebo como aposentado n\u00e3o d\u00e1 para pagar nem os meus rem\u00e9dios controlados. N\u00e3o posso me dar ao luxo de fazer exame particular quando tenho que colocar comida na mesa\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Palavra de especialista<\/strong><br \/>\nFalta de qualidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cGrande parte das mazelas do Sistema \u00danico de Sa\u00fade se d\u00e3o nos n\u00edveis secund\u00e1rios e terci\u00e1rios de aten\u00e7\u00e3o. Houve um investimento expressivo na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria de sa\u00fade, que \u00e9 a parte respons\u00e1vel pela sa\u00fade b\u00e1sica e o projeto sa\u00fade da fam\u00edlia. No entanto, em rela\u00e7\u00e3o aos cuidados intermedi\u00e1rios e especializados, como servi\u00e7os ambulatoriais e cl\u00ednicas especializadas, n\u00e3o houve o mesmo investimento. H\u00e1 um deficit grande em rela\u00e7\u00e3o ao contingente de servidores, materiais e infraestrutura oferecidos na sa\u00fade p\u00fablica. N\u00f3s temos grandes vazios assistenciais. O pr\u00f3ximo governo ter\u00e1 que se debru\u00e7ar em resolver quest\u00f5es, principalmente de funcion\u00e1rios, j\u00e1 que , com a sa\u00edda dos m\u00e9dicos cubanos, algumas regi\u00f5es ficaram com equipes incompletas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O problema da sa\u00fade brasileira n\u00e3o se limita apenas ao acesso p\u00fablico do servi\u00e7o. H\u00e1, sim, uma falta de qualidade na rede particular de sa\u00fade. Os consumidores pagam caro por um atendimento que n\u00e3o \u00e9 de qualidade. E tudo por conta da falta de competi\u00e7\u00e3o. Se a gente tivesse um acesso mais diversificado, n\u00f3s ter\u00edamos um melhor desempenho por parte da rede privada. O servi\u00e7o p\u00fablico tamb\u00e9m corrobora para a falta de atendimento de qualidade no setor privado. Se o Sistema \u00danico de Sa\u00fade fosse eficiente e oferecesse todos os servi\u00e7os da forma adequada, a rede privada teria que se empenhar muito mais para atrair a popula\u00e7\u00e3o para os famosos planos de sa\u00fade.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Helena Eri Shimizu, professora do Departamento de Sa\u00fade Coletiva da Universidade de Bras\u00edlia (UnB)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escassez de recursos do SUS se agrava pelo aumento da demanda com a impossibilidade de a popula\u00e7\u00e3o pagar planos de assist\u00eancia A car\u00eancia que abate o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) \u00e9 o principal desafio para os pr\u00f3ximos anos. 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