{"id":50657,"date":"2019-01-03T09:15:50","date_gmt":"2019-01-03T12:15:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=50657"},"modified":"2019-01-03T09:15:50","modified_gmt":"2019-01-03T12:15:50","slug":"o-que-e-a-diabulimia-considerado-um-dos-disturbios-alimentares-mais-perigosos-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/o-que-e-a-diabulimia-considerado-um-dos-disturbios-alimentares-mais-perigosos-do-mundo\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 a diabulimia, considerado um dos dist\u00farbios alimentares mais perigosos do mundo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nos casos mais graves, transtorno pode levar a insufici\u00eancia card\u00edaca, amputa\u00e7\u00e3o de membros e at\u00e9 morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Tenho a minha vida e tenho meus p\u00e9s. S\u00e3o duas das coisas mais importantes para mim, considerando o dano que eu poderia ter causado a mim mesma&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Becky Rudkin, de 30 anos, tem diabulimia \u2014 termo usado para descrever pessoas com diabete tipo 1 que tomam deliberadamente menos insulina que o necess\u00e1rio com o objetivo de perder peso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diabetes tipo 1 \u2014 doen\u00e7a autoimune, que costuma ser diagnosticada na inf\u00e2ncia \u2014 ocorre quando o p\u00e2ncreas n\u00e3o produz insulina suficiente. Seu tratamento prev\u00ea a aplica\u00e7\u00e3o de inje\u00e7\u00f5es di\u00e1rias do horm\u00f4nio, respons\u00e1vel por controlar a glicose no sangue e fornecer energia ao organismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diabulimia n\u00e3o \u00e9 reconhecida oficialmente pela comunidade m\u00e9dica, mas uma verba de 1,2 milh\u00e3o de libras (cerca de R$ 5,7 milh\u00f5es) acaba de ser concedida para o financiamento de uma pesquisa sobre o tema na Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A expectativa \u00e9 que os cientistas consigam elaborar um programa de tratamento eficaz para pessoas que sofrem com o transtorno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Becky, que \u00e9 de Aberdeen, na Esc\u00f3cia, participou do document\u00e1rio da BBC Diabulimia: The World&#8217;s Most Dangerous Eating Disorder (&#8220;Diabulimia: o Transtorno Alimentar Mais Perigoso do Mundo&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), produzido em 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca, ela revelou que, por n\u00e3o estar tomando insulina suficiente, os ossos dos seus p\u00e9s come\u00e7aram a se desintegrar no que os m\u00e9dicos descreveram como &#8220;favo de mel e papa&#8221;. Eles estavam t\u00e3o fr\u00e1geis que quebravam com frequ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n&#8220;O dano no nervo \u00e9 t\u00e3o s\u00e9rio que eu nem sinto \u2014 s\u00f3 consigo ver o qu\u00e3o inchados est\u00e3o&#8221;, relatou na ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Becky precisou usar muletas por causa do problema nos p\u00e9s e passou tr\u00eas anos entrando e saindo de uma cl\u00ednica de dist\u00farbios alimentares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diabulimia \u00e9 considerada mais perigosa do que a anorexia e a bulimia. Nos casos mais graves, pode levar \u00e0 insufici\u00eancia card\u00edaca, \u00e0 amputa\u00e7\u00e3o de membros e at\u00e9 \u00e0 morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As pessoas com diabetes tipo 1 (que sofrem com o dist\u00farbio) t\u00eam medo que a insulina leve ao ganho de peso. Esse medo \u00e9 t\u00e3o forte que faz com que omitam a dose de insulina que precisam tomar com o objetivo de perder peso&#8221;, explicou Khalida Ismail, professora do King&#8217;s College London, especializada em diabetes e sa\u00fade mental, ao document\u00e1rio da BBC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se um paciente com diabetes tipo 1 n\u00e3o tomar insulina, ele vai morrer muito r\u00e1pido&#8221;, completou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Di\u00e1rio da diabulimia<\/strong><br \/>\nEm 2016, a BBC News Brasil relatou o caso da brit\u00e2nica Lisa Day, que morreu em 2015, aos 27 anos, ap\u00f3s sofrer por anos de diabulimia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela tinha sido diagnosticada com diabetes tipo 1 aos 14 anos de idade. Por isso, precisava de inje\u00e7\u00f5es di\u00e1rias de insulina e tinha de cuidar da dieta. Mas ela tomava quantidades bem abaixo de insulina do que deveria. Os efeitos do descompasso no uso da medica\u00e7\u00e3o foram devastadores: emagreceu, teve problemas nos rins e nos olhos. Com a sa\u00fade debilitada, sofreu um infarto fatal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Katie Edwards, a irm\u00e3 mais velha de Lisa, cedeu \u00e0 BBC trechos do di\u00e1rio escrito pela ca\u00e7ula, para alertar a respeito desse dist\u00farbio pouco conhecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lisa come\u00e7ou a escrever o di\u00e1rio pouco depois de ser diagnosticada com diabetes, em setembro de 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os relatos revelam um perfil t\u00edpico de uma jovem com anorexia, mas que tamb\u00e9m tem de lidar com o diabetes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;15 de mar\u00e7o de 2002<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Me sinto t\u00e3o gorda. Me odeio. Amanh\u00e3 come\u00e7o a trabalhar em um petshop. H\u00e1 uma discoteca no FC amanh\u00e3. Vou com Holly.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">18 de mar\u00e7o de 2002<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tive uma &#8216;hipo&#8217; (hipoglicemia) terr\u00edvel na hora do almo\u00e7o. Estava sentada com Mike e sua namorada. N\u00e3o acho que ele ache que eu estou em boa forma.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A ci\u00eancia por tr\u00e1s da diabulimia<\/strong><br \/>\nA ci\u00eancia b\u00e1sica por tr\u00e1s da diabulimia \u00e9 que, sem insulina para processar a glicose, o corpo n\u00e3o pode quebrar os a\u00e7\u00facares dos alimentos para obter energia. Em vez disso, as c\u00e9lulas do corpo come\u00e7am a quebrar a gordura j\u00e1 armazenada no organismo, liberando o excesso de a\u00e7\u00facar pela urina. Na aus\u00eancia de gordura, o corpo come\u00e7ar a queimar m\u00fasculo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um ano depois do document\u00e1rio, Becky contou ao programa Newsbeat, da Radio 1 da BBC, que &#8220;as coisas meio que melhoraram&#8221; para ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela n\u00e3o precisa mais usar muletas, tampouco consultar a equipe de acompanhamento de sa\u00fade mental. E diz que est\u00e1 animada com os planos para o futuro:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Estou noiva e vou me casar. Meu companheiro foi morar comigo e temos uma cachorrinha.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ela \u00e9 meu beb\u00ea agora e isso tem me ajudado muito. Animais de estima\u00e7\u00e3o t\u00eam esse poder, ela me d\u00e1 muito carinho&#8221;, contou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO financiamento para a pesquisa sobre diabulimia foi obtido pela cientista cl\u00ednica Marietta Stadler, que trabalha no King&#8217;s College Hospital, em Londres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela e sua equipe v\u00e3o usar a verba para tentar entender melhor a condi\u00e7\u00e3o. Para isso, v\u00e3o entrevistar pessoas que apresentam o transtorno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Voc\u00ea n\u00e3o pode ter um bando de m\u00e9dicos decidindo sobre uma interven\u00e7\u00e3o, as pessoas que vivem com a condi\u00e7\u00e3o precisam estar envolvidas&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa deve levar cinco anos, e o plano atual \u00e9 criar um programa de tratamento de 12 m\u00f3dulos \u2014 uma sess\u00e3o quinzenal por seis meses \u2014 para pacientes com diabulimia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao saber da pesquisa, Becky diz que &#8220;j\u00e1 n\u00e3o era sem tempo, porque o diabetes \u00e9 negligenciado&#8221;. Mas ela tamb\u00e9m manifesta algumas preocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Todo mundo \u00e9 diferente e cada um de n\u00f3s trata a diabulimia e diabetes de formas completamente distintas. Ent\u00e3o eu suponho que \u00e9 onde poderia pegar um pouco.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O que voc\u00ea pode fazer em 12 sess\u00f5es com algu\u00e9m que tem diabulimia? Voc\u00ea n\u00e3o vai a fundo em um encontro quinzenal, n\u00e3o sei se \u00e9 suficiente&#8221;, completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O financiamento foi concedido pelo Instituto Nacional de Pesquisa em Sa\u00fade (NIHR, na sigla em ingl\u00eas), que oferece verba para projetos de pesquisa que dizem ter &#8220;um claro benef\u00edcio para os pacientes e para o p\u00fablico&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Tudo o que financiamos deve ter um efeito real e \u00fatil para o NHS (sistema p\u00fablico de sa\u00fade do Reino Unido), e a pesquisa de Marietta foi um grande exemplo disso.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marietta Stadler afirma, por sua vez, que a pesquisa \u00e9 apenas o &#8220;primeiro passo&#8221;. Segundo ela, ap\u00f3s os cinco anos de financiamento, seria necess\u00e1rio um estudo maior antes de qualquer programa oficial de tratamento ser adotado pelo NHS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Como todo mundo, quem \u00e9 diagnosticado com diabetes tipo 1 n\u00e3o tem apenas necessidades de sa\u00fade f\u00edsica, tamb\u00e9m tem necessidades de sa\u00fade mental&#8221;, disse um porta-voz do governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ONG Diab\u00e9ticos com Transtornos Alimentares (DWED na sigla em ingl\u00eas) estima que 40% das mulheres com diabetes tipo 1 admitem ter negligenciado a administra\u00e7\u00e3o de insulina para perder peso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos casos mais graves, transtorno pode levar a insufici\u00eancia card\u00edaca, amputa\u00e7\u00e3o de membros e at\u00e9 morte. &#8220;Tenho a minha vida e tenho meus p\u00e9s. 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