{"id":51921,"date":"2019-03-25T10:34:08","date_gmt":"2019-03-25T13:34:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=51921"},"modified":"2019-03-25T10:34:08","modified_gmt":"2019-03-25T13:34:08","slug":"cancer-na-adolescencia-gera-multiplos-desafios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/cancer-na-adolescencia-gera-multiplos-desafios\/","title":{"rendered":"C\u00e2ncer na adolesc\u00eancia gera m\u00faltiplos desafios"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Quando as aulas de tecido acrob\u00e1tico come\u00e7aram, Yasmin Lino percebeu que sempre voltava para casa com o nariz entupido. Na manh\u00e3 seguinte, costumava acordar com o nariz sangrando. Apesar do susto inicial, ela acabou deixando para l\u00e1 durante um ano. Estava preocupada em ir para a escola, em dar continuidade \u00e0 vida. At\u00e9 que sentiu uma enxaqueca forte e precisou procurar um otorrino. A sequ\u00eancia de eventos posteriores mudou a vida da ent\u00e3o adolescente de 14 anos para sempre. Yasmin descobriu que s\u00f3 tinha 10% da narina funcionando. Depois, teve diagnosticado um tumor e na sequ\u00eancia um c\u00e2ncer &#8211; o neuroblastoma olfat\u00f3rio, doen\u00e7a rara nesta fase da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2019, estima- -se que 12,5 mil crian\u00e7as e adolescentes sejam diagnosticados com c\u00e2ncer no Brasil. O n\u00famero de c\u00e2nceres em adolescentes e adultos jovens, entre 15 e 30 anos, \u00e9 duas vezes e meia maior do que entre pacientes de at\u00e9 15 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O Instituto Nacional do C\u00e2ncer (Inca) aponta que a maior quantidade de casos ser\u00e1 registrada no Sudeste e no Nordeste. Preocupa o fato de que as taxas de sobrevida &#8211; o tempo de vida ap\u00f3s o diagn\u00f3stico &#8211; n\u00e3o vem melhorando de forma acentuada nas \u00faltimas d\u00e9cadas, como ocorre nos casos de adultos e crian\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A passagem da inf\u00e2ncia para a fase adulta \u00e9 composta de limbos de informa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo sobre quando come\u00e7a e termina. No meio, est\u00e3o pessoas passando por mudan\u00e7as hormonais e comportamentais, buscando a independ\u00eancia. Quando esses fatores se somam \u00e0 descoberta do c\u00e2ncer, resvalam em peculiaridades na abordagem e tratamento, al\u00e9m da interrup\u00e7\u00e3o de sensa\u00e7\u00f5es como a liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Yasmin estava em casa, estudando para uma prova, quando recebeu o resultado da bi\u00f3psia confirmando o tumor. No dia seguinte, fez quest\u00e3o de ir \u00e0 escola e s\u00f3 depois ao hospital para ser atendida. Ao chegar, foi internada na UTI. \u201cEu cheguei de farda. Disse \u2018calma, tenho aula amanh\u00e3\u2019. Era imatura. N\u00e3o deixava nenhuma enfermeira se aproximar\u201d, lembra. Yasmin nunca mais voltou para a escola. Come\u00e7ava ali uma jornada de luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma reuni\u00e3o com os m\u00e9dicos, recebeu um protocolo de tratamento com limites para tudo. \u201cEu questionava os exames, ningu\u00e9m me deixava comer o que eu queria\u201d, lembra. O comportamento de Yasmin \u00e9 comum a adolescentes na mesma situa\u00e7\u00e3o. \u201cO tratamento n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, voc\u00ea perde parte da autonomia, vive com hor\u00e1rios para comer, tomar banho, medica\u00e7\u00e3o. Ela foi pin\u00e7ada de um mundo e inserida em outro\u201d, explica a psic\u00f3loga do Real Hospital Portugu\u00eas Arli Melo Pedrosa, respons\u00e1vel por ajudar a romper a resist\u00eancia de Yasmin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img src=\"http:\/\/imgsapp.diariodepernambuco.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/03\/24\/781518\/20190324165130534896u.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O c\u00e2ncer na adolesc\u00eancia \u00e9 tratado pela oncopediatria, ou seja, o adolescente \u00e9 for\u00e7ado a se aproximar da imagem da qual costuma fazer quest\u00e3o de se afastar, a de crian\u00e7a. \u201cMuito se diz que adolescente \u00e9 dif\u00edcil, na verdade dif\u00edcil \u00e9 a gente entender as necessidades dele. Devemos estar preparados para momentos de agressividade\u201d, afirma a pediatra Mara Albonei Pianoski, do Departamento de Oncologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). \u00c0s mudan\u00e7as inerentes \u00e0 idade, associa-se o impacto nos planos de vida provocados pelo tratamento do c\u00e2ncer e o distanciamento com os amigos, acrescenta o chefe do Real OncoPediatria, Francisco Pedrosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>VOLUNT\u00c1RIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Yasmin passou um m\u00eas e meio na UTI, mais 15 dias na enfermaria. Fez um ano de quimioterapia. Na primeira sess\u00e3o, o cabelo come\u00e7ou a cair. Tamb\u00e9m fez radioterapia. Na primeira semana de tratamento, perdeu 4kg. Ao longo de todo o processo, vendo o que acontecia dentro do hospital, come\u00e7ou a se abrir para conversar com a equipe e a aceitar a situa\u00e7\u00e3o. \u201cPercebi que dependeria de mim enfrentar da pior ou melhor forma.\u201d Yasmin usou as redes sociais para se expressar em forma de texto e percebeu como poderia ajudar outras pessoas na mesma situa\u00e7\u00e3o. Houve momentos de passar o dia chorando e a noite tendo pesadelos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dos textos, ganhar uma c\u00e2mera fotogr\u00e1fica ajudou-a a passar pelos dias mais dif\u00edceis. Desde que terminou o tratamento, em outubro e 2017, ela assumiu o compromisso de voltar uma vez por m\u00eas ao hospital, como volunt\u00e1ria. A adolescente que um dia rejeitou esse ambiente agora n\u00e3o consegue mais viver sem ele. Rec\u00e9m-aprovada no vestibular de artes visuais, ela usa a fotografia para empoderar outros pacientes da ala infantojuvenil da oncologia. \u201cO c\u00e2ncer n\u00e3o \u00e9 a pior coisa. Para mim, foi o que de melhor aconteceu na minha vida. Amadureci, deixei de me sentir injusti\u00e7ada e aprendi que tudo \u00e9 uma fase. Aprendi a viver o dia exato e n\u00e3o morrer de v\u00e9spera.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando as aulas de tecido acrob\u00e1tico come\u00e7aram, Yasmin Lino percebeu que sempre voltava para casa com o nariz entupido. Na manh\u00e3 seguinte, costumava acordar com o nariz sangrando. Apesar do susto inicial, ela acabou deixando para l\u00e1 durante um ano. Estava preocupada em ir para a escola, em dar continuidade \u00e0 vida. 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