{"id":51924,"date":"2019-03-25T10:39:56","date_gmt":"2019-03-25T13:39:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=51924"},"modified":"2019-03-25T10:39:56","modified_gmt":"2019-03-25T13:39:56","slug":"endometriose-atinge-cerca-de-7-milhoes-de-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/endometriose-atinge-cerca-de-7-milhoes-de-brasileiras\/","title":{"rendered":"Endometriose atinge cerca de 7 milh\u00f5es de brasileiras"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Mar\u00e7o \u00e9 o M\u00eas da Conscientiza\u00e7\u00e3o da Endometriose, doen\u00e7a cr\u00f4nica, progressiva, incur\u00e1vel, que \u00e9 respons\u00e1vel por dores incapacitantes e infertilidade feminina<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cr\u00f4nica, progressiva, incur\u00e1vel. \u00c9 assim que a maioria dos m\u00e9dicos descreve a endometriose, doen\u00e7a feminina que est\u00e1 ligada \u00e0 menstrua\u00e7\u00e3o, mas que acomete de forma sist\u00eamica milh\u00f5es de mulheres no mundo. Estimativas nacionais apontam que cerca de sete milh\u00f5es de brasileiras em idade f\u00e9rtil t\u00eam a enfermidade, mas a grande maioria sequer sabe disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O diagn\u00f3stico quase nunca \u00e9 precoce: de seis a oito anos \u00e9 o tempo m\u00e9dio em que se descobre a doen\u00e7a. A repercuss\u00e3o \u00e9 o prolongamento da dor e o tratamento tardio que pode gerar mais complica\u00e7\u00f5es. O motivo? Desconhecimento seja por parte dos profissionais da sa\u00fade e tamb\u00e9m das pacientes. Em mar\u00e7o, M\u00eas da Conscientiza\u00e7\u00e3o da Endometriose, especialistas e portadoras buscam dar visibilidade para este sofrimento \u00edntimo, tantas vezes incompreendido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuanto mais os estudiosos pesquisam menos a gente sabe ainda. Para se ter uma ideia, a teoria mais aceita para explicar a origem da endometriose vai fazer 100 anos. \u00c9 a teoria de Sampson, de 1924\u201d, comentou o m\u00e9dico do Real Hospital Portugu\u00eas (RHP), Gilvan Santos, um mais conhecidos especialistas da \u00e1rea no Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A teoria a que ele se refere apontou que a causa da enfermidade est\u00e1 na menstrua\u00e7\u00e3o retr\u00f3grada, onde o sangue da menstrua\u00e7\u00e3o ao inv\u00e9s de descer pela vagina pode seguir o caminho contr\u00e1rio e subir pelas trompas, se alojando nelas, nos ov\u00e1rios, na cavidade p\u00e9lvica ou ao cair na corrente sangu\u00ednea, se alojando em outras partes do corpo como pulm\u00e3o, bexiga, diafragma e at\u00e9 cora\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 suficiente algumas gotas desse sangue para provocar implantes de c\u00e9lulas endometriais. E dai vem a endometriose\u201d, prosseguiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que h\u00e1 \u00e9 um mecanismo de implanta\u00e7\u00e3o que funciona da seguinte forma: as c\u00e9lulas do endom\u00e9trio (que \u00e9 a camada mais interna no \u00fatero e descama todos os meses na menstrua\u00e7\u00e3o) podem escapar do fluxo normal da menstrua\u00e7\u00e3o, seguir o caminho inverso se proliferando em outros tecidos e \u00f3rg\u00e3os e levando a processos inflamat\u00f3rios, que s\u00e3o em si a doen\u00e7a. Porque isso acontece? Porque algumas mulheres t\u00eam e outras n\u00e3o t\u00eam? Ainda n\u00e3o h\u00e1 resposta definitiva. \u201cEst\u00e1 sempre foi uma doen\u00e7a enigm\u00e1tica. H\u00e1 v\u00e1rias tentativas de explica\u00e7\u00e3o como fatores heredit\u00e1rios e fatores imunol\u00f3gicos. O certo \u00e9 que a frequ\u00eancia epidemiol\u00f3gica da doen\u00e7a \u00e9 muito grande hoje\u201d, comentou o m\u00e9dico Neidson Menezes, do Centro de Endometriose e Histeroscopia de Pernambuco (CEHP).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">C\u00f3licas incapacitantes dentro e\/ou fora do per\u00edodo menstrual, dor nas rela\u00e7\u00f5es sexuais, dor e sangramento intestinais e urin\u00e1rios, al\u00e9m de dificuldade para engravidar s\u00e3o os principais sintomas, que n\u00e3o devem ser subvalorizados nem pelas pacientes e muito menos pelos ginecologistas. \u201cO que vemos muitas vezes s\u00e3o pacientes rodando por profissionais, ou porque eles n\u00e3o querem este perfil de paciente ou porque desconhecem a doen\u00e7a\u201d, comentou Menezes. Apesar de grave, n\u00e3o se morre dela, mas com ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;N\u00e3o \u00e9 frescura&#8221;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas Glayciane Gon\u00e7alves, 37 anos, \u00e9 uma das muitas portadoras que peregrinaram em busca de diagn\u00f3stico e tratamento correto. E que acabaram numa saga de erros, acertos e anos de sofrimento acumulados. \u201cEndometriose n\u00e3o \u00e9 brincadeira. N\u00e3o \u00e9 frescura. N\u00e3o ficamos assim por que queremos. Simplesmente n\u00e3o conseguimos desempenhar nossas atividades nem fazer o que gostamos\u201d, desabafou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No come\u00e7o da juventude, c\u00f3licas fortes acompanharam Glayciane que vivia pulando de m\u00e9dico em m\u00e9dico para entender porque sua dor era maior que das outras garotas. Muitos rem\u00e9dios e exames depois, um cisto foi verificado no ov\u00e1rio. \u201cNa \u00e9poca falaram que esse cisto precisava ser retirado ou corria o risco de estourar. E assim foi feita uma cirurgia aberta, mas seis meses depois as mesmas dores voltaram e o tal cisto reapareceu. Foi em mais uma ida na emerg\u00eancia que uma m\u00e9dica plantonista falou a palavra endometriose a primeira vez para mim. Acabou solicitando uma resson\u00e2ncia. O cisto j\u00e1 era endometriose. Eu n\u00e3o sabia, e o profissional que me acompanhava antes n\u00e3o soube diagnosticar\u201d, relembrou sobre a descoberta da doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com indica\u00e7\u00e3o cir\u00fargica (a remo\u00e7\u00e3o dos focos de endometriose s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por cirurgia), ela procurou por meses um cirurgi\u00e3o habilitado. De 2012 at\u00e9 agora j\u00e1 foram seis procedimentos porque os focos reaparecem. Atualmente com DIU e fazendo uso de anticoncepcional para impedir a menstrua\u00e7\u00e3o (que funciona como gatilho para o avan\u00e7o da doen\u00e7a), ela aguarda mais uma cirurgia, al\u00e9m de fazer suplementa\u00e7\u00f5es de Ferro, vitamina D e \u00d4mega3 e analg\u00e9sicos quase diariamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Infertilidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A endometriose n\u00e3o impede a mulher de gestar, mas ela dificulta muito a mulher de engravidar. A paciente portadora tem 75% de dificuldade para engravidar\u201d, disse o m\u00e9dico Gilvan Santos. Neste caso est\u00e3o a enfermeira Rafaelle Lopes, 31, e a dona de casa Renata Cinthia Bastos, 38.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCasei e veio a decis\u00e3o de aumentar a fam\u00edlia. Passou um ano e a gesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o aconteceu, mas as dores sempre vinham cada vez mais intensas. Muitas vezes, eu era questionada por pessoas do meu conv\u00edvio se realmente eu sentia toda aquela dor que eu falava. Ainda assim, me diziam para eu ter paci\u00eancia que a gesta\u00e7\u00e3o logo chegaria, mas n\u00e3o foi bem isso\u201d, contou Rafaelle. Depois de passar por oito ginecologistas, fazer v\u00e1rios exames como histeroscopia (uma esp\u00e9cie de endoscopia do \u00fatero) e ultrassons, apenas um especialista acreditou nela e solicitou uma resson\u00e2ncia da pelve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando recebi o diagn\u00f3stico foi um misto de alegria e dor. A dor foi porque sabia que talvez n\u00e3o conseguisse gerar filhos de forma natural e a alegria porque havia descoberto finalmente o que eu tinha\u201d, disse. Uma cirurgia por v\u00eddeo foi indicada e uma terapia hormonal para impedir a menstrua\u00e7\u00e3o. Ela iniciou um processo de fertiliza\u00e7\u00e3o agora e pleiteia com o plano de sa\u00fade os custos do procedimento, j\u00e1 que no SUS n\u00e3o encontrou assist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Perseveran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Quem tamb\u00e9m est\u00e1 na Justi\u00e7a para garantir a fertiliza\u00e7\u00e3o pelo plano \u00e9 a dona de casa Renata Cinthia. A hist\u00f3ria dela come\u00e7ou ainda na adolesc\u00eancia. Dores, fluxo menstrual intenso e ciclos irregulares fizeram uma m\u00e9dica indicar anticoncepcional oral, sem muitos exames internos porque ela era virgem, mas os comprimidos n\u00e3o estavam dando certo. \u201cEm Julho de 2007 resolvemos fazer a minha primeira cirurgia ginecol\u00f3gica investigativa, o que seria a videolaparoscopia, e foi quando eu obtive o diagn\u00f3stico: eu estava com endometriose. Na \u00e9poca eu n\u00e3o tinha ideia do que era e os m\u00e9dicos tamb\u00e9m n\u00e3o sabiam quase nada\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somente anos depois \u00e9 que ela descobriu que tinha sido retirado um dos ov\u00e1rios. J\u00e1 casada, em 2009, come\u00e7ou a intensificar os testes para definir a extens\u00e3o das inflama\u00e7\u00f5es e buscar mais tratamentos. Em 2011, o anticoncepcional injet\u00e1vel foi suspenso para iniciar as tentativas de gravidez pelo prazo de um ano. \u201cComo n\u00e3o conseguimos, fui encaminhada para um cirurgi\u00e3o ginecol\u00f3gico para que eu fizesse a minha segunda cirurgia videolaparosc\u00f3pica e, assim, tentar limpar alguns focos da endometriose\u201d, relembrou. Uma terceira opera\u00e7\u00e3o ocorreu em 2017, quando foram verificados focos no intestino, houve complica\u00e7\u00f5es e foi necess\u00e1rio realizar uma colostomia (exterioriza\u00e7\u00e3o de parte do intestino atrav\u00e9s da parede abdominal). A colostomia j\u00e1 foi revertida e ela aguarda a hora para fazer uma reprodu\u00e7\u00e3o assistida. Apesar do sofrimento, a f\u00e9 move Renata. \u201cTenho certeza que ainda vou testemunhar minha vit\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SUS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nota, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS) informou que o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) oferta servi\u00e7os de sa\u00fade \u00e0 mulher para diagn\u00f3stico e tratamento da endometriose. \u201cA rede de assist\u00eancia na Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e na Aten\u00e7\u00e3o Especializada de M\u00e9dia e Alta Complexidade acompanha as pacientes, sendo que na maioria dos casos, o diagn\u00f3stico cl\u00ednico-ginecol\u00f3gico da endometriose \u00e9 suficiente, o que permite iniciar o tratamento e manter o acompanhamento da mulher a fim de avaliar a resposta terap\u00eautica\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o n\u00famero de procedimentos realizados, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade aponta que, em 2017, foram registrados 20.883 procedimentos ambulatoriais relacionados \u00e0 endometriose, no pa\u00eds. E, em 2018 foram 23.635, ao custo de R$ 7.67 milh\u00f5es. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o aos procedimentos hospitalares, a pasta informa que foram realizadas 10.811 interna\u00e7\u00f5es no ano de 2017 e em 2018, 12.235 ao custo de R$ 9,32 milh\u00f5es. Cabe ressaltar que os dados de 2018 ainda s\u00e3o preliminares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Secretaria Estadual de Sa\u00fade (SES) informou que a regula\u00e7\u00e3o para os casos de endometriose \u00e9 das prefeituras. A reportagem buscou a Prefeitura do Recife que refor\u00e7ou que a rede municipal tem atendimento com ginecologistas e exames diagn\u00f3sticos, como ultrassonografia e resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, por exemplo, para as pacientes. Afirmou ainda que quando necess\u00e1rio, as pacientes s\u00e3o encaminhadas para exames mais espec\u00edficos e para tratamento nas unidades do Estado. A Vigil\u00e2ncia \u00e0 Sa\u00fade do Recife n\u00e3o tem dados referentes \u00e0 pacientes com endometriose.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/www.folhape.com.br\/obj\/1\/319645,700,80.jpg\" alt=\"Como \u00c3\u00a9 mecanismo da endometriose\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mar\u00e7o \u00e9 o M\u00eas da Conscientiza\u00e7\u00e3o da Endometriose, doen\u00e7a cr\u00f4nica, progressiva, incur\u00e1vel, que \u00e9 respons\u00e1vel por dores incapacitantes e infertilidade feminina Cr\u00f4nica, progressiva, incur\u00e1vel. \u00c9 assim que a maioria dos m\u00e9dicos descreve a endometriose, doen\u00e7a feminina que est\u00e1 ligada \u00e0 menstrua\u00e7\u00e3o, mas que acomete de forma sist\u00eamica milh\u00f5es de mulheres no mundo. 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