{"id":52218,"date":"2019-04-08T09:43:13","date_gmt":"2019-04-08T12:43:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=52218"},"modified":"2019-04-08T09:43:13","modified_gmt":"2019-04-08T12:43:13","slug":"quatro-anos-apos-epidemia-blog-da-unb-acompanha-familias-afetadas-pelo-zika","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/quatro-anos-apos-epidemia-blog-da-unb-acompanha-familias-afetadas-pelo-zika\/","title":{"rendered":"Quatro anos ap\u00f3s epidemia, blog da UnB acompanha fam\u00edlias afetadas pelo Zika"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Kauan completou quatro anos. Sobreviveu aos primeiros progn\u00f3sticos lan\u00e7ados durante a epidemia da S\u00edndrome Cong\u00eanita da Zika, que afetou crian\u00e7as expostas ao v\u00edrus zika durante a gravidez e fez surgir um novo perfil de microcefalia no mundo. O menino segue em m\u00faltiplos tratamentos, sem nunca ter vivenciado estado vegetativo, como sugeriram um dia. \u00c9 imensa fonte de amor para os seus. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel esquecer Kauan. Ele e outras crian\u00e7as nas mesmas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade resistem junto com suas fam\u00edlias quase quatro anos depois da descoberta dos primeiros casos. Precisam de pol\u00edticas p\u00fablicas eficientes at\u00e9 o \u00faltimo dia de suas vidas. Porque t\u00eam direito, assim como qualquer outra crian\u00e7a. N\u00e3o s\u00e3o invis\u00edveis. Ao menos n\u00e3o deveriam ser, do ponto de vista de garantia de direitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem longe de Pernambuco, estado onde Kauan mora e onde a epidemia se apresentou mais grave, est\u00e1 a antrop\u00f3loga Soraya Fleischer, professora do Departamento de Antropologia da Universidade de Bras\u00edlia (UNB). Ela se juntou aos estudantes e criou um blog chamado Microhist\u00f3rias. A ideia \u00e9 impedir que os casos caiam no esquecimento. No espa\u00e7o online, relatam as narrativas de vida de pessoas afetadas pela s\u00edndrome em Pernambuco. Doze fam\u00edlias s\u00e3o acompanhadas desde 2016. O projeto, bancado pelo CNPQ, ter\u00e1 financiamento at\u00e9 2020. A expectativa \u00e9 dar continuidade ao blog por conta pr\u00f3pria. Porque a iniciativa j\u00e1 virou um projeto de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os textos do blog usam um vocabul\u00e1rio distante do usado na academia e, portanto, mais acess\u00edveis. Uma vez por semestre, os estudiosos v\u00eam ao Recife, onde passam 15 dias acompanhando as fam\u00edlias. \u201cPrecisamos entender, do ponto de vista da antropologia, o assunto. A m\u00eddia cobriu muito, havia muita gente de sa\u00fade envolvida, claro, por ser um v\u00edrus novo, mas as ci\u00eancias sociais tamb\u00e9m t\u00eam muito a dizer. Com o afastamento da m\u00eddia, as mulheres diziam: a gente t\u00e1 sendo abandonada\u201d, pontua Soraya. A pr\u00f3xima visita acontece na primeira semana de julho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rotina das fam\u00edlias \u00e9 narrada no formato de conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias. S\u00e3o textos curtos para serem lidos por qualquer pessoa, no \u00f4nibus ou na fila do banco. \u201cTemos cerca de 30 textos que trazem hist\u00f3rias de mulheres e suas dificuldades de mobilidade, acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade, brigas na farm\u00e1cia do estado, discuss\u00e3o com o marido\u201d, ilustra Soraya.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia de Kauan \u00e9 uma das acompanhadas pelo projeto. O menino vive com os pais e a av\u00f3 materna em uma casa no bairro de Nova Descoberta, no Recife. De segunda a sexta, faz reabilita\u00e7\u00e3o pela manh\u00e3 e, \u00e0 tarde, frequenta uma escola municipal. Hoje, pesa 20 quilos e j\u00e1 come\u00e7ou a comer alimentos s\u00f3lidos. O momento mais dif\u00edcil para a fam\u00edlia foi o internamento da crian\u00e7a durante 27 dias. \u201cEle \u00e9 muito importante na minha vida. Me fez uma pessoa mais forte, determinada. Vou lutar at\u00e9 o fim pelos direitos dele\u201d, promete a av\u00f3, Concei\u00e7\u00e3o Oliveira, 44.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suzana Lima da Silva, 29, tamb\u00e9m teve o filho condenado ao estado vegetativo. \u00c9 outra m\u00e3e a contar sua hist\u00f3ria no blog. Wilian completou 3 anos e segue em seus pequenos avan\u00e7os. \u201cVejo que ele evoluiu, a gente percebe no dia a dia, devagar\u201d, conta a dona de casa, acometida pelo zika no quinto m\u00eas de gravidez. Hoje o menino frequenta uma creche e faz os tratamentos ao longo da semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQualidade de vida para nossas crian\u00e7as n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 falar, andar e sentar. \u00c9 comer pela boca, fazer coc\u00f4 todo dia, n\u00e3o respirar por traqueostomia, n\u00e3o se atrofiar com escoliose, n\u00e3o viver internado\u201d, ressalta Germana Soares, fundadora da Uni\u00e3o de M\u00e3es de Anjos (UMA), onde est\u00e3o associadas 409 fam\u00edlias. Atrav\u00e9s do WhatsApp, elas se comunicam. Para Germana, o estado oferece um servi\u00e7o ainda ineficiente, segundo ela, porque est\u00e1 sobrecarregado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entrevista com Celina Turchi, epidemiologista da Fiocruz<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A expectativa era uma mortalidade maior de crian\u00e7as com diagn\u00f3stico da S\u00edndrome Cong\u00eanita da Zika. Quase quatro anos depois, muitas seguem. Como voc\u00ea percebe esse comportamento da doen\u00e7a?<\/em><br \/>\nNo jarg\u00e3o m\u00e9dico, dizemos que as doen\u00e7as apresentam espectro de gravidade. Sabemos hoje que a exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus zika durante a gravidez pode ocasionar n\u00e3o s\u00f3 nascidos vivos com anormalidades, mas tamb\u00e9m abortos e natimortos. Entre os nascidos vivos, um percentual dos casos mais graves morre nos primeiros seis dias de vida, o chamado per\u00edodo neonatal precoce. Essa caracter\u00edstica de maior mortalidade no per\u00edodo neonatal precoce representa comportamento padr\u00e3o das curvas de mortalidade na inf\u00e2ncia. Existe, portanto, a perspectiva de sobrevida de mais longa dura\u00e7\u00e3o na depend\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas e dos cuidados de sa\u00fade institu\u00eddos. Apenas o monitoramento de longo prazo permitir\u00e1 responder sobre o perfil de sobrevida das crian\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O que temos de concreto at\u00e9 hoje sobre a epidemia? Quais pesquisas est\u00e3o em andamento?<\/em><br \/>\nDo ponto de vista cient\u00edfico, estudos mostraram evid\u00eancias que o v\u00edrus da zika podia causar anormalidades fetais, nova infec\u00e7\u00e3o cong\u00eanita. Esta descoberta cient\u00edfica foi de import\u00e2ncia mundial para a sa\u00fade reprodutiva da mulher. As caracter\u00edsticas dessa nova s\u00edndrome foram descritas, incluindo achados neurol\u00f3gicos, oftalmol\u00f3gicos, auditivos, retardo do crescimento e desenvolvimento motor, etc. O pico da epidemia de microcefalia associada \u00e0 Zika ocorreu entre outubro de 2015 a fevereiro de 2016 no Nordeste; no p\u00f3s-epidemia h\u00e1 evid\u00eancias epidemiol\u00f3gicas que o v\u00edrus zika continua circulando, por\u00e9m com menor intensidade. Entre os projetos em andamento realizados por pesquisadores do Microcephaly Epidemic Reserach Group (MERG) citamos: monitoramento das gr\u00e1vidas com e sem exantema e expostas ao v\u00edrus zika, monitoramento das crian\u00e7as nascidas das m\u00e3es infectadas, impacto social nas fam\u00edlias. Citamos ainda o inqu\u00e9rito populacional para demarcar a exposi\u00e7\u00e3o aos v\u00edrus zika, dengue e chikungunya em Recife, sob a coordena\u00e7\u00e3o da doutora Cynthia Braga da Fiocruz-Pernambuco. Muitos s\u00e3o projetos colaborativos com o cons\u00f3rcio europeu (ZikaPlan), Medical Research Council-UK, Wellcome Trust, Organiza\u00e7\u00e3o Pan Americana de Sa\u00fade, Minist\u00e9rio da Sa\u00fade do Brasil entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>H\u00e1 risco de novas epidemias?<\/em><br \/>\nPelo que sabemos da epidemiologia da infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus zika, a resposta \u00e9 sim. H\u00e1 abund\u00e2ncia de mosquitos (Aedes aegypti) que s\u00e3o os transmissores da infec\u00e7\u00e3o, parte da popula\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 suscet\u00edvel e o v\u00edrus continua circulando embora em menor intensidade. As condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas regionais s\u00e3o ideais para a prolifera\u00e7\u00e3o, a urbaniza\u00e7\u00e3o desordenada e o saneamento prec\u00e1rio dificultam o controle dos criadouros dos mosquitos e ainda n\u00e3o existe vacina antiZika. A pergunta que mobiliza os pesquisadores \u00e9: quando teremos novos surtos e quais s\u00e3o as \u00e1reas de maior risco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kauan completou quatro anos. 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