{"id":52669,"date":"2019-04-30T08:11:38","date_gmt":"2019-04-30T11:11:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=52669"},"modified":"2019-04-30T08:11:38","modified_gmt":"2019-04-30T11:11:38","slug":"a-extraordinaria-cientista-que-estudou-o-cerebro-de-einstein-e-revolucionou-a-neurociencia-moderna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/a-extraordinaria-cientista-que-estudou-o-cerebro-de-einstein-e-revolucionou-a-neurociencia-moderna\/","title":{"rendered":"A extraordin\u00e1ria cientista que estudou o c\u00e9rebro de Einstein e revolucionou a neuroci\u00eancia moderna"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Os estudos de Marian Diamond quebraram o paradigma de que o c\u00e9rebro era uma estrutura est\u00e1tica que n\u00e3o mudava; foi ela quem determinou os cinco fatores para ter um c\u00e9rebro saud\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Horas antes de Marian Diamond nascer, o pai dela levou os outros cinco filhos ao hospital para se despedirem. Os m\u00e9dicos haviam dito que poderiam salvar apenas uma das duas: a m\u00e3e ou a filha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Um tumor uterino grande me acompanhou durante o processo gesta\u00e7\u00e3o da minha m\u00e3e, que tinha 42 anos&#8221;, contou a cientista americana. &#8220;Mas eles estavam errados! Minha m\u00e3e viveu at\u00e9 os 75 anos e eu tenho 80 anos&#8221;, escreveu Diamond em um ensaio de 2007 sobre sua vida e carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela estuda o c\u00e9rebro e revoluciona a forma como o entendemos, e seu legado como professora universit\u00e1ria tem inspirado v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de m\u00e9dicos, pesquisadores e cientistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A dama da caixa florida<\/strong><br \/>\nDiamond tinha o costume de caminhar pela Universidade Berkeley, na Calif\u00f3rnia, elegantemente vestida levando consigo uma caixa com estampa floral originalmente para carregar chap\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quando olham uma senhora com uma caixa para chap\u00e9u n\u00e3o imaginam o que ela est\u00e1 transportando&#8221;, contou, em tom de piada, a um grupo de estudantes em 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro da elegante caixa, Diamond levava o \u00f3rg\u00e3o do corpo humano pelo qual se apaixonou ainda na adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o se compara a nada&#8221;, disse no document\u00e1rio My Love Affair with the Brain (Minha hist\u00f3ria de amor com o c\u00e9rebro, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Isso \u00e9 o que voc\u00ea realmente \u00e9, se voc\u00ea tirar o c\u00e9rebro, voc\u00ea tira a pessoa&#8221;, declarou com um c\u00e9rebro nas m\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A massa mais complexa da Terra<\/strong><br \/>\nDiamond nasceu na Calif\u00f3rnia em 11 de novembro de 1926. &#8220;Quando tinha 15 anos, vi meu primeiro c\u00e9rebro humano enquanto caminhava pelo corredor do hospital do condado de Los Angeles, atr\u00e1s do meu pai, que visitava os pacientes&#8221;, escreveu a pesquisadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela conta que uma porta estava ligeiramente aberta e, no interior do quarto, havia um c\u00e9rebro sobre uma mesa pequena. Quatro homens vestindo aventais brancos o rodeavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o sabia o que estavam fazendo, mas a imagem desse c\u00e9rebro, que antes tinha tido a possibilidade de criar ideias, ficou no meu c\u00e9rebro para sempre. A imagem \u00e9 t\u00e3o clara que \u00e9 como se tivesse sido ontem&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A ideia era fascinante: esse c\u00e9rebro representava a massa do protoplasma mais complexa da Terra e, quem sabe, da nossa gal\u00e1xia&#8221;, emendou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diamond conta que algo dentro dela lhe dizia que teria a oportunidade de aprender mais sobre aquela nobre parte do corpo humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi uma quest\u00e3o de tempo. Pouco tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rompendo paradigmas<\/strong><br \/>\nDiamond se formou em biologia aos 21 anos e, em 1948, come\u00e7ou seus estudos sobre o sistema nervoso no Departamento de Anatomia da Universidade Berkeley.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPouco tempo depois, foi promovida a professora-assistente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela \u00e9poca, &#8220;ningu\u00e9m estudava anatomia das fun\u00e7\u00f5es cognitivas superiores&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de o departamento onde trabalhava estar concentrado em estudos sobre os horm\u00f4nios, ela encontrou algo que a cativou: o hipot\u00e1lamo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Como 4 gramas de tecido nervoso poderiam desempenhar uma variedade t\u00e3o grande de fun\u00e7\u00f5es?&#8221;, lembrou ela em seu ensaio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim come\u00e7ou uma carreira de sucesso como pesquisadora e professora que durou quase 60 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor George Brooks, um de seus colegas na universidade, destacou que Diamond &#8220;demonstrou anatomicamente, pela primeira vez, o que hoje chamamos de plasticidade do c\u00e9rebro&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ao fazer isso, rompeu o antigo paradigma que via o c\u00e9rebro como um corpo est\u00e1tico e invari\u00e1vel que simplesmente se degenera a medida que envelhecemos&#8221;, completou Brooks.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pesquisas pioneiras de Diamond sobre o impacto de um ambiente estimulante e de atividades enriquecedoras no desenvolvimento do c\u00e9rebro &#8220;mudaram literalmente o mundo, desde a forma como pensamos sobre n\u00f3s mesmos at\u00e9 a forma como criamos os nossos filhos&#8221;, avalia o professor e colega da pesquisadora num artigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estudando Einstein<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marian Diamond terminou sua carreira como professora em\u00e9rita de biologia integrativa da Universidade de Berkeley, aposentando-se em 2014. Morreu tr\u00eas anos depois, aos 90 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA universidade a homenageou escrevendo: &#8220;Uma dos fundadoras da neuroci\u00eancia moderna, ela foi a primeira pessoa a demonstrar que o c\u00e9rebro pode mudar com a experi\u00eancia e aperfei\u00e7oar o enriquecimento e que descobriu evid\u00eancias disso no c\u00e9rebro de Albert Einstein.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A bi\u00f3loga havia pedido para estudar o c\u00e9rebro do pai da Teoria da Relatividade. Anos depois, recebeu amostras do \u00f3rg\u00e3o de Einstein.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi Diamond que come\u00e7ou os estudos do c\u00e9rebro de um dos mais importantes cientistas do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisadora &#8220;alcan\u00e7ou fama em 1984, quando examinou fragmentos conservados do c\u00e9rebro de Einstein e descobriu que ele tinha mais c\u00e9lulas de suporte do que a m\u00e9dia das pessoas&#8221;, destacou a universidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um artigo publicado pela neurocientista, em 1985, disse que o Pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica tinha mais c\u00e9lulas gliais por neur\u00f4nio do que o grupo controle que participou do experimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As c\u00e9lulas da glia desempenham um papel de apoio para os neur\u00f4nios e interv\u00eam ativamente no processamento de informa\u00e7\u00f5es. O texto reafirmava a ideia de que o c\u00e9rebro de Einstein tinha uma peculiaridade que poderia explicar sua genialidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ensaio de 2007, a pr\u00f3pria neurocientista faz uma reflex\u00e3o sobre essa particularidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O fato de que as c\u00e9lulas gliais aumentam com o enriquecimento levou-me \u00e0 minha hip\u00f3tese de que Albert Einstein poderia ter mais c\u00e9lulas gliais em seu c\u00f3rtex, especificamente nas \u00e1reas de associa\u00e7\u00e3o esquerda e direita 9 e 39, em compara\u00e7\u00e3o com a \u00e1rea m\u00e9dia cortical de outros 11 homens.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Descobrimos que as quatro regi\u00f5es tinham mais c\u00e9lulas gliais do que as dos outros homens, mas apenas (a \u00e1rea) esquerda 39, em termos estat\u00edsticos, tinha consideravelmente mais&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anos antes de se dedicar aos estudos do c\u00e9rebro de Einstein, Diamond havia feito estudos de laborat\u00f3rio com roedores, fundamentais para sua conclus\u00e3o de que &#8220;um ambiente enriquecido (com brinquedos e companhia) mudam a anatomia do c\u00e9rebro&#8221;, informa a UC Berkeley.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n&#8220;A implica\u00e7\u00e3o era de que os c\u00e9rebros de todos os animais, incluindo os humanos, se beneficiam de um ambiente enriquecido e que os entornos empobrecedores (quanto a est\u00edmulos e atividades) podem diminuir nossa capacidade de aprender.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nInspirado em uma observa\u00e7\u00e3o do pesquisador Donald Hebb, da Universidade McGill (Canad\u00e1), uma equipe de Berkeley realizou um experimento com ratazanas jovens: colocou 12 delas em uma &#8220;jaula enriquecida&#8221; &#8211; grande e cheia de atividades &#8211; e uma outra numa jaula separada, &#8220;empobrecida&#8221; &#8211; pequena e sem brinquedos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As ratazanas que cresceram em um ambiente intencionalmente enriquecido tiveram melhor desempenho (percorrendo) labirintos do que as ratazanas &#8216;empobrecidas&#8217; que cresceram em confinamento e sem est\u00edmulo&#8221;, explica a neurocientista em seu ensaio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os roedores que cresceram em grupo tinham n\u00edvel maior de acetilcolinesterase, um qu\u00edmico cerebral, do que a ratazana que cresceu solit\u00e1ria e entediada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diamond se aproximou dos l\u00edderes desse estudo e pediu para integrar sua equipe. Eles aceitaram &#8211; e dessa uni\u00e3o viria uma das principais descobertas do projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A bi\u00f3loga colocou sob a lente do microsc\u00f3pio pequenos peda\u00e7os dos c\u00e9rebros dos roedores que haviam participado do experimento e mediu a grossura de seu c\u00f3rtex.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As ratazanas enriquecidas tinham um c\u00f3rtex cerebral mais grosso que as empobrecidas. (&#8230;) Era a primeira vez que algu\u00e9m havia visto uma mudan\u00e7a estrutural em um c\u00e9rebro animal tendo com base diferentes tipos de experi\u00eancia em sua vida inicial.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um ano depois, em 1963, ela repetiu o experimento com outros roedores e teve resultados semelhantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Isto \u00e9 \u00fanico&#8221;<\/strong><br \/>\nDiamond recorda correr, emocionada, pelo campus da universidade rumo ao escrit\u00f3rio do psic\u00f3logo experimental e social David Krech, carregando consigo os documentos com suas descobertas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ele os leu, olhou para mim e disse imediatamente: &#8216;Isto \u00e9 \u00fanico. Vai mudar o pensamento cient\u00edfico sobre o c\u00e9rebro'&#8221;, recorda Diamond.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1964, os resultados foram publicados e, no ano seguinte, a pesquisadora exp\u00f4s suas descobertas no encontro anual da Sociedade Americana de Anatomistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nHavia centenas de pessoas no sal\u00e3o, mas &#8220;poucas mulheres&#8221;, recorda ela. &#8220;Eu estava muito assustada (em apresentar o projeto). Expliquei com o m\u00e1ximo de calma que consegui, a plateia aplaudiu educadamente e, ent\u00e3o, um homem se levantou e disse em voz alta: &#8216;senhorita, o c\u00e9rebro n\u00e3o pode mudar'&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Mas me sentia confiante quanto ao trabalho e respondi: &#8216;Lamento, senhor, mas temos o experimento inicial e o de repeti\u00e7\u00e3o que demonstram que pode mudar, sim&#8217;. Essa confian\u00e7a \u00e9 a beleza de fazer anatomia.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O c\u00e9rebro pode mudar em qualquer idade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das principais contribui\u00e7\u00f5es de Diamond foi, al\u00e9m de compreender que os componentes estruturais do c\u00f3rtex cerebral podem ser modificados, \u00e9 que essas mudan\u00e7as podem ocorrer em qualquer idade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso significa que ele pode continuar se desenvolvendo com o passar dos anos, a ponto de sua constante estimula\u00e7\u00e3o ajudar a melhorar at\u00e9 o sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ante uma popula\u00e7\u00e3o em processo de envelhecimento, essa conclus\u00e3o traz otimismo, ao indicar que o c\u00f3rtex mant\u00e9m um grau de plasticidade mesmo em pessoas idosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os experimentos de Diamond tamb\u00e9m nos ajudam a entender que podemos melhorar nosso potencial, a despeito da loteria biol\u00f3gica-gen\u00e9tica da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela \u00e9 associada \u00e0 frase &#8220;use-o ou perca-o&#8221;, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 import\u00e2ncia de se manter o c\u00e9rebro ativo e estimulado por constantes desafios e aprendizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n&#8220;Quanto mais pessoas entenderem a estrutura e as fun\u00e7\u00f5es de seus corpos, que \u00e9 intrinsicamente influenciado pelo sistema nervoso, e forem cuidadas em suas etapas iniciais da vida, mais saud\u00e1vel e prazeroso ser\u00e1 o per\u00edodo que vir\u00e1 depois dos 50 anos&#8221;, escreveu em 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m concluiu que, &#8220;em resumo, nossos resultados demonstram ao menos cinco fatores importantes para um c\u00e9rebro saud\u00e1vel&#8221;: dieta, exerc\u00edcios, desafios, novidades e amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao amor, Diamond explicou que as ratazanas de laborat\u00f3rio que eram tocadas e acariciadas costumavam ter vidas mais longevas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Professora e cientista<\/strong><br \/>\nComo professora universit\u00e1ria, Diamond mantinha uma rela\u00e7\u00e3o especial com seus estudantes, diz Jeff, o filho dela, \u00e0 BBC News Mundo (servi\u00e7o da BBC em espanhol).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ela era muito querida&#8221;, conta. &#8220;Quando \u00edamos ao hospital, eram grandes as chances de que cruz\u00e1ssemos com algum ex-aluno, j\u00e1 formado m\u00e9dico, que nos falava sobre a boa experi\u00eancia que havia sido ter aula com ela. \u00c9 a \u00fanica professora que conhe\u00e7o que a cada semana escolhia, ao acaso, alunos para levar para almo\u00e7ar, para conhecer melhor seus interesses.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como cientista, grande parte de suas pesquisas eram feitas em laborat\u00f3rio. Nele consolidou um grupo de ajudantes composto, em sua maioria, por mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ela gostava muito do trabalho delas e sempre lhes dava cr\u00e9dito nas pesquisas que publicava&#8221;, prossegue Jeff.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniela Kaufer, professora do Departamento de Biologia Integrativa de Berkeley, diz que o dia em que conheceu Diamond foi &#8220;especial&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu era uma jovem e rec\u00e9m-nomeada professora-assistente. Quando vi Diamond, foi como conhecer uma estrela do rock.&#8221; Para Kaufer, as contribui\u00e7\u00f5es de Diamond n\u00e3o se limitaram \u00e0 &#8220;compreens\u00e3o vision\u00e1ria do potencial de plasticidade do c\u00e9rebro adulto&#8221;, mas se expandiram ao entendimento da fun\u00e7\u00e3o central que os astr\u00f3citos desempenham nessa plasticidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Astr\u00f3citos s\u00e3o o principal e mais numeroso tipo de c\u00e9lulas gliais, e os estudos do c\u00e9rebro de Einstein apontaram que essas c\u00e9lulas s\u00e3o mais importantes do que se pensava inicialmente, por se ocuparem, por exemplo, da nutri\u00e7\u00e3o dos demais componentes cerebrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEm 1953, Diamond se tornou m\u00e3e e registrou a import\u00e2ncia daquele momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O mais impactante que vivi at\u00e9 aquele momento foi quando abracei minha primeira filha rec\u00e9m-nascida e a coloquei sobre o meu peito. Foi quando soube por que eu existia&#8221;, escreveu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teve outros tr\u00eas filhos, Catherine Richard, Jeff e Ann.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde pequeno, Jeff se deu conta de que sua m\u00e3e era incomum, n\u00e3o apenas por ser considerada uma grande cientista, mas porque &#8220;fazia coisas que outras m\u00e3es n\u00e3o faziam&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ela ia \u00e0 nossa escola falar sobre ci\u00eancia e levava um c\u00e9rebro, um esqueleto ou alguns olhos dentro de um frasco e os passava pela classe para que todos pudessem v\u00ea-los.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da maternidade, ela passou a dedicar menos tempo ao trabalho, diz ele. Mas &#8220;depois do jantar v\u00edamos ela fazendo anota\u00e7\u00f5es e preparando as aulas do dia seguinte&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em alguns fins de semana, ela levava as crian\u00e7as consigo para a universidade, para conseguir avan\u00e7ar em suas pesquisas. E os observava pela janela do laborat\u00f3rio enquanto eles brincavam no jardim do campus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes as crian\u00e7as eram autorizadas a entrar no laborat\u00f3rio, onde viam as ratazanas com seus &#8220;brinquedos&#8221; nas jaulas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Como crian\u00e7as, a gente pensava: &#8216;bem, isso \u00e9 o que fazem todos os pais&#8217;. Mas, j\u00e1 adulto, voc\u00ea pensa: &#8216;como ela conseguiu fazer todas aquelas pesquisas, dar aulas e al\u00e9m disso criar uma fam\u00edlia?'&#8221;, questiona Richard.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Agora que sou pai, n\u00e3o consigo imaginar como ela fazia para nos levar a acampamentos e excurs\u00f5es, como conseguia fazer as atividades t\u00edpicas de uma fam\u00edlia, ao mesmo tempo em que dava aulas e pesquisava. Nunca a escutamos se queixar de que n\u00e3o havia horas suficientes no dia. Ela era simplesmente incr\u00edvel. Lembro, j\u00e1 mais velho, que ela dizia a seus estudantes e a amigas minhas que sim, era poss\u00edvel criar uma fam\u00edlia e ter uma carreira.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os 4 Ps de Marian Diamond<\/strong><br \/>\nA pesquisadora n\u00e3o apenas ocupou cargos acad\u00eamicos importantes nos EUA como viajou pelo mundo para divulgar suas pesquisas, incentivar o est\u00edmulo a crian\u00e7as e atrair mais mulheres \u00e0 ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu ensaio de 2007, compartilhou o que chamou de seus 4 Ps:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prioridade Pessoal: fam\u00edlia e amigos<br \/>\nPrioridade Profissional: c\u00e9rebros, colegas e estudantes amigos<br \/>\nPerseveran\u00e7a: essencial para tudo<br \/>\nAtitude Positiva: basta ver qual \u00e9 a alternativa.<br \/>\nTalvez uma anedota lembrada pelo jornal The Washington Post reflita uma combina\u00e7\u00e3o desses 4 Ps: &#8220;Sua filha Ann contava que certa vez sua m\u00e3e atravessou o pa\u00eds para visit\u00e1-la em um acampamento de ver\u00e3o. No avi\u00e3o, levava duas caixas para chap\u00e9us: uma tinha uma torta de p\u00eassego e outra, \u00e9 claro, um c\u00e9rebro humano&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Questionado sobre quando sua m\u00e3e decidiu colocar o c\u00e9rebro humano dentro de uma caixa de chap\u00e9us, Richard diz que lembra bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Foi um dia que procurava pela casa algo em que pudesse levar o c\u00e9rebro para uma de suas aulas. O c\u00e9rebro estava em um frasco redondo e, quando ela viu a caixa, decidiu coloc\u00e1-lo l\u00e1 dentro porque cabia perfeitamente. Ela guardou aquela caixa durante toda a vida. Se tornou parte de sua assinatura.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os estudos de Marian Diamond quebraram o paradigma de que o c\u00e9rebro era uma estrutura est\u00e1tica que n\u00e3o mudava; foi ela quem determinou os cinco fatores para ter um c\u00e9rebro saud\u00e1vel. Horas antes de Marian Diamond nascer, o pai dela levou os outros cinco filhos ao hospital para se despedirem. Os m\u00e9dicos haviam dito que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":52670,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[]},"categories":[1],"tags":[1654,3557,232],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52669"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52669"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52669\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52671,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52669\/revisions\/52671"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52670"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52669"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52669"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52669"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}