{"id":53319,"date":"2019-06-05T09:12:00","date_gmt":"2019-06-05T12:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=53319"},"modified":"2019-06-05T09:12:00","modified_gmt":"2019-06-05T12:12:00","slug":"aparelho-portatil-permite-diagnosticar-doencas-oculares-a-distancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/aparelho-portatil-permite-diagnosticar-doencas-oculares-a-distancia\/","title":{"rendered":"Aparelho port\u00e1til permite diagnosticar doen\u00e7as oculares a dist\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Acoplado a um smartphone, o aparelho &#8220;Eyer&#8221; consegue detectar problemas na retina e o diagn\u00f3stico pode ser feito por m\u00e9dicos a dist\u00e2ncia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um aparelho port\u00e1til ligado a um smartphone faz imagens precisas da retina, permitindo detectar doen\u00e7as do fundo do olho a um custo bem mais baixo do que os m\u00e9todos convencionais. Criado pela Phelcom Technologies, o Eyer tem ainda a vantagem de possibilitar o diagn\u00f3stico por telemedicina, a quil\u00f4metros de um m\u00e9dico oftalmologista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A empresa recebeu apoio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP pela primeira vez em 2016, para desenvolvimento e valida\u00e7\u00e3o de um prot\u00f3tipo. Recentemente, teve aprovado projeto de comercializa\u00e7\u00e3o e fabrica\u00e7\u00e3o do produto no \u00e2mbito do Programa PIPE\/PAPPE, resultado de parceria da FAPESP com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) (leia mais em: agencia.fapesp.br\/30590).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, a Phelcom \u00e9 incubada na Eretz.bio, do Hospital Israelita Albert Einstein, um dos investidores. Em mar\u00e7o, come\u00e7ou a operar sua f\u00e1brica em S\u00e3o Carlos, depois de conseguir as certifica\u00e7\u00f5es do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, s\u00e3o produzidas 30 unidades do Eyer por m\u00eas, n\u00famero que deve chegar a 100 at\u00e9 o fim do ano. O dispositivo j\u00e1 sai da f\u00e1brica acoplado a um smartphone de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o e custa cerca de US$ 5 mil. O aparelho convencional mais usado hoje precisa ser ligado a um computador e custa em m\u00e9dia R$ 120 mil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nNa frente da c\u00e2mera do celular, fica um conjunto \u00f3ptico projetado para ilumina\u00e7\u00e3o e imageamento da retina. Quando as imagens s\u00e3o produzidas, o aplicativo que opera o aparelho as envia pela internet para um sistema web \u2013 chamado Eyer Cloud \u2013 que permite armazenar e gerenciar os exames dos pacientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso n\u00e3o haja acesso a wi-fi ou rede 3G ou 4G no momento do exame, as imagens ficam salvas no aparelho e s\u00e3o enviadas para a nuvem assim que houver conex\u00e3o com a internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHouve um esfor\u00e7o grande na \u00e1rea de \u00f3ptica. Um dos desafios foi fazer uma vers\u00e3o port\u00e1til de um equipamento que normalmente \u00e9 bem grande. Outro foi habilitar a opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o midri\u00e1tica, permitindo capturar exames de retina de qualidade sem a necessidade de dilata\u00e7\u00e3o da pupila do paciente\u201d, disse Jos\u00e9 Augusto Stuchi, CEO da empresa \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o por acaso, o nome da empresa \u00e9 um acr\u00f4nimo em ingl\u00eas das tr\u00eas \u00e1reas: f\u00edsica, eletr\u00f4nica e computa\u00e7\u00e3o (physics, electronics e computing). Os outros s\u00f3cios fundadores da Phelcom s\u00e3o Fl\u00e1vio Pascoal Vieira, diretor operacional (COO, na sigla em ingl\u00eas), e Diego Lencione, diretor t\u00e9cnico (CTO). Os tr\u00eas se conheceram no Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa Opto Eletr\u00f4nica, em 2008, e se aproximaram durante o mestrado na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), em S\u00e3o Carlos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Eyer Cloud \u00e9 uma inova\u00e7\u00e3o da equipe que vem se destacando por armazenar todas as informa\u00e7\u00f5es adquiridas nos exames e organizar em um banco de dados. Os equipamentos atuais s\u00e3o, na maior parte, off-line, operando junto a um computador que salva as informa\u00e7\u00f5es em um disco r\u00edgido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O usu\u00e1rio do Eyer, por sua vez, deve criar uma conta, como a de e-mail ou de rede social, na qual s\u00e3o salvas automaticamente as imagens adquiridas pelo dispositivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTivemos de garantir a seguran\u00e7a dessas informa\u00e7\u00f5es e um meio de subi-las rapidamente para a nuvem, para que se pudesse fazer a imagem em um lugar e ela j\u00e1 aparecer on-line\u201d, explicou Stuchi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00faltimo fator \u00e9 essencial para realizar a chamada telemedicina. O Eyer permite que um t\u00e9cnico treinado ou um m\u00e9dico generalista possa fazer as imagens, enquanto um oftalmologista especializado em retina as analisa e emite um laudo de outro lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A empresa atualmente realiza parcerias com m\u00e9dicos oftalmologistas para a emiss\u00e3o de laudos da retina. Enviadas as imagens, o m\u00e9dico parceiro emite o parecer no pr\u00f3prio sistema. O pagamento se d\u00e1 por meio de planos mensais. A depender da quantidade de laudos emitidos, cada um custar\u00e1 entre US$ 5 e US$ 10.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Intelig\u00eancia artificial<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m de representarem um novo servi\u00e7o, os laudos emitidos alimentam um banco de dados que pode ser usado para \u201censinar\u201d o computador a identificar padr\u00f5es associados \u00e0s principais doen\u00e7as que afetam a retina, principalmente a retinopatia diab\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, a empresa tem mais de 10 mil retinas fotografadas e projeta ter, em pouco tempo, o maior banco de dados do g\u00eanero do mundo. S\u00f3 para o pr\u00f3ximo ano, os s\u00f3cios projetam ter 50 mil pacientes examinados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano passado, a Food and Drug Administration, ag\u00eancia que regula a venda de medicamentos, alimentos e equipamentos m\u00e9dicos nos Estados Unidos, aprovou pela primeira vez um algoritmo para diagn\u00f3stico de uma doen\u00e7a. A empresa IDx conseguiu autoriza\u00e7\u00e3o para usar um algoritmo que detecta justamente a retinopatia diab\u00e9tica, maior causa de diminui\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o e de cegueira entre adultos norte-americanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, estima-se que 7,6% da popula\u00e7\u00e3o urbana entre 30 e 69 anos tenha diabetes e, destes, metade tenha retinopatia diab\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO uso da intelig\u00eancia artificial para diagn\u00f3stico ou para auxili\u00e1-lo \u00e9 uma tend\u00eancia no mundo todo. Os computadores processam os dados, enquanto o m\u00e9dico atua na tomada de decis\u00e3o\u201d, disse Stuchi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O empreendedor afirmou que o sistema da empresa tem atualmente precis\u00e3o pr\u00f3xima de 80% para detectar retinopatia diab\u00e9tica, sem a necessidade de interven\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o aumento de sua base de dados, em breve essa taxa dever\u00e1 chegar a 95% de precis\u00e3o, quando a aplica\u00e7\u00e3o poder\u00e1 come\u00e7ar a ser comercializada. O algoritmo norte-americano tem atualmente at\u00e9 89,5% de chances de dar um diagn\u00f3stico correto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCom o apoio do PIPE, conseguimos contratar um time e manter o foco no projeto, deixando nossos empregos\u201d, disse Stuchi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com proje\u00e7\u00f5es de colocar 150 Eyers no mercado brasileiro nos pr\u00f3ximos 12 meses e obter R$ 3 milh\u00f5es em faturamento, a ideia dos s\u00f3cios agora \u00e9 expandir as vendas para outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e depois para os Estados Unidos e a Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dispositivo vest\u00edvel<\/strong><br \/>\nA Phelcom Technologies tamb\u00e9m tem o apoio do PIPE para desenvolver outro produto inovador. Trata-se de um par de \u00f3culos que, quando colocado pelo paciente, faz o exame da retina e tamb\u00e9m mede a refra\u00e7\u00e3o, principal exame oftalmol\u00f3gico realizado hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exame de refra\u00e7\u00e3o define o grau de miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia (\u201cvista cansada\u201d), define se o paciente precisa de \u00f3culos e determina o grau necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDemoramos tr\u00eas anos do desenvolvimento \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o do nosso primeiro produto, o Eyer. Agora queremos fazer em menos tempo. Por isso, a ideia \u00e9 criar pequenos m\u00f3dulos que possam ser acoplados ao Eyer ou a uma vers\u00e3o aprimorada dele. O ideal \u00e9 que tenhamos, em alguns anos, \u00f3culos que fa\u00e7am de uma s\u00f3 vez a retinografia e me\u00e7am a refra\u00e7\u00e3o e a press\u00e3o intraocular\u201d, explicou Stuchi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agregar todos esses dispositivos em um par de \u00f3culos pode ainda eliminar ou tornar menos cr\u00edtica a figura do operador do equipamento e padronizar os exames. Mesmo com o treinamento on-line realizado pela empresa para operar o Eyer, ainda h\u00e1 fatores subjetivos, como a forma de posicionar o aparelho, que podem gerar uma imagem melhor ou pior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSeguindo a tend\u00eancia atual de dispositivos vest\u00edveis, o pr\u00f3prio paciente faria o exame simplesmente colocando os \u00f3culos por alguns minutos\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do PIPE, a empresa credita seu desempenho \u00e0 Eretz.bio, que, al\u00e9m de recursos, oferece mentoria em neg\u00f3cios e disponibiliza a estrutura do Hospital Albert Einstein para valida\u00e7\u00e3o cl\u00ednica dos aparelhos, e \u00e0 Supera, incubadora de empresas de base tecnol\u00f3gica que funciona no Supera Parque, em Ribeir\u00e3o Preto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O parque tecnol\u00f3gico possui laborat\u00f3rios de certifica\u00e7\u00e3o para a ind\u00fastria m\u00e9dica, fundamentais para o desenvolvimento do Eyer. Al\u00e9m dos suportes t\u00e9cnico e jur\u00eddico, a incubadora foi fundamental no direcionamento do produto para o mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Novas tecnologias para a sa\u00fade<\/strong><br \/>\nCom gradua\u00e7\u00e3o e mestrado pela Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos da USP e atualmente fazendo doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Stuchi foi um dos empreendedores apoiados pelo PIPE que apresentaram projetos no Painel FAPESP \u2013 Pesquisa Inovativa em equipamentos m\u00e9dicos-hospitalares \u2013 Oportunidades e Desafios, realizado no dia 23 de maio, como parte da programa\u00e7\u00e3o da Hospitalar, um dos maiores eventos da cadeia m\u00e9dica das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Participaram tamb\u00e9m do Painel FAPESP Paulo Gurgel Pinheiro, fundador da Hoobox Robotics, que desenvolveu uma tecnologia de reconhecimento facial para monitorar comportamentos humanos, usada para mover cadeiras de roda eletr\u00f4nicas com express\u00f5es faciais e monitorar pacientes em unidades de terapia intensiva (UTIs), entre outras aplica\u00e7\u00f5es (leia mais em: www.agencia.fapesp.br\/29630\/).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A outra empresa participante da se\u00e7\u00e3o foi a Brain4Care, criadora de um dispositivo n\u00e3o invasivo que mede a press\u00e3o intracraniana, auxiliando no diagn\u00f3stico e no monitoramento de uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A empresa tem entre seus fundadores S\u00e9rgio Mascarenhas, professor em\u00e9rito da USP, e Gustavo Frigieri, presente no evento, que teve seu primeiro apoio PIPE aprovado ainda em 2008 (leia mais em: www.pesquisaparainovacao.fapesp.br\/5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs tr\u00eas empresas t\u00eam uma atitude de olhar para o Brasil e tamb\u00e9m para o mundo. Para elas, ocupar espa\u00e7o no mercado brasileiro \u00e9 um meio para chegar a outros pa\u00edses, e n\u00e3o um fim. \u00c9 o tipo de empresa que gostamos de selecionar no programa PIPE. Aqui mostramos tr\u00eas, mas h\u00e1 mais de mil empresas que j\u00e1 apoiamos, todas trabalhando no mundo inteiro\u201d, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor cient\u00edfico da FAPESP, durante o evento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Exame.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acoplado a um smartphone, o aparelho &#8220;Eyer&#8221; consegue detectar problemas na retina e o diagn\u00f3stico pode ser feito por m\u00e9dicos a dist\u00e2ncia Um aparelho port\u00e1til ligado a um smartphone faz imagens precisas da retina, permitindo detectar doen\u00e7as do fundo do olho a um custo bem mais baixo do que os m\u00e9todos convencionais. 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