{"id":53413,"date":"2019-06-12T09:53:13","date_gmt":"2019-06-12T12:53:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=53413"},"modified":"2019-06-12T09:53:13","modified_gmt":"2019-06-12T12:53:13","slug":"projeto-quer-cesarea-sem-indicacao-clinica-a-gestantes-do-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/projeto-quer-cesarea-sem-indicacao-clinica-a-gestantes-do-sus\/","title":{"rendered":"Projeto quer ces\u00e1rea sem indica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica a gestantes do SUS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Segundo pa\u00eds com maior taxa de ces\u00e1reas do mundo, o Brasil poder\u00e1 ter uma lei estadual que garante \u00e0 gestante a op\u00e7\u00e3o pelo parto cir\u00fargico no SUS, a partir da 39\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o, sem a necessidade de indica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica para o procedimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta ter\u00e7a (11), o pol\u00eamico projeto de autoria da deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) deve voltar ao plen\u00e1rio da Assembleia Legislativa paulista para a vota\u00e7\u00e3o se deve ou n\u00e3o tramitar em regime de urg\u00eancia. Na semana passada, a vota\u00e7\u00e3o foi adiada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O car\u00e1ter de urg\u00eancia desobriga que a proposta passe pelos tr\u00e2mites normais, como ser analisado pelas comiss\u00f5es da sa\u00fade e da mulher. O projeto tamb\u00e9m prev\u00ea oferta de analgesia, caso a mulher opte pelo parto normal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a deputada, a proposta d\u00e1 voz a milhares de mulheres usu\u00e1rias do SUS que passam por situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia obst\u00e9trica e s\u00e3o impedidas tanto de exercer seu direito de escolha em rela\u00e7\u00e3o a uma cesariana como ao uso de analgesia quando o parto ocorre por via vaginal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nota, a Sogesp (Sociedade de Obstetr\u00edcia e Ginecologia do Estado de S\u00e3o Paulo) pede que o projeto n\u00e3o seja avaliado ou votado em regime de urg\u00eancia. &#8220;Merece seguir a tramita\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria, garantindo a ampla e adequada avalia\u00e7\u00e3o e discuss\u00e3o&#8221;, diz a presidente Rossana Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entidade tamb\u00e9m sugere \u00e0 deputada mudan\u00e7as no texto da proposta, como deixar claro que a escolha deve ser feita durante o pr\u00e9-natal, e n\u00e3o no momento do parto, e especificar o tipo de analgesia (n\u00e3o farmacol\u00f3gica, como massagens e banhos) ou com medicamentos (anestesia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 preciso tempo para se discutir os riscos e benef\u00edcios de uma ces\u00e1rea, deixar claro num termo de consentimento&#8221;, explica a m\u00e9dica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ela, a falta de analgesia no trabalho de parto \u00e9 um problema s\u00e9rio no pa\u00eds e, muitas vezes, \u00e9 a raz\u00e3o que leva a mulher a optar pela ces\u00e1rea para n\u00e3o sentir dor. &#8220;S\u00f3 40% das pacientes que chegam em trabalho de parto t\u00eam acesso \u00e0 analgesia.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos anos, tem sido grande o esfor\u00e7o para a diminui\u00e7\u00e3o nos \u00edndices de cesariana no Brasil. Dados do Sinasc (Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Nascidos Vivos), de 2016, mostram as ces\u00e1reas respondem por 55,6% do total de nascidos vivos no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos partos feitos no SUS, 40% ocorrem por meio de cesarianas. Na rede privada, o \u00edndice chega a 84%. Em taxas de ces\u00e1reas, o pa\u00eds s\u00f3 perde para a Rep\u00fablica Dominicana (56%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) considera que a taxa ideal seja entre 10% a 15% dos partos e recomenda que a cirurgia seja indicada apenas por raz\u00f5es m\u00e9dicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se por um lado a cesariana ajuda a salvar vidas, como nos casos em que a placenta est\u00e1 obstruindo a sa\u00edda do beb\u00ea do \u00fatero, por outro ela est\u00e1 associada a um maior n\u00famero de partos prematuros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, a taxa de prematuridade (11,5%) \u00e9 quase duas vezes superior \u00e0 observada em pa\u00edses europeus. Segundo especialistas, em muitos casos, os beb\u00eas s\u00e3o retirados antes do tempo correto, por conta de cesarianas agendadas ou por avalia\u00e7\u00e3o incorreta da idade gestacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Rossana Francisco, as ces\u00e1reas de repeti\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e3o associadas a um maior risco de acretismo placent\u00e1rio -quando a placenta se adere \u00e0 parede do \u00fatero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessas situa\u00e7\u00f5es, h\u00e1 risco maior de sangramento durante a sua remo\u00e7\u00e3o. Nas formas mais graves, \u00e9 preciso retirar o \u00fatero para conter a hemorragia. Os sangramentos s\u00e3o a segunda causa de mortalidade materna no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Francisco lembra que o projeto, se aprovado, demandar\u00e1 mais recursos do SUS no \u00e2mbito estadual, seja para a contrata\u00e7\u00e3o de mais anestesistas, no caso das ces\u00e1reas, seja na adequa\u00e7\u00e3o dos locais para um parto normal humanizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A lei mexeria com toda a estrutura dos servi\u00e7os p\u00fablicos municipais e estaduais. De onde sair\u00e1 o dinheiro para operar um monte de mulheres se o SUS sofre cortes cada vez maiores? S\u00f3 na cidade de S\u00e3o Paulo s\u00e3o feitos 150 mil partos por ano&#8221;, questiona a obstetriz Ana Cristina Duarte e idealizadora do Siaparto (Simp\u00f3sio Internacional de Assist\u00eancia ao Parto).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Duarte, o projeto de Janaina Paschoal j\u00e1 parte de uma base errada, por considerar que o parto normal traz mais riscos \u00e0 mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ela se apoia em casos de crian\u00e7as sequeladas durante o parto normal e acha que essa via s\u00f3 \u00e9 priorizada pelo SUS por ser mais barata. Vai contra todas as evid\u00eancia cient\u00edficas existentes de que o parto normal \u00e9 a escolha mais segura para a m\u00e3e e o beb\u00ea.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na opini\u00e3o da obstetriz, muitas mulheres optam pela ces\u00e1rea para fugir da viol\u00eancia obst\u00e9trica que muitas sofrem dentro dos hospitais. &#8220;N\u00e3o adianta combater uma grande falha [a viol\u00eancia obst\u00e9trica] com outra falha ainda maior [a ces\u00e1rea]&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Simone Diniz, m\u00e9dica e professora da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP, o projeto de Paschoal levanta uma bandeira feminista, de dar maior autonomia da mulher na hora do parto, da pior maneira poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Responde ao apelo de um parto n\u00e3o violento vendendo mais ces\u00e1rea, que, nesse contexto, aparece como capaz de dar mais seguran\u00e7a f\u00edsica e emocional \u00e0 mulher.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diniz explica que se as mulheres tivessem mais informa\u00e7\u00f5es sobre os riscos associados \u00e0 cesariana, n\u00e3o a veriam como a melhor op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Al\u00e9m de riscos a curto prazo ao beb\u00ea, como prematuridade e problemas respirat\u00f3rios, as pesquisas mostram que os nascidos antes de 40 semanas poder\u00e3o ter mais doen\u00e7as cr\u00f4nicas no futuro, como obesidade e diabetes.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ela, o pa\u00eds s\u00f3 conseguir\u00e1 reverter os altos \u00edndices de cesariana quando a experi\u00eancia do parto normal for, de fato, positiva para as mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo pa\u00eds com maior taxa de ces\u00e1reas do mundo, o Brasil poder\u00e1 ter uma lei estadual que garante \u00e0 gestante a op\u00e7\u00e3o pelo parto cir\u00fargico no SUS, a partir da 39\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o, sem a necessidade de indica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica para o procedimento. 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