{"id":53512,"date":"2019-06-17T09:22:54","date_gmt":"2019-06-17T12:22:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=53512"},"modified":"2019-06-17T11:28:30","modified_gmt":"2019-06-17T14:28:30","slug":"uma-ameaca-a-dignidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/uma-ameaca-a-dignidade\/","title":{"rendered":"Uma amea\u00e7a \u00e0 dignidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">PARTO DESUMANO Em defesa das gestantes e beb\u00eas na rede p\u00fablica, Sindicato dos M\u00e9dicos denuncia falta de estrutura das maternidades<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A superlota\u00e7\u00e3o nas maternidades de Pernambuco tem transformado cadeiras de acompanhante e ambul\u00e2ncia em leitos para as mulheres darem \u00e0 luz um beb\u00ea. \u00c9 uma amea\u00e7a ao direito de nascer com dignidade, em ambiente seguro com instala\u00e7\u00f5es bem equipadas e com equipes profissionais sem sobrecarga de trabalho. A den\u00fancia \u00e9 do Sindicatos dos M\u00e9dicos de Pernambuco (Simepe), que est\u00e1 em campanha pelas vidas de gestantes e rec\u00e9m-nascidos nas unidades da rede p\u00fablica do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do interior \u00e0 capital pernambucana, segundo o \u00f3rg\u00e3o de classe, s\u00e3o necess\u00e1rias melhorias urgentes na assist\u00eancia materno-infantil, que tem sofrido com problemas graves nos servi\u00e7os de risco habitual (atendem casos em que m\u00e3e e filho n\u00e3o apresentam problema de sa\u00fade) e nas maternidades de alto risco \u2013 aquelas que recebem gestante com possibilidade ter parto prematuro ou de ter complica\u00e7\u00f5es decorrentes de alguma doen\u00e7a, como diabetes ou hipertens\u00e3o. \u201cA taxa geral de ocupa\u00e7\u00e3o das maternidades do Estado chega a 200%, mas se isolarmos por servi\u00e7o, esse \u00edndice chega a 300% em algumas unidades. O mais grave \u00e9 que esse percentual \u00e9 uma constante. N\u00e3o \u00e9 um evento isolado, \u00e9 uma rotina. Na primeira sextafeira deste m\u00eas, uma colega informou que uma maternidade na capital estava com 15 mulheres. Dessas, seis em p\u00e9. Isso \u00e9 lament\u00e1vel\u201d, destaca a obstetra Cl\u00e1udia Beatriz Andrade, presidente do Simepe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e9dica refor\u00e7a que tem acompanhado o cen\u00e1rio com bastante preocupa\u00e7\u00e3o e que j\u00e1 acionou v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es para fazer den\u00fancias e tamb\u00e9m levar propostas para melhorar a assist\u00eancia desde o pr\u00e9-natal. Em maio, a movimenta\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o de classe come\u00e7ou a ganhar mais for\u00e7a, quando solicitou reuni\u00e3o com o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco para dar voz a m\u00e9dicos da rede estadual de sa\u00fade, que denunciaram piora da superlota\u00e7\u00e3o das maternidades de alto risco naquele m\u00eas. Os profissionais sinalizaram falta de espa\u00e7o, inclusive nos corredores, para atendimento nos Hospitais Bar\u00e3o de Lucena (no bairro da Iputinga, Zona Oeste do Recife) e Agamenon Magalh\u00e3es (na Tamarineira, Zona Norte da cidade).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDo jeito que est\u00e1, n\u00e3o pode continuar. A mulher tem o direito de ter o beb\u00ea com dignidade. Sim, esse cen\u00e1rio passa por uma quest\u00e3o de (falta de) dignidade humana. N\u00e3o tenho d\u00favidas de que, a qualquer momento, h\u00e1 mulheres em cadeiras de roda ou no ch\u00e3o no Cisam (Centro Integrado de Sa\u00fade Amaury de Medeiros, no bairro da Encruzilhada, Zona Norte). Al\u00e9m de tudo, esse cen\u00e1rio deixa os profissionais em um n\u00edvel de estresse alt\u00edssimo\u201d, frisa o m\u00e9dico Andr\u00e9 Dubeux, segundo secret\u00e1rio do Cremepe.<a href=\"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/1.png\" rel=\"attachment wp-att-53513\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CEGONHA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele toca num ponto que vem sendo discutido durante reuni\u00f5es com diretores de maternidades ligadas \u00e0s gest\u00f5es estaduais e municipais: a estrat\u00e9gia de vincula\u00e7\u00e3o, que faz parte da Rede Cegonha \u2013 iniciativa do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade cuja finalidade \u00e9 organizar a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade materno-infantil no Pa\u00eds. Para os especialistas, essa \u00e9 uma proposta que atualmente n\u00e3o sai da teoria, mas que precisa ser colocada em pr\u00e1tica. \u00c9 fundamental, diz ela, garantir o direito da gestante conhecer e estabelecer v\u00ednculo antecipado com a maternidade em que receber\u00e1 assist\u00eancia no parto e no puerp\u00e9rio (per\u00edodo de 45 dias ap\u00f3s a mulher dar \u00e0 luz um beb\u00ea). \u201cA gesta\u00e7\u00e3o tem hora para come\u00e7ar e terminar. \u00c9 um evento previs\u00edvel. N\u00e3o tem por que as autoridades n\u00e3o organizarem essa rede\u201d, acrescenta Andr\u00e9 Dubeux.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O secret\u00e1rio de Sa\u00fade de Pernambuco, Andr\u00e9 Longo, revelou preocupa\u00e7\u00e3o com a rede materno-infantil desde o in\u00edcio de sua gest\u00e3o, em janeiro, quando garantiu que a assist\u00eancia a essa \u00e1rea \u00e9 prioridade. Ele informa que, para mudar a aten\u00e7\u00e3o ao parto, \u00e9 necess\u00e1rio investir na assist\u00eancia atrav\u00e9s de coopera\u00e7\u00e3o com os munic\u00edpios e evitar que as gestantes saiam do interior para maternidades da capital.<a href=\"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2.png\" rel=\"attachment wp-att-53514\"><img fetchpriority=\"high\" class=\"aligncenter size-full wp-image-53514\" src=\"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2.png\" alt=\"2\" width=\"417\" height=\"151\" srcset=\"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2.png 417w, https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2-300x109.png 300w\" sizes=\"(max-width: 417px) 100vw, 417px\" \/><\/a><\/p>\n<h2><strong>Entrevista Cl\u00e1udia Beatriz Andrade<\/strong><\/h2>\n<h2><a href=\"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/3.png\" rel=\"attachment wp-att-53516\"><img class=\"size-full wp-image-53516 alignleft\" src=\"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/3.png\" alt=\"3\" width=\"293\" height=\"265\" \/><\/a><\/h2>\n<blockquote><p><em>\u201c\u00c9 um cen\u00e1rio de guerra\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obstetra Cl\u00e1udia Beatriz Andrade, presidente do Simepe, destaca o papel do \u00f3rg\u00e3o de classe para resolver uma situa\u00e7\u00e3o que coloca em risco a vida de mulheres e de seus beb\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JC \u2013 Como o Simepe tem atuado para alertar sobre as consequ\u00eancias da superlota\u00e7\u00e3o nas maternidades do Estado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CL\u00c1UDIA BEATRIZ ANDRADE \u2013<\/strong> A gente v\u00ea essa situa\u00e7\u00e3o com muita preocupa\u00e7\u00e3o. Temos nos reunido com gestores e entidades m\u00e9dicas para mostrar que estamos em campanha para cobrar resolutividade e assist\u00eancia qualificada na rede materno-infantil. Atualmente, na assist\u00eancia ao parto, h\u00e1 munic\u00edpios que dizem n\u00e3o ter recursos e, por isso, alegam que n\u00e3o oferecer\u00e3o mais o atendimento. Eles se desobrigam desse dever e fecham as portas da maternidade. H\u00e1 outros munic\u00edpios com servi\u00e7os abertos, mas que n\u00e3o fazem esfor\u00e7os para manter a equipe completa; funcionam apenas em alguns dias da semana. Al\u00e9m disso, existem as unidades que eu chamo de ponto final, que recebem a mulher que n\u00e3o tem mais para onde ir. Nesse locais, as pacientes ficam com ou sem leito, com ou sem equipe, com ou sem material. \u00c9 aquela situa\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rio de guerra instalado.<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cA gente vai para casa e n\u00e3o descansa a cabe\u00e7a. \u00c9 muito sofrimento\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JC \u2013 H\u00e1 munic\u00edpios com situa\u00e7\u00f5es mais cr\u00edticas do que outros?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CL\u00c1UDIA BEATRIZ \u2013<\/strong> Recebemos, na capital, mulheres que v\u00eam de Garanhuns. Imagine ter que enfrentar quil\u00f4metros de estrada. S\u00e3o tantas horas para vir e mais outras tantas horas na porta de entrada (da maternidade) esperando atendimento. Ficamos consternados. E veja a situa\u00e7\u00e3o de Olinda: depois que a Brites de Albuquerque fechou, h\u00e1 uns seis anos, a cidade contratualizou 100% dos leitos da maternidade do Hospital Tricenten\u00e1rio, cujo n\u00famero de leitos \u00e9 aqu\u00e9m da necessidade do munic\u00edpio. Ent\u00e3o, muitas mulheres de Olinda t\u00eam o parto realizado no Recife, onde encontram as maternidades que s\u00e3o ponto final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JC \u2013 Na campanha, o Simepe associa o cen\u00e1rio de superlota\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CL\u00c1UDIA BEATRIZ \u2013<\/strong> A viol\u00eancia obst\u00e9trica n\u00e3o est\u00e1 restrita s\u00f3 ao momento do parto. Ela existe tamb\u00e9m nesse processo da peregrina\u00e7\u00e3o, da acomoda\u00e7\u00e3o, da falta de dignidade humana na assist\u00eancia. J\u00e1 vi profissionais arrasados, chorando por perdas (mortes de m\u00e3e e\/ou beb\u00ea) que seriam evit\u00e1veis. A gente vai para casa e n\u00e3o descansa a cabe\u00e7a. \u00c9 um sofrimento irrepar\u00e1vel.<\/p>\n<h2><strong>Entrevista Andr\u00e9 Longo<\/strong><\/h2>\n<p><a href=\"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/4.png\" rel=\"attachment wp-att-53515\"><img class=\"size-full wp-image-53515 alignleft\" src=\"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/4.png\" alt=\"4\" width=\"293\" height=\"262\" \/><\/a><a href=\"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/3.png\" rel=\"attachment wp-att-53516\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cH\u00e1 sinais de prioridade\u201d<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de eleger a assist\u00eancia materno-infantil como \u00e1rea priorit\u00e1ria, o secret\u00e1rio de Sa\u00fade de Pernambuco, Andr\u00e9 Longo, anuncia parceria com a Opas para coordenar as a\u00e7\u00f5es do setor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JC \u2013<\/strong> A assist\u00eancia materno-infantil foi eleita pela sua gest\u00e3o como prioridade. O que a pasta tem feito?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANDR\u00c9 LONGO \u2013<\/strong> Estamos em processo de fechamento, com a Opas (Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade), de um termo de coopera\u00e7\u00e3o internacional para que seja poss\u00edvel coordenar a\u00e7\u00f5es e otimizar\u00a0 projetos que o Estado tem, como o M\u00e3e Coruja e o Parto Adequado, que registrou avan\u00e7os no Hospital Agamenon Magalh\u00e3es. A parceria com a Opas, que tem expertise t\u00e9cnica e metodol\u00f3gica nessa \u00e1rea, vai<br \/>\nmedir as interven\u00e7\u00f5es que j\u00e1 realizamos em Pernambuco e consequentemente organiz\u00e1-las.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JC \u2013 Alguma outra medida j\u00e1 foi adotada?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANDR\u00c9 LONGO \u2013<\/strong> Em maio, a Secretaria Estadual de Sa\u00fade nomeou 580 novos trabalhadores (aprovados em concurso p\u00fablico). Mais de 200 foram chamados para repor e qualificar a aten\u00e7\u00e3o nas maternidades. Entre eles, 45 obstetras, 50 enfermeiras obstetras, 33 neonatologistas, 45 pediatras, 17 cirurgi\u00f5es pedi\u00e1tricos e 11 intensivistas pedi\u00e1tricos. Dos profissionais aprovados, 124 v\u00e3o para o Agamenon Magalh\u00e3es e 133 para o Hospital Bar\u00e3o de Lucena, que s\u00e3o unidades de refer\u00eancia no parto de alto risco. Ou seja, estamos dando sinais de que esse \u00e9 um t\u00f3pico priorit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JC \u2013 A vincula\u00e7\u00e3o da mulher ao local de parto tem sido analisada?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANDR\u00c9 LONGO \u2013<\/strong> Nossas auditorias mostram que um dos principais problemas da rede materno-infantil e entre piores itens avaliados pelas mulheres \u00e9 a quest\u00e3o da (falta de) vincula\u00e7\u00e3o com o local de parto. Cerca de 80% das pacientes n\u00e3o sabem a maternidade onde ir\u00e3o dar \u00e0 luz. Ou seja, elas n\u00e3o est\u00e3o referenciadas a um servi\u00e7o. Ent\u00e3o, a interven\u00e7\u00e3o que queremos fazer com a ajuda da Opas vai ajudar a melhorar n\u00e3o apenas esse cen\u00e1rio, mas tamb\u00e9m o empoderamento da mulher na reprodu\u00e7\u00e3o. Obstetras dizem que quase um ter\u00e7o das gesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o planejadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JC \u2013 Como atuar com os munic\u00edpios?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANDR\u00c9 LONGO \u2013<\/strong> Tem alguns que nunca se estruturaram para atender as gestantes. Olinda, por exemplo, precisava ter mais uma maternidade al\u00e9m do Tricenten\u00e1rio. O munic\u00edpio s\u00f3 faz 35% dos seus partos. J\u00e1 Paulista n\u00e3o tem maternidades. A nossa gest\u00e3o estadual faz mais partos do que os munic\u00edpios. A Opas vai atuar tamb\u00e9m para ajudar a organizar melhor essa rede.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Jornal do Commercio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PARTO DESUMANO Em defesa das gestantes e beb\u00eas na rede p\u00fablica, Sindicato dos M\u00e9dicos denuncia falta de estrutura das maternidades A superlota\u00e7\u00e3o nas maternidades de Pernambuco tem transformado cadeiras de acompanhante e ambul\u00e2ncia em leitos para as mulheres darem \u00e0 luz um beb\u00ea. \u00c9 uma amea\u00e7a ao direito de nascer com dignidade, em ambiente seguro 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