{"id":53952,"date":"2019-07-08T10:51:18","date_gmt":"2019-07-08T13:51:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=53952"},"modified":"2019-07-08T10:51:18","modified_gmt":"2019-07-08T13:51:18","slug":"a-ponte-do-amor-por-que-nosso-cerebro-confunde-medo-atracao-e-paixao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/a-ponte-do-amor-por-que-nosso-cerebro-confunde-medo-atracao-e-paixao\/","title":{"rendered":"&#8216;A ponte do amor&#8217;: por que nosso c\u00e9rebro confunde medo, atra\u00e7\u00e3o e paix\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Experimento de 1974 conhecido como &#8216;a ponte do amor&#8217; mostrou que, quando se trata de reconhecer sentimentos, nosso c\u00e9rebro \u00e0s vezes se confunde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo muito que j\u00e1 se apaixonou alguma vez na vida \u00e9 capaz de identificar alguma dessas sensa\u00e7\u00f5es: os batimentos card\u00edacos aceleram, a respira\u00e7\u00e3o fica ofegante e as palmas das m\u00e3os podem ficar mais \u00famidas quando algu\u00e9m arrebata nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a presen\u00e7a de algu\u00e9m lhe provoca tudo isso, pode ser que sinta uma enorme atra\u00e7\u00e3o por essa pessoa. Pode tamb\u00e9m ser mais que atra\u00e7\u00e3o. Pode ser amor. Ou at\u00e9 medo, ansiedade ou estresse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas como \u00e9 poss\u00edvel confundir emo\u00e7\u00f5es t\u00e3o diferentes entre si?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O psic\u00f3logo Stanley Schachter descobriu na d\u00e9cada de 1960 que as emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o espont\u00e2neas tampouco t\u00e3o claras como acreditamos ou esperamos que sejam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Schachte, dois fatores s\u00e3o determinantes: um estado de excita\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e, em seguida, o r\u00f3tulo que damos a esse sentimento espec\u00edfico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O r\u00f3tulo depende do contexto e da pessoa. \u00c0s vezes, nosso sistema falha e acontece o que o psic\u00f3logo chama de &#8220;atribui\u00e7\u00e3o err\u00f4nea da excita\u00e7\u00e3o&#8221; (arousal), quando um r\u00f3tulo emocional deriva-se da fonte errada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, sentimentos como o de estar apaixonado, na verdade, podem ter uma origem bem diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A ponte do amor<\/strong><br \/>\nEm 1974, os psic\u00f3logos canadenses Donald Dutton e Arthur Aron iniciaram um experimento que demonstrou como a atribui\u00e7\u00e3o err\u00f4nea da excita\u00e7\u00e3o pode afetar nossos sentimentos relacionados \u00e0 atra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nHomens que visitavam um parque em Vancouver foram entrevistados por uma mulher bel\u00edssima. Metade dos entrevistados estava atravessando uma ponte suspensa quando a mulher pediu que participassem da pesquisa. A outra metade passava por uma ponte baixa e s\u00f3lida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi pedido a todos os participantes que olhassem uma foto, por exemplo, de uma mulher rindo enquanto cobria o rosto. Em seguida, eles tinham que imaginar uma hist\u00f3ria por tr\u00e1s da foto. A desculpa era explorar os efeitos de um belo cen\u00e1rio, como o de um parque, sobre a criatividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim da entrevista, a mulher dava o n\u00famero de telefone aos participantes e pedia que ligassem se tivessem perguntas sobre a pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo os pesquisadores, a maioria dos que ligaram para a mulher tinha atravessado a ponte suspensa \u2013 mais que o dobro do que passava pela ponte mais robusta e segura. As hist\u00f3rias desses homens que telefonaram tinham conte\u00fado mais rom\u00e2ntico e sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o mesmo experimento foi feito com um entrevistador homem, quase ningu\u00e9m ligou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A explica\u00e7\u00e3o dos especialistas nos anos 1970? Muitos homens que haviam atravessado a ponte suspensa confundiram os sentimentos \u2013 o cora\u00e7\u00e3o disparado e a respira\u00e7\u00e3o acelerada fizeram com que um poss\u00edvel medo de cair da ponte fosse confundido com atra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo Donald Dutton e Arthur Aron ganhou o t\u00edtulo de &#8220;Alguma evid\u00eancia de maior atra\u00e7\u00e3o sexual em condi\u00e7\u00f5es de alta ansiedade&#8221;. Mas o trabalhou ficou mesmo conhecido como &#8220;A ponte do amor&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que confundimos sentimentos<\/strong><br \/>\nAo longo dos anos, diferentes estudos t\u00eam mostrado que o fen\u00f4meno da atribui\u00e7\u00e3o err\u00f4nea da excita\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas nos faz confundir sentimentos como medo, atra\u00e7\u00e3o e amor. Tamb\u00e9m entra na lista de r\u00f3tulos equivocados uma elevada gama de emo\u00e7\u00f5es como nojo, euforia, humor, medo, inc\u00f4modo e erotismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe uma explica\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica por tr\u00e1s dessa confus\u00e3o de sentimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que estar apaixonado e estar com medo pare\u00e7am, \u00e0 primeira vista, sentimentos quase opostos, ambos provocam mudan\u00e7as fisiol\u00f3gicas muito parecidas no nosso corpo. Ambos ativam o sistema nervoso simp\u00e1tico, encarregado de nos dizer se devemos lutar ou escapar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para preparar o corpo para diferentes cen\u00e1rios, o sistema simp\u00e1tico ativa uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as no ritmo card\u00edaco e pulmonar. Libera horm\u00f4nios como adrenalina e noradrenalina que afetam nosso sistema digestivo, provocando aquele frio na barriga ou borboletas no est\u00f4mago.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosamente, \u00e9 o mesmo processo para quando estamos apaixonados ou nos sentimos atra\u00eddos por algu\u00e9m. Se o contexto n\u00e3o est\u00e1 claro, paix\u00e3o e atra\u00e7\u00e3o podem ser facilmente confundidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Do terror ao amor<\/strong><br \/>\nEsse fen\u00f4meno tamb\u00e9m pode explicar por que os filmes de terror s\u00e3o t\u00e3o populares quando se est\u00e1 num encontro amoroso. A excita\u00e7\u00e3o compartilhada pode real\u00e7ar os sentimentos de atra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a atribui\u00e7\u00e3o err\u00f4nea da excita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m explica por que muitas vezes parecia amor \u00e0 primeira vista se dissolve em pouco tempo e a pessoa que nas primeiras semanas te tirava do s\u00e9rio j\u00e1 n\u00e3o mais provoca arrepios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Especialistas em rea\u00e7\u00f5es descobriram que a teoria do psic\u00f3logo Stanley Schachter tamb\u00e9m pode ajudar a fortalecer um v\u00ednculo, uma vez que mostra que a experi\u00eancia emocional \u00e9 male\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, da mesma forma que a excita\u00e7\u00e3o pode criar uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de afei\u00e7\u00e3o entre duas pessoas que realmente n\u00e3o se amam, quando h\u00e1 amor mas o casal est\u00e1 desgastado pela monotonia, \u00e9 poss\u00edvel reviver essa centelha compartilhando atividades que geram excita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em particular, descobriu-se que os casais que compartilham experi\u00eancias novas e desafiadoras tendem a sentir maiores n\u00edveis de atra\u00e7\u00e3o do que aqueles que n\u00e3o saem da rotina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas cuidado: os psic\u00f3logos tamb\u00e9m advertem que casais que subsistem apenas com base em experi\u00eancias fortes, instabilidade ou perigo, s\u00e3o certamente v\u00edtimas da atribui\u00e7\u00e3o err\u00f4nea de excita\u00e7\u00e3o e n\u00e3o est\u00e3o realmente apaixonados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Experimento de 1974 conhecido como &#8216;a ponte do amor&#8217; mostrou que, quando se trata de reconhecer sentimentos, nosso c\u00e9rebro \u00e0s vezes se confunde. 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