{"id":55353,"date":"2019-10-03T10:05:52","date_gmt":"2019-10-03T13:05:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=55353"},"modified":"2019-10-03T10:05:52","modified_gmt":"2019-10-03T13:05:52","slug":"com-avancos-na-medicina-pessoas-com-sindrome-de-down-ja-chegam-a-3a-idade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/com-avancos-na-medicina-pessoas-com-sindrome-de-down-ja-chegam-a-3a-idade\/","title":{"rendered":"Com avan\u00e7os na medicina, pessoas com S\u00edndrome de Down j\u00e1 chegam \u00e0 3\u00aa idade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Expectativa de vida de pessoas com Down deve se equiparar a m\u00e9dio prazo com a da popula\u00e7\u00e3o normal, que \u00e9 de 76 anos no Brasil<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e3o Paulo \u2014<\/strong> Quando Isabel Bacicurinski nasceu, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, a expectativa de vida de uma pessoa com s\u00edndrome de Down era de cerca de 20 anos. Hoje, aos 48 anos, ela tem a real possibilidade de chegar \u00e0 terceira idade. Estudos internacionais apontam que, nos \u00faltimos 40 anos, a expectativa de vida para essas pessoas cresceu ao menos 3,75 vezes e deve, no futuro, se igualar \u00e0 da popula\u00e7\u00e3o em geral. No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a expectativa de vida ao nascer \u00e9 de 76 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rios fatores contribu\u00edram para o aumento da longevidade das pessoas com s\u00edndrome de Down. \u201cNa d\u00e9cada de 1920, a expectativa de vida era em torno de 9 anos. Com o advento das cirurgias card\u00edacas, vacina\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e inclus\u00e3o, houve um aumento da expectativa de vida para em torno dos 65 anos. Um estudo mostrou um paciente com 77 anos\u201d, diz a geriatra Ana Thereza Schneider, integrante da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No passado, apenas os pediatras faziam o atendimento dos pacientes com a s\u00edndrome e, durante muitos anos, a longevidade n\u00e3o foi um tema abordado com os pais de crian\u00e7as com Down. Agora, os geriatras est\u00e3o sendo cada vez mais procurados por essa popula\u00e7\u00e3o e h\u00e1 projetos que focam o envelhecimento saud\u00e1vel de pessoas com s\u00edndrome de Down.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o caso de um grupo de 60 membros da Associa\u00e7\u00e3o para Profissionaliza\u00e7\u00e3o, Orienta\u00e7\u00e3o, Integra\u00e7\u00e3o do Excepcional (Apoie), que, desde mar\u00e7o, est\u00e1 sendo acompanhado por um geriatra em uma iniciativa do Projeto Serendipidade, ONG com foco em inclus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles praticam atividades f\u00edsicas, recebem orienta\u00e7\u00f5es para ter uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e fazem exames para acompanhamento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas. O objetivo da iniciativa, segundo o leiloeiro Henri Zylberstajn, de 39 anos, fundador do Projeto Serendipidade n\u00e3o \u00e9 apenas oferecer qualidade de vida para os adultos, mas obter informa\u00e7\u00f5es sobre o envelhecimento deles e utiliz\u00e1-las em pesquisas sobre o tema no futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto-piloto deve durar um ano. \u201cQueremos conversar com profissionais em forma\u00e7\u00e3o para mostrar que existem caminhos e uma necessidade de mercado. Com o envelhecimento precoce e a longevidade dessa popula\u00e7\u00e3o, isso se faz necess\u00e1rio\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo parentes de pessoas com a s\u00edndrome, a longevidade n\u00e3o era uma quest\u00e3o central. \u201cMinha filha nasceu cardiopata e a gente tinha de cuidar do cora\u00e7\u00e3o, levar para a fisioterapia e terapia ocupacional. Tudo o que me indicaram, fui fazer. A quest\u00e3o da longevidade ficou mais para a frente\u201d, lembra a professora aposentada Maria L\u00facia da Silva, de 61 anos, m\u00e3e de Maria Elisa do Lago, de 32. Segundo Maria L\u00facia, a filha gosta de dan\u00e7ar e fazer atividades f\u00edsicas. Tamb\u00e9m canta e \u00e9 uma pessoa soci\u00e1vel. \u201cEla tem qualidade de vida muito maior do que outras pessoas. Acredito que Maria Elisa vai longe.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Possibilidades<\/strong><br \/>\nGeriatra do Hospital Israelita Albert Einstein e do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo, Marcelo Altona est\u00e1 fazendo o monitoramento do grupo atendido pelo projeto. \u201cEstamos assistindo ao envelhecimento das pessoas com a s\u00edndrome de Down e isso acende uma l\u00e2mpada de possibilidades. Nosso objetivo \u00e9 oferecer um melhor envelhecimento e acabar com a cren\u00e7a de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel alcan\u00e7ar benef\u00edcios.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ele, sintomas da velhice que costumam aparecer ap\u00f3s os 50 anos na popula\u00e7\u00e3o geral, como a perda de massa muscular e de mem\u00f3ria, podem come\u00e7ar a surgir a partir dos 20 anos em quem tem a s\u00edndrome. \u201cNosso objetivo \u00e9 desenvolver uma massa cr\u00edtica para formar os familiares para a busca da qualidade de vida, bons h\u00e1bitos de alimenta\u00e7\u00e3o, atividade f\u00edsica e controle de doen\u00e7as cr\u00f4nicas que podem surgir durante o envelhecimento. Fazer o mesmo cuidado que temos com os idosos t\u00edpicos\u201d, explica Altona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os participantes tamb\u00e9m est\u00e3o realizando exames para monitorar condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. \u201cTodo o nosso arsenal diagn\u00f3stico est\u00e1 dispon\u00edvel, como exames de resson\u00e2ncia e tomografia. A causa nos sensibilizou porque tem rela\u00e7\u00e3o com inclus\u00e3o social e melhorar a vida das pessoas\u201d, diz Charles Ghelfond, diretor-presidente do Ghelfond Medicina Diagn\u00f3stica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apoio familiar<\/strong><br \/>\nO engenheiro Bernardo Bacicurinski, de 62 anos, acompanhou as conquistas da irm\u00e3 Isabel em um per\u00edodo em que as pessoas n\u00e3o acreditavam no potencial de quem tem s\u00edndrome de Down. \u201cNa \u00e9poca acreditava-se que n\u00e3o tinha expectativa de nada e \u00e9 um pensamento errado, porque eles t\u00eam capacidade de aprender e fazem atividades com dedica\u00e7\u00e3o e responsabilidade\u201d, diz o engenheiro. \u201cMinha irm\u00e3 cuida das coisas dela, senta para jantar comigo, comenta coisas que viu na TV e as not\u00edcias que escuta. Tem uma vis\u00e3o de vida muito grande.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A costureira Shirley Descrove, de 66 anos, nunca se preocupou com as quest\u00f5es relacionadas ao envelhecimento da filha Marina Descrove de Oliveira, de 33 anos, que tamb\u00e9m tem a s\u00edndrome. \u201cFoquei mais em cuidar dela, mas \u00e9 importante para a gente ficar sabendo como cuidar disso. A fam\u00edlia n\u00e3o est\u00e1 preparada\u201d, diz Shirley.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns pacientes apresentam sinais de envelhecimento precoce nessa faixa et\u00e1ria. Segundo Shirley, Marina faz todas as suas atividades com disposi\u00e7\u00e3o. \u201cEla n\u00e3o pode fazer movimentos bruscos, mas adora dan\u00e7ar, gosta muito de academia. L\u00e1, s\u00f3 queria fazer zumba. Faz colchas. S\u00f3 o rosto dela est\u00e1 come\u00e7ando a ficar enrugadinho.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Presidente da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de S\u00edndrome de Down, Antonio Carlos Sestaro diz que a popula\u00e7\u00e3o com a trissomia do 21 \u00e9 de 350 mil a 400 mil pessoas no Pa\u00eds. O IBGE n\u00e3o tem dados sobre esse grupo. Ele diz que o atendimento especializado ao longo do envelhecimento \u00e9 fundamental. \u201cNossa preocupa\u00e7\u00e3o maior com a longevidade \u00e9 o Alzheimer. Estamos acompanhando pesquisas no mundo e quase 50% das pessoas com s\u00edndrome de Down podem desenvolver o Alzheimer com mais de 50 anos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a assistente social volunt\u00e1ria da Apoie Sonia Monken, o projeto focado no envelhecimento \u00e9 importante n\u00e3o s\u00f3 para os pacientes, mas para a fam\u00edlia. \u201cO grande problema hoje \u00e9 com rela\u00e7\u00e3o a imaginar que essa pessoa est\u00e1 envelhecendo em um grupo que est\u00e1 muito velho, como os pais dela. Quando a gente trabalha com longevidade, trabalha no paciente e na fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Exame.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Expectativa de vida de pessoas com Down deve se equiparar a m\u00e9dio prazo com a da popula\u00e7\u00e3o normal, que \u00e9 de 76 anos no Brasil S\u00e3o Paulo \u2014 Quando Isabel Bacicurinski nasceu, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, a expectativa de vida de uma pessoa com s\u00edndrome de Down era de cerca de 20 anos. 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