{"id":56459,"date":"2020-08-27T12:42:14","date_gmt":"2020-08-27T15:42:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=56459"},"modified":"2020-08-27T12:42:14","modified_gmt":"2020-08-27T15:42:14","slug":"na-pandemia-a-saude-mental-tambem-pede-socorro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/na-pandemia-a-saude-mental-tambem-pede-socorro\/","title":{"rendered":"Na pandemia, a sa\u00fade mental tamb\u00e9m pede socorro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Dedos entrela\u00e7ados em sinal de ora\u00e7\u00e3o, m\u00e3os aos c\u00e9us como forma de agradecimento, rezas ante o mar e uma sintonia de esperan\u00e7a celebravam o novo ano. Sob fogos brilhosos e respingos de champanhe, 2020 chegou. Fotografei abra\u00e7os e presenciei dizeres otimistas para o ciclo que come\u00e7ara. Tomado pela atmosfera comemorativa do r\u00e9veillon, n\u00e3o imaginaria naquele momento euf\u00f3rico que, meses depois, vivenciar\u00edamos o in\u00edcio da mais cr\u00edtica e enlutada crise de sa\u00fade dos \u00faltimos tempos. Os mesmos amigos e familiares que, com os p\u00e9s na areia da praia festejavam o ano novo, hoje pedem \u00e0s suas cren\u00e7as que o per\u00edodo corrente leve consigo doen\u00e7a, medo, luto, mazelas, intoler\u00e2ncias, desemprego, corrup\u00e7\u00e3o, entre outros males. O novo coronav\u00edrus, literalmente, atormentou o ano novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o t\u00e3o longe do litoral, *Jos\u00e9 Silva, 35 anos, reflete em seu apartamento &#8211; uma esp\u00e9cie de ref\u00fagio ante o cen\u00e1rio desolador da pandemia de Covid-19 -. Em isolamento social \u2013 s\u00e9ria e correta medida indicada pelos \u00f3rg\u00e3os competentes de sa\u00fade para combater a prolifera\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a -, da janela do edif\u00edcio ele observa as ruas situadas no cora\u00e7\u00e3o do Recife, uma das capitais fortemente atingidas pelo novo coronav\u00edrus. Praticamente n\u00e3o h\u00e1 pessoas no local, antes de intensa movimenta\u00e7\u00e3o. *Jos\u00e9 observa. Analisa. Questiona sua pr\u00f3pria mente: \u201cpor que isso est\u00e1 acontecendo\u201d?. Tamb\u00e9m rememora momentos em fam\u00edlia, ao sentir falta dos abra\u00e7os, do calor carinhoso caracter\u00edstico da m\u00e3e idosa. S\u00e3o meses sem v\u00ea-la, sem toc\u00e1-la; tudo por amor a ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*Jos\u00e9 observa. Reflete. Agitada, sua mente n\u00e3o cansa, n\u00e3o para. Ao direcionar novamente sua aten\u00e7\u00e3o \u00e0s ruas vazias, paralelamente sente um vazio de incertezas quanto ao seu futuro e das pessoas que ama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*Jos\u00e9 viu, repentinamente, sua rotina tomar uma propor\u00e7\u00e3o antes inimagin\u00e1vel. Obrigatoriamente e de maneira consciente, afastou-se dos amigos, da fam\u00edlia e do local de trabalho. Na m\u00eddia, alimentou-se de informa\u00e7\u00f5es a respeito da problem\u00e1tica e complexa Covid-19, cujo rastro de estrago e morte marca pa\u00edses do mundo todo. *Jos\u00e9 acompanha, diariamente, as contagens de casos e \u00f3bitos, al\u00e9m dos efeitos oriundos da pandemia, que reverberam, al\u00e9m da sa\u00fade, na educa\u00e7\u00e3o e economia de um pa\u00eds desigual, socialmente falando, desde os prim\u00f3rdios. Para *Jos\u00e9, a pandemia potencializou os diversos problemas sociais e pol\u00edticos que acometem o povo brasileiro, assim como instaurou desconfortos mentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mente de *Jos\u00e9 n\u00e3o pausa. Todos os dias, durante a pandemia, \u00e9 tomada por uma tempestade de pensamentos; seu corpo j\u00e1 sente os efeitos da ansiedade. Cora\u00e7\u00e3o e mente acelerados, enquanto as noites n\u00e3o mais servem como um momento reparador, uma vez que, em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, o sono n\u00e3o vem. \u201cFiquei bastante tenso quando a quarentena, no in\u00edcio de mar\u00e7o, come\u00e7ou a se estender. Diversos sentimentos de impot\u00eancia brotaram em mim. Estou h\u00e1 quase seis meses sem ver minha fam\u00edlia, e todo o meu pensamento vai para cada um que est\u00e1 distante de mim. Apesar de conversas por chamadas de v\u00eddeo, o contato f\u00edsico faz falta. N\u00e3o aguento mais ficar isolado por tanto tempo em casa, longe de quem eu gosto. Minha sa\u00fade mental est\u00e1 indo embora\u201d, desabafa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O medo cerca *Jos\u00e9. Ele teme, por exemplo, perder pessoas queridas. Teme, ainda, que a crise econ\u00f4mica acarrete demiss\u00f5es. \u201c\u00c9 no sil\u00eancio da noite que a minha mente projeta um turbilh\u00e3o de d\u00favidas e medos. N\u00e3o sei como mudar a rota do meu pensamento para que eu sinta um certo al\u00edvio, de fato, de que as coisas ir\u00e3o realmente melhorar. Meus questionamentos est\u00e3o sempre relacionados ao meu lado financeiro. Acho que, desde o in\u00edcio da pandemia, sinto instabilidade profissional. N\u00e3o vejo com entusiasmo a capacidade que eu tenho de desenvolver o meu trabalho\u201d, descreve ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 percept\u00edvel como *Jos\u00e9 trava uma luta emocional na qual \u00e9 dif\u00edcil desenvolver solu\u00e7\u00f5es imediatas. Talvez isso se d\u00ea pelo fato de que ele, sozinho, n\u00e3o det\u00e9m o controle do atual cen\u00e1rio, pois, em suas m\u00e3os, n\u00e3o est\u00e3o as solu\u00e7\u00f5es que possam, de uma vez por todas, colocar fim aos resqu\u00edcios da pandemia em seu cotidiano. Nesse contexto, *Jos\u00e9 n\u00e3o consegue cessar os pr\u00f3prios medos e nem planejar o pr\u00f3prio futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cS\u00f3 espero que esse caminho de incertezas e de negatividade que estamos trilhando n\u00e3o deixe marcas profundas na alma, ao ponto de lembrarmos futuramente de tudo isso que estamos presenciando com tristeza e amargor. Me preocupa bastante ver que estou desacreditando a cada dia que se passa do meu potencial, da minha entrega, da garra que um dia eu lutei intensamente para conquistar o meu lugar. Ainda n\u00e3o passou pela minha cabe\u00e7a buscar apoio psicol\u00f3gico para me dar um norte em meio a esse caos instalado pela pandemia. N\u00e3o fa\u00e7o a m\u00ednima ideia se tenho a capacidade de sair desse mar de consterna\u00e7\u00e3o sozinho\u201d, diz *Jos\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>*Jos\u00e9 Silva \u2013 nome fict\u00edcio. Personagem preferiu preservar a sua identidade.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Doen\u00e7a pand\u00eamica, mente em perigo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais de 23 milh\u00f5es de casos confirmados no mundo. Quase 816 mil mortes. Assustadores, os dados globais da <a href=\"https:\/\/www.leiaja.com\/noticias\/2020\/08\/27\/mundo-reforca-medidas-para-conter-focos-do-coronavirus\/\">pandemia do novo coronav\u00edrus<\/a>, informados pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) em seu mais recente balan\u00e7o, exp\u00f5em qu\u00e3o cr\u00edtico \u00e9 o cen\u00e1rio. Em 30 de janeiro de 2020, a OMS declarou que o surto da Covid-19 constitui uma Emerg\u00eancia de Sa\u00fade P\u00fablica Internacional, patamar de alerta mais alto da institui\u00e7\u00e3o. Localmente, de acordo com o cons\u00f3rcio de ve\u00edculos de imprensa baseado nas informa\u00e7\u00f5es das secretarias estaduais de Sa\u00fade, o Brasil registra mais de 3,7 milh\u00f5es de pessoas diagnosticadas com o v\u00edrus e o n\u00famero de \u00f3bitos passa de 117 mil. Al\u00e9m desse panorama, existem comprova\u00e7\u00f5es de que a pandemia tem bombardeado suas consequ\u00eancias na condi\u00e7\u00e3o mental da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em comunicados oficiais, a OMS j\u00e1 alerta que a pandemia da Covid-19 tem, de fato, forte impacto na sa\u00fade mental das pessoas. A entidade demonstra preocupa\u00e7\u00e3o e orienta os pa\u00edses a tomarem medidas necess\u00e1rias para ajudar suas na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 frente da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, Tedros Adhanom explica que os efeitos econ\u00f4micos e sociais da pandemia, da forma acelerada como se expandem e causam estragos, tendem a aumentar casos prejudiciais \u00e0 sa\u00fade mental dos indiv\u00edduos. Depress\u00e3o, ansiedade e transtornos mentais por uso de subst\u00e2ncias s\u00e3o alguns dos problemas citados pelo diretor-geral da OMS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes mesmo da pandemia, os n\u00fameros de transtornos mentais despertavam preocupa\u00e7\u00e3o na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade. De acordo com a entidade, foram registrados 322 milh\u00f5es de casos de transtorno depressivo em todo o mundo, bem como 264 milh\u00f5es de pessoas eram acometidas por transtorno de ansiedade. Ainda sobre o per\u00edodo pr\u00e9-pandemia, o estudo aponta que, no Brasil, 9,3% da popula\u00e7\u00e3o sofria dist\u00farbios relacionados \u00e0 ansiedade, correspondendo a um quantitativo de 18.657.943 cidad\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se antes da Covid-19 a sociedade j\u00e1 ansiava aportes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental, agora, mais do que nunca, segundos os especialistas, h\u00e1 a necessidade de cuidarmos com mais afinco de nossas mentes. Os resqu\u00edcios pand\u00eamicos s\u00e3o, metaforicamente, como uma imensa bola de neve que vai agregando problemas e mazelas, ao ponto de atingir a mente da popula\u00e7\u00e3o. De acordo com a psiquiatra F\u00e1tica Vasconcelos, integrante da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria (ABP), mortes, luto, desemprego, crise econ\u00f4mica, risco de cont\u00e1gio, incertezas sobre a vida s\u00e3o alguns dos fatos pand\u00eamicos que impulsionam dores emocionais. \u201cTodos esses problemas juntos podem criar um quadro de ansiedade e depress\u00e3o muito grande. Algumas dessas pessoas, tanto pela ansiedade quanto pela depress\u00e3o, podem aumentar o consumo de subst\u00e2ncias l\u00edcitas e il\u00edcitas. A gente tem tamb\u00e9m, al\u00e9m da depress\u00e3o, ansiedade e do transtorno do estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico, o aumento do consumo de drogas, tanto \u00e1lcool, quanto maconha e coca\u00edna. Muitas crises j\u00e1 vinham acontecendo e j\u00e1 comprometiam a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o\u201d, explica a m\u00e9dica psiquiatra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dados e ind\u00edcios preocupam<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade (Opas), institui\u00e7\u00e3o vinculada \u00e0 OMS, est\u00e3o sendo levantados dados globais que ratificam os ind\u00edcios de aumentos de ansiedade, depress\u00e3o, entre outros males ps\u00edquicos, em virtude do novo coronav\u00edrus, bem como institui\u00e7\u00f5es passaram a tra\u00e7ar estrat\u00e9gias preventivas. Em maio deste ano, por exemplo, o secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Ant\u00f3nio Guterres,\u00a0lan\u00e7ou um relat\u00f3rio sobre pol\u00edticas p\u00fablicas para a sa\u00fade mental com uma s\u00e9rie de orienta\u00e7\u00f5es aos governantes. \u201cLuto pela perda de entes queridos. Choque com a perda de empregos. Isolamento e restri\u00e7\u00f5es \u00e0 circula\u00e7\u00e3o. Din\u00e2micas familiares dif\u00edceis. Incerteza e medo do futuro. Problemas de sa\u00fade mental, incluindo depress\u00e3o e ansiedade s\u00e3o algumas das maiores causas de mis\u00e9ria no nosso mundo\u201d,\u00a0alertou Guterres. \u201c\u00c0 medida que nos recuperamos da pandemia, precisamos transferir mais servi\u00e7os de sa\u00fade mental para a comunidade e garantir que a sa\u00fade mental seja inclu\u00edda na cobertura universal de sa\u00fade. Apelo aos governos, \u00e0 sociedade civil, \u00e0s autoridades de sa\u00fade e a outros que se re\u00fanam com urg\u00eancia para abordar a dimens\u00e3o da sa\u00fade mental desta pandemia\u201d, acrescentou o secret\u00e1rio-geral da ONU, conforme informa\u00e7\u00f5es do site da Organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relat\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas destaca, inicialmente, que embora a crise da Covid-19 seja, a priori, de sa\u00fade f\u00edsica, ela propagar\u00e1 sementes de uma grande crise de sa\u00fade mental, caso a\u00e7\u00f5es preventivas n\u00e3o sejam realizadas. O documento aponta que boa sa\u00fade mental \u00e9 \u201cfundamental\u201d para o funcionamento da sociedade, devendo tamb\u00e9m ser pauta de cada pa\u00eds durante o enfrentamento ao novo coronav\u00edrus. Conforme o relat\u00f3rio, pesquisas realizadas em 2020 revelam alta preval\u00eancia de sofrimento na popula\u00e7\u00e3o durante a pandemia de Covid-19, como na China, em que 35% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 angustiada. Nos Estados Unidos esse \u00edndice de ang\u00fastia sobe para 45%, enquanto no Ir\u00e3 o percentual \u00e9 ainda mais alarmante: 60%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao analisarmos o cen\u00e1rio brasileiro, fica ainda mais evidente a necessidade de o Pa\u00eds intensificar, prontamente, um combate dedicado aos problemas oriundos da pandemia que reverberam na sa\u00fade mental. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos revelou que quatro em cada dez brasileiros sofrem sintomas de ansiedade como consequ\u00eancia da pandemia. Segundo o estudo, as mulheres s\u00e3o mais afetadas, representando 49% dos casos, enquanto o percentual dos homens \u00e9 de 33%. O levantamento aponta que o \u00edndice de 41% coloca o Brasil na primeira posi\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses mais ansiosos em decorr\u00eancia do novo coronav\u00edrus. \u201cA gente diz que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds feliz e n\u00e3o \u00e9. Na verdade, \u00e9 um pa\u00eds que tem muita desigualdade, muita gente vivendo em condi\u00e7\u00f5es grandes de pobreza, o que cria um quadro de ansiedade e depress\u00e3o muito grande\u201d, acrescenta a psiquiatra F\u00e1tima Vasconcelos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aliado fundamental do bem-estar, o sono, antes reparador, perdeu efeito para muitas pessoas. A pesquisa do Instituto Ipsos indica que, de dia, a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com a utiliza\u00e7\u00e3o segura de m\u00e1scaras e com a limpeza correta das m\u00e3os e objetos, enquanto ao anoitecer, a luta de muitos brasileiros \u00e9 contra a ins\u00f4nia. Segundo o levantamento, 26% da popula\u00e7\u00e3o nacional relatou dificuldades para dormir na pandemia; as mulheres s\u00e3o as mais afetadas, apontou a pesquisa. De novo, o Brasil aparece nas primeiras posi\u00e7\u00f5es, quando analisamos os efeitos da falta de sono entre os pa\u00edses: no topo da tabela est\u00e1 o M\u00e9xico, com 38% da popula\u00e7\u00e3o afetada, e em segundo lugar est\u00e1 o Brasil, com o percentual de 26%; em terceiro est\u00e3o a \u00c1frica do Sul e a Espanha, ambos com 25% dos seus povos atingidos pela ins\u00f4nia. Em contraponto, as na\u00e7\u00f5es menos afetas foram Jap\u00e3o (6%), Coreia do Sul (10%) e Austr\u00e1lia (12%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda de acordo com o estudo do Instituto Ipsos, um em cada dez entrevistados no Brasil disse estar enfrentando sintomas depressivos em decorr\u00eancia da pandemia do novo coronav\u00edrus. F\u00e1tima Vasconcelos reitera que existe uma rela\u00e7\u00e3o muito clara com a dissemina\u00e7\u00e3o dos sintomas e as mazelas pand\u00eamicas. \u201cNa pandemia, n\u00f3s j\u00e1 temos mais de 100 mil pessoas mortas no Brasil. Claro que tivemos \u00edndices de recupera\u00e7\u00e3o, mas <a href=\"https:\/\/www.leiaja.com\/noticias\/2020\/04\/21\/como-lidar-com-dor-de-nao-poder-enterrar-seus-familiares\/\">como ficaram os familiares das pessoas que j\u00e1 faleceram?<\/a> E mais: h\u00e1 o risco de mais pessoas falecerem. Algumas se internaram para o tratamento da Covid-19 e se recuperaram, mas se recuperaram com um grau de sofrimento muito grande. Existem m\u00e3es que perderam filhos e m\u00e3es que tiveram filhos e esperaram um m\u00eas para v\u00ea-los. Depois da pandemia, todo mundo de alguma forma foi atingido\u201d, comenta a psiquiatra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no recorte das na\u00e7\u00f5es em que a popula\u00e7\u00e3o menos sente os sintomas de depress\u00e3o, a pesquisa mostra que chineses (4%), japoneses e franceses (5%), e por fim os alem\u00e3es (8%), s\u00e3o os povos menos deprimidos. Ainda segundo o Instituto Ipsos, a pesquisa aponta que, no Brasil, apenas 22% dos entrevistados disseram que n\u00e3o foram impactados por nenhum dos problemas identificados no estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Sa\u00fade brasileiro oficializou, publicamente, sua preocupa\u00e7\u00e3o com a piora dos \u00edndices de problemas emocionais atribu\u00eddos aos efeitos da pandemia. A pasta realizou a \u201cPesquisa de Vigil\u00e2ncia de Fatores de Risco e Prote\u00e7\u00e3o para Doen\u00e7as Cr\u00f4nicas por Inqu\u00e9rito Telef\u00f4nico COVID-19 (Vigitel)\u201d e apresentou, no fim de maio, seus resultados, entre eles os oriundos da sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, mais de 2 mil pessoas foram ouvidas neste estudo. Confira, a seguir, os problemas relacionados \u00e0 sa\u00fade mental que incomodaram os cidad\u00e3os entrevistados no levantamento e seus respectivos percentuais das pessoas afetadas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s os resultados oriundos da Vigitel, o diretor do Departamento de An\u00e1lise em Sa\u00fade e Vigil\u00e2ncia em Doen\u00e7as N\u00e3o Transmiss\u00edveis do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Eduardo Mac\u00e1rio, refor\u00e7ou a necessidade de o Brasil oferecer aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0s quest\u00f5es de ordem mental, segundo ele, em alguns momentos colocadas de \u201clado\u201d. Para o diretor, \u201ceventos relacionados \u00e0 sa\u00fade mental muitas vezes s\u00e3o colocados de lado numa situa\u00e7\u00e3o como a que estamos vivendo\u201d. Ele complementa: \u201cMas \u00e9 fundamental serem monitorados e acompanhados\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cresce o n\u00famero de atendimentos psiqui\u00e1tricos durante a pandemia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisa da <a href=\"https:\/\/www.abp.org.br\/\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria, a ABP<\/a>, realizada em maio deste ano, identificou que, entre seus m\u00e9dicos associados, 47,9% dos entrevistados notaram aumento em seus atendimentos ap\u00f3s o in\u00edcio da propaga\u00e7\u00e3o do novo coronav\u00edrus. Levando em considera\u00e7\u00e3o esse grupo, o levantamento revelou um crescimento de at\u00e9 25% nos atendimentos, quando comparados ao per\u00edodo anterior \u00e0 pandemia para cerca de um ter\u00e7o dos participantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos objetivos do trabalho estat\u00edstico da ABP foi identificar os atendimentos a novos pacientes. De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o, quase 68% dos psiquiatras entrevistados receberam pacientes novos ap\u00f3s o come\u00e7o da pandemia; s\u00e3o pessoas que nunca apresentaram sintomas psiqui\u00e1tricos anteriormente. A apura\u00e7\u00e3o do estudo informa tamb\u00e9m que 69,3% dos m\u00e9dicos disseram que receberam pessoas que j\u00e1 haviam tido alta m\u00e9dica, por\u00e9m, sofreram o reaparecimento de seus sintomas mentais; esses pacientes voltaram aos consult\u00f3rios ou realizaram novos contatos para atendimentos. Ao todo, m\u00e9dicos de 23 estados, al\u00e9m do Distrito Federal, participaram da avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O levantamento da ABP, no que diz respeito aos m\u00e9dicos que n\u00e3o notaram aumento nos atendimentos, identificou um cen\u00e1rio contr\u00e1rio ao mencionado anteriormente: queda na quantidade de demandas. Esse decr\u00e9scimo, no entanto, tamb\u00e9m pode ser entendido como uma consequ\u00eancia da prolifera\u00e7\u00e3o do novo coronav\u00edrus, uma vez que entre os principais motivos revelados sobre a queda, est\u00e1 a interrup\u00e7\u00e3o do tratamento porque o paciente sente medo de sair de casa e ser contaminado pela Covid-19. Diminu\u00edram, claramente, atendimentos \u00e0s pessoas do grupo de risco, tais como idosos e brasileiros afetados por comorbidades, bem como foram empecilhos para os acolhimentos presenciais as restri\u00e7\u00f5es de circula\u00e7\u00e3o determinadas pelo poder p\u00fablico em algumas cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Essa pesquisa identificou dois cen\u00e1rios preocupantes como consequ\u00eancia de uma \u00fanica possibilidade. O aumento dos atendimentos foi motivado, em sua maioria, pelo agravamento dos transtornos ou desenvolvimento de novas patologias psiqui\u00e1tricas devido ao medo da Covid-19. Entretanto, a redu\u00e7\u00e3o dos atendimentos \u00e0queles que assim identificaram tamb\u00e9m se deve ao medo da contamina\u00e7\u00e3o e \u00e0s estrat\u00e9gias para evitar o cont\u00e1gio&#8221;, avalia o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria, Ant\u00f4nio Geraldo da Silva, conforme informa\u00e7\u00f5es da assessoria de imprensa da entidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com os especialistas, a quebra da rotina tamb\u00e9m \u00e9 um fator que pode potenciar desgastes emocionais na sociedade. Adaptar-se \u00e0 uma nova realidade de trabalho, como nos casos do home office e das restri\u00e7\u00f5es impostas pelo isolamento social, \u00e9 dif\u00edcil e cria desafios. \u201cQuando sa\u00edmos de nossa homeostase, ou seja, o nosso modo usual de funcionamento, cognitivo, comportamental e emocional, temos que usar nossos mais nobres recursos para adapta\u00e7\u00e3o. \u00c9 nesse sentido que muitas pessoas, ao n\u00e3o conseguirem fazer esse ajuste, adoecem e necessitam de atendimento especializado. \u00c9 de se supor que, num momento de grande mudan\u00e7a e necessidade de adapta\u00e7\u00e3o, sintomas de ansiedade, depress\u00e3o e relacionados a trauma aumentem e precisem de uma abordagem imediata&#8221;, acrescenta o presidente da ABP ao site da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sentimentos revelados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um levantamento do Instituto de Pesquisas UNINASSAU, entidade vinculada ao Centro Universit\u00e1rio Maur\u00edcio de Nassau, reuniu informa\u00e7\u00f5es acerca dos efeitos do novo coronav\u00edrus na rotina de moradores do Recife. Um dos pontos abordados na capital pernambucana analisou a rela\u00e7\u00e3o da Covid-19 com a sa\u00fade mental dos populares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o Instituto, a pesquisa teve como objetivo \u201cinvestigar a opini\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o residente na \u00e1rea de abrang\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus\u201d. O universo do estudo corresponde a eleitores com 18 anos ou mais de idade, cujo grau de instru\u00e7\u00e3o vai do ensino fundamental incompleto ao n\u00edvel superior conclu\u00eddo, entre outras caracter\u00edsticas. No total, foram realizadas 628 entrevistas, no per\u00edodo de 11 a 14 de junho de 2020<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao questionar os entrevistados sobre quest\u00f5es ligadas \u00e0 sa\u00fade mental em meio \u00e0 pandemia, a pesquisa reuniu v\u00e1rios sentimentos. As revela\u00e7\u00f5es expressaram incertezas quanto ao futuro, medos, ang\u00fastias, entre outros decl\u00ednios emocionais demonstrados pelos cidad\u00e3os. Acompanhe informa\u00e7\u00f5es apuradas pela pesquisa no v\u00eddeo a seguir. Tamb\u00e9m registramos o coment\u00e1rio da psiquiatra Catarina Moraes, m\u00e9dica associada \u00e0 Sociedade Pernambucana de Psiquiatria, acerca dos efeitos pand\u00eamicos nas quest\u00f5es psicol\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Indicativos ou transtornos em v\u00edtimas da Covid-19<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisadores e profissionais da sa\u00fade j\u00e1 admitem que pessoas acometidas pelo novo coronav\u00edrus podem desenvolver transtornos mentais e at\u00e9 problemas neurol\u00f3gicos. <a href=\"https:\/\/www.leiaja.com\/noticias\/2020\/08\/19\/um-em-cada-16-pacientes-de-covid-19-teve-transtorno-mental\/\">Um estudo da Universidade Oxford, da Inglaterra<\/a>, publicado no dia 16 de agosto, revelou que uma em cada 16 v\u00edtimas da Covid-19 desenvolveu alguma esp\u00e9cie de transtorno mental no per\u00edodo de tr\u00eas meses ap\u00f3s a doen\u00e7a. Segundo a pesquisa, o risco \u00e9 duas vezes maior para as pessoas que necessitaram de hospitaliza\u00e7\u00e3o por causa dos efeitos do v\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa da Universidade de Oxford avaliou mais de 60 mil pessoas que apresentaram recupera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o diagn\u00f3stico do v\u00edrus pand\u00eamico, bem como o estudo cient\u00edfico identificou que indiv\u00edduos que j\u00e1 apresentam doen\u00e7a mental t\u00eam um risco maior de serem acometidos pela Covid-19. Nas avali\u00e7\u00f5es, foram realizadas compara\u00e7\u00f5es com o surgimento de transtornos durante o tratamento de outras enfermidades, entre elas infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias e de pele, pedra na ves\u00edcula e nos rins, fraturas consideradas graves e influenza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo da universidade inglesa somou seus resultados aos de outras pesquisas que tamb\u00e9m provaram rela\u00e7\u00e3o entre transtornos mentais e o novo coronav\u00edrus. Cientistas ainda apontam que, mesmo sendo uma doen\u00e7a nova, cujo v\u00edrus acomete pessoas de faixas et\u00e1rias diferentes, a Covid-19 pode castigar o c\u00e9rebro e o sistema vascular, al\u00e9m do cora\u00e7\u00e3o, pulm\u00f5es, intestino e os rins.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outra conclus\u00e3o cient\u00edfica, pesquisadores da University College London (UCL), de Londres, publicaram um artigo, em julho deste ano, em que mostra uma an\u00e1lise de 43 pessoas vitimadas pelo novo coronav\u00edrus. Segundo o artigo, os pacientes apresentaram complica\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas, tais como psicose, del\u00edrio, tremores e at\u00e9 danos ao c\u00e9rebro, ocasionando derrame.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade cient\u00edfica brasileira tamb\u00e9m tem desenvolvido importantes estudos acerca da rela\u00e7\u00e3o da pandemia com a sanidade mental da popula\u00e7\u00e3o. A Universidade de Fortaleza (Unifor), por exemplo, realizou uma pesquisa que tem como principal questionamento \u201cQuais os impactos psicossociais que a pandemia do novo coronav\u00edrus tem causado na sa\u00fade mental do brasileiro?\u201d. O trabalho foi financiado pela Funda\u00e7\u00e3o Edson Queiroz, por meio da Diretoria de Pesquisa, Desenvolvimento e Inova\u00e7\u00e3o (DPDI).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a Unifor, a pesquisa revelou que os piores \u00edndices de sa\u00fade mental aconteceram com pessoas que j\u00e1 foram diagnosticadas com a Covid-19, al\u00e9m das que integram o grupo de risco, residem com pessoas desse grupo ou concordam com o isolamento social indicado pelos \u00f3rg\u00e3os competentes. O mesmo estudo mostrou tamb\u00e9m que apresentaram maiores ind\u00edcios de adoecimento as pessoas em maior n\u00edvel de ades\u00e3o aos protocolos de combate \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao <strong>LeiaJ\u00e1<\/strong>, a coordenadora do projeto de pesquisa e professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia (PPGP) da Universidade de Fortaleza, Cynthia Melo, explanou os resultados dos principais pontos do estudo. Uma das constata\u00e7\u00f5es indica que quem teve Covid-19 apresentou maior n\u00edvel de ansiedade. Para a docente, isso se explica pelo fato de que as v\u00edtimas vivenciaram um risco alto de \u00f3bito. \u201c\u00c9 uma possibilidade de morte muito maior do que quem n\u00e3o teve a doen\u00e7a. Essa pessoa sabe da gravidade da doen\u00e7a mais de perto do que os outros\u201d, esclarece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo da Unifor indicou, ainda, que os entrevistados que moram com pessoas do grupo de risco apresentaram mais ind\u00edcios de adoecimento mental. De acordo com a coordenadora da pesquisa, uma das hip\u00f3teses para esse resultado \u00e9 que os indiv\u00edduos temem sair de casa com receio de se contaminar com o novo coronav\u00edrus e, se sa\u00edrem, colocar\u00e3o em risco todas as pessoas com as quais moram. H\u00e1, portanto, um clima de tens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outro recorte do levantamento, foi identificado que quem concorda com o isolamento social apresenta indicadores de pior sa\u00fade mental. No entanto, a professora Cynthia alerta veemente que o isolamento \u00e9 uma estrat\u00e9gia fundamental no combate \u00e0 Covid-19, devendo, portanto, ser respeitado e praticado conforme as orienta\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO isolamento e o distanciamento social, apesar de necess\u00e1rios &#8211; devendo ser respeitados para a conten\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a -, podem causar estresse. Por esses e outros fatos, a pandemia nos convoca a cuidados com a sa\u00fade mental. Al\u00e9m de ser um problema de crise epidemiol\u00f3gica com alto n\u00edvel de cont\u00e1gio e de mortalidade, ela tamb\u00e9m \u00e9 uma crise do ponto de vista psicol\u00f3gico. Tudo que envolve a doen\u00e7a, sensa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, risco de morte, incertezas sobre o futuro e isolamento, \u00e9 adoecedor\u201d, explica a professora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A docente continua sua fala orientando a popula\u00e7\u00e3o sobre a\u00e7\u00f5es que contribuem para o bem-estar social durante o isolamento: \u201cPara a popula\u00e7\u00e3o, existe a necessidade de se cuidar, de se prevenir, organizando os espa\u00e7os da casa; tem o lugar certo para cada coisa, organizando a rotina, melhorando a ambienta\u00e7\u00e3o do lar e fazendo uso de espa\u00e7os verdes. Tenha h\u00e1bitos que fazem bem, tais como aula de exerc\u00edcio f\u00edsico ou assistindo uma live de um cantor que voc\u00ea gosta, ou conversando com os amigos em v\u00eddeo confer\u00eancia. Pode estudar, ver um filme. Conseguimos manter essas pr\u00e1ticas de forma adaptada. Al\u00e9m disso, algumas cidades abriram os espa\u00e7os p\u00fablicos; existem espa\u00e7os verdes que s\u00e3o muito bons para serem usados, com liberdade e sem colocar os outros em risco, respeitando o distanciamento\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No total, 2.705 brasileiros participaram da pesquisa da Universidade de Fortaleza. Al\u00e9m de Cynthia Melo, outros professores \u2013 doutores &#8211; trabalharam no levantamento e na an\u00e1lise das informa\u00e7\u00f5es reveladas pelos entrevistados, bem como contribu\u00edram para o projeto alunos de mestrado e doutorado do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia da Unifor. A coordenadora ressalta que o estudo apresenta indicadores de depress\u00e3o, ansiedade e estresse, mas n\u00e3o crava que, de fato, as pessoas ouvidas sofrem literalmente esses transtornos mentais, porque, para a conclus\u00e3o dos diagn\u00f3sticos, devem ser feitas avalia\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas com instrumentos psicossociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A hist\u00f3ria e o anseio humano pelo bem-estar mental<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos movidos a realiza\u00e7\u00f5es. Buscamos &#8211; \u00e0s vezes desenfreadamente &#8211; conquistas pessoais e profissionais, assim como bem-estar f\u00edsico e mental. Nesse processo, por\u00e9m, as pessoas podem encarar de diferentes formas \u00eaxitos, frustra\u00e7\u00f5es e problemas. Historicamente, a humanidade viveu desafios, transforma\u00e7\u00f5es sociais, conflitos e fatos \u2013 acontecimentos hist\u00f3ricos com impactos na condi\u00e7\u00e3o mental dos indiv\u00edduos -, ao mesmo tempo em que caminha ao encontro da paz f\u00edsica e emocional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade define sa\u00fade mental como um \u201cestado de bem-estar em que o indiv\u00edduo percebe suas pr\u00f3prias habilidades, pode lidar com os estresses normais da vida, pode funcionar de forma produtiva e frut\u00edfera e \u00e9 capaz de dar uma contribui\u00e7\u00e3o para sua comunidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO ser humano sempre est\u00e1, de certa forma, em busca de uma felicidade, de bem-estar, de ter satisfa\u00e7\u00e3o na vida. Isso acontece desde a primeira inf\u00e2ncia, depois na pr\u00e9-adolesc\u00eancia, adolesc\u00eancia, vida adulta e entre os idosos. O ser humano tem algo dentro de si que vai buscando sentindo na vida, seja na escolha profissional ou mesmo na crian\u00e7a, por exemplo, quando ela faz a escolha de jogos que d\u00e3o prazer. \u00c9 a rela\u00e7\u00e3o com a vida que tenha significado. Quando isso n\u00e3o acontece, os problemas aparecem. Problemas emocionais, sofrimentos, isso faz parte da vida humana, s\u00f3 que quando esses sofrimentos acabam por incapacitar as pessoas de trabalhar, estudar, de conviver em grupo, acabam se tornando transtornos, muitos deles de base gen\u00e9tica, com componente heredit\u00e1rio muito forte\u201d, comenta o professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e coordenador do Instituto de Psicologia da institui\u00e7\u00e3o de ensino, Andr\u00e9s Eduardo Aguirre Ant\u00fanez, em entrevista ao <strong>LeiaJ\u00e1<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na corrida pelo bem-estar mental e f\u00edsico, h\u00e1 pessoas que sentem a necessidade de expor \u00e0 sociedade essa condi\u00e7\u00e3o de realiza\u00e7\u00e3o humana. No entanto, isso n\u00e3o quer dizer que, verdadeiramente, elas vivenciam esse bem-estar. \u201cV\u00e1rios soci\u00f3logos falam que a gente vive em uma sociedade acelerada, cansada, ou a sociedade dos espet\u00e1culos. A gente tem hoje um ritmo acelerado de cotidiano. Voc\u00ea \u00e9 acordado por um despertador, pula da cama, se arruma e vai trabalhar. E depois volta, corre, vem e vai. Voc\u00ea n\u00e3o tem tempo para o outro, n\u00e3o tem tempo para pensar no seu dia, no seu cotidiano, na sua vida. Ao mesmo tempo, a gente vive na sociedade dos espet\u00e1culos. \u00c9 essa sociedade em que eu posso at\u00e9 n\u00e3o viver bem, mas eu tenho que mostrar, aparecer que estou bem. No Orkut, Facebook e Instagram. \u00c0s vezes, a gente est\u00e1 em um restaurante, e voc\u00ea v\u00ea um casal, amigos, cada um com o seu celular e n\u00e3o vivem o momento. \u00c0s vezes nem estou curtindo o restaurante, mas j\u00e1 estou ali fazendo uma foto para mostrar que estou no restaurante, mesmo que fisicamente apenas. \u00c9 a sociedade que mostra que est\u00e1 tudo perfeito e as rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito descart\u00e1veis. Como dizem os jovens nas rela\u00e7\u00f5es amorosas, a fila n\u00e3o anda, ela voa. As coisas v\u00e3o girando. E no meio da Covid-19, essa sociedade se viu obrigada a parar. Pela primeira vez, n\u00f3s fomos obrigados a parar\u201d, reflete Cynthia Melo, professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia da Universidade de Fortaleza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fil\u00f3sofo coreano Byung-chul Han defende a ideia de que a sociedade contempor\u00e2nea \u00e9 marcada por um excesso de positividade. Para o estudioso, essa caracter\u00edstica pode resultar em patologias psicol\u00f3gicas. \u201cO que causa a depress\u00e3o do esgotamento n\u00e3o \u00e9 o imperativo de obedecer apenas a si mesmo, mas a press\u00e3o de desempenho. O que torna doente, na realidade, n\u00e3o \u00e9 o excesso de responsabilidade e iniciativa, mas o imperativo do desempenho como um novo mandato da sociedade p\u00f3s-moderna do trabalho\u201d, defende o fil\u00f3sofo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudioso continua: \u201cMas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da produtividade n\u00e3o h\u00e1 qualquer ruptura: h\u00e1 apenas continuidade. Alain Ehrenberg localiza a depress\u00e3o na passagem da sociedade disciplinar para a sociedade de desempenho: &#8216;A carreira da depress\u00e3o come\u00e7a no instante em que o modelo disciplinar de controle comportamental, que, autorit\u00e1ria e proibitivamente, estabeleceu seu papel \u00e0s classes sociais e aos dois g\u00eaneros, foi abolido em favor de uma norma que incita cada um \u00e0 iniciativa pessoal: em que cada um se comprometa a tornar-se ele mesmo. O depressivo n\u00e3o est\u00e1 cheio, no limite, mas est\u00e1 esgotado pelo esfor\u00e7o de ter de ser ele mesmo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos registros hist\u00f3ricos, existem descri\u00e7\u00f5es de como o homem debatia quest\u00f5es sobre sa\u00fade mental. \u201cEssa discuss\u00e3o sobre sa\u00fade mental \u00e9 anterior \u00e0 Segunda Guerra Mundial, porque j\u00e1 no final do s\u00e9culo 19, come\u00e7am a chegar discuss\u00f5es sobre isso. Freud j\u00e1 discutia a quest\u00e3o do homem moderno e as quest\u00f5es relativas ao mundo moderno, que t\u00eam muito do impacto da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Com os efeitos da Primeira Guerra Mundial, aconteceram os famosos traumas de guerra, resultando no aumento dessas discuss\u00f5es. O pr\u00f3prio Freud tratou alguns soldados. Alguns livros s\u00e3o bem emblem\u00e1ticos sobre isso, como \u2018Nada de novo no front\u2019, escrito por Erich Maria Remarque, ex-soldado que vivenciou os conflitos. \u00c9 um romance de um autor que lutou na guerra, em que ele fala como era o cotidiano no front e como isso impactava os soldados\u201d, explica a professora de hist\u00f3ria Thais Almeida. \u201cEssas discuss\u00f5es, por\u00e9m, ganham os espa\u00e7os p\u00fablicos a partir da d\u00e9cada de 50, ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial. Foucault, por exemplo, publica o livro \u2018Hist\u00f3ria da Loucura\u2019 em 1961\u201d, complementa a docente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o m\u00e9dico psiquiatra e historiador da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria, Walmor Piccinini, cuja atua\u00e7\u00e3o na medicina soma 54 anos de experi\u00eancia, a Segunda Guerra Mundial marcou de maneira emblem\u00e1tica a psiquiatria. \u201cNo meu ponto de vista, embora a gente possa tra\u00e7ar v\u00e1rios aspectos filos\u00f3ficos, a Segunda Guerra Mundial mudou a maneira de se olhar os problemas emocionais e mentais, porque os psiquiatras aprenderam a lidar com os soldados em estado de choque, em estado de crise, e a lidar de uma forma de recuper\u00e1-los para eles voltarem ao combate. Durante a guerra, n\u00e3o se fazia mais internamentos em hospitais, o atendimento era feito na linha de frente, e isso mudou a maneira de se ver o doente, porque, at\u00e9 ent\u00e3o, o doente mental era recolhido para o asilo e l\u00e1 ele era isolado. Depois da Segunda Guerra Mundial, surgiram medicamentos\u201d, explica Piccinini.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o historiador da ABP, a partir dos anos 90 a depress\u00e3o passou a ter um crescimento expressivo. \u201cTamb\u00e9m a partir dos anos 90, existe um lado bem concreto disso tudo, que \u00e9 o aumento das licen\u00e7as m\u00e9dicas para o trabalho por depress\u00e3o. N\u00f3s tivemos um esvaziamento dos hospitais psiqui\u00e1tricos, a maioria das pessoas foi tratada nas comunidades com antipsic\u00f3ticos, antidepressivos e ansiol\u00edticos. Isso aconteceu em todo o mundo\u201d, recorda o m\u00e9dico psiquiatra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras pandemias, ao longo da hist\u00f3ria, tamb\u00e9m desencadearam efeitos de ordem mental na sociedade. H\u00e1 mais de dez anos, a prolifera\u00e7\u00e3o da H1NI deixou sequelas f\u00edsicas e, consequentemente, emocionais nos acometidos pela doen\u00e7a, segundo pesquisadores da Universidade da Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos. De acordo com o estudo, metade das pessoas diagnosticadas com o v\u00edrus teve ansiedade, 25% apresentou depress\u00e3o e em 40% dos pacientes foi identificado risco de transtorno p\u00f3s-traum\u00e1tico. Por outro lado, ao analisarem o per\u00edodo ap\u00f3s a epidemia de SARS na \u00c1sia, ocorrida em 2003, os estudiosos documentaram um sentimento positivo: 60% dos pacientes passaram a valorizar mais a fam\u00edlia, em uma comprova\u00e7\u00e3o de que, o isolamento social tamb\u00e9m pode aproximar as pessoas e fomentar uma atmosfera de solidariedade e uni\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acolhimentos e estrat\u00e9gias em prol da sanidade mental em meio \u00e0 Covid-19<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob o risco de uma crise global de ordem mental, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas tentam intensificar acolhimentos psicol\u00f3gicos e psiqui\u00e1tricos durante a pandemia do novo coronav\u00edrus. Muitos profissionais realizam atendimentos de forma remota, uma vez que os servi\u00e7os est\u00e3o autorizados nesse formato durante a pandemia, em virtude da necessidade de manter o distanciamento social. <a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/en\/web\/dou\/-\/lei-n-13.989-de-15-de-abril-de-2020-252726328\">A Lei 13.989\/2020 regulamenta e autoriza a telemedicina nesse per\u00edodo<\/a>, assim como os respectivos conselhos regionais de psicologia, orientados pelo Conselho Federal da \u00e1rea, permitiram os acolhimentos por meio de comunica\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos servi\u00e7os de acolhimentos remotos \u00e9 desenvolvido em Campina Grande, na Para\u00edba, por meio do trabalho da Cl\u00ednica Escola da UNINASSAU \u2013 Centro Universit\u00e1rio Maur\u00edcio de Nassau. Antes mesmo da pandemia, a institui\u00e7\u00e3o de ensino oferecia atendimentos psicol\u00f3gicos presenciais de forma gratuita \u00e0 comunidade acad\u00eamica e ao p\u00fablico externo, por\u00e9m, ap\u00f3s o agravamento da Covid-19 no Brasil e da necessidade de valorizar o distanciamento social, o projeto passou a disponibilizar escutas de forma on-line, <a href=\"https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/e\/1FAIpQLSf1ldL7dwm05npMPa3ppdFB4V7Soo2j0U0jBJhN9QsRq-qT6Q\/viewform\">mediante a marca\u00e7\u00e3o dos interessados por meio da internet<\/a>. O servi\u00e7o se manteve sem custo para os usu\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psic\u00f3loga do servi\u00e7o de acolhimento da UNINASSAU, Carla Correia, explica que os atendimentos anteriores \u00e0 pandemia continuam sendo feitos, mas de maneira remota, somados \u00e0s novas demandas advindas do per\u00edodo pand\u00eamico. \u201cA gente j\u00e1 oferecida os servi\u00e7os presencialmente. Com a pandemia e diante da preocupa\u00e7\u00e3o da universidade com a sa\u00fade mental dos alunos, colaboradores e da comunidade, sentimos a necessidade de estender o servi\u00e7o e dar continuidade \u00e0s escutas de forma on-line. Como o Conselho Federal de Psicologia permite, os psic\u00f3logos puderam atender de forma remota. Para isso, \u00e9 preciso <a href=\"https:\/\/e-psi.cfp.org.br\/\">fazer um cadastro no e-Psi, um site do Conselho<\/a>. Pessoas da Para\u00edba, Bahia, Pernambuco, Alagoas, entre outros estados, est\u00e3o sendo atendidas no nosso projeto. O atendimento \u00e9 realizado por meio de v\u00eddeo chamadas\u201d, explana a psic\u00f3loga. De abril deste ano at\u00e9 agosto, mais de 160 pessoas foram acolhidas pela iniciativa, apresentando, principalmente, sintomas relacionados \u00e0 depress\u00e3o e ansiedade. \u201cA pr\u00f3pria pandemia desencadeou muitos sintomas obsessivos compulsivos, como na quest\u00e3o de aferir a temperatura repetidamente, por v\u00e1rias vezes ao dia. Na ansiedade, por exemplo, uma das caracter\u00edsticas \u00e9 a falta de ar e, em alguns momentos, nessa falta de ar, as pessoas se confundiam com alguns sintomas da Covid-19. Muitas vezes n\u00e3o tinham rela\u00e7\u00e3o com o v\u00edrus e sim era algo relacionado \u00e0 ansiedade. Notamos intensifica\u00e7\u00e3o do medo, da inseguran\u00e7a. Tivemos pacientes de todas as faixas et\u00e1rias, a partir de 18 anos; foi algo bem misto\u201d, acrescenta Carla Correia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vis\u00e3o da psic\u00f3loga, o atendimento remoto, diante do cen\u00e1rio dif\u00edcil imposto pelo novo coronav\u00edrus, surge como uma alternativa importante para os acolhimentos dos pacientes. \u201cFoi algo realmente novo para alguns profissionais, visto que o atendimento on-line s\u00f3 se dava apenas em alguma vezes, quando, por exemplo, um paciente viajava. No atendimento remoto, o lugar do paciente e do psic\u00f3logo n\u00e3o se altera, visto que \u00e9 a fala &#8211; o que est\u00e1 sendo dito &#8211; que \u00e9 relevante. Diante desse momento de pandemia, o atendimento on-line veio realmente para somar\u201d, opina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o Conselho Federal de Psicologia (CFP), o Brasil tem registrados 375 mil psic\u00f3logos. Diante da prolifera\u00e7\u00e3o do novo coronav\u00edrus e consequentemente da necessidade de realiza\u00e7\u00e3o dos atendimentos psicol\u00f3gicos de maneira remota, <a href=\"https:\/\/e-psi.cfp.org.br\/\">o site e-Psi \u2013 plataforma de cadastro<\/a> dos profissionais que almejam atender remotamente \u2013 registrou um crescimento superior a 800%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00e2mbito do poder p\u00fablico, a Prefeitura de Olinda, na Regi\u00e3o Metropolitana do Recife, por exemplo, \u00e9 uma das gest\u00f5es municipais que oferecem acolhimento remoto a pessoas com sofrimento mental durante a pandemia, al\u00e9m de encaminhamentos para aportes presenciais quando necess\u00e1rio. No caso de Olinda, a cidade \u00e9 integrada \u00e0 Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial preconizada pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), cujo funcionamento ocorria antes mesmo da Covid-19. A partir da pandemia, em mar\u00e7o deste ano, foram necess\u00e1rios ajustes na oferta dos servi\u00e7os, porque com o isolamento social, as escutas precisaram ser feitas em formato remoto, bem como os profissionais da rede municipal previram que com as mudan\u00e7as bruscas ocasionadas pela propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, havia o risco de aumento nos n\u00fameros de casos relacionados \u00e0 sa\u00fade mental entre a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a coordenadora de sa\u00fade mental da Secretaria de Sa\u00fade da Prefeitura de Olinda, C\u00edntia Mota, os teleatendimentos foram oferecidos, desde marco, a pessoas que, antes do contexto pand\u00eamico, n\u00e3o apresentavam sintomas de transtornos emocionais. \u201cN\u00f3s deixamos dispon\u00edveis dez n\u00fameros telef\u00f4nicos, dos quais dois foram espec\u00edficos para profissionais de sa\u00fade, porque a gente tamb\u00e9m percebeu um aumento desses profissionais em sofrimento mental, alguns na linha de frente do combate ao coronav\u00edrus\u201d, explica a coordenadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m houve aumento de demanda nos atendimentos presenciais nos tr\u00eas Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (Caps) do munic\u00edpio. \u201cO acolhimento individual presencial come\u00e7ou a aumentar muito. Em um Caps que a gente tinha por dia de cinco a dez acolhimentos de porta aberta, chegamos a ter 25 pessoas e um \u00fanico dia, para que a equipe pudesse dar conta de fazer o primeiro atendimento, acolhimento e orienta\u00e7\u00e3o. Na popula\u00e7\u00e3o em geral, sintomas de ansiedade est\u00e3o muito presentes. Sintomas ligados a depress\u00e3o tamb\u00e9m aumentaram, assim como as idea\u00e7\u00f5es suicidas, que s\u00e3o outras quest\u00f5es ligadas a sofrimento mental\u201d, detalha C\u00edntia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a Prefeitura de Olinda, cerca de 2 mil interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas por m\u00eas em cada Caps da cidade. No que diz respeito especificamente aos teleatendimentos como suporte psicol\u00f3gico durante a pandemia de Covid-19, mais de 600 acolhimentos foram registrados at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">C\u00edntia ainda alerta que os usu\u00e1rios do SUS n\u00e3o devem ter preconceito contra os atendimentos psicossociais, uma vez que, principalmente no atual cen\u00e1rio, qualquer pessoa corre o risco de sofrer desgaste emocional. \u201cA gente previu que isso aconteceria e criamos estrat\u00e9gias para atender a essa popula\u00e7\u00e3o mesmo de forma isolada. Costumo dizer que produzimos em 2020 mais tecnologias de cuidado do que anos atr\u00e1s. Em sa\u00fade mental, ainda existe muito preconceito no acesso a servi\u00e7os especializados, porque a gente tem o adoecimento mental distante das nossas vidas, como se a gente n\u00e3o estivesse propenso a isso. E a pandemia aproximou muito a popula\u00e7\u00e3o geral ao sofrimento mental. Ou seja, eu posso adoecer porque n\u00e3o estou preparado para todas as dificuldades da vida. Por mais que tenhamos um repert\u00f3rio de estrat\u00e9gias para lidar com as dificuldades, a pandemia apresentou um cen\u00e1rio muito novo, de muita incerteza, que causou muito sofrimento\u201d, comenta a coordenadora de sa\u00fade mental de Olinda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os teleatendimentos s\u00e3o gratuitos e est\u00e3o dispon\u00edveis de segunda a sexta-feira, das 8h \u00e0s 17h, mesmo hor\u00e1rio de funcionamento dos Caps. <a href=\"http:\/\/www.leiaja.com\/sites\/default\/files\/anexos\/2020\/08\/26\/centros_de_atencao_psicossocial_e_teleacolhimento_-_prefeitura_de_olinda.pdf\">Confira os endere\u00e7os dos Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial, al\u00e9m dos n\u00fameros para contatos no teleatendimento<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recife, cidade-irm\u00e3 de Olinda, tamb\u00e9m apostou no teleatendimento psicossocial para tentar diminuir as dores emocionais da popula\u00e7\u00e3o. Por meio da Secretaria de Sa\u00fade da capital pernambucana, o servi\u00e7o foi batizado de \u201cteleacolhimento\u201d e, desde mar\u00e7o deste ano, oferece escutas gratuitas via v\u00eddeos e telefones a pessoas que est\u00e3o sentindo impactos na sa\u00fade mental. <a href=\"https:\/\/www.atendeemcasa.pe.gov.br\/login\">Os agendamentos s\u00e3o realizados por meio da ferramenta Atende em Casa<\/a>, criada pelo poder p\u00fablico com a finalidade de promover atendimentos iniciais em formato digital, direcionando os usu\u00e1rios para profissionais de sa\u00fade que d\u00e3o orienta\u00e7\u00f5es em casos suspeitos de Covid-19. Ap\u00f3s passar por um question\u00e1rio, o p\u00fablico \u00e9 perguntado se precisa de apoio emocional; havendo resposta positiva, \u00e9 feito o direcionamento ao teleacolhimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a coordenadora do servi\u00e7o, Ang\u00e9lica Oliveira, mais de 2 mil atendimentos relacionados a sofrimento mental foram realizados at\u00e9 o momento. Al\u00e9m do agendamento para o p\u00fablico geral, existe um e-mail exclusivo para profissionais da rede municipal de sa\u00fade do Recife, que est\u00e3o atuando na linha de frente contra o novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que mais aparecem s\u00e3o ansiedade, depress\u00e3o e, de junho para c\u00e1, come\u00e7ou a surgir muito luto, pessoas sofrendo pela perda de parentes. H\u00e1 muito medo de pegar a Covid e medo de perder o emprego. Por isso que o apoio \u00e9 psicossocial, porque existem muitos problemas de ordem financeira\u201d, explica a coordenadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto conta com um trabalho multiprofissional, envolvendo 80 servidores municipais, como psic\u00f3logos, psiquiatras, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, entre outras fun\u00e7\u00f5es. A coordenadora do teleacolhimento ressalta que o servi\u00e7o n\u00e3o oferece consultas e nem receita medicamentos, pois, para isso, s\u00e3o necess\u00e1rias avalia\u00e7\u00f5es presenciais e criteriosas com m\u00e9dicos psiquiatras da rede municipal de sa\u00fade ou em hospitais privados. \u201cPor isso que n\u00f3s chamamos de acolhimento psicossocial\u201d, enfatiza Ang\u00e9lica, complementando que, havendo necessidade, os usu\u00e1rios podem ser encaminhados para os servi\u00e7os presenciais. \u201c\u00c9 uma escuta qualificada e, quando necess\u00e1rio, fazemos o encaminhamento com qualidade, fazendo o contato com o servi\u00e7o; a gente diz como a pessoa vai chegar e passa os contatos. Fazemos toda uma regula\u00e7\u00e3o desse cuidado para que quando ele \u2013 usu\u00e1rio &#8211; chegue no lugar do atendimento presencial, o local j\u00e1 esteja sabendo e o atenda de uma forma ben\u00e9fica. \u00c9 um trabalho integrado\u201d, acrescenta Ang\u00e9lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda de acordo com a coordenadora do teleacolhimento, os atendimentos espec\u00edficos aos profissionais de sa\u00fade devem ocorrer de maneira continuada. \u201cA gente est\u00e1 com uma demanda, desde junho, regular de profissionais que apresentam todos os tipos de sofrimento, tais como medo de pegar a Covid-19 e porque est\u00e3o na linha de frente. Esse acompanhamento vai durar at\u00e9 o final da pandemia\u201d, finaliza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cidad\u00e3o que necessita do aporte psicol\u00f3gico, dependendo da situa\u00e7\u00e3o, pode ser acolhido em mais de uma liga\u00e7\u00e3o ou v\u00eddeo. Caso apresente sofrimento grave, ele deve, ainda, ser encaminhado a um servi\u00e7o presencial. O teleacolhimento est\u00e1 dispon\u00edvel de segunda a sexta-feira, das 8h \u00e0s 17h. <a href=\"http:\/\/www.leiaja.com\/sites\/default\/files\/anexos\/2020\/08\/26\/caps_-_prefeitura_do_recife.pdf\">Veja endere\u00e7os dos Caps, indicados a quem precisa de socorro presencial<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quarta onda \u2013<\/strong> Entre os profissionais de sa\u00fade mental, existe um entendimento de que os efeitos da pandemia da Covid-19 desencadearam uma nova \u201conda\u201d. Miriam Gorender, professora de psiquiatria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), detalhada as etapas: \u201cA primeira onda \u00e9 da doen\u00e7a em si. A segunda seria das complica\u00e7\u00f5es trazidas pela doen\u00e7a, como pessoas que ficam com les\u00f5es no pulm\u00e3o, neurol\u00f3gicas e cardiol\u00f3gicas. Voc\u00ea tem ainda uma terceira onda das pessoas que adoecem de enfermidades que vinham sendo tratadas, como diabetes e press\u00e3o alta, e que deixam de ser tratadas porque toda a aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 na Covid-19. Nesse caso, a pessoa fica com medo de ir ao m\u00e9dico, se consultar para continuar o seu tratamento, ou n\u00e3o tem uma UTI. A quarta onda \u00e9 de doen\u00e7a mental, que deve acompanhar a gente por muitos anos, porque doen\u00e7a mental \u00e9 cr\u00f4nica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria, Ant\u00f4nio Geraldo da Silva reitera o alerta e enfatiza a necessidade de a\u00e7\u00f5es imediatas. &#8220;A quarta onda, que \u00e9 a onda das doen\u00e7as mentais, j\u00e1 chegou e n\u00e3o temos mais tempo a perder. Temos que atuar firmemente para minimizar os preju\u00edzos que todos ter\u00e3o deste momento, monitorando a sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o e o atendimento psiqui\u00e1trico\u201d, defende Ant\u00f4nio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante entrevista ao <strong>LeiaJ\u00e1<\/strong>, a psiquiatra F\u00e1tima Vasconcelos \u2013 tamb\u00e9m vinculada \u00e0 ABP \u2013 elencou uma s\u00e9rie de atitudes que podem ajudar as pessoas, mesmo em casa, a tentar diminuir os impactos emocionais e o agravamento de casos da quarta onda. A m\u00e9dica alerta, por\u00e9m, que n\u00e3o se trata de uma receita pronta, uma vez que nem todas as atividades s\u00e3o indicadas a todas as pessoas de maneira generalizada, j\u00e1 que cada indiv\u00edduo tem suas prefer\u00eancias cotidianas e particularidades. Acompanhe as dicas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>1 \u2013 Crie uma rotina: voc\u00ea ir\u00e1 sentir-se mais calmo e no controle de suas emo\u00e7\u00f5es; leia livros, veja televis\u00e3o, filmes, series, document\u00e1rios, mas evite ficar o tempo todo vendo not\u00edcias. \u00c9 importante se informar, mas, o excesso de informa\u00e7\u00e3o gera estresse. Ao inv\u00e9s disso, ligue para seus amigos e sua fam\u00edlia. Uma rede de suporte social faz toda a diferen\u00e7a. A solid\u00e3o pode levar a depress\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>No home office, crie uma rotina. Acorde, vista uma roupa confort\u00e1vel e comece seu o trabalho, mas, estabele\u00e7a hor\u00e1rios. Para se distrair, jogue com crian\u00e7as e idosos \u2013 desde que preservados os protocolos de sa\u00fade -, respeitando suas prefer\u00eancias. Um dos aspectos positivos do \u201cfique em casa\u201d foi a maior aproxima\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, que est\u00e3o em home office e podem conviver mais com seus filhos e pais.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2 \u2013 Fa\u00e7a atividades f\u00edsicas: caso n\u00e3o tenha a orienta\u00e7\u00e3o de um profissional, a pessoa pode optar por realizar exerc\u00edcios simples, como pular corda, realizar apoios, abdominais, agachamentos e polichinelos. \u00c9 indicado variar o tipo de treino a cada dia, evitando a monotonia. Este tipo de atividade pode ser realizado tanto por adultos quanto por idosos que n\u00e3o possuam nenhuma doen\u00e7a cardiovascular, respirat\u00f3ria ou nas articula\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3 \u2013 Mantenha uma boa alimenta\u00e7\u00e3o: alimentar-se de forma saud\u00e1vel \u00e9 fundamental para superar essa pandemia. Uma dieta equilibrada evita n\u00e3o apenas o ganho de quilos extras, garante tamb\u00e9m uma boa imunidade do corpo. Sendo assim, evite refrigerantes, doces e pratos gordurosos. D\u00ea prefer\u00eancia aos alimentos naturais como frutas, verduras, vegetais e cereais e beba bastante \u00e1gua. O ideal mesmo \u00e9 procurar um nutricionista para montar uma dieta adequada \u00e0s necessidades do seu corpo. Evite bebidas alco\u00f3licas. Definitivamente, neste momento n\u00e3o abuse de bebidas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>4 \u2013 Durma bem: \u00e9 quase imposs\u00edvel dormir quando se est\u00e1 ansioso ou preocupado. Uma boa ideia para regular o sono \u00e9 manter-se ativo durante o dia. Quanto mais atividades f\u00edsicas fizer, mais cansado ficar\u00e1 e melhor ser\u00e1 o seu sono e, por consequ\u00eancia, sua sa\u00fade.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>5 &#8211; Tenha uma boa rotina de higiene: se for necess\u00e1rio quebrar o isolamento social, siga estes passos: use m\u00e1scara quando sair; carregue \u00e1lcool em gel a 70% para higienizar as m\u00e3os na rua; lave bem as m\u00e3os quando voltar; retire os sapatos na porta de casa; coloque as roupas usadas para lavar; tome um banho e lave os cabelos. Al\u00e9m disso, higienize tudo que veio do supermercado e mantenha a casa sempre limpa, inclusive ma\u00e7anetas, puxadores e controles remotos. Lavar as m\u00e3os antes de preparar os alimentos sempre foi um h\u00e1bito b\u00e1sico de higiene, mas \u00e9 necess\u00e1rio refor\u00e7ar essa dica em tempos de coronav\u00edrus.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m em entrevista ao <strong>LeiaJ\u00e1<\/strong>, o coordenador do Instituto de Psicologia da USP, Andr\u00e9s Eduardo Aguirre Ant\u00fanez, destacou orienta\u00e7\u00f5es para a popula\u00e7\u00e3o que corre risco de sofrimento mental. Entre elas est\u00e1 a busca de informa\u00e7\u00f5es em fontes confi\u00e1veis, como as produzidas pelos cientistas das universidades. Para casos graves, o coordenador tamb\u00e9m exalta o trabalho do <a href=\"https:\/\/www.cvv.org.br\/\">CVV &#8211; Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida<\/a>, por meio do telefone 188.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9dico psiquiatra Walmor Piccinini compactua da ideia que \u00e9 importante filtrar informa\u00e7\u00f5es sobre o novo coronav\u00edrus. Receber um fluxo intenso de not\u00edcias negativas pode potencializar adoecimento psicol\u00f3gico, segundo o especialista. \u201cAs pessoas t\u00eam que evitar passar o dia inteiro presas no WhatsApp, na tev\u00ea, recebendo informa\u00e7\u00f5es negativas. \u00c9 preciso preservar a sanidade. N\u00e3o se deixar bombardear por informa\u00e7\u00f5es negativas. Tamb\u00e9m n\u00e3o adianta imaginar solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas: a pessoa tem que ter tranquilidade e saber o melhor a fazer no momento. Ficar mais em casa, se for poss\u00edvel, evitar o contato, diminuir essa ansiedade de ir \u00e0 praia, de ir a um mercado, enfim, a pessoa deve se expor o menos poss\u00edvel tanto psicologicamente e quanto fisicamente. \u00c9 indicado ouvir uma boa m\u00fasica, brincar com os filhos\u201d, aconselha Piccinini.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria divulgou, em seu site oficial, <a href=\"https:\/\/www.abp.org.br\/covid19\">uma s\u00e9rie de orienta\u00e7\u00f5es para a popula\u00e7\u00e3o e profissionais de sa\u00fade<\/a> que devem ser compartilhadas durante a pandemia. &#8220;Com o intuito de orientar seus associados e a popula\u00e7\u00e3o em geral, a ABP tem publicado informa\u00e7\u00f5es voltadas aos cuidados em sa\u00fade, tanto f\u00edsica quanto mental, direcionadas aos diversos p\u00fablicos que a acompanham&#8221;, destaca a ABP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), umas das institui\u00e7\u00f5es mais atuantes no combate \u00e0 pandemia de Covid-19, por meio do seu Centro de Estudos e Pesquisas em Emerg\u00eancias e Desastres em Sa\u00fade (CEPEDES), publicou o documento em que traz recomenda\u00e7\u00f5es \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Intitulada \u201cSa\u00fade Mental e Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial na Pandemia COVID-19\u201d, a publica\u00e7\u00e3o explica por que estamos sob o risco de uma carga grande de estresse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDurante uma pandemia \u00e9 esperado que estejamos frequentemente em estado de alerta, preocupados, confusos, estressados e com sensa\u00e7\u00e3o de falta de controle frente \u00e0s incertezas do momento. Estima-se, que entre um ter\u00e7o e metade da popula\u00e7\u00e3o exposta a uma epidemia pode vir a sofrer alguma manifesta\u00e7\u00e3o psicopatol\u00f3gica, caso n\u00e3o seja feita nenhuma interven\u00e7\u00e3o de cuidado espec\u00edfico para as rea\u00e7\u00f5es e sintomas manifestados. Os fatores que influenciam o impacto psicossocial est\u00e3o relacionados a magnitude da epidemia e o grau de vulnerabilidade em que a pessoa se encontra no momento\u201d, diz um trecho do documento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo as orienta\u00e7\u00f5es da Fiocruz, a sociedade deve seguir a\u00e7\u00f5es de cuidado ps\u00edquico. S\u00e3o elas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cRetomar estrat\u00e9gias e ferramentas de cuidado que tenham usado em momentos de crise ou sofrimento e a\u00e7\u00f5es que trouxeram sensa\u00e7\u00e3o de maior estabilidade emocional;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Investir em exerc\u00edcios e a\u00e7\u00f5es que auxiliem na redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de estresse agudo (medita\u00e7\u00e3o, leitura, exerc\u00edcios de respira\u00e7\u00e3o, entre outros mecanismos que auxiliem a situar o pensamento no momento presente, bem como estimular a retomada de experi\u00eancias e habilidades usadas em tempos dif\u00edceis do passado para gerenciar emo\u00e7\u00f5es durante a epidemia);<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Se voc\u00ea estiver trabalhando durante a epidemia, fique atento a suas necessidades b\u00e1sicas, garanta pausas sistem\u00e1ticas durante o trabalho (se poss\u00edvel em um local calmo e relaxante) e entre os turnos. Evite o isolamento junto a sua rede socioafetiva, mantendo contato, mesmo que virtual;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Caso seja estigmatizado por medo de cont\u00e1gio, compreenda que n\u00e3o \u00e9 pessoal, mas fruto do medo e do estresse causado pela pandemia, busque colegas de trabalho e supervisores que possam compartilhar das mesmas dificuldades, buscando solu\u00e7\u00f5es compartilhadas; investir e estimular a\u00e7\u00f5es compartilhadas de cuidado, evocando a sensa\u00e7\u00e3o de perten\u00e7a social (como as a\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias e de cuidado familiar e comunit\u00e1rio);<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Reenquadrar os planos e estrat\u00e9gias de vida, de forma a seguir produzindo planos de forma adaptada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es associadas a pandemia; <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Manter ativa a rede socioafetiva, estabelecendo contato, mesmo que virtual, com familiares, amigos e colegas; evitar o uso do tabaco, \u00e1lcool ou outras drogas para lidar com as emo\u00e7\u00f5es; <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Buscar um profissional de sa\u00fade quando as estrat\u00e9gias utilizadas n\u00e3o estiverem sendo suficientes para sua estabiliza\u00e7\u00e3o emocional; <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Buscar fontes confi\u00e1veis de informa\u00e7\u00e3o como o site da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade; reduzir o tempo que passa assistindo ou ouvindo coberturas midi\u00e1ticas; <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Compartilhar as a\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gias de cuidado e solidariedade, a fim de aumentar a sensa\u00e7\u00e3o de perten\u00e7a e conforto social; estimular o esp\u00edrito solid\u00e1rio e incentivar a participa\u00e7\u00e3o da comunidade\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda de acordo com a Fiocruz, \u201ccaso as estrat\u00e9gias recomendadas n\u00e3o sejam suficientes para o processo de estabiliza\u00e7\u00e3o emocional, busque aux\u00edlio de um profissional de Sa\u00fade Mental e Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (SMAPS) para receber orienta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas\u201d. <a href=\"http:\/\/www.leiaja.com\/sites\/default\/files\/anexos\/2020\/08\/26\/saude-mental-e-atencao-psicossocial-na-pandemia-covid-19-recomendacoes-gerais.pdf\">Leia o documento na \u00edntegra<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a presidente do Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco (CRP-02), Alda Roberta Campos, \u00e9 preciso deixar claro que sofrimento ps\u00edquico \u00e9 algo comum em meio ao cen\u00e1rio conturbado da pandemia. \u201cSofrimento ps\u00edquico todo ser humano tem, uns mais, outros menos. Em um momento de pandemia, todo mundo vai sofrer de algum jeito, pelo medo, dificuldade de sono, aumento de ansiedade, diminui\u00e7\u00e3o ou aumento de apetite. Vai ter interfer\u00eancia na vida, ningu\u00e9m est\u00e1 imune ao sofrimento ps\u00edquico. Sofrimento n\u00e3o \u00e9 doen\u00e7a\u201d, comenta a presidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alda Campos orienta que o autocuidado \u00e9 um comportamento importante no processo de combate ao sofrimento ps\u00edquico, uma vez que caso esse sofrimento comece a impedir que o indiv\u00edduo realize suas atividades cotidianas, como trabalho, estudos, projetos, conviv\u00eancia social e higiene pessoal, come\u00e7ar\u00e3o os ind\u00edcios de que a pessoa pode, de fato, estar sendo acometida por um adoecimento mental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOlhar para si, se autoconhecer para entender qual \u00e9 a sua demanda e quais s\u00e3o os seus limites. O que voc\u00ea consegue fazer? Qual o reconhecimento do seu sentimento? A partir disso, voc\u00ea faz o seu projeto. N\u00e3o existe uma receita de autocuidado. Oriento que olhe para voc\u00ea, enxergue o seu contexto. Como voc\u00ea pode acolher e ser acolhido? Com quem voc\u00ea conta? Amigos, amigas, familiares s\u00e3o as pessoas que voc\u00ea pode contar. O que voc\u00ea tem feito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da rotina, para ressignificar seu dia e seu tempo? O autocuidado \u00e9 isso, \u00e9 olhar para si mesmo, para tornar esse per\u00edodo menos dif\u00edcil\u201d, explica psic\u00f3loga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Saiba mais &#8211; <\/strong>No site da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade, \u00f3rg\u00e3o ligado \u00e0 OMS, s\u00e3o publicadas <a href=\"https:\/\/www.paho.org\/pt\/infograficos\">informa\u00e7\u00f5es sobre autocuidados durante da pandemia de Covid-19<\/a>. Entre eles, est\u00e1 uma s\u00e9rie de infogr\u00e1ficos que destacam atividades importantes para o nosso dia a dia que nos ajudam a preservar o bem-estar e, por consequ\u00eancia, a nossa sa\u00fade mental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Atua\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico \u00e9 necess\u00e1ria. Sa\u00fade \u00e9 um direito de todos os brasileiros<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>LeiaJ\u00e1<\/strong> ouviu especialistas em sa\u00fade mental e fontes de entidades que representam a atua\u00e7\u00e3o de profissionais da \u00e1rea, para refletirmos a respeito de a\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas, por parte do poder p\u00fablico, que possam ajudar a popula\u00e7\u00e3o brasileira a se proteger dos sofrimentos psicol\u00f3gicos e do adoecimento mental. Alda Campos, presidente do Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco, compartilhou a sua an\u00e1lise, projetando iniciativas em prol da sa\u00fade \u2013 f\u00edsica e ps\u00edquica &#8211; da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Alda, inicialmente \u00e9 preciso compreender que o conceito de sa\u00fade envolve um bem-estar que possui v\u00e1rias esferas. Quest\u00f5es financeiras, de moradia, perspectivas de vida, acesso \u00e0 transporte, alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, lazer, educa\u00e7\u00e3o, entre outras, s\u00e3o algumas dessas vertentes. Segundo a presidente do CRP-02, combater desigualdades \u00e9 um dos primeiros passos para garantir o bem-estar dos cidad\u00e3os. \u201cQuando a gente est\u00e1 falando de sa\u00fade mental, n\u00e3o estamos falando apenas de ter ou n\u00e3o um diagn\u00f3stico. Estamos falando de uma qualidade de vida que precisa ser cumprida diante da nossa Constitui\u00e7\u00e3o. Na nossa Constitui\u00e7\u00e3o Federal, sa\u00fade \u00e9 um direito de todos e dever do Estado\u201d, destaca. \u201cA nossa orienta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao poder p\u00fablico \u00e9 que ele deve oferecer cuidado interdisciplinar e intersetorial para a popula\u00e7\u00e3o, isso quer dizer, condi\u00e7\u00f5es de vida, acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 \u00e1gua, por exemplo. Como vai lavar a m\u00e3o quem n\u00e3o tem \u00e1gua? \u00c9 dever do poder p\u00fablico promover condi\u00e7\u00f5es melhores de moradia, de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 sa\u00fade\u201d, complementa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vis\u00e3o da presidente do Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco, a pandemia denunciou uma falta de assist\u00eancia \u00e0 nossa popula\u00e7\u00e3o e potencializou as diferen\u00e7as e desigualdades sociais que o povo enfrenta, tais como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o prec\u00e1rias. Segundo Alda Campos, o Governo Federal precisa pensar um cuidado de reestrutura\u00e7\u00e3o e reorganiza\u00e7\u00e3o social para a redu\u00e7\u00e3o dessas desigualdades. \u201cEssas desigualdades t\u00eam um impacto imenso na sa\u00fade mental das pessoas\u201d, comenta Alda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a gestora do CRP-02, \u00e9 importante que o Governo Federal, por meio dos Estados e munic\u00edpios, fortale\u00e7a a Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (RAPS), do Sistema \u00danico de Sa\u00fade. \u201cPrecisamos de cuidados multidisciplinares. S\u00e3o zelos com v\u00e1rios profissionais que v\u00e3o ofertar cuidados interdisciplinares. O governo precisa aumentar investimentos na sa\u00fade coletiva, com acompanhamento m\u00e9dico, psicol\u00f3gico, com terapia ocupacional, assist\u00eancia social, enfermagem. Cuidado n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s do SUS, mas tamb\u00e9m com o Sistema \u00danico de Assist\u00eancia Social (SUAS). Proponho a\u00e7\u00f5es do governo que v\u00e3o ofertar, por exemplo, centros de conviv\u00eancia, locais de apoio onde as pessoas podem pernoitar, como as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, acessando uma alimenta\u00e7\u00e3o adequada. A gente precisa ter trabalhos que v\u00e3o fazer a oferta de profissionaliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 um cuidado geral\u201d, complementa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o oferecimento de profissionaliza\u00e7\u00e3o, estrat\u00e9gia para o campo social e, inclusive, da sa\u00fade, Alda defende que o trabalho \u00e9 um instrumento essencial na vida do brasileiro. \u201cO trabalho garante a sobreviv\u00eancia e traz a ideia de perspectiva de projetos. Precisamos resgatar na popula\u00e7\u00e3o o desejo de crescimento, de sonhos, projetos. Quando a gente pensa em um trabalho psicoter\u00e1pico da psicologia, buscamos tratar o outro com igualdade para ele entenda que precisa cuidar dele pr\u00f3prio. A popula\u00e7\u00e3o precisa mais do que cesta b\u00e1sica, precisa voltar \u00e0 possibilidade de a pessoa desejar e querer crescer, tendo projetos e gera\u00e7\u00e3o de renda\u201d, opina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ponto mencionado pela psic\u00f3loga diz respeito ao sofrimento ps\u00edquico enfrentado pelos profissionais de sa\u00fade que est\u00e3o na linha de frente de combate \u00e0 Covid-19. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 257 mil profissionais de sa\u00fade foram infectados pela doen\u00e7a at\u00e9 ent\u00e3o; 226 morreram. Na an\u00e1lise da presidente do CRP-02, o autocuidado \u00e9 pe\u00e7a fundamental para que esses trabalhadores sigam firmes no acolhimento da popula\u00e7\u00e3o. \u201cEstamos trabalhando o autocuidado, os profissionais precisam se cuidar para puder ter uma oferta de cuidado maior para o outro. A ideia do autocuidado \u00e9 voc\u00ea poder garantir o cuidado com a sua sa\u00fade para cuidar das outas pessoas. \u00c9 necess\u00e1rio para todas as pessoas, mais ainda para quem est\u00e1 na linha de frente. Terapeutas ocupacionais, enfermeiros, t\u00e9cnicos em enfermagem, assistentes sociais, m\u00e9dicos, todos os profissionais que est\u00e3o tendo cuidado direto com a popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 buscando sa\u00fade. Vigilantes, pessoal da cozinha, copa, pessoal da limpeza, nutricionistas, pessoas na reta guarda e na linha de frente dos hospitais tamb\u00e9m precisam desse cuidado, porque \u00e9 um sistema de sa\u00fade composto por uma s\u00e9rie de profissionais que est\u00e3o envolvidos. Todo mundo precisa dessa aten\u00e7\u00e3o, acolhimento e escuta especializada\u201d, alerta Alda Campos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, a presidente do Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco destaca a necessidade do zelo pelos psic\u00f3logos e psiquiatras. \u201cAs pessoas t\u00eam uma ideia de que os psic\u00f3logos n\u00e3o t\u00eam problema. Fazem uma associa\u00e7\u00e3o do profissional de sa\u00fade, de uma forma geral, com her\u00f3is e her\u00f3is passam a ideia de que t\u00eam super poderes, que s\u00e3o imbat\u00edveis. Mas n\u00f3s temos um \u00edndice de mortalidade grande entre profissionais de sa\u00fade. N\u00f3s somos profissionais que precisamos de equipamento de prote\u00e7\u00e3o individual, de acolhimento, de sal\u00e1rios dignos, respeito, descanso. S\u00e3o pessoas que est\u00e3o com medo, preocupadas em contaminar a pr\u00f3pria fam\u00edlia, que adoecem. N\u00e3o existem her\u00f3is no sentido m\u00e1gico de super poderes. S\u00e3o pessoas que escolheram uma profiss\u00e3o, que se dedicam \u00e0 ela e precisam de condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de trabalho\u201d, reivindica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Ana Sandra Fernandes, reitera que pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade mental s\u00e3o essenciais para a sociedade brasileira. No entanto, na vis\u00e3o da presidente, o Governo Federal n\u00e3o tem valorizado essas pol\u00edticas nos \u00faltimos anos. \u201cSe a gente n\u00e3o tiver um investimento efetivo nas pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade e assist\u00eancia social que garantem \u00e0 popula\u00e7\u00e3o servi\u00e7os de qualidade, teremos problemas, principalmente em um pa\u00eds com o n\u00edvel de desigualdade como o nosso. O que a gente v\u00ea no Brasil, infelizmente, \u00e9 o processo oposto. A Emenda Constitucional 95, que congelou por 20 anos investimentos em pol\u00edticas p\u00fablicas, como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, a curto, m\u00e9dio e longo prazo, tende a trazer uma desassist\u00eancia de forma muito marcante para a popula\u00e7\u00e3o em geral\u201d, critica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a presidente do CFP, o Estado precisa aplicar recursos financeiros em pol\u00edticas p\u00fablicas com financiamento adequado. \u201cDeve investir nos sistemas que j\u00e1 existem e facilitar a cria\u00e7\u00e3o e a promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que, efetivamente, garantam o acesso da popula\u00e7\u00e3o a servi\u00e7os essenciais, garantindo desde as coisas mais simples, como a presen\u00e7a dos insumos necess\u00e1rios para o funcionamento de um servi\u00e7o, at\u00e9 a presen\u00e7a de profissionais qualificados, enfim, tudo isso \u00e9 necess\u00e1rio e tudo isso precisa ser garantido. A popula\u00e7\u00e3o tem direito constitucional a esses servi\u00e7os\u201d, comenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ana Fernandes ainda tece uma cr\u00edtica aos poderes p\u00fablicos de uma forma geral. Segundo a presidente do CFP, o Pa\u00eds n\u00e3o apresentou, at\u00e9 ent\u00e3o, uma pol\u00edtica p\u00fablica de aporte \u00e0 sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o durante a pandemia do novo coronav\u00edrus. \u201cNo Brasil, a gente n\u00e3o tem acesso \u00e0 pol\u00edtica p\u00fablica, a um projeto expl\u00edcito, de um programa de sa\u00fade mental, posto, principalmente, para o Pa\u00eds nesse contexto de pandemia que a gente est\u00e1 vivendo. N\u00f3s desconhecemos qual \u00e9 o projeto, qual \u00e9 a proposta, qual \u00e9 o plano dos \u00f3rg\u00e3os governamentais para uma pol\u00edtica efetiva de sa\u00fade mental. At\u00e9 hoje, o Conselho Federal de Psicologia nunca foi chamado para a constru\u00e7\u00e3o de um projeto. Sinto pessoalmente falta de uma pol\u00edtica clara, definida, sobre como esse enfrentamento vai ser feito neste momento e no p\u00f3s-pandemia\u201d, diz a presidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda de acordo com a gestora do Conselho Federal de Psicologia, cabe aos governos federal, estaduais e municipais promoverem o funcionamento de suas redes de aten\u00e7\u00e3o psicossocial e de todos os seus equipamentos, bem como os gestores p\u00fablicos devem garantir o acesso da popula\u00e7\u00e3o \u2013 principalmente da parcela mais pobre &#8211; a elementos b\u00e1sicos, como alimenta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 internet \u2013 ferramenta que propicia os atendimentos psicol\u00f3gicos remotos -. \u201cN\u00f3s somos um ser integrado, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar de sa\u00fade fazendo recortes. Para que a gente possa ter sa\u00fade em uma vis\u00e3o muito mais ampla, que tem a ver com sa\u00fade mental, f\u00edsica, entre outras esferas, precisamos estar bem do ponto de vista f\u00edsico, e precisamos ter as nossas necessidades garantidas socialmente. Acredito que a sa\u00fade mental entra em um conjunto de bem-estar, n\u00e3o s\u00f3 importante, mas tamb\u00e9m fundamental. O Governo Federal precisa trabalhar para que a gente viva de uma forma mais organizada, em uma sociedade mais justa e mais igual, porque isso tamb\u00e9m contribui de uma forma significativa para o nosso processo de sa\u00fade f\u00edsica e de sa\u00fade mental por consequ\u00eancia\u201d, finaliza sua an\u00e1lise a presidente do Conselho Federal de Psicologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor de psiquiatria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Bruno Monteiro, enxerga um cen\u00e1rio preocupante nos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade mental. De acordo com o docente, essa \u00e9 uma das \u00e1reas mais carentes entre os segmentos de sa\u00fade direcionados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. \u201cA assist\u00eancia em sa\u00fade mental j\u00e1 \u00e9 um problema, uma \u00e1rea muito subvalorizada. \u00c1rea muito pouca vista, \u00e9 a \u00faltima vista entre nas gest\u00f5es p\u00fablicas, em sua maioria. Voc\u00ea tem uma car\u00eancia de servi\u00e7o, pouco ambulat\u00f3rio, pouca psicoterapia, pouco m\u00e9dico psiquiatra. Os Caps n\u00e3o d\u00e3o conta. N\u00e3o estou vendo iniciativa no sentido de incremento do cuidado em sa\u00fade mental das popula\u00e7\u00f5es\u201d, avalia o professor, alertando que j\u00e1 havia, antes do cen\u00e1rio pand\u00eamico, um contexto muito s\u00e9rio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental da sociedade, potencializado ap\u00f3s a Covid-19. \u201cJ\u00e1 est\u00e1 tendo uma explos\u00e3o de adoecimento mental, a pandemia potencializa e desencadeia um estado de mal-estar que j\u00e1 est\u00e1 presente nas pessoas. Sem pandemia, a situa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental j\u00e1 era um problema, as pessoas estavam muito ansiosas, deprimidas, tensas\u201d, adverte o educador universit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascimento indica uma orienta\u00e7\u00e3o que tem a ver com a forma que os governantes conduzem seus trabalhos sob os efeitos sociais do novo coronav\u00edrus. Segundo o professor da UFPE, os discursos dos gestores devem transmitir conforto. \u201cUma medida de sa\u00fade mental nessas horas \u00e9 um grande sentimento de apaziguamento dado pelas autoridades. A medida terap\u00eautica para aplacar o sofrimento dessas pessoas \u00e9 tudo o que os pol\u00edticos n\u00e3o est\u00e3o fazendo agora. \u00c9 o cara cuidar bem dessa popula\u00e7\u00e3o, dizer que est\u00e1 tomando as medidas: \u2018voc\u00eas podem contar com a gente nisso, teremos assist\u00eancia aqui, vai estar sendo resguardado financeiramente ali\u2019. Claro que as pessoas v\u00e3o precisar de um psic\u00f3logo e eventualmente de uma medica\u00e7\u00e3o. Mas, al\u00e9m disso, a forma como \u00e9 conduzida a cat\u00e1strofe, por parte do poder p\u00fablico e das autoridades sanit\u00e1rias, tamb\u00e9m tem influ\u00eancia sobre a sa\u00fade mental das pessoas\u201d, explana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao sugerir poss\u00edveis estrat\u00e9gias de combate aos males mentais, o professor da UFPE destaca que s\u00e3o fundamentais o planejamento e a execu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es emergenciais por parte dos governos. Entretanto, o docente de psiquiatria n\u00e3o acredita na celeridade dos poderes p\u00fablicos nesse sentido. \u201cO Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, fundamentado nas institui\u00e7\u00f5es consultivas, como a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria, que \u00e9 uma entidade de refer\u00eancia t\u00e9cnica, deveria criar pol\u00edticas p\u00fablicas cuja a tradu\u00e7\u00e3o seja a implanta\u00e7\u00e3o de algumas medidas espec\u00edficas em curt\u00edssimo prazo, come\u00e7ando com as medidas para dar uma acalmada na popula\u00e7\u00e3o, propiciando espa\u00e7os de lazer, de conviv\u00eancia segura presencial ou on-line. No \u00faltimo est\u00e1gio, deve haver o aumento da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, com maior disponibilidade de mais psic\u00f3logos e psiquiatras para a popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 fundamental um aumento da oferta e disponibilidade de profissionais de sa\u00fade mental, sobretudo psic\u00f3logos e psiquiatras na rede p\u00fablica. A gente sabe que vai ser muito dif\u00edcil de ser implementado\u201d, diz o professor da UFPE.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O diretor-geral da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, tamb\u00e9m refor\u00e7ou seu alerta em orienta\u00e7\u00e3o aos chefes de poder de todos os pa\u00edses que enfrentam a problem\u00e1tica pandemia do novo coronav\u00edrus. \u201cDevemos aproveitar esta oportunidade para criar servi\u00e7os de sa\u00fade mental adequados para o futuro: inclusivos, baseados em comunidades acess\u00edveis. Porque, em \u00faltima an\u00e1lise, n\u00e3o h\u00e1 sa\u00fade sem sa\u00fade mental\u201d, frisa o gestor da OMS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que diz o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>LeiaJ\u00e1<\/strong> tamb\u00e9m entrou em contato com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em busca de um representante que pudesse nos responder questionamentos a respeito da postura do Governo Federal no \u00e2mbito da sa\u00fade mental em meio ao cen\u00e1rio pand\u00eamico. Por meio da sua assessoria de imprensa, a pasta respondeu com informa\u00e7\u00f5es oriundas de suas equipes t\u00e9cnicas. Confira:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LeiaJ\u00e1 &#8211;<\/strong> A partir dos efeitos\u00a0da\u00a0pandemia do novo\u00a0coronav\u00edrus, tais como crise econ\u00f4mica, luto, medo\u00a0da\u00a0doen\u00e7a, entre outros, profissionais e entidades ligadas \u00e0\u00a0sa\u00fade\u00a0mental alertam que o Brasil pode ter aumento de casos de depress\u00e3o, ansiedade e transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico. O\u00a0Minist\u00e9rio\u00a0da\u00a0Sa\u00fade\u00a0concorda com esses alertas? De que maneira a pasta interpreta e explica o atual cen\u00e1rio de\u00a0sa\u00fade\u00a0mental\u00a0da\u00a0popula\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade &#8211;<\/strong> A literatura cient\u00edfica sugere que medidas restritivas como quarentena, isolamento e distanciamento social\u00a0t\u00eam um impacto sobre o bem-estar psicol\u00f3gico\u00a0das\u00a0pessoas,\u00a0bem como rea\u00e7\u00f5es em decorr\u00eancia do medo\u00a0da\u00a0contamina\u00e7\u00e3o e\/ou do luto pelos \u00f3bitos de pessoas pr\u00f3ximas. As rea\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas \u00e0s pandemias incluem comportamentos\u00a0desadaptativos, ang\u00fastia emocional e respostas defensivas como: ansiedade, medo, frustra\u00e7\u00e3o, solid\u00e3o, raiva, t\u00e9dio, depress\u00e3o, estresse, comportamentos de esquiva, assim como diversas outras manifesta\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e\/ou f\u00edsicas. Esse \u00e9 o fen\u00f4meno que os especialistas est\u00e3o chamando de\u202f\u201cquarta onda\u202fda\u00a0evolu\u00e7\u00e3o\u00a0da\u00a0pandemia de Covid \u2013 19\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LeiaJ\u00e1 <\/strong>&#8211; Quais s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es promovidas pelo\u00a0Minist\u00e9rio\u00a0da\u00a0Sa\u00fade, a n\u00edvel federal, em prol\u00a0da\u00a0sa\u00fade\u00a0mental\u00a0da\u00a0popula\u00e7\u00e3o? E durante a pandemia, quais a\u00e7\u00f5es foram criadas para atender os usu\u00e1rios do SUS?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade &#8211;<\/strong> A Pol\u00edtica Nacional de\u00a0Sa\u00fade\u00a0Mental compreende as estrat\u00e9gias e diretrizes adotadas pelo Pa\u00eds com o objetivo de organizar a assist\u00eancia \u00e0s pessoas com necessidades de tratamento e cuidados espec\u00edficos em\u00a0Sa\u00fade\u00a0Mental, visando fortalecer a autonomia, o protagonismo e promover uma maior integra\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o social destas pessoas. A aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas com necessidades relacionadas aos transtornos mentais, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de crack, \u00e1lcool e outras drogas, s\u00e3o assistidas nos pontos de aten\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0sa\u00fade\u00a0da\u00a0Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial,\u00a0no \u00e2mbito do Sistema \u00danico de\u00a0Sa\u00fade.\u00a0A Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial\u00a0(RAPS)\u00a0\u00e9 composta atualmente\u00a0pelos servi\u00e7os Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria \u00e0\u00a0Sa\u00fade,\u00a0os\u00a0Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (CAPS)\u00a0 em suas diversas modalidades, Servi\u00e7os de\u00a0Resid\u00eancia\u00a0Terap\u00eautica (SRT), Unidades de Acolhimento, Unidades de\u00a0Refer\u00eancia\u00a0em\u00a0Sa\u00fade\u00a0Mental em Hospitais Gerais, Leitos em Hospitais Psiqui\u00e1tricos Especializados e Equipes Multiprofissionais em\u00a0Sa\u00fade\u00a0Mental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00e2mbito Nacional, j\u00e1 foram realizadas diversas\u00a0a\u00e7\u00f5es relativas \u00e0\u00a0sa\u00fade\u00a0mental no contexto\u00a0da\u00a0pandemia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota T\u00e9cnica elaborada pela Coordena\u00e7\u00e3o Geral de\u00a0Sa\u00fade\u00a0Mental, \u00c1lcool e Outras Drogas (CGMAD), com as\u202frecomenda\u00e7\u00f5es \u00e0 Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial\u202fsobre as estrat\u00e9gias de organiza\u00e7\u00e3o no contexto\u00a0da\u00a0infec\u00e7\u00e3o de Covid \u2013 19;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parceria com a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana\u00a0da\u00a0Sa\u00fade\u00a0(OPAS\/OMS) com a oferta de uma\u202fcampanha para promover a\u00a0sa\u00fade\u00a0mental no contexto de Covid-19, atrav\u00e9s de materiais voltados aos profissionais de\u00a0sa\u00fade, familiares, idosos e\u00a0cuidadores e popula\u00e7\u00e3o em geral, com o objetivo amenizar os\u202fefeitos negativos\u00a0da\u00a0pandemia\u00a0da\u00a0Covid-19 na\u00a0sa\u00fade\u00a0mental dos brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Projeto\u00a0Telepsi, realizado\u202fem parceria com o Hospital\u00a0das Cl\u00ednicas de Porto Alegre,\u00a0que oferece\u00a0teleconsulta\u00a0psicol\u00f3gica e psiqui\u00e1trica para manejo de estresse, ansiedade, depress\u00e3o e irritabilidade em profissionais do SUS que enfrentam a Covid-19\u00a0&#8211;\u00a0e mais recentemente ampliada para os trabalhadores dos servi\u00e7os essenciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desenvolvimento de um question\u00e1rio on-line atrav\u00e9s do\u00a0FormSUS, com o objetivo\u202favaliar o impacto\u00a0da\u00a0pandemia de Covid-19 e do distanciamento social na\u00a0sa\u00fade\u00a0mental\u202fda\u00a0popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7amento de uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es com o objetivo de informar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o sobre quest\u00f5es envolvendo doen\u00e7as mentais, na expectativa de promover\u00a0sa\u00fade\u00a0e bem-estar do brasileiro diante\u00a0da\u00a0pandemia\u00a0da\u00a0Covid-19. A primeira iniciativa consiste em tr\u00eas eventos virtuais do programa \u201cMentalize: sinal amarelo para aten\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0sa\u00fade\u00a0mental\u201d que est\u00e1 marcado para os dias 25, 26 e 27 de agosto, sempre \u00e0s 19h, no canal do Youtube do\u00a0Minist\u00e9rio\u00a0da\u00a0Sa\u00fade. Ser\u00e3o encontros\u00a0on-lines, abertos ao p\u00fablico em geral, que reunir\u00e3o especialistas para falar sobre temas que envolvem\u00a0sa\u00fade\u00a0mental com o foco na\u00a0sa\u00fade\u00a0da\u00a0crian\u00e7a e do adolescente, dos trabalhadores e dos idosos. O objetivo \u00e9 desmistificar e reduzir estigmas sobre doen\u00e7as mentais. Acompanhe:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?time_continue=8&amp;v=RBLZHrqXXZk\">youtube.com\/minsaudeBR<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LeiaJ\u00e1 &#8211;<\/strong> De que forma o\u00a0Minist\u00e9rio\u00a0da\u00a0Sa\u00fade\u00a0trabalha, em parceria com os estados e munic\u00edpios, para oferecer servi\u00e7os gratuitos de atendimentos psicol\u00f3gicos e psiqui\u00e1tricos, al\u00e9m dos servi\u00e7os de acolhimento psicossocial?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade &#8211;<\/strong> A gest\u00e3o do Sistema \u00danico de\u00a0Sa\u00fade\u00a0(SUS) \u00e9 tripartite, ou seja, compete \u00e0 Uni\u00e3o, aos estados e aos munic\u00edpios a presta\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os de\u00a0sa\u00fade. O\u00a0Minist\u00e9rio\u00a0da\u00a0Sa\u00fade\u00a0atua por meio de\u00a0repasse de\u00a0recurso financeiro de\u00a0incentivo e de custeio para habilita\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os\u00a0da\u00a0Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial\u00a0(RAPS).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LeiaJ\u00e1 &#8211;<\/strong> Psiquiatras alertam que, no p\u00f3s-pandemia, pode haver um aumento expressivo em casos de ansiedade e de press\u00e3o. Quais s\u00e3o os planos do Governo Federal para combater um poss\u00edvel surto de transtornos mentais no p\u00f3s-pandemia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade &#8211;<\/strong> O\u00a0Minist\u00e9rio\u00a0da\u00a0Sa\u00fade\u00a0tem trabalhado para amplia\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de atendimento\u00a0\u00e0\u00a0sa\u00fade\u00a0mental, em 2020 foram incentivadas as aberturas de 18 novos CAPS,\u00a08\u00a0Servi\u00e7os de Resid\u00eancia Terap\u00eautica (SRT) e 29 novos leitos de\u00a0sa\u00fade\u00a0mental em hospital geral. Est\u00e1 prevista a habilita\u00e7\u00e3o de\u00a077 novos CAPS, 100\u00a0SRT e 144 leitos em hospitais gerais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LeiaJ\u00e1 &#8211;<\/strong> Em 2019, quanto foi investido em servi\u00e7os de\u00a0sa\u00fade\u00a0mental e quanto j\u00e1 foi investido em 2020? J\u00e1 h\u00e1 uma proje\u00e7\u00e3o de recursos para 2021?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade &#8211;<\/strong> Em\u00a02019 foi\u00a0incorporado no teto dos Fundos Municipais e Estaduais de\u00a0Sa\u00fadeo valor de R$ 85,9 milh\u00f5es. Foram ainda investidos R$ 12 milh\u00f5es para estrutura\u00e7\u00e3o e abertura de novos servi\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2020, foi incorporado o valor de R$ 5,4 milh\u00f5es no teto\u00a0e\u00a0pago R$\u00a0814 milh\u00f5es de incentivo para abertura de 18\u00a0CAPS,\u00a08\u00a0SRT e 29 leitos em hospital geral. Est\u00e1 em tramita\u00e7\u00e3o\u00a0a habilita\u00e7\u00e3o de novos servi\u00e7os que alcan\u00e7ar\u00e3o um total de R$ 66,6 milh\u00f5es\/ano.\u00a0Para 2021,\u00a0o planejamento or\u00e7ament\u00e1rio ainda est\u00e1 em elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"bottom_barra\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte:<\/strong> Nathan Santos \/ LeiaJ\u00e1<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dedos entrela\u00e7ados em sinal de ora\u00e7\u00e3o, m\u00e3os aos c\u00e9us como forma de agradecimento, rezas ante o mar e uma sintonia de esperan\u00e7a celebravam o novo ano. Sob fogos brilhosos e respingos de champanhe, 2020 chegou. Fotografei abra\u00e7os e presenciei dizeres otimistas para o ciclo que come\u00e7ara. Tomado pela atmosfera comemorativa do r\u00e9veillon, n\u00e3o imaginaria naquele [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":56460,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[]},"categories":[9],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56459"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56459"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56459\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56461,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56459\/revisions\/56461"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56460"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}