{"id":56702,"date":"2020-11-10T16:29:10","date_gmt":"2020-11-10T19:29:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=56702"},"modified":"2020-11-10T16:31:19","modified_gmt":"2020-11-10T19:31:19","slug":"sindrome-de-boreout-quando-o-tedio-no-trabalho-vira-um-problema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/sindrome-de-boreout-quando-o-tedio-no-trabalho-vira-um-problema\/","title":{"rendered":"S\u00edndrome de \u2018boreout\u2019: quando o t\u00e9dio no trabalho vira um problema"},"content":{"rendered":"<p class=\"\"><strong>Por Mariana G\u00e1lvez\u00a0https:\/\/brasil.elpais.com\/<\/strong><\/p>\n<p class=\"\"><strong>Foto: MALTE MUELLER \/ GETTY IMAGES\/FSTOP<\/strong><\/p>\n<p class=\"\">Voc\u00ea acabou em uma hora o pouco trabalho que tinha para o dia e se entrega \u00e0 tarefa de matar o tempo pelas sete restantes. Poderia pedir mais tarefas ao chefe, mas prefere ficar enrolando; se precisarem de voc\u00ea, que chamem. Parece um plano invej\u00e1vel, mas enquanto voc\u00ea atualiza seu Facebook, busca as melhores ofertas para os presentes de Natal e devora um sandu\u00edche, meio saco de batatas fritas e um folhado de chocolate, preferia que esse chamado viesse. N\u00e3o vem, e voc\u00ea percebe: seu t\u00e9dio j\u00e1 \u00e9 cr\u00f4nico, tem\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/estilo\/2020-10-12\/vicio-em-redes-sociais-dispara-na-pandemia-cinco-jeitos-de-recuperar-o-controle-e-se-desintoxicar.html\" target=\"_blank\" data-link-track-dtm=\"\">um gosto amargo de ansiedade<\/a>, e voc\u00ea se sente desvalorizado. Isso n\u00e3o \u00e9 normal.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CMna8cvZ-OwCFfADuQYdcIYPlA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_brasil_web\/estilo\/intext_0__container__\">\u00c9 um t\u00e9dio que nos c\u00edrculos especializados ficou conhecido como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/06\/08\/ciencia\/1433771989_020991.html\" target=\"_blank\" data-link-track-dtm=\"\">s\u00edndrome de\u00a0<i>boreout<\/i>, ou do trabalhador entediado<\/a>, dominado por um enfado profissional extremo, o qual, segundo os psic\u00f3logos, pode ser t\u00e3o prejudicial como o esgotamento por excesso de trabalho, a popular\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/05\/27\/actualidad\/1558956228_933147.html\" target=\"_blank\" data-link-track-dtm=\"\">s\u00edndrome do\u00a0<i>burnout<\/i>\u00a0ou do trabalhador\u00a0<i>queimado<\/i><\/a>. Tendemos a achar que um funcion\u00e1rio entediado (e com tempo de sobra) aproveitar\u00e1 para se dedicar mais a cada tarefa, mas n\u00e3o \u00e9 assim. Segundo um estudo da Universidade de Lancashire (Inglaterra), as pessoas entediadas, na verdade, t\u00eam um desempenho profissional prec\u00e1rio e comentem mais erros.<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\">Claro que, para evitar se envolverem com a origem de seu t\u00e9dio, as pessoas com essa s\u00edndrome (um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Diagnose-Boreout\/dp\/3636014625\" target=\"_blank\" data-link-track-dtm=\"\">termo cunhado em um livro<\/a>\u00a0pelos psic\u00f3logos su\u00ed\u00e7os Philippe Rothlin e Peter Werder, em 2007, e que n\u00e3o foi reconhecido oficialmente como um diagn\u00f3stico) tendem a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tecnologia\/2020-09-13\/instagram-oferece-ferramenta-para-combater-a-ansiedade-que-ele-mesmo-pode-estar-provocando.html\" target=\"_blank\" data-link-track-dtm=\"\">se distrair com recursos como as redes sociais<\/a>, podendo inclusive desenvolver um v\u00edcio. A comida, o \u00e1lcool e o tabaco s\u00e3o fortes candidatos a preencher seu tempo. Soa familiar?<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">Como saber que n\u00e3o \u00e9 um t\u00e9dio passageiro<\/h3>\n<p class=\"\">\u00c9 importante distinguir o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/12\/11\/estilo\/1481440372_220104.html\" target=\"_blank\" data-link-track-dtm=\"\">t\u00e9dio normal, inclusive saud\u00e1vel,<\/a>\u00a0daquele constante e cr\u00f4nico, que acaba fazendo voc\u00ea se sentir in\u00fatil, um sentimento que gera uma profunda ansiedade e que pode afetar negativamente todos os aspectos da vida, inclusive os que t\u00eam a ver com fam\u00edlia, amigos e relacionamento conjugal. Sabemos que normalmente \u201cas coisas que nos entediam s\u00e3o aquelas das quais n\u00e3o gostamos; isto reduz seus n\u00edveis de motiva\u00e7\u00e3o, de envolvimento, baixam seus n\u00edveis de responsabilidade, e voc\u00ea adota uma atitude passiva, vai procrastinando\u201d, diz a psic\u00f3loga Gabriela Paoli, autora do livro\u00a0<i>Salud Digital<\/i>. Mas tem mais.<\/p>\n<p class=\"\">Para come\u00e7ar, grave a fogo que entediar-se ao longo do dia independe do trabalho que voc\u00ea faz, e sim dos interesses que voc\u00ea tem. \u00c9 poss\u00edvel ter o melhor emprego, inclusive ser o chefe, e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/12\/23\/estilo\/1545600414_974409.html\" target=\"_blank\" data-link-track-dtm=\"\">se sentir profundamente entediado e desvalorizado<\/a>. Ou seja, trabalhar em algo que n\u00e3o corresponde \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o ou experi\u00eancia e que n\u00e3o lhe permite se desenvolver plenamente \u00e9 uma bomba-rel\u00f3gio. A falta de comunica\u00e7\u00e3o com os outros, desempenhar tarefas mon\u00f3tonas, que n\u00e3o lhe representem nenhum tipo de desafio, e receber um sal\u00e1rio prec\u00e1rio tamb\u00e9m s\u00e3o aspectos que desmotivam constantemente.<\/p>\n<p class=\"\">Todos esses fatores aumentam quando voc\u00ea tem que aceitar trabalhos a contragosto e n\u00e3o tem outra op\u00e7\u00e3o nem pode se dar ao luxo de mudar \u2014e a situa\u00e7\u00e3o se agrava nestes tempos devido \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/economia\/2020-08-18\/o-desafio-economico-de-sobreviver-a-pandemia-na-america-latina.html\" target=\"_blank\" data-link-track-dtm=\"\">conjuntura econ\u00f4mica decorrente da pandemia<\/a>. \u201cQuem aceita trabalhos que limitam suas capacidades tem muito mais risco de sofrer\u00a0<i>boreout\u00a0<\/i>e<i>\u00a0burnout<\/i>, porque faz algo que j\u00e1 de cara sabe que n\u00e3o gosta; a \u00fanica motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 a econ\u00f4mica, e ap\u00f3s alguns anos isso come\u00e7a a pesar bastante. \u00c9 extremamente grave porque passamos quase 33% do dia no trabalho, \u00e0s vezes mais\u201d, afirma Andr\u00e9s Quinteros, psic\u00f3logo e diretor do Centro Psicol\u00f3gico CEPSIM.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">Outro motivo para buscar um \u2018hobby\u2019<\/h3>\n<p class=\"\">Os autores da obra que apresentou pela primeira vez a s\u00edndrome do\u00a0<i>boreout<\/i>\u00a0n\u00e3o descreveram apenas uma pena de t\u00e9dio e desmotiva\u00e7\u00e3o.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-09-27\/as-pandoras-da-pandemia.html\" target=\"_blank\" data-link-track-dtm=\"\">Como no mito de Pandora, no fundo da caixa estava a esperan\u00e7a<\/a>, que, neste caso, tem a forma de uma lista de m\u00e9todos para preveni-lo. Para come\u00e7ar, aconselham o trabalhador a se esfor\u00e7ar para encontrar pequenas motiva\u00e7\u00f5es que possa intercalar em seu trabalho ao longo do dia. A ideia \u00e9 que cada dia seja significativo. Tanto Paoli como Quinteros avalizam esta ideia e observam que comunicar aos superiores o seu interesse e compromisso em desenvolver novas tarefas tamb\u00e9m pode ajudar. Encontrar alguma atividade apaixonante para preencher os momentos mortos no trabalho \u00e9 uma ajuda interessante, mas \u00e0s vezes imposs\u00edvel. Nesses casos, os especialistas prop\u00f5em transferi-la para momentos livres logo depois da jornada de trabalho.<\/p>\n<p class=\"\">Se mesmo assim sua motiva\u00e7\u00e3o n\u00e3o aumentar, talvez o melhor seja mesmo procurar outro trabalho que realmente lhe agrade, algo que voc\u00ea ter\u00e1 que fazer enquanto mant\u00e9m o emprego que j\u00e1 tem. Afinal, n\u00e3o conv\u00e9m aumentar a ansiedade gerada pela falta de motiva\u00e7\u00e3o profissional com a decorrente da escassez econ\u00f4mica.<\/p>\n<p class=\"\">Por outro lado, embora ambos sejam resultado de uma grande insatisfa\u00e7\u00e3o ou desmotiva\u00e7\u00e3o trabalhista, \u00e9 importante n\u00e3o confundir o termo\u00a0<i>boreout<\/i>\u00a0com a j\u00e1 famosa s\u00edndrome do\u00a0<i>burnout<\/i>. O primeiro se refere ao transtorno do trabalhador entediado, que constantemente se sente desvalorizado, enquanto o segundo \u00e9 um transtorno vinculado ao estresse por excesso de trabalho. \u201cT\u00eam origens diferentes, um \u00e9 por falta de trabalho ou porque realiza tarefas mon\u00f3tonas, onde n\u00e3o h\u00e1\u00a0<i>feedback<\/i>\u00a0nem um contato social real, e o outro \u00e9 por excesso, um estresse cr\u00f4nico, uma satura\u00e7\u00e3o, esgotamento mental e infoxica\u00e7\u00e3o\u201d, diz Paoli. Mas adverte: \u201cAo final, os extremos se tocam. Um pode levar ao outro\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Mariana G\u00e1lvez\u00a0https:\/\/brasil.elpais.com\/ Foto: MALTE MUELLER \/ GETTY IMAGES\/FSTOP Voc\u00ea acabou em uma hora o pouco trabalho que tinha para o dia e se entrega \u00e0 tarefa de matar o tempo pelas sete restantes. Poderia pedir mais tarefas ao chefe, mas prefere ficar enrolando; se precisarem de voc\u00ea, que chamem. 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