{"id":57253,"date":"2021-01-26T10:22:54","date_gmt":"2021-01-26T13:22:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=57253"},"modified":"2021-01-26T10:22:54","modified_gmt":"2021-01-26T13:22:54","slug":"cientistas-descobrem-falha-imunologica-que-agrava-a-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/cientistas-descobrem-falha-imunologica-que-agrava-a-covid-19\/","title":{"rendered":"Cientistas descobrem falha imunol\u00f3gica que agrava a Covid-19"},"content":{"rendered":"<p>Em um ano de pandemia, a Covid-19 tem se mostrado uma enfermidade complexa, que pode atingir cada infectado de forma diferente \u2014 desde problemas respirat\u00f3rios graves \u00e0 total aus\u00eancia de sintomas. Essa \u201croleta-russa\u201d de complica\u00e7\u00f5es ainda \u00e9 pouco compreendida pelos cientistas, mas, aos poucos, come\u00e7a a ser desvendada. Em um estudo com pacientes infectados pelo Sars-CoV-2, pesquisadores americanos observaram que casos mais cr\u00edticos da doen\u00e7a estavam relacionados \u00e0 baixa produ\u00e7\u00e3o do interferon, uma subst\u00e2ncia produzida pelo corpo que tem como caracter\u00edstica principal um efeito antiviral potente.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o, que foi apresentada na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista brit\u00e2nica Nature, era uma suspeita antiga de especialistas da \u00e1rea. Esse mesmo problema ocorre em outras enfermidades provocadas por coronav\u00edrus \u2014 como o Sars-CoV-1, que se espalhou por 12 pa\u00edses em 2003, e o Mers-Cov, que surgiu nove anos depois, na Ar\u00e1bia Saudita \u2014, mas faltavam dados para a confirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pesquisadores analisaram as respostas do sistema imune ao novo coronav\u00edrus em 21 pacientes, 11 deles com casos leves e 10 com infec\u00e7\u00f5es graves de Covid-19. Por meio do experimento, eles observaram que todo o primeiro grupo de doentes apresentou uma alta quantidade de c\u00e9lulas imunes mais potentes, geradas pela prote\u00edna inteferon.<\/p>\n<p>\u201cEssa mol\u00e9cula \u00e9 liberada pelo corpo assim que o organismo identifica um v\u00edrus invasor. Ela \u00e9 a respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de agentes protetores mais robustos, que combatem o pat\u00f3geno com maior efici\u00eancia e tamb\u00e9m atuam como um bloqueador, pois impedem a entrada de mais elementos nocivos no organismo\u201d, explicaram, no artigo, os cientistas, liderados por Matthew Krummel, pesquisador do Departamento de Patologias da Universidade da Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Essa mesma produ\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas imunes mais potentes geradas pelo interferon foi registrada nos pacientes com a forma mais agressiva da enfermidade, por\u00e9m em n\u00edveis bem mais baixos, destacaram os respons\u00e1veis pelo experimento. \u201cFicou bem claro para n\u00f3s que, em indiv\u00edduos com doen\u00e7a grave, o sistema imunol\u00f3gico n\u00e3o consegue gerar a mesma quantidade de fortes combatentes antivirais registrada nos infectados com a forma mais leve\u201d, verificaram os cientistas.<\/p>\n<p>\u201cEsse grupo de (pacientes com) Covid-19 mais severa apresentou problemas de sa\u00fade complexos, como les\u00e3o pulmonar aguda e desconforto respirat\u00f3rio. Acreditamos que essas complica\u00e7\u00f5es n\u00e3o aconteceriam se os n\u00edveis de interferon fossem mais altos\u201d, ressaltaram os investigadores.<\/p>\n<p><strong>Corre\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nOs autores do artigo da Nature identificaram ainda alguns mecanismos moleculares que podem estar relacionados \u00e0 baixa produ\u00e7\u00e3o de interferon em pacientes com Covid-19 grave. Segundo a equipe da Universidade da Calif\u00f3rnia, esses novos dados podem contribuir para o desenvolvimento de medicamentos que corrijam essa falha.<\/p>\n<p>\u201cRem\u00e9dios que reatem essa resposta antiviral mais poderosa podem evitar que infectados apresentem complica\u00e7\u00f5es severas geradas pelo novo coronav\u00edrus. Nossos dados podem ser usados como um alvo para cria\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos imunoter\u00e1picos\u201d, defenderam os pesquisadores no artigo da Nature.<\/p>\n<p>Os cientistas anunciaram que ser\u00e3o realizados mais estudos com um n\u00famero mais amplo de pessoas. \u201cOutros trabalhos s\u00e3o necess\u00e1rios para estudar mais a fundo a a\u00e7\u00e3o dos anticorpos em rela\u00e7\u00e3o ao Sars-CoV-2. Isso \u00e9 importante, pois sabemos que a resposta imune pode variar bastante entre os pacientes. Precisamos ter uma base ainda mais s\u00f3lida para nos dedicarmos ao desenvolvimento das novas terapias\u201d, assinalaram.<\/p>\n<p>Para Werciley Junior, infectologista do Hospital Santa L\u00facia, em Bras\u00edlia, os cientistas americanos acertaram ao analisar um problema do sistema imune que \u00e9 bastante estudado por especialistas da \u00e1rea m\u00e9dica. \u201cSabemos que algumas pessoas produzem quantidades menores de interferon. Isso, geralmente, ocorre por altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas. Outro ponto tamb\u00e9m j\u00e1 conhecido \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o baixa dessa prote\u00edna pode prejudicar na defesa de doen\u00e7as infecciosas. Por isso, j\u00e1 desconfi\u00e1vamos que o mesmo poderia ocorrer com a Covid-19, mas ningu\u00e9m havia provado essa rela\u00e7\u00e3o. O estudo nos ajuda a entender melhor esse elemento, trazendo mais luz ao tema, que \u00e9 bastante complexo\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Segundo ele, pesquisas futuras, com mais dados sobre essa falha imune, podem ser bastante \u00fateis no desenvolvimento de novas terapias para a Covid-19. \u201cTemos alguns imunoter\u00e1picos que aumentam a quantidade de interferon no corpo, mas cada caso \u00e9 diferente. Alguns m\u00e9dicos prescreveram essas medica\u00e7\u00f5es para pacientes com Covid-19 e n\u00e3o obtiveram resultado positivo\u201d, observou.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos estudar melhor quais as vias relacionadas e tamb\u00e9m descobrir se existe algum subtipo de interferon que est\u00e1 relacionado diretamente ao novo coronav\u00edrus. Com esses dados, poderemos projetar um medicamento\u201d, frisou. Acrescentando: \u201cDessa forma, poderemos evitar problemas mais graves provocados por esse agente infeccioso.\u201d<\/p>\n<p>Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um ano de pandemia, a Covid-19 tem se mostrado uma enfermidade complexa, que pode atingir cada infectado de forma diferente \u2014 desde problemas respirat\u00f3rios graves \u00e0 total aus\u00eancia de sintomas. Essa \u201croleta-russa\u201d de complica\u00e7\u00f5es ainda \u00e9 pouco compreendida pelos cientistas, mas, aos poucos, come\u00e7a a ser desvendada. 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