{"id":57733,"date":"2021-02-09T10:19:20","date_gmt":"2021-02-09T13:19:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=57733"},"modified":"2021-02-09T10:19:20","modified_gmt":"2021-02-09T13:19:20","slug":"vacina-da-pfizer-e-eficaz-contra-variantes-britanica-e-sul-africana-mostra-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/vacina-da-pfizer-e-eficaz-contra-variantes-britanica-e-sul-africana-mostra-estudo\/","title":{"rendered":"Vacina da Pfizer \u00e9 eficaz contra variantes brit\u00e2nica e sul-africana, mostra estudo"},"content":{"rendered":"<p>A vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela empresa americana Pfizer, em parceria com o grupo farmac\u00eautico alem\u00e3o BionTech, mostrou-se eficaz para tr\u00eas variantes do v\u00edrus. Os pesquisadores observaram que a resposta dos anticorpos de pacientes que receberam o imunizante foi alta diante de duas novas formas do pat\u00f3geno que surgiram no Reino Unido, por\u00e9m um pouco mais baixa para a que tem origem na \u00c1frica do Sul. A constata\u00e7\u00e3o foi divulgada, ontem, na revista Nature Medicine.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera, outro estudo \u2014 ainda n\u00e3o revisado por especialistas \u2014 evidenciou, por\u00e9m, que a vacina criada pela Universidade de Oxford e pelo laborat\u00f3rio AstraZeneca gera pouca defesa para casos leves e moderados da doen\u00e7a provocados pela variante sul-africana.<\/p>\n<p>Os cientistas explicam que, para testar os efeitos dos f\u00e1rmacos nas novas formas do v\u00edrus Sars-CoV-2, \u00e9 necess\u00e1rio identificar quais s\u00e3o as altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas de cada cepa. Nas an\u00e1lises feitas at\u00e9 agora na vacina da Pfizer, os pesquisadores encontraram duas muta\u00e7\u00f5es importantes: a primeira chamada de N501Y, presente nas tr\u00eas variantes escolhidas para o estudo, e a outra nomeada de E484K, vista apenas na sul-africana.<\/p>\n<p>\u201cEssas duas falhas de DNA est\u00e3o localizadas na prote\u00edna principal do pat\u00f3geno, e podem potencializar a capacidade de conex\u00e3o com os receptores ACE2 do corpo, que ajudam o agente infeccioso a se espalhar\u201d, explicaram os autores do trabalho, liderado por Pei-Yong Shi, pesquisador da Universidade do Texas, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>No experimento, a equipe liderada por Pei-Yong Shi projetou combina\u00e7\u00f5es das duas muta\u00e7\u00f5es e testou o material com soros (sangu\u00edneos) de 20 participantes que receberam a vacina BNT162b, desenvolvida pela Pfizer\/BionTech. \u201cTodos os analisados haviam participado do ensaio cl\u00ednico publicado anteriormente e que testou a efic\u00e1cia do imunizante. Eles receberam duas doses com um intervalo de tr\u00eas semanas entre elas, e portanto j\u00e1 tinham produzido anticorpos contra a doen\u00e7a\u201d, detalhou o artigo da Nature Medicine.<\/p>\n<p>Nas an\u00e1lises, os investigadores observaram que o v\u00edrus foi neutralizado nas tr\u00eas variantes testadas \u2014 por\u00e9m, a resposta imune foi menor contra a muta\u00e7\u00e3o E484K. \u201cS\u00e3o dados importantes, pois nos mostram que essa variante sul-africana precisa receber mais aten\u00e7\u00e3o dos especialistas devido a sua maior resist\u00eancia\u201d, frisaram os cientistas.<\/p>\n<p>Os autores do trabalho defendem que a evolu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do agente da Covid-19 exige um monitoramento constante da efic\u00e1cia da vacina para novas cepas. \u201cEntender se os imunizantes atualmente desenvolvidos para Sars-CoV-2 tamb\u00e9m fornecem prote\u00e7\u00e3o contra essas muta\u00e7\u00f5es \u00e9 uma prioridade urgente\u201d, frisaram no artigo.<\/p>\n<p>Revis\u00e3o<br \/>\nNo \u00faltimo domingo, um estudo feito por cientistas da Universidade de Witwatersrand, na \u00c1frica do Sul, mostrou que a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, em parceria com a AstraZeneca, gerou uma baixa prote\u00e7\u00e3o (22%) contra a infec\u00e7\u00e3o leve e moderada do novo coronav\u00edrus provocada pela variante descoberta no pa\u00eds. No trabalho, os pesquisadores avaliaram cerca de dois mil volunt\u00e1rios com m\u00e9dia de 31 anos.<\/p>\n<p>A equipe de Witwatersrand informou que o trabalho ainda ser\u00e1 revisado e que n\u00e3o avaliou o efeito do imunizante em rela\u00e7\u00e3o a casos mais severos da enfermidade. A AstraZeneca garantiu que sua vacina \u201cpode proteger contra mortes, hospitaliza\u00e7\u00f5es e as formas mais graves da doen\u00e7a\u201d, em declara\u00e7\u00e3o de um porta-voz do laborat\u00f3rio brit\u00e2nico \u00e0 ag\u00eancia de not\u00edcias France-Presse (AFP).<\/p>\n<p>No mesmo dia em que o estudo foi divulgado, o ministro da Sa\u00fade Zewli Mkhize informou que o pa\u00eds iria suspender o uso da vacina Oxford\/AstraZeneca de seu programa de imuniza\u00e7\u00f5es. Ontem, ap\u00f3s a repercuss\u00e3o da not\u00edcia, o co-presidente do Comit\u00ea Consultivo Ministerial da \u00c1frica do Sul, Salim Abdool Karim, declarou que o pa\u00eds aplicar\u00e1 o imunizante de maneira gradual, para avaliar sua efic\u00e1cia sobre a variante sul-africana.<\/p>\n<p>Karim tamb\u00e9m disse que o plano \u00e9 oferecer a f\u00f3rmula protetiva a 100 mil pessoas e monitorar as taxas de hospitaliza\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o queremos vacinar com um imunizante que n\u00e3o seja eficaz para casos graves. Seremos prudentes, faremos a avalia\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e depois vamos distribuir\u201d, afirmou, em um comunicado \u00e0 imprensa.<\/p>\n<p>Para Ana Karolina Barreto Marinho, especialista da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), testes com as vacinas contra a Covid precisam ser feitos constantemente para ajudar no controle da pandemia. \u201cEsse monitoramento das muta\u00e7\u00f5es e a resposta dos imunizantes a elas \u00e9 essencial. S\u00f3 com esse tipo de trabalho poderemos realizar altera\u00e7\u00f5es nas f\u00f3rmulas e assim manter uma prote\u00e7\u00e3o alta\u201d, opinou.<\/p>\n<p>De acordo com a especialista, \u00e9 importante ter a compreens\u00e3o de que mesmo rea\u00e7\u00f5es imunes mais baixas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o preocupantes. \u201cPassa longe de ser algo desanimador, pois uma pequena prote\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 melhor que nenhuma, e pode evitar que complica\u00e7\u00f5es bem mais graves surjam\u201d, ressaltou. \u201cOutro ponto que precisamos ter em mente \u00e9 que temos v\u00e1rias vacinas sendo feitas, ent\u00e3o, as chances de outras f\u00f3rmulas preencherem essas lacunas s\u00e3o bem altas\u201d, complementou.<\/p>\n<p>OMS critica pessimismo<br \/>\nDiante das rea\u00e7\u00f5es de diversos pa\u00edses \u2014 principalmente, europeus \u2014 \u00e0 falta de dados sobre a efic\u00e1cia da vacina da Universidade de Oxford em pessoas com idade mais avan\u00e7ada, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) pediu calma e declarou que, ainda, \u00e9 necess\u00e1rio avaliar melhor os dados cient\u00edficos relacionados ao efeito do imunizante em idosos. V\u00e1rios funcion\u00e1rios da ag\u00eancia da ONU e do sistema Covax alertaram contra um excesso de pessimismo em rela\u00e7\u00e3o ao imunizante, principalmente no que diz respeito a salvar vidas e limitar hospitaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito cedo para rejeitar essa vacina, uma parte importante da resposta global \u00e0 atual pandemia\u201d, assinalou Richard Hatchett, um dos respons\u00e1veis pelo mecanismo Covax para garantir uma distribui\u00e7\u00e3o justa da vacina contra a Covid. \u201c\u00c9 absolutamente crucial usar as ferramentas de que dispomos da forma mais eficaz poss\u00edvel\u201d, acrescentou, em uma entrevista coletiva na sede da OMS, em Genebra. As d\u00favidas sobre a efic\u00e1cia do f\u00e1rmaco da AstraZeneca em pessoas com mais de 65 anos se multiplicaram nas \u00faltimas semanas.<\/p>\n<p>Michael Ryan, respons\u00e1vel por quest\u00f5es emergenciais de sa\u00fade da OMS, disse, por sua vez, que \u201ca principal tarefa das vacinas\u201d, hoje, \u00e9 reduzir o n\u00famero de hospitaliza\u00e7\u00f5es e mortes. \u201cE, atualmente, parece-me que os dados mostram que isso \u00e9 o que todas as vacinas fazem\u201d, afirmou Ryan, reconhecendo que ser\u00e1 necess\u00e1ria \u201cuma segunda e terceira gera\u00e7\u00e3o de vacinas para fazer mais\u201d.<\/p>\n<p>A vacina da AstraZeneca, que ainda n\u00e3o obteve a homologa\u00e7\u00e3o da OMS, representa a maioria das doses que ser\u00e3o distribu\u00eddas pelo sistema Covax aos pa\u00edses mais desfavorecidos. O f\u00e1rmaco foi aprovado para uso emergencial em pelo menos 50 pa\u00edses, incluindo o Brasil, mas na\u00e7\u00f5es como Espanha, Alemanha, Fran\u00e7a, Pol\u00f4nia, \u00c1ustria, Su\u00e9cia e It\u00e1lia decidiram n\u00e3o recomendar o uso do imunizante em pessoas com mais de 65 anos.<\/p>\n<p>Ontem, Portugal se uniu a esse grupo. De acordo com um documento assinado pela diretora-geral da Sa\u00fade, Gra\u00e7a Freitas, essa medida restritiva vigorar\u00e1 \u201cat\u00e9 novos dados estarem dispon\u00edveis\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela empresa americana Pfizer, em parceria com o grupo farmac\u00eautico alem\u00e3o BionTech, mostrou-se eficaz para tr\u00eas variantes do v\u00edrus. 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