{"id":57798,"date":"2021-02-10T10:58:45","date_gmt":"2021-02-10T13:58:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=57798"},"modified":"2021-02-10T10:58:45","modified_gmt":"2021-02-10T13:58:45","slug":"brasil-nao-pode-rejeitar-o-setor-privado-na-vacinacao-diz-especialista-em-gestao-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/brasil-nao-pode-rejeitar-o-setor-privado-na-vacinacao-diz-especialista-em-gestao-de-saude\/","title":{"rendered":"&#8216;Brasil n\u00e3o pode rejeitar o setor privado na vacina\u00e7\u00e3o&#8217;, diz especialista em gest\u00e3o de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p><em>Especialista em gest\u00e3o da sa\u00fade, Silvio Guidi \u00e9 um dos que apontam a exist\u00eancia de um certo preconceito contra a presen\u00e7a do setor privado na \u00e1rea.<\/em><\/p>\n<p>Um dos grandes legados da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, motivo de orgulho nacional para muitos, o SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade) nunca esteve sob escrut\u00ednio t\u00e3o intenso como durante a pandemia.<\/p>\n<p>Tem sido festejado por sua capacidade de responder \u00e0 crise na mesma medida em que criticado por suas limita\u00e7\u00f5es. Como pano de fundo, corre uma discuss\u00e3o que tem animado os adeptos de uma vis\u00e3o mais liberal sobre a sa\u00fade: como inserir o setor privado em sua opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Especialista em gest\u00e3o da sa\u00fade, o curitibano Silvio Guidi \u00e9 um dos que apontam a exist\u00eancia de um certo preconceito contra a presen\u00e7a do setor privado na \u00e1rea. Isso tem ficado mais claro, diz ele, no debate sobre a vacina\u00e7\u00e3o contra a Covid-19, em que empresas e cl\u00ednicas privadas buscam ter um papel.<\/p>\n<p>&#8220;Na \u00e1rea da sa\u00fade, um real gasto no setor privado \u00e9 um real a menos que onera o setor p\u00fablico. Esse racioc\u00ednio vale tamb\u00e9m para a vacina\u00e7\u00e3o na pandemia&#8221;, afirma Guidi.<\/p>\n<p>Mestre e doutor em Direito Administrativo pela PUC-SP, ele tem 15 anos de experi\u00eancia com administra\u00e7\u00e3o hospitalar e dois livros publicados sobre gest\u00e3o da sa\u00fade.<\/p>\n<p>N\u00e3o deveria haver problema, diz ele, com a compra de vacinas pelo setor privado, desde que n\u00e3o seja um processo predat\u00f3rio com rela\u00e7\u00e3o ao cronograma de prioridades de imuniza\u00e7\u00e3o de grupos emergenciais definido pelo setor p\u00fablico.<\/p>\n<p>Em outras palavras, vacinados os trabalhadores na linha de frente na \u00e1rea da sa\u00fade e categorias vulner\u00e1veis como idosos e ind\u00edgenas, o setor privado deveria entrar com tudo na estrat\u00e9gia de imuniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Precisamos de esfor\u00e7os para proteger os mais vulner\u00e1veis. Depois que voc\u00ea resolve esses problemas, voc\u00ea volta para uma situa\u00e7\u00e3o t\u00edpica da \u00e1rea da sa\u00fade, em que h\u00e1 demanda para servi\u00e7os p\u00fablicos e privados&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, t\u00eam proliferado iniciativas de envolvimento do setor privado na aquisi\u00e7\u00e3o de vacinas. Primeiro foi a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Cl\u00ednicas de Vacina (ABCV), que anunciou a inten\u00e7\u00e3o de comprar doses da indiana Bharat Biontech.<\/p>\n<p>Depois, veio a tentativa de empresas brasileiras de grande porte de comprar cerca de 35 milh\u00f5es de doses da vacina da AstrZeneca para imunizar seus funcion\u00e1rios, com a contrapartida de doa\u00e7\u00e3o de metade para o SUS.<\/p>\n<p>Ambas as tentativas receberam uma saraivada de cr\u00edticas, acusadas de estarem furando a fila do calend\u00e1rio oficial de vacina\u00e7\u00e3o e privilegiando uma elite que teria acesso \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de maneira antecipada. No momento, est\u00e3o em suspenso, esperando o melhor momento para voltarem \u00e0 carga.<\/p>\n<p>Para Guidi, esse tipo de racioc\u00ednio de p\u00fablico contra privado \u00e9 simplista. \u00c9 interesse de toda a sociedade, afirma, que o ritmo de imuniza\u00e7\u00e3o seja o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, para acelerar a imuniza\u00e7\u00e3o coletiva, que \u00e9 o que derrota o v\u00edrus.<\/p>\n<p>&#8220;Colocar todo mundo na fila \u00fanica n\u00e3o resolve o problema da justi\u00e7a social. Voc\u00ea pega a popula\u00e7\u00e3o que tem condi\u00e7\u00e3o de fazer a vacina\u00e7\u00e3o privada, e isso ajuda a aumentar a imuniza\u00e7\u00e3o coletiva. Beneficia tamb\u00e9m as pessoas sem condi\u00e7\u00e3o financeira&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O que falta, diz ele, \u00e9 uma estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o eficiente para deixar claras as vantagens de se conjugar vacina\u00e7\u00e3o pelos setores p\u00fablico e privado.<\/p>\n<p>&#8220;Tem que haver um marketing republicano, leg\u00edtimo. E n\u00e3o o marketing populista, de n\u00e3o permitir a vacina\u00e7\u00e3o privada. \u00c9 preciso levar em conta quem mais est\u00e1 sofrendo com essa situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 o pobre que pega o \u00f4nibus que vai sofrer. Discursos pouco pragm\u00e1ticos n\u00e3o ajudam&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Um exemplo do que ele chama de discurso pouco pragm\u00e1tico, e muito ideol\u00f3gico, veio na rea\u00e7\u00e3o que se seguiu \u00e0 men\u00e7\u00e3o, no ano passado, de poss\u00edveis parcerias entre os setores p\u00fablico e privado na gest\u00e3o de postos de sa\u00fade. &#8220;A rea\u00e7\u00e3o foi desmedida. Era apenas um estudo de viabilidade&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Mas isso \u00e9 revelador, diz ele, sobre a dificuldade de se aceitar a presen\u00e7a do setor privado em alguns setores. &#8220;Qual a diferen\u00e7a entra a concess\u00e3o de uma rodovia e de um hospital? No caso da rodovia, a conta \u00e9 paga apenas por quem a utiliza, com ped\u00e1gios. Numa UBS [Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade], \u00e9 paga por todo mundo. O setor privado equipa, constr\u00f3i e presta servi\u00e7o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ele afirma que aos poucos tem diminu\u00eddo a resist\u00eancia \u00e0 presen\u00e7a do setor privado em \u00e1reas da chamada &#8220;bata cinza&#8221;, ou seja, servi\u00e7os como administra\u00e7\u00e3o, limpeza e seguran\u00e7a de unidades de sa\u00fade. O pr\u00f3ximo passo, diz, \u00e9 que isso se estenda para a &#8220;bata branca&#8221;, as atividades de sa\u00fade propriamente ditas.<\/p>\n<p>Outro problema, afirma, \u00e9 uma certa autossufici\u00eancia de \u00f3rg\u00e3os regulat\u00f3rios como a Anvisa (Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria), respons\u00e1vel pela aprova\u00e7\u00e3o de medicamentos e vacinas. N\u00e3o h\u00e1, diz Guidi, uma abertura a vis\u00f5es de mercado e do setor privado.<\/p>\n<p>&#8220;A Anvisa n\u00e3o pode ser t\u00e3o fechada que voc\u00ea n\u00e3o consiga capturar as melhores opini\u00f5es de especialistas, da sociedade, do mercado privado, das farmac\u00eauticas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Em resumo, diz ele, o Brasil tem muito medo do setor privado, e n\u00e3o apenas no caso da Anvisa.<\/p>\n<p>&#8220;Quando \u00e9 nomeado um diretor do mercado para uma ag\u00eancia, sempre se fala que essa pessoa est\u00e1 indo atender um interesse de mercado ou de empresas. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de atender aos interesses do mercado, mas sim de ter uma vis\u00e3o do mercado&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialista em gest\u00e3o da sa\u00fade, Silvio Guidi \u00e9 um dos que apontam a exist\u00eancia de um certo preconceito contra a presen\u00e7a do setor privado na \u00e1rea. 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