{"id":58301,"date":"2021-03-02T10:52:57","date_gmt":"2021-03-02T13:52:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=58301"},"modified":"2021-03-02T10:52:57","modified_gmt":"2021-03-02T13:52:57","slug":"variante-brasileira-emergiu-em-novembro-e-mais-transmissivel-e-pode-causar-reinfeccao-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/variante-brasileira-emergiu-em-novembro-e-mais-transmissivel-e-pode-causar-reinfeccao-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Variante brasileira emergiu em novembro, \u00e9 mais transmiss\u00edvel e pode causar reinfec\u00e7\u00e3o, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p><em>Em apenas sete semanas, a P.1. tornou-se a linhagem do Sars-CoV-2 mais prevalente no Amazonas, relatam pesquisadores.<\/em><\/p>\n<p>A variante brasileira do novo coronav\u00edrus \u2013 conhecida como P.1. ou variante de Manaus \u2013 provavelmente emergiu na capital amazonense em meados de novembro de 2020, cerca de um m\u00eas antes do n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es por s\u00edndrome respirat\u00f3ria aguda grave na cidade dar um salto.<\/p>\n<p>Em apenas sete semanas, a P.1. tornou-se a linhagem do Sars-CoV-2 mais prevalente na regi\u00e3o, relatam pesquisadores do Centro Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagn\u00f3stico, Gen\u00f4mica e Epidemiologia de Arbov\u00edrus (CADDE) em artigo divulgado em seu site na sexta-feira (27).<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es do grupo coordenado por Ester Sabino, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), e Nuno Faria, da Oxford University (Reino Unido), se baseiam na an\u00e1lise gen\u00f4mica de 184 amostras de secre\u00e7\u00e3o nasofar\u00edngea de pacientes diagnosticados com COVID-19 em um laborat\u00f3rio de Manaus entre novembro de 2020 e janeiro de 2021.<\/p>\n<p>Por meio de modelagem matem\u00e1tica, cruzando dados gen\u00f4micos e de mortalidade, a equipe do CADDE calcula que a P.1. seja entre 1,4 e 2,2 vezes mais transmiss\u00edvel que as linhagens que a precederam. Os cientistas estimam ainda que em parte dos indiv\u00edduos j\u00e1 infectados pelo Sars-CoV-2 \u2013 algo entre 25% e 61% \u2013 a nova variante seja capaz de driblar o sistema imune e causar uma nova infec\u00e7\u00e3o. O trabalho de modelagem foi feito em colabora\u00e7\u00e3o com pesquisadores do Imperial College London (Reino Unido).<\/p>\n<p>\u201cEsses n\u00fameros s\u00e3o uma aproxima\u00e7\u00e3o, pois se trata de um modelo. De qualquer modo, a mensagem que os dados passam \u00e9: mesmo quem j\u00e1 teve Covid-19 precisa continuar se precavendo. A nova cepa \u00e9 mais transmiss\u00edvel e pode infectar at\u00e9 mesmo quem j\u00e1 tem anticorpos contra o novo coronav\u00edrus. Foi isso que aconteceu em Manaus. A maior parte da popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 tinha imunidade e mesmo assim houve uma grande epidemia\u201d, diz Sabino \u00e0 Ag\u00eancia Fapesp.<\/p>\n<p>A pesquisa teve apoio da Fapesp\u00a0e est\u00e1 em processo de revis\u00e3o por pares.<\/p>\n<p>An\u00e1lises feitas pelo grupo em mais de 900 amostras coletadas no mesmo laborat\u00f3rio de Manaus, entre elas as 184 que foram sequenciadas, indicam que a carga viral presente na secre\u00e7\u00e3o dos pacientes foi aumentando \u00e0 medida que a variante P.1. tornou-se mais prevalente.<\/p>\n<p>De acordo com Sabino, \u00e9 comum no in\u00edcio de uma epidemia a carga viral dos infectados ser mais alta e baixar com o tempo. Por esse motivo, os pesquisadores n\u00e3o sabem ao certo se o aumento observado nas amostras analisadas pode ser explicado por um fator meramente epidemiol\u00f3gico ou se, de fato, ele indica que a P.1. consegue se replicar mais no organismo humano do que a linhagem anterior. \u201cEssa segunda op\u00e7\u00e3o parece bastante prov\u00e1vel e explicaria por que a transmiss\u00e3o da nova cepa \u00e9 mais r\u00e1pida\u201d, comenta a pesquisadora.<\/p>\n<p>Outro estudo divulgado tamb\u00e9m na sexta-feira (27) por pesquisadores da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) Amaz\u00f4nia indica que em indiv\u00edduos infectados com a P.1. a carga viral no organismo pode ser at\u00e9 dez vezes mais alta.<\/p>\n<p>No artigo do CADDE, os pesquisadores relatam que, at\u00e9 24 de fevereiro de 2021, a variante P.1. j\u00e1 havia sido detectada em seis Estados brasileiros, que ao todo receberam 92 mil passageiros a\u00e9reos de Manaus em novembro de 2020. Desses, a maior parte teve S\u00e3o Paulo como destino (pouco mais de 30 mil). Na sequ\u00eancia vieram outras cidades do Amazonas, Par\u00e1, Rond\u00f4nia, Cear\u00e1 e Roraima. Segundo os autores, portanto, \u00e9 prov\u00e1vel que tenha havido m\u00faltiplas introdu\u00e7\u00f5es da nova variante nesses Estados.<\/p>\n<p><strong>Muta\u00e7\u00f5es-chave<\/strong><br \/>\nO sequenciamento do genoma viral das 184 amostras foi feito com uma tecnologia conhecida como MinION, que por ser port\u00e1til e barata possibilita fazer estudos que ajudam a entender o processo de evolu\u00e7\u00e3o do v\u00edrus.<\/p>\n<p>Por uma t\u00e9cnica gen\u00f4mica chamada rel\u00f3gio molecular, os pesquisadores conclu\u00edram que a P.1. descende da cepa B.1.128, que foi identificada pela primeira vez em Manaus em mar\u00e7o de 2020. Quando comparada \u00e0 linhagem-m\u00e3e, a variante P.1. apresenta 17 muta\u00e7\u00f5es, sendo dez na prote\u00edna spike \u2013 usada pelo v\u00edrus para se conectar com a prote\u00edna ACE-2 existente na superf\u00edcie das c\u00e9lulas humanas e viabilizar a infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tr\u00eas muta\u00e7\u00f5es s\u00e3o consideradas mais importantes \u2013 a N501Y, a K417T e a E484K \u2013, pois se localizam na ponta da prote\u00edna spike, em uma regi\u00e3o conhecida como RBD (sigla em ingl\u00eas para dom\u00ednio de liga\u00e7\u00e3o ao receptor). \u00c9 nesse local que ocorre a liga\u00e7\u00e3o entre o v\u00edrus e a c\u00e9lula humana.<\/p>\n<p>Segundo Sabino, essas tr\u00eas muta\u00e7\u00f5es-chave s\u00e3o id\u00eanticas \u00e0s encontradas na variante mais transmiss\u00edvel reportada na \u00c1frica do Sul (B.1.351). J\u00e1 a variante de preocupa\u00e7\u00e3o descoberta no Reino Unido (B.1.1.7.) apresenta apenas a muta\u00e7\u00e3o E484K na regi\u00e3o RBD. Para os autores, os dados indicam ter havido um processo de evolu\u00e7\u00e3o convergente, ou seja, determinadas muta\u00e7\u00f5es que conferem vantagem ao v\u00edrus surgiram paralelamente em linhagens de diferentes regi\u00f5es geogr\u00e1ficas. Por sele\u00e7\u00e3o natural essas variantes foram se sobressaindo \u00e0s linhagens anteriormente predominantes nesses locais.<\/p>\n<p>No caso da P.1., relatam os autores, houve um per\u00edodo de r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o molecular e ainda n\u00e3o se sabe por qu\u00ea. \u201cSurgiram de repente v\u00e1rias muta\u00e7\u00f5es que facilitam a transmiss\u00e3o do v\u00edrus, algo incomum. Para se ter ideia, a cepa P.2., que tamb\u00e9m descende da B.1.128, apresenta apenas uma muta\u00e7\u00e3o desse tipo\u201d, conta Sabino.<\/p>\n<p>Uma das poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es para o fen\u00f4meno, segundo a pesquisadora, \u00e9 o v\u00edrus ter tido mais tempo para evoluir ao infectar um paciente com o sistema imune comprometido.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 que vacinas eficazes estejam dispon\u00edveis para todos, as interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o farmacol\u00f3gicas [distanciamento social, uso de m\u00e1scara e higiene das m\u00e3os] continuam sendo necess\u00e1rias e importantes para reduzir a emerg\u00eancia de novas variantes\u201d, ressaltam os pesquisadores do CADDE.<\/p>\n<p>Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em apenas sete semanas, a P.1. tornou-se a linhagem do Sars-CoV-2 mais prevalente no Amazonas, relatam pesquisadores. A variante brasileira do novo coronav\u00edrus \u2013 conhecida como P.1. ou variante de Manaus \u2013 provavelmente emergiu na capital amazonense em meados de novembro de 2020, cerca de um m\u00eas antes do n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es por s\u00edndrome respirat\u00f3ria [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[]},"categories":[9],"tags":[1420,1490,82],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58301"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58301"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58301\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58302,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58301\/revisions\/58302"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}