{"id":59463,"date":"2021-04-30T13:16:35","date_gmt":"2021-04-30T16:16:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=59463"},"modified":"2021-04-30T13:16:35","modified_gmt":"2021-04-30T16:16:35","slug":"parana-ja-tem-mais-de-90-mil-casos-de-pacientes-com-sequelas-pos-covid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/parana-ja-tem-mais-de-90-mil-casos-de-pacientes-com-sequelas-pos-covid\/","title":{"rendered":"Paran\u00e1 j\u00e1 tem mais de 90 mil casos de pacientes com sequelas p\u00f3s-covid"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Desde mar\u00e7o de 2020, quando a pandemia do novo coronav\u00edrus come\u00e7ou a assolar o Paran\u00e1, 937.364 paranaenses contra\u00edram a Covid-19, sendo que 22.806 (2%) acabaram falecendo e outros 675.526 (72%) s\u00e3o considerados recuperados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre esses, por\u00e9m, h\u00e1 um n\u00famero consider\u00e1vel de pacientes que ainda sofrem com os efeitos da infec\u00e7\u00e3o. \u00c9 que a doen\u00e7a pand\u00eamica, j\u00e1 se sabe, tem deixado sequelas, algo que acontece com uma frequ\u00eancia consideravelmente grande, ao que tudo indica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), cerca de uma em cada 10 pessoas tem problemas de sa\u00fade persistentes 12 semanas ap\u00f3s ter Covid-19. No pa\u00eds, ent\u00e3o, a estimativa \u00e9 que as sequelas deixadas pelo Sars-CoV-2 j\u00e1 atingem aproximadamente 1,4 milh\u00e3o de brasileiros, sendo que s\u00f3 no Paran\u00e1, seriam mais de 90 mil nessas condi\u00e7\u00f5es. Trata-se, basicamente, de uma nova demanda se desdobrando dentro da crise sanit\u00e1ria, provocando uma sobrecarga ainda maior num sistema de sa\u00fade j\u00e1 colapsado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e0 toa, uma sondagem divulgada na \u00faltima semana pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Munic\u00edpios (CNM) revelou que 167 das 241 cidades paranaenses pesquisadas (69,3% do total) j\u00e1 implantaram ou pretendem implantar servi\u00e7os de reabilita\u00e7\u00e3o para acompanhamento dos pacientes p\u00f3s-covid.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos 215 munic\u00edpios que j\u00e1 t\u00eam esse servi\u00e7o m\u00e9dico, a maioria (35,8%) oferece o atendimento nas unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade, 17,2% em centros especializados, 7% em hospitais municipais, 6,5% em servi\u00e7os privados contratados e 4,2% em hospitais estaduais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Curitiba, o Hospital de Cl\u00ednicas da UFPR\/Ebserh e o Hospital Universit\u00e1rio Cajuru est\u00e3o oferecendo tratamento especializado pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) para pacientes com sequelas da Covid-19. Segundo o gerente m\u00e9dico do Hospital Cajuru, Jos\u00e9 Augusto Ribas Fortes, h\u00e1 um maior \u00edndice de pacientes com fadiga cr\u00f4nica, dificuldade cognitiva, persist\u00eancia de dores no corpo e sequelas psicol\u00f3gicas como transtorno do estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEssa doen\u00e7a t\u00e3o nova tem nos mostrado desafios di\u00e1rios. No primeiro momento, passamos pela complexidade de entender as formas de cont\u00e1gio, depois veio a luta para encontrar os melhores tratamentos (situa\u00e7\u00e3o que ainda segue) e agora precisamos avaliar as sequelas e as melhores formas de trat\u00e1-las\u201d, analisa o especialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, por\u00e9m, o atendimento a esses pacientes ocorre em ambulat\u00f3rio. No Hospital Cajuru, por exemplo, o servi\u00e7o \u00e9 prestado \u00e0s quintas-feiras, no per\u00edodo da tarde. J\u00e1 no Hospital de Cl\u00ednicas, h\u00e1 a inten\u00e7\u00e3o de se criar um Centro Multidisciplinar para tratamento e reabilita\u00e7\u00e3o dos sobreviventes da doen\u00e7a pand\u00eamica. A iniciativa ser\u00e1 viabilizada parte com recursos da Megamania e por meio da campanha de arrecada\u00e7\u00e3o \u201cO HC Precisa de Voc\u00ea \u2013 Centro P\u00f3s-Covid\u201d, promovida pelos Amigos do HC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Atendimento centralizado e aten\u00e7\u00e3o multidisciplinar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Hospital de Cl\u00ednicas, o atendimento aos pacientes p\u00f3s-covid \u00e9 ofertado de sde meados do ano passado. Inicialmente, por\u00e9m, esse servi\u00e7o era feito em cl\u00ednicas separadas. Ou seja, a pessoa primeira era atendida por um fisioterapeuta, depois por um pneumologista e assim por diante. Agora, a institui\u00e7\u00e3o trabalha para conseguir centralizar todos os servi\u00e7os num s\u00f3 local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEstamos fazendo num espa\u00e7o s\u00f3. Como \u00e9 um paciente que exige cuidado especial, estamos fazendo tratamento integral. Numa consulta, ele passa por v\u00e1rias especialidades e vemos o que realmente ele necessita at\u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o total\u201d, explica Claudete Reggiani, Superintende do Complexo do Hospital de Cl\u00ednicas da UFPR\/Ebserh. \u201cComo est\u00e1vamos com limita\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o [no Complexo HC], para come\u00e7ar um novo servi\u00e7o a Associa\u00e7\u00e3o Amigos do HC est\u00e1 alugando um im\u00f3vel aqui perto para gente poder oferecer esse novo servi\u00e7o\u201c, complementa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no Hospital Cajuru, o atendimento a esses pacientes \u00e9 feito no ambulat\u00f3rio p\u00f3s-Covid, no bairro Rebou\u00e7as. Segundo a Dra. Cristina Baena, pesquisadora do ambulat\u00f3rio, os pacientes s\u00e3o encaminhados por outros hospitais da cidade ou mesmo pelas unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade e, ao chegar, passam por um exame bastante amplo, para se avaliar todas as poss\u00edveis sequelas e orientar os tratamentos e terapias adequadas para a recupera\u00e7\u00e3o da qualidade de vida do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO paciente passa pela pneumologia e a cl\u00ednica m\u00e9dica, a fisioterapia faz avalia\u00e7\u00e3o funcional, respirat\u00f3ria, a psicologia faz triagem de depress\u00e3o, ansiedade, estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico, e ele ainda passa pela neuro-psicologia, para fazer testes de fun\u00e7\u00e3o cognitiva, e solicitamos o retorno em tr\u00eas meses. Se for identificada alguma sequela ou necessidade de encaminhamento para ambulat\u00f3rio de especialidade, a qualquer momento podemos encaminhar esse paciente\u201d, explica a Dra. Baena, comentando ainda que muitos dos pacientes que chegam ao ambulat\u00f3rio s\u00e3o jovens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 a menor parte, felizmente, que evolui com sequelas, mas em torno de 30 a 40% dos pacientes de ambulat\u00f3rio v\u00e3o precisar de tratamento especializado. Muitos s\u00e3o jovens, em fase produtiva, ent\u00e3o \u00e9 importante que recuperem a capacidade de trabalhar, de se relacionar normalmente\u201d, destaca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A luta para recuperar a vida de antes da doen\u00e7a pand\u00eamica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dos dados da OMS, a Dra. Cristina Baena cita ainda uma pesquisa divulgada recentemente na revista Nature para apontar que entre 7 e 8% dos pacientes que tiveram Covid-19, independente da gravidade, apresentar\u00e3o algum sintoma persistente ou algum problema posterior \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o pelo novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 uma enorme propor\u00e7\u00e3o de pessoas, considerando todos os casos de Covid, e tem at\u00e9 casos de pacientes assintom\u00e1ticos que come\u00e7am a apresentar sintomas depois, como queda de cabelo e altera\u00e7\u00f5es na pele\u201d, aponta a especialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre esses pacientes acometidos pela p\u00f3s-Covid, entre 30 e 40% sofrer\u00e1 com os sintomas (persistentes ou novos) por mais de 30 dias (nalguns casos at\u00e9 mais de tr\u00eas meses) e demandar\u00e3o aten\u00e7\u00e3o especializada, ou seja, um tratamento mais prolongado. Via de regra, os casos mais graves s\u00e3o os que envolvem comprometimento da fun\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm fun\u00e7\u00e3o da fibrose pulmonar, da trombose nesses pacientes [que tiveram quadros mais graves de Covid], eles ficam com uma limita\u00e7\u00e3o, uma dificuldade de saturar os n\u00edvels normais de oxig\u00eanio, sem o aux\u00edlio de um cilindro\u201d, comenta a Dra. Baena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um desses casos \u00e9 o de Aguinaldo Cust\u00f3dio Franco da Rosa, de 43 anos. Ap\u00f3s ser contaminado pelo novo coronav\u00edrus, ele ficou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por quatro semanas. J\u00e1 recuperado da doen\u00e7a pand\u00eamica, hoje tem como maior desafio conseguir respirar sem oxig\u00eanio. Para onde ele vai, leva o carrinho com um cilindro junto. Para se recuperar, faz acompanhamento com fisioterapeuta, que avalia a sua respira\u00e7\u00e3o durante uma caminhada de seis minutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a manicure Ruthe Plefka, de 59 anos, ficou intubada por oito dias ap\u00f3s pegar a Covid-19. Depois de receber a alta hospitalar, come\u00e7ou a luta para superar as marcas deixadas pelo novo coronav\u00edrus para recuperar o equil\u00edbrio e voltar a andar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando eu sa\u00ed do hospital, eu n\u00e3o conseguia nem ficar em p\u00e9. Perdi muita massa muscular no tempo que fiquei internada e, com isso, s\u00f3 ia de um lugar para outro com ajuda de um andador ou cadeira de rodas. Nos primeiros dias em casa, at\u00e9 para tomar banho eu precisava de ajuda e o aux\u00edlio de uma cadeira apropriada\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do impacto f\u00edsico, o abalo psicol\u00f3gico tem se mostrado uma das grandes sequelas para aqueles que passam pelos sintomas mais graves da Covid-19 e o acompanhamento especializado \u00e9 essencial nessa nova fase.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu fui para o ambulat\u00f3rio do Hospital Cajuru algumas semanas ap\u00f3s receber alta e me surpreendi com o atendimento. Foram cerca de oito m\u00e9dicos especializados em \u00e1reas diferentes que me atenderam da melhor forma poss\u00edvel. Para mim, foi extremamente importante ter esse acompanhamento porque eu estava muito preocupada com as sequelas que poderiam ficar e pude fazer todos os exames de forma gratuita. Para aqueles que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de pagar pelo servi\u00e7o, \u00e9 essencial. Al\u00e9m disso, pude conversar com a psic\u00f3loga. Hoje meu maior medo \u00e9 pegar Covid-19 de novo e voltar para a UTI\u201d, revela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dimensionar impacto da p\u00f3s-Covid na Sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Claudete Reggiani e Cristina Baena, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dimensionar precisamente qual ser\u00e1 o impacto dos pacientes p\u00f3s-Covid no sistema de sa\u00fade. \u201cIsso \u00e9 muma coisa que n\u00e3o conseguimos dimensionar neste momento. Estamos come\u00e7ando a estimar o tamanho do impacto\u201d, diz Baena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNingu\u00e9m sabe ainda, mas calculamos que vai ser um processo entre um a dois anos [atendendo os pacientes p\u00f3s-Covid mesmo ap\u00f3s o fim da pandemia]. T\u00e3o breve n\u00e3o vai ser\u201d, complementa Reggiani.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A boa not\u00edcia, por outro lado, \u00e9 que mesmo os pacientes que t\u00eam a persist\u00eancia de sintomas, em sua grande maioria, j\u00e1 est\u00e1 perto de uma resolu\u00e7\u00e3o do problema ap\u00f3s tr\u00eas meses. Entretanto, o acompanhamento dessas pessoas \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPorque j\u00e1 tem estudos grandes, nos Estados Unidos e na Inglaterra, mostrando que esses pacientes t\u00eam uma necessidade maior do sistema de sa\u00fade, fazem mais consultas do que pacientes acometidos por outras doen\u00e7as, como o H1N1, e tem um risco aumentado de evento adverso, como trombose pulmonar e at\u00e9 \u00f3bito nos primeiros meses ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o [pelo novo coronav\u00edrus]\u201d, cita ainda a Dra. Baena, fazendo um apelo pela unifica\u00e7\u00e3o dos dados de todos os ambulat\u00f3rios de Curitiba e no Brasil, de forma a municiar os profissionais de sa\u00fade com mais e mais informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sintomas p\u00f3s-Covid mais comuns:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">90% dos pacientes ainda apresentam fadiga<br \/>\n75% perda de peso<br \/>\n70% dispneia<br \/>\n70% dores musculares<br \/>\n40% Altera\u00e7\u00f5es da fun\u00e7\u00e3o cognitiva<br \/>\n30% altera\u00e7\u00f5es gastrointestinais<br \/>\n30% altera\u00e7\u00e3o no olfato e paladar<br \/>\n30% cefaleia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nFonte:\u00a0Sindicato dos M\u00e9dicos no Estado do Paran\u00e1 (Simepar)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde mar\u00e7o de 2020, quando a pandemia do novo coronav\u00edrus come\u00e7ou a assolar o Paran\u00e1, 937.364 paranaenses contra\u00edram a Covid-19, sendo que 22.806 (2%) acabaram falecendo e outros 675.526 (72%) s\u00e3o considerados recuperados. 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