{"id":59535,"date":"2021-05-05T10:04:22","date_gmt":"2021-05-05T13:04:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=59535"},"modified":"2021-05-05T10:04:22","modified_gmt":"2021-05-05T13:04:22","slug":"estudo-mostra-que-subnotificacao-dos-casos-de-covid-esconde-ate-30-das-mortes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/estudo-mostra-que-subnotificacao-dos-casos-de-covid-esconde-ate-30-das-mortes\/","title":{"rendered":"Estudo mostra que subnotifica\u00e7\u00e3o dos casos de Covid esconde at\u00e9 30% das mortes"},"content":{"rendered":"<p><em>Se eles fossem considerados, o Brasil j\u00e1 estaria com 530 mil mortos, considerando que no \u00faltimo domingo (2) computava 407 mil.<\/em><\/p>\n<p>A subnotifica\u00e7\u00e3o dos casos graves e mortes de Covid-19, principalmente pela falta de testes de diagn\u00f3sticos, est\u00e1 &#8220;escondendo&#8221; ao menos 30% de \u00f3bitos que n\u00e3o aparecem nas estat\u00edsticas oficiais. Se eles fossem considerados, o Brasil j\u00e1 estaria com 530 mil mortos, considerando que no \u00faltimo domingo (2) computava 407 mil.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 de um estudo da iniciativa Vital Strategies, com base no Sivep-Gripe, principal banco de dados nacional de S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave (SRAG).<\/p>\n<p>O trabalho buscou os casos e mortes de SRAG desde o in\u00edcio da pandemia que aparecem na estat\u00edstica oficial como &#8220;etiologia n\u00e3o especificada ou sem classifica\u00e7\u00e3o final para Covid&#8221;, ou seja, n\u00e3o houve identifica\u00e7\u00e3o do agente que causou a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Os dados foram comparados \u00e0 s\u00e9rie hist\u00f3rica de registros nos anos anteriores \u00e0 pandemia (2018 e 2019) e subtra\u00eddos os n\u00fameros m\u00e9dios observados nessas categorias.<\/p>\n<p>At\u00e9 o \u00faltimo dia 19 de abril, os resultados foram os seguintes: um aumento de 57,4% (de 1.098.254 para 1.728.955) para os casos graves de SRAG e de 29,9% (356.536 para 462.973) para os \u00f3bitos.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o tem outra explica\u00e7\u00e3o [se n\u00e3o a Covid] para um aumento t\u00e3o grande casos e \u00f3bitos [por SRAG]. N\u00e3o h\u00e1 outro v\u00edrus respirat\u00f3rio agudo agindo concomitantemente ao Sars-CoV-2&#8221;, diz a pesquisadora Ana Luiza Bierrenbach, conselheira t\u00e9cnica s\u00eanior da Vital Stratregies e autora do estudo.<\/p>\n<p>Nos casos confirmados de Covid-19, 96% tinham diagn\u00f3stico atestando a infec\u00e7\u00e3o. Nos demais casos de SRAG, 70% tinham algum teste, mas o resultado foi negativo ou ficou faltando o dado de confirma\u00e7\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;A\u00ed voc\u00ea me pergunta se mesmo diante desse resultado, a gente est\u00e1 afirmando que \u00e9 Covid? Eu digo que sim&#8221;, afirma.<br \/>\nEla diz que existem diferentes testes diagn\u00f3sticos no mercado, com sensibilidade que n\u00e3o \u00e9 plena. Tamb\u00e9m houve muitos casos de SRAG com testes de PCR negativo, mas que tinham achados cl\u00ednicos e radiol\u00f3gicos compat\u00edveis com Covid-19.<\/p>\n<p>Em outros, havia liga\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica (algu\u00e9m pr\u00f3ximo, por exemplo) com casos confirmados por laborat\u00f3rio.<br \/>\nBierrenbach tamb\u00e9m explica que a positividade do teste de PCR\/ant\u00edgeno diminui conforme aumenta o tempo entre o in\u00edcio dos sintomas e a interna\u00e7\u00e3o ou morte.<\/p>\n<p>&#8220;A doen\u00e7a tem algumas fases. Na fase replicativa, \u00e9 poss\u00edvel encontrar o v\u00edrus na naso ou orofaringe. Depois o v\u00edrus vai para os tecidos e voc\u00ea n\u00e3o consegue mais fazer um diagn\u00f3stico s\u00f3 com o swab nasal [amostra colhida no nariz]. E, \u00e0s vezes, a doen\u00e7a j\u00e1 progrediu tanto que o v\u00edrus nem est\u00e1 mais presente nos tecidos.&#8221;<\/p>\n<p>A pesquisadora lembra que no guia de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gico brasileiro e nas recomenda\u00e7\u00f5es da OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) existe a possibilidade de alocar um diagn\u00f3stico de Covid mesmo para as pessoas que n\u00e3o tenham a confirma\u00e7\u00e3o de um teste. &#8220;N\u00e3o \u00e9 inven\u00e7\u00e3o nossa.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Bierrenbach, a metodologia usada deu um desconto para o n\u00famero de casos e \u00f3bitos por SRAG que permanecem inespecificados todos os anos por falta de investimentos em testagem laboratorial nos pronto-socorros.<\/p>\n<p>&#8220;No Chile, a crian\u00e7a chega com um quadro respirat\u00f3rio no hospital e eles j\u00e1 fazem um painel viral para identificar [o agente]. No Brasil, muitos casos ficam sem diagn\u00f3stico etiol\u00f3gico.&#8221;<\/p>\n<p>O estudo ajustou uma outra vari\u00e1vel: o aumento de hospitais que passaram a notificar as interna\u00e7\u00f5es e os \u00f3bitos por SRAG. Em 2019, eram 2.641 unidades notificadoras em 935 munic\u00edpios. Em 2020, esse n\u00famero chegou a 6.621, representando 61,8% do total de 5.570 munic\u00edpios brasileiros.<\/p>\n<p>&#8220;Fazendo esses descontos, a gente acha que todos os outros casos s\u00e3o Covid. [A subnotifica\u00e7\u00e3o] est\u00e1 no pa\u00eds inteiro. N\u00e3o \u00e9 localizada numa regi\u00e3o s\u00f3 e nem numa \u00fanica faixa et\u00e1ria, embora nas crian\u00e7as a corre\u00e7\u00e3o tenha sido maior.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, na faixa et\u00e1ria at\u00e9 um ano de vida, foram registradas 567 mortes atribu\u00eddas \u00e0 Covid. Com o ajuste, elas subiram para 1.397. Entre 1 e 4 anos, a diferen\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 grande. Foram reportadas 230 e, com a reclassifica\u00e7\u00e3o, elas agora somam 498. Entre 5 e 9 anos, passaram de 143 para 321.<\/p>\n<p>&#8220;No in\u00edcio da pandemia, n\u00e3o existia essa suspeita de que os casos eram Covid. A manifesta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica da doen\u00e7a nas crian\u00e7as \u00e9 at\u00edpica, \u00e0s vezes aparece depois dos sintomas virais e progride rapidamente para uma doen\u00e7a de maior gravidade e at\u00e9 mesmo \u00f3bito.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ela, por conta da baixa testagem, est\u00e1 se perdendo chance de fazer diagn\u00f3stico precoce e, muitas vezes, as pessoas se internam tardiamente, quando a testagem j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o efetiva.<\/p>\n<p>&#8220;A\u00ed fica assim. Parece Covid, cheira a Covid, tem sintoma de Covid, tem v\u00ednculo epidemiol\u00f3gico, mas n\u00e3o tem confirma\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica.&#8221;<\/p>\n<p>Para a pesquisadora, a falha em classificar os casos e mortes sem diagn\u00f3stico de laborat\u00f3rio \u00e9 um problema importante e deveria ser tratado com melhor treinamento ou a permiss\u00e3o da notifica\u00e7\u00e3o desses registros n\u00e3o como confirmados para Covid-19, mas como &#8220;prov\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n<p>Na Inglaterra, por exemplo, os servi\u00e7os de sa\u00fade consideram mortes por Covid at\u00e9 28 dias ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Isso pegaria, por exemplo, eventuais mortes card\u00edacas ou neurol\u00f3gicas ocorridas por sequelas da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Aqui no Brasil, n\u00e3o. A gente est\u00e1 basicamente usando uma confirma\u00e7\u00e3o laboratorial. Isso em um pa\u00eds que n\u00e3o tem testagem ou a testagem chega tarde.&#8221;<\/p>\n<p>Bierrenbach diz que a corre\u00e7\u00e3o de casos e mortes feitas no estudo n\u00e3o surpreendeu a equipe. &#8220;Os n\u00fameros s\u00e3o chocantes, mas a gente j\u00e1 achava que n\u00e3o tinha outra explica\u00e7\u00e3o para esse n\u00famero e casos inespecificados t\u00e3o grande. Muitos pesquisadores j\u00e1 estavam com a pulga atr\u00e1s da orelha. O nosso m\u00e9rito foi dar voz a isso.&#8221;<\/p>\n<p>Ela afirma que a pesquisa \u00e9 at\u00e9 conservadora porque n\u00e3o leva em conta os casos leves diagnosticados, casos graves que n\u00e3o tiveram acesso ao diagn\u00f3stico, eventuais \u00f3bitos que ocorreram em casa ou ainda mortes em consequ\u00eancia da Covid (um infarto, por exemplo) depois de interna\u00e7\u00e3o prolongada.<\/p>\n<p>&#8220;Isso tudo n\u00e3o est\u00e1 contabilizado nos nossos n\u00fameros. Se come\u00e7armos a somar, vai longe. Os n\u00fameros s\u00e3o assustadores. Espero que eles sensibilizem a popula\u00e7\u00e3o e os nossos governantes.&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se eles fossem considerados, o Brasil j\u00e1 estaria com 530 mil mortos, considerando que no \u00faltimo domingo (2) computava 407 mil. A subnotifica\u00e7\u00e3o dos casos graves e mortes de Covid-19, principalmente pela falta de testes de diagn\u00f3sticos, est\u00e1 &#8220;escondendo&#8221; ao menos 30% de \u00f3bitos que n\u00e3o aparecem nas estat\u00edsticas oficiais. 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