{"id":59554,"date":"2021-05-05T13:30:07","date_gmt":"2021-05-05T16:30:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=59554"},"modified":"2021-05-05T13:30:07","modified_gmt":"2021-05-05T16:30:07","slug":"o-que-a-ciencia-ja-sabe-sobre-a-relacao-entre-covid-19-e-grupos-sanguineos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/o-que-a-ciencia-ja-sabe-sobre-a-relacao-entre-covid-19-e-grupos-sanguineos\/","title":{"rendered":"O que a ci\u00eancia j\u00e1 sabe sobre a rela\u00e7\u00e3o entre Covid-19 e grupos sangu\u00edneos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisadores buscam entender se a capacidade de infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus e o agravamento da doen\u00e7a podem estar relacionados aos diferentes tipos de sangue<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compreender os fatores que podem ser determinantes para o desenvolvimento de uma infec\u00e7\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia essencial para o enfrentamento de qualquer doen\u00e7a. Desde o in\u00edcio da pandemia de Covid-19, cientistas em todo mundo investigam as diferentes maneiras que o SARS-CoV-2 afeta o organismo humano. Parte dessas pesquisas considera se os diferentes grupos sangu\u00edneos (A, B, AB e O) podem ter papel relevante diante da Covid-19.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo especialistas consultados pela CNN Brasil, n\u00e3o h\u00e1 um consenso entre a comunidade cient\u00edfica, at\u00e9 o momento, sobre a rela\u00e7\u00e3o entre os diferentes tipos de sangue e quest\u00f5es-chave como a capacidade de infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus, o agravamento da doen\u00e7a e o risco de morte. Mas a ci\u00eancia j\u00e1 tem algumas pistas que ajudam a responder \u00e0s d\u00favidas mais comuns:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 \u2013 Pessoas do grupo sangu\u00edneo tipo A t\u00eam maior chance de infec\u00e7\u00e3o pela Covid-19 do que os demais?<\/strong><br \/>\nParcialmente verdade. Em mar\u00e7o de 2020, no in\u00edcio da pandemia, um dos primeiros estudos sobre o tema, conduzido por pesquisadores da China, indicou que haveria uma chance maior de infec\u00e7\u00e3o pelo novo coronav\u00edrus entre os indiv\u00edduos com sangue tipo A, enquanto pessoas com sangue tipo O foram consideradas, inicialmente, mais protegidas. A pesquisa avaliou 2.173 pacientes, de tr\u00eas hospitais em Wuhan e Shenzhen.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisadora Mar\u00edlia Rabelo Buzalaf, do Departamento de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP), chama aten\u00e7\u00e3o para um estudo mais recente publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico Annals of Hematology, em mar\u00e7o, que apresentou uma revis\u00e3o da literatura com base em 23 pesquisas que avaliaram a associa\u00e7\u00e3o entre os tipos sangu\u00edneos e a Covid-19.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA revis\u00e3o concluiu que a maioria dos estudos relata que o maior risco de suscetibilidade \u00e0 infec\u00e7\u00e3o est\u00e1 nos indiv\u00edduos do tipo A. Alguns estudos apontam que as pessoas do grupo sangu\u00edneo B tamb\u00e9m s\u00e3o mais vulner\u00e1veis. Por outro lado, o grupo sangu\u00edneo O est\u00e1 mais protegido contra a infec\u00e7\u00e3o por Covid-19\u201d, explica Mar\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 outro estudo realizado por cientistas norte-americanos publicado no peri\u00f3dico Journal of the American Medical Association (JAMA), no dia 5 de abril, apontou que n\u00e3o foram encontradas quaisquer associa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas entre o grupo sangu\u00edneo e a doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a pesquisadora Cynthia Cardoso, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a varia\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia dos grupos sangu\u00edneos entre as diferentes popula\u00e7\u00f5es e a forma como os estudos s\u00e3o estruturados dificultam a forma\u00e7\u00e3o de um consenso sobre a quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPara se ter certeza de que existe um risco aumentado de qualquer grupo sangu\u00edneo contrair a infec\u00e7\u00e3o, seria preciso ter uma popula\u00e7\u00e3o controlada, igualmente exposta e com todos os grupos sangu\u00edneos bem representados. Um estudo com uma popula\u00e7\u00e3o naturalmente exposta, como profissionais de sa\u00fade, por exemplo, poderia esclarecer se h\u00e1 realmente uma frequ\u00eancia maior de infectados entre aqueles que s\u00e3o do grupo A\u201d, ressalta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 \u2013 O tipo sangu\u00edneo \u00e9 um fator relevante para o agravamento da doen\u00e7a?<\/strong><br \/>\nParcialmente verdade. A correla\u00e7\u00e3o entre o tipo sangu\u00edneo e a gravidade ou mortalidade por Covid-19 \u00e9 ponto de diverg\u00eancia entre diferentes grupos de pesquisa. No artigo de revis\u00e3o publicado na revista Annals of Hematology, a maior parte dos estudos aponta que os tipos A e AB t\u00eam um risco maior de agravamento, enquanto o tipo sangu\u00edneo O tem menor risco de doen\u00e7a grave ou morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um amplo estudo de associa\u00e7\u00e3o gen\u00f4mica publicado na revista The New England Journal of Medicine, em outubro de 2020, identificou uma rela\u00e7\u00e3o entre quadros de insufici\u00eancia respirat\u00f3ria e polimorfismos (varia\u00e7\u00f5es fenot\u00edpicas) em uma regi\u00e3o espec\u00edfica do genoma e um potencial envolvimento dos grupos sangu\u00edneos. O trabalho reuniu quase 2 mil pacientes de sete hospitais localizados na It\u00e1lia e na Espanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pesquisadores observaram uma associa\u00e7\u00e3o das falhas respirat\u00f3rias com a presen\u00e7a de polimorfismos em uma regi\u00e3o espec\u00edfica do genoma. Pessoas com o tipo sangu\u00edneo A, que tinham esse polimorfismo, tinham tamb\u00e9m mais chance de apresentar falha respirat\u00f3ria, enquanto as do grupo O, se mostraram mais protegidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 insufici\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse \u00e9 mais um dado a favor da exist\u00eancia de uma associa\u00e7\u00e3o entre o grupo sangu\u00edneo e as chances de agravamento da Covid-19, que corrobora os dados epidemiol\u00f3gicos que os outros estudos t\u00eam mostrado\u201d, afirma Mar\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisadora da UFRJ, Cynthia Cardoso, reitera que os resultados encontrados ainda s\u00e3o conflitantes. \u201cN\u00e3o existe um consenso. N\u00e3o conseguimos afirmar que um determinado grupo sangu\u00edneo \u00e9 fator de risco para o desenvolvimento de formas mais severas da Covid-19, para uma chance maior de interna\u00e7\u00e3o ou de intuba\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 &#8211; O tipo sangu\u00edneo est\u00e1 relacionado a mais casos de reinfec\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nMito. Segundo os especialistas, n\u00e3o h\u00e1 nenhum estudo cient\u00edfico que apresente dados sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o grupo sangu\u00edneo e os casos de reinfec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4- Devo me preocupar com meu tipo sangu\u00edneo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Covid-19<\/strong><br \/>\nMito. Para a pesquisadora da UFRJ, o cuidado com a Covid-19 deve ser refor\u00e7ado por indiv\u00edduos com comorbidades comprovadas cientificamente como fator de desenvolvimento da forma grave da doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cExistem muitos outros fatores com impacto significativo para o risco de doen\u00e7a grave que j\u00e1 s\u00e3o conhecidos, como idade avan\u00e7ada, cardiopatias, diabetes e obesidade m\u00f3rbida. Todos esses fatores t\u00eam uma contribui\u00e7\u00e3o muito mais evidente no desenvolvimento de formas graves da Covid-19&#8243;, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisadores refor\u00e7a que com o conhecimento apenas do grupo sangu\u00edneo n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer se uma pessoa est\u00e1 mais protegida ou mais vulner\u00e1vel. O cuidado e a preven\u00e7\u00e3o devem ser os mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o m\u00e9dico Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), independentemenrte do grupo sangu\u00edneo, o momento exige o refor\u00e7o por toda a popula\u00e7\u00e3o dos cuidados de preven\u00e7\u00e3o, que incluem a lavagem regular das m\u00e3os, o uso correto de m\u00e1scaras, a higieniza\u00e7\u00e3o das m\u00e3os com \u00e1lcool gel e a manuten\u00e7\u00e3o do distanciamento social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAlguns estudos mostram que o SARS-CoV-2 poderia se prender mais facilmente nas c\u00e9lulas das vias a\u00e9reas de pessoas do tipo sangu\u00edneo A, em compara\u00e7\u00e3o a outras com tipo sangu\u00edneo B ou O. No entanto, ainda n\u00e3o se pode afirmar com certeza pois s\u00e3o resultados preliminares. Outros estudos est\u00e3o sendo feitos para elucidar essa quest\u00e3o\u201d, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: CNN Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores buscam entender se a capacidade de infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus e o agravamento da doen\u00e7a podem estar relacionados aos diferentes tipos de sangue Compreender os fatores que podem ser determinantes para o desenvolvimento de uma infec\u00e7\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia essencial para o enfrentamento de qualquer doen\u00e7a. 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