{"id":60687,"date":"2021-07-20T09:18:45","date_gmt":"2021-07-20T12:18:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=60687"},"modified":"2021-07-20T09:18:45","modified_gmt":"2021-07-20T12:18:45","slug":"reforco-de-vacinas-como-a-da-pfizer-pode-garantir-protecao-alem-do-sars-cov-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/reforco-de-vacinas-como-a-da-pfizer-pode-garantir-protecao-alem-do-sars-cov-2\/","title":{"rendered":"Refor\u00e7o de vacinas como a da Pfizer pode garantir prote\u00e7\u00e3o al\u00e9m do Sars-Cov-2"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto a maioria das pessoas aguarda, com ansiedade, para ser imunizada contra o Sars-CoV-2, somente no Brasil mais de 4,5 milh\u00f5es n\u00e3o retornaram para receber a dose de refor\u00e7o. Al\u00e9m de comprometer a seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o, aumentando o risco de surgimento de novas variantes, quem se nega a tomar a vacina corretamente deixa de se beneficiar de uma ampla prote\u00e7\u00e3o antiviral, que pode, inclusive, evitar a infec\u00e7\u00e3o por outros v\u00edrus. Essa \u00e9 a conclus\u00e3o de um estudo da Escola de Medicina da Universidade de Stanford (Calif\u00f3rnia, EUA), publicado no site da revista Nature.<\/p>\n<p>A pesquisa se concentrou nas vacinas de RNA \u2014 no caso, a da Pfizer\/BioNTech \u2014, que foram apli cadas pela primeira vez durante a pandemia de Covid-19. Segundo um dos autores, Bali Pulendran, a efic\u00e1cia dessas subst\u00e2ncias est\u00e1 estabelecida. Por\u00e9m, ele diz que n\u00e3o se conhece t\u00e3o bem como elas agem nas c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico, pois a prote\u00e7\u00e3o conferida pela produ\u00e7\u00e3o de anticorpos \u00e9 apenas uma parte do mecanismo de imuniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a primeira vez que vacinas de RNA foram dadas a humanos, e n\u00e3o temos ideia de como eles fazem o que fazem, ou seja, oferecer 95% de prote\u00e7\u00e3o contra a Covid\u201d diz Pulendran. O cientista lembra que o principal par\u00e2metro para a aprova\u00e7\u00e3o de novas vacinas tem sido a capacidade de induzir anticorpos neutralizantes \u2014 prote\u00ednas individualizadas, criadas por c\u00e9lulas imunes chamadas B, que podem se ligar a um v\u00edrus e impedi-lo de infectar novas estruturas.<\/p>\n<p><strong>Complexidade<\/strong><br \/>\n\u201cOs anticorpos s\u00e3o f\u00e1ceis de medir\u201d, continua Pulendran. \u201cMas o sistema imunol\u00f3gico \u00e9 muito mais complicado do que isso. Os anticorpos, por si, n\u00e3o chegam perto de refletir totalmente a complexidade e a gama de prote\u00e7\u00e3o. Por isso, quisemos investigar, com requintes de detalhes, como \u00e9 a resposta imunol\u00f3gica induzida por essas vacinas\u201d, assinala o professor de patologia, microbiologia e imunologia.<\/p>\n<p>Pulendran e a equipe avaliaram o que acontecia entre todos os tipos de c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico influenciados pela vacina: n\u00fameros, n\u00edveis de ativa\u00e7\u00e3o, os genes que expressam e as prote\u00ednas e metab\u00f3litos que fabricam e secretam ap\u00f3s a inocula\u00e7\u00e3o. Para isso, eles analisaram amostras de sangue de pessoas vacinadas com a subst\u00e2ncia da Pfizer\/BioNTech. Os pesquisadores avaliaram 242.479 c\u00e9lulas imunol\u00f3gicas diferentes.<\/p>\n<p>Uma das c\u00e9lulas sobre as quais os cientistas mais se debru\u00e7aram foi a T, componente do sistema imunol\u00f3gico que, diferentemente dos anticorpos, n\u00e3o se liga \u00e0s part\u00edculas virais. O que ela faz \u00e9 sondar os tecidos do organismo, procurando por sinais de infec\u00e7\u00e3o. Ao encontrar uma c\u00e9lula infectada, ela a destr\u00f3i, impedindo o ciclo de replica\u00e7\u00e3o do pat\u00f3geno.<\/p>\n<p><strong>Receita gen\u00e9tica<\/strong><br \/>\nO pesquisador explica que as vacinas de mRNA, como a da Pfizer e a da Moderna, funciona de maneira bem diferente das subst\u00e2ncias cl\u00e1ssicas compostas de pat\u00f3genos vivos ou mortos, prote\u00ednas individuais ou carboidratos que treinam o sistema imunol\u00f3gico para se concentrar em um micro-organismo espec\u00edfico e elimin\u00e1-lo. Em vez disso, elas cont\u00eam receitas gen\u00e9ticas para a fabrica\u00e7\u00e3o da prote\u00edna spike, a estrutura em forma de espinho que o Sars-CoV-2 usa para se prender \u00e0s c\u00e9lulas, entrar no n\u00facleo e, ent\u00e3o, infect\u00e1-las.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2020, a Escola de Medicina de Stanford come\u00e7ou a imunizar com a vacina Pfizer. Isso estimulou o desejo de Pulendran de investigar a fundo o funcionamento da subst\u00e2ncia. A equipe, ent\u00e3o, selecionou 56 volunt\u00e1rios saud\u00e1veis e coletou amostras de sangue em v\u00e1rios momentos, anteriores e posteriores \u00e0 primeira e \u00e0 segunda dose.<\/p>\n<p>Os pesquisadores constataram que a primeira inje\u00e7\u00e3o aumenta os n\u00edveis de anticorpos para o Sars-CoV-2, como esperado, mas n\u00e3o tanto quanto a segunda inje\u00e7\u00e3o. Essa \u00faltima desempenha fun\u00e7\u00f5es diferentes da inicial, diz Kari Nadeu, imunologista e coautor do estudo. \u201cA segunda dose tem efeitos ben\u00e9ficos poderosos que excedem, em muito, os da primeira. No nosso estudo, ela estimulou um aumento m\u00faltiplo nos n\u00edveis de anticorpos, uma resposta incr\u00edvel de c\u00e9lulas T, que estava ausente ap\u00f3s a primeira inje\u00e7\u00e3o isolada, e uma resposta imune inata notavelmente aumentada\u201d, explica.<\/p>\n<p>O sistema imunol\u00f3gico inato \u00e9 um conjunto celular que responde, inicialmente, \u00e0 presen\u00e7a de um v\u00edrus ou de uma bact\u00e9ria. Essas c\u00e9lulas s\u00e3o as primeiras a perceber o pat\u00f3geno, secretando prote\u00ednas sinalizadoras, que estimulam uma resposta das c\u00e9lulas B e T. Assim que o sistema imunol\u00f3gico adaptativo (aquele estimulado pelo contato com os micro-organismos e vacinas ao longo da vida) passa a trabalhar mais acelerado, as c\u00e9lulas inatas tentam conter a infec\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ando subst\u00e2ncias t\u00f3xicas em dire\u00e7\u00e3o aos invasores, embora n\u00e3o sejam muito boas em diferenciar se se trata de v\u00edrus ou bact\u00e9rias.<\/p>\n<p><strong>Macr\u00f3fagos<\/strong><br \/>\nOs pesquisadores tamb\u00e9m destacam que, inesperadamente, a vacina \u2014 particularmente a segunda dose \u2014 causou a mobiliza\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de um grupo de c\u00e9lulas de resposta que normalmente s\u00e3o escassas e inativas na infec\u00e7\u00e3o por Covid-19. Essas estruturas expressam altos n\u00edveis de genes antivirais, por\u00e9m, nos casos da doen\u00e7a causada pelo Sars-CoV-2, elas n\u00e3o se ativam. A vacina da Pfizer, contudo, as induziu.<\/p>\n<p>Esse grupo especial de mon\u00f3citos, que fazem parte do sistema inato, constitu\u00eda apenas 0,01% de todas as c\u00e9lulas sangu\u00edneas circulantes antes da vacina\u00e7\u00e3o. Mas, depois da segunda inje\u00e7\u00e3o da vacina de mRNA, as taxas aumentaram 100 vezes, chegando a 1%. Al\u00e9m disso, a resposta delas \u00e0 infec\u00e7\u00e3o tornou-se menos inflamat\u00f3ria e mais especificamente antiviral.<\/p>\n<p>\u201cO extraordin\u00e1rio aumento na frequ\u00eancia dessas c\u00e9lulas, apenas um dia ap\u00f3s a imuniza\u00e7\u00e3o de refor\u00e7o, \u00e9 surpreendente\u201d, ressalta Pulendran. \u201c\u00c9 poss\u00edvel que essas c\u00e9lulas possam montar uma a\u00e7\u00e3o de conten\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas contra o Sars-CoV-2, mas tamb\u00e9m contra outros v\u00edrus\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Sem risco cardiovascular grave para idosos<\/strong><br \/>\nA vacina contra a Covid-19 da Pfizer\/BioNTech n\u00e3o aumenta o risco de problemas cardiovasculares graves, como infarto, trombose, ou embolia pulmonar, nas pessoas acima de 75 anos, segundo um estudo franc\u00eas realizado pelo grupo Epi-Phare, ligado ao governo da Fran\u00e7a. De acordo com os cientistas, a frequ\u00eancia desses epis\u00f3dios entre um grupo de vacinados e outro de controle \u201cn\u00e3o difere significativamente\u201d. Os autores v\u00e3o continuar monitorando os dados dispon\u00edveis \u201cpara medir esses riscos em pessoas com antecedentes de doen\u00e7as cardiovasculares, em popula\u00e7\u00f5es mais jovens e em pacientes vacinados com outras vacinas anticovvid\u201d.<\/p>\n<p><strong>Nove meses de imunidade<\/strong><br \/>\nUm estudo publicado ontem na revista Nature Communications demonstra que os n\u00edveis de anticorpos contra o Sars-CoV-2 permanecem altos nove meses depois da infec\u00e7\u00e3o, seja ela sintom\u00e1tica ou assintom\u00e1tica. A pesquisa, da Universidade de P\u00e1dua e do Imperial College de Londres, foi realizada na cidade de Vo\u2019, na It\u00e1lia, onde os cientistas testaram 85% da popula\u00e7\u00e3o de 3 mil pessoas entre fevereiro e mar\u00e7o de 2020, voltando a realizar os exames em novembro do ano passado.<\/p>\n<p>A equipe descobriu que 98,8% das pessoas infectadas em fevereiro\/mar\u00e7o apresentavam n\u00edveis detect\u00e1veis de anticorpos no fim do ano, e n\u00e3o havia diferen\u00e7a entre as que haviam sofrido os sintomas de Covid-19 e as assintom\u00e1ticas. As taxas foram monitoradas usando tr\u00eas ensaios \u2014 testes que detectam diferentes tipos de anticorpos que respondem a partes diversas do v\u00edrus.<\/p>\n<p>Os resultados mostraram que, embora todos os tipos de anticorpos tenham mostrado algum decl\u00ednio entre maio e novembro, a taxa divergiu de acordo com o ensaio. A equipe tamb\u00e9m detectou casos em que os n\u00edveis, em algumas pessoas, aumentaram, sugerindo reinfec\u00e7\u00f5es potenciais com o v\u00edrus, e um est\u00edmulo do sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o encontramos evid\u00eancias de que os n\u00edveis de anticorpos entre infec\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas e assintom\u00e1ticas sejam diferentes significativamente, sugerindo que a for\u00e7a da resposta imune n\u00e3o depende dos sintomas e da gravidade\u201d, diz a principal autora, Ilaria Dorigatti, do Imperial College. \u201cNo entanto, nosso estudo mostra que os n\u00edveis de anticorpos variam, \u00e0s vezes acentuadamente, dependendo do teste usado. Isso significa que \u00e9 necess\u00e1rio cuidado ao comparar as estimativas dos n\u00edveis de infec\u00e7\u00e3o em uma popula\u00e7\u00e3o obtidas em diferentes partes do mundo com testes diferentes e em momentos diferentes\u201d, adverte.<\/p>\n<p>O conjunto de dados da equipe \u2014 que inclui os resultados das duas campanhas de testes de PCR em massa conduzidas em fevereiro e mar\u00e7o e a pesquisa de anticorpos em maio de 2020, e novamente em novembro \u2014tamb\u00e9m permitiu aos cientistas identificar o impacto de v\u00e1rias medidas de controle.<\/p>\n<p>Os resultados indicaram que, na aus\u00eancia de isolamento de infectados e bloqueios curtos, o rastreamento de contato manual (busca de positivos com base nas declara\u00e7\u00f5es de contato) por si s\u00f3 n\u00e3o teria sido suficiente para limitar o alcance da epidemia. \u201cNosso estudo mostra que o rastreamento de contato manual teria tido um impacto limitado na conten\u00e7\u00e3o da epidemia, sem o acompanhamento de uma triagem populacional em massa\u201d, diz o artigo.<\/p>\n<p>Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto a maioria das pessoas aguarda, com ansiedade, para ser imunizada contra o Sars-CoV-2, somente no Brasil mais de 4,5 milh\u00f5es n\u00e3o retornaram para receber a dose de refor\u00e7o. 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