{"id":60775,"date":"2021-07-26T09:37:28","date_gmt":"2021-07-26T12:37:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=60775"},"modified":"2021-07-26T09:37:28","modified_gmt":"2021-07-26T12:37:28","slug":"mulheres-devem-dominar-a-medicina-ate-2030-indica-estudo-do-ministerio-da-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/mulheres-devem-dominar-a-medicina-ate-2030-indica-estudo-do-ministerio-da-saude\/","title":{"rendered":"Mulheres devem dominar a medicina at\u00e9 2030, indica estudo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Em nove anos, as mulheres ser\u00e3o maioria entre os m\u00e9dicos e mais de 80% dessas profissionais, em 2030, ter\u00e3o entre 22 e 45 anos. \u00c9 o que indica estudo que subsidia o Plano Nacional de Fortalecimento das Resid\u00eancias em Sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. De acordo com o \u00f3rg\u00e3o, a pesquisa tem o objetivo de contribuir com o planejamento de pol\u00edticas p\u00fablicas de recursos humanos que atendam \u00e0s reais necessidades da popula\u00e7\u00e3o e do sistema de sa\u00fade. A an\u00e1lise, publicada no Informe T\u00e9cnico n\u00ba 4\/2021, ressalta, ainda, um aumento expressivo da popula\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>O estudo \u00e9 uma parceria entre o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, por meio da Secretaria de Gest\u00e3o do Trabalho e da Educa\u00e7\u00e3o na Sa\u00fade (SGTES), a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade (Opas\/OMS). Segundo o levantamento, de 2010 a 2020, o n\u00famero de profissionais passou de 315.902 para 487.275 e, segundo o minist\u00e9rio, deve chegar a 815.570 at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o do p\u00fablico feminino vem se delineando no Brasil desde 2010, destaca a publica\u00e7\u00e3o, quando as mulheres j\u00e1 eram mais de 50% do total de profissionais nos cursos de medicina. O estudo conclui que a maior propor\u00e7\u00e3o de mulheres na popula\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos pode ser explicada pela evolu\u00e7\u00e3o das pir\u00e2mides et\u00e1rias ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Propor\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Em 2010, a popula\u00e7\u00e3o de homens era proporcionalmente maior na faixa entre 51 a 55 anos, enquanto a base da pir\u00e2mide era mais povoada pelas jovens m\u00e9dicas, sobretudo na faixa dos 26 a 30 anos de idade. Em 2020, a faixa et\u00e1ria de 51 a 55 anos estava com propor\u00e7\u00e3o semelhante de m\u00e9dicos e m\u00e9dicas, enquanto nas faixas de 26 a 30 anos e 31 a 35 anos as mulheres eram 12% mais prevalentes que os homens. A pesquisa assinala, ainda, que haver\u00e1 uma mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos por habitante. As proje\u00e7\u00f5es apontam que, no Brasil, essa rela\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de 3,63 em 2030 \u2014 quase o dobro do registrado em 2010, de 1,90.<\/p>\n<p>\u201cNas universidades, muito antes da pandemia do coronav\u00edrus, j\u00e1 \u00e9ramos maioria nos cursos de medicina. As dificuldades s\u00e3o grandes. Sabemos que muitas n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o existem cotas exclusivas para mulheres, disputamos os espa\u00e7os com os homens, mas seguimos mostrando nossa compet\u00eancia\u201d, afirmou a infectologista Eliana Bicudo, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e professora da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e do Centro de Tecnologia e de Educa\u00e7\u00e3o Profissional (Ceteps).<\/p>\n<p>Julival Ribeiro, tamb\u00e9m membro da SBI e ex-diretor-geral do Hospital de Base do Distrito Federal, comemorou os dados. \u201cEspero que seja realidade. Li, certa vez, um artigo de uma revista m\u00e9dica dos Estados Unidos que dizia que os pais m\u00e9dicos n\u00e3o aconselhavam os filhos a seguir a carreira, porque nossa vida n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Vivemos sob muita press\u00e3o\u201d, reconheceu. A \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o dele \u00e9 com a forma\u00e7\u00e3o profissional do Brasil. \u201cEstou sempre perguntado quem ser\u00e1 o meu m\u00e9dico de amanh\u00e3. Nos \u00faltimos anos, foram abertas muitas faculdades sem a correspond\u00eancia da resid\u00eancia m\u00e9dica. Me assusta como ser\u00e1, n\u00e3o s\u00f3 a qualidade t\u00e9cnica, como o dia a dia\u201d, disse Ribeiro.<\/p>\n<p>Remunera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A not\u00edcia da entrada mais consistente de mulheres jovens na medicina seria, por outro lado, mais animadora se os ganhos mensais fossem iguais entre os g\u00eaneros. Pelos \u00faltimos dados dispon\u00edveis da Pesquisa Demografia M\u00e9dica no Brasil 2018, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina do Estado de S\u00e3o Paulo (Cremesp), embora o p\u00fablico feminino esteja em crescimento, o sal\u00e1rio ainda \u00e9 menor aos dos homens que ocupam as mesmas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a na remunera\u00e7\u00e3o de homens e mulheres \u00e9 bastante significativa. Em todos os cen\u00e1rios analisados, a chance de os profissionais homens receberem mais do que as colegas mulheres \u00e9 maior. Em tr\u00eas categorias salariais mais baixas, o percentual de mulheres \u00e9 de quase 80%, j\u00e1 nas tr\u00eas categorias mais bem remuneradas a preval\u00eancia masculina \u00e9 de 51%.<\/p>\n<p>Entre os profissionais que trabalham de 20 e 40 horas semanais, apenas 2,7% delas recebiam cerca de US$ 10.762 por m\u00eas (cerca de R$ 42.780), em compara\u00e7\u00e3o com 13% deles. A probabilidade de homens receberem o n\u00edvel salarial mais alto \u2014 acima de US$ 10.762 \u2014 \u00e9 de 17%, enquanto a de mulheres \u00e9 de apenas 4%. A desigualdade salarial entre os g\u00eaneros persistiu em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 carga hor\u00e1ria, atendimento em consult\u00f3rio e plant\u00f5es, assinalou o estudo.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o s\u00e3o os cargos de lideran\u00e7a. A pesquisa da FMUSP tamb\u00e9m ressaltou que as mulheres est\u00e3o em especialidades como cl\u00ednica geral, pediatria, medicina da fam\u00edlia, ginecologia e obstetr\u00edcia, que pagam menos se comparadas com especialidades cir\u00fargicas, ocupadas em sua maioria por homens. O estudo apontou ainda que eles ocupam posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a com mais regularidade do que as mulheres na \u00e1rea m\u00e9dica.<\/p>\n<p>\u201cO que queremos \u2014 e vamos conseguir \u2014 \u00e9 equidade. Nem maior, nem menor sal\u00e1rio, de acordo com o g\u00eanero. Profissionais competentes devem ter a mesma remunera\u00e7\u00e3o\u201d, destaca Eliana Bicudo. Embora os homens ainda sejam maioria entre os profissionais de medicina (54,4%), esse n\u00famero vem caindo ao longo dos anos e as mulheres j\u00e1 s\u00e3o predominantes entre os profissionais mais jovens, sendo 57,4% no grupo at\u00e9 29 anos e 53,7% na faixa entre 30 e 34 anos, conforme a pesquisa de 2018.<\/p>\n<p>Claudia Xavier Oliveira, 23 anos, concluiu o curso de biomedicina no Centro de Ensino Unificado de Bras\u00edlia (Ceub), no final de 2019. Ela disse que v\u00e1rios colegas homens rapidamente se empregaram e ascenderam tamb\u00e9m em tempo bem menor que as mo\u00e7as. \u201c\u00c9 impressionante como isso acontece. As desculpas s\u00e3o diversas. H\u00e1 quem diga que eles s\u00e3o melhores, e, como o julgamento \u00e9 subjetivo, nos coloca em uma encruzilhada. Outras vezes alegam, pasmem, que precisam sustentar a fam\u00edlia, como se n\u00f3s n\u00e3o precis\u00e1ssemos\u201d, pondera Claudia. \u201cMuitas vezes, trabalhamos mais e n\u00e3o h\u00e1 o menor reconhecimento\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Prima de Claudia, Fernanda Monteiro Oliveira, 25, tamb\u00e9m est\u00e1 pr\u00f3ximo de encerrar os estudos de medicina, na Universidade de Bras\u00edlia (UnB). \u201c\u00c9 claro que n\u00e3o vamos desistir e n\u00e3o vamos deixar, dentro do poss\u00edvel, que percebem que isso nos machuca. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ver que n\u00e3o somos indicadas para cargos ou para situa\u00e7\u00f5es de destaque, mesmo quando merecemos, apenas porque somos mulheres\u201d, admite. \u201cMuita coisa j\u00e1 mudou, eu sei. Mas eu pensava que essa diferen\u00e7a j\u00e1 tinha sido superada pela minha gera\u00e7\u00e3o\u201d, completa Fernanda.<\/p>\n<p>Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nove anos, as mulheres ser\u00e3o maioria entre os m\u00e9dicos e mais de 80% dessas profissionais, em 2030, ter\u00e3o entre 22 e 45 anos. \u00c9 o que indica estudo que subsidia o Plano Nacional de Fortalecimento das Resid\u00eancias em Sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. 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