{"id":61115,"date":"2021-08-25T15:53:00","date_gmt":"2021-08-25T18:53:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=61115"},"modified":"2021-08-25T15:53:00","modified_gmt":"2021-08-25T18:53:00","slug":"covid-9-coisas-que-a-ciencia-nao-sabia-e-aprendeu-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/covid-9-coisas-que-a-ciencia-nao-sabia-e-aprendeu-durante-a-pandemia\/","title":{"rendered":"Covid: 9 coisas que a ci\u00eancia n\u00e3o sabia e aprendeu durante a pandemia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Desde que a crise sanit\u00e1ria se instalou, o avan\u00e7o do conhecimento alterou muitas das recomenda\u00e7\u00f5es de diagn\u00f3stico, tratamento e preven\u00e7\u00e3o da infec\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus. Veja o que foi modificado com o passar dos meses e como isso repercutiu na rotina e nos h\u00e1bitos de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea se lembra de quando limpava cada item da compra do supermercado (e at\u00e9 as sacolas de pl\u00e1stico)? Ou de quando come\u00e7aram a aparecer as primeiras m\u00e1scaras caseiras? E a \u00e9poca em que a cloroquina era encarada como um tratamento promissor contra a covid-19?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois \u00e9, o conhecimento evolui constantemente, e as recomenda\u00e7\u00f5es que valiam ontem podem deixar de fazer sentido hoje ou amanh\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante uma pandemia, esse avan\u00e7o \u00e9 ainda mais veloz. Portanto, ficar atento \u00e0s diretrizes e consensos entre especialistas pode ser, literalmente, uma quest\u00e3o de vida ou morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde fevereiro de 2020, quando os casos de covid-19 come\u00e7aram a se espalhar pelo mundo, as recomenda\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e tratamento da doen\u00e7a se transformaram radicalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegou a hora de conhecer melhor como essas mudan\u00e7as aconteceram \u2014 e entender como elas nos trazem mais seguran\u00e7a e certeza de que, um dia, essa crise sanit\u00e1ria vai passar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1. As m\u00e1scaras t\u00eam poder<\/strong><br \/>\nDurante boa parte do primeiro semestre de 2020, autoridades e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas como a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) e o Centro de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as (CDC) dos Estados Unidos foram un\u00e2nimes em afirmar que as m\u00e1scaras s\u00f3 deveriam ser usadas por m\u00e9dicos, enfermeiros e profissionais da linha de frente ou indiv\u00edduos com suspeita e diagn\u00f3stico de covid-19.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A recomenda\u00e7\u00e3o estava baseada em dois argumentos principais. Primeiro, havia um medo de que a pe\u00e7a colada ao rosto incomodaria, fazendo com que as pessoas levassem as m\u00e3os aos olhos, nariz e boca com mais frequ\u00eancia. Isso, em tese, aumentaria o risco de infec\u00e7\u00e3o, pois os dedos poderiam estar contaminados com o coronav\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo motivo estava vinculado a uma eventual escassez de material de prote\u00e7\u00e3o a quem mais precisava, como os pacientes e os profissionais da sa\u00fade: temia-se que uma busca desenfreada pela compra de m\u00e1scaras acabaria com os estoques dispon\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a verdade \u00e9 que nenhum desses dois pontos era 100% verdadeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Mesmo naquela \u00e9poca, n\u00e3o existia nenhuma evid\u00eancia para sustentar a ideia de que as pessoas que usam m\u00e1scaras mexem mais na pr\u00f3pria face&#8221;, diz o f\u00edsico Vitor Mori, pesquisador da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;E o Brasil tem uma ind\u00fastria bem preparada e possivelmente n\u00e3o ter\u00edamos falta de m\u00e1scaras profissionais, como a PFF2 (que \u00e9 a que mais filtra part\u00edculas e melhor veda o rosto contra o v\u00edrus), mesmo se fosse recomendado seu uso para a popula\u00e7\u00e3o geral desde o come\u00e7o&#8221;, completa o especialista, que tamb\u00e9m integra o Observat\u00f3rio Covid-19 BR.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro fen\u00f4meno relativo a esse m\u00e9todo preventivo est\u00e1 relacionado \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da qualidade do material: no in\u00edcio, o indicado era botar a m\u00e1scara caseira de pano com duas ou tr\u00eas camadas de tecidos diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o passar dos meses, por\u00e9m, as m\u00e1scaras cir\u00fargicas e os modelos profissionais (como a PFF2 ou a N95) ganharam terreno e se tornaram mais populares.<br \/>\nE isso est\u00e1 diretamente vinculado \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do conhecimento sobre as formas de dissemina\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A compreens\u00e3o ampla dos mecanismos de transmiss\u00e3o de v\u00edrus respirat\u00f3rios foi, sem d\u00favida, uma das maiores revolu\u00e7\u00f5es cient\u00edficas que vivemos nos \u00faltimos tempos&#8221;, compreende Mori.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio, pensava-se que o agente infeccioso passava de uma pessoa para outra somente atrav\u00e9s de got\u00edculas de saliva, que s\u00e3o expelidas quando a gente fala, tosse ou espirra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como essas tais got\u00edculas t\u00eam um tamanho maior, elas s\u00e3o mais pesadas e logo caem em dire\u00e7\u00e3o ao solo pela for\u00e7a da gravidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo esse racioc\u00ednio, acreditava-se que a transmiss\u00e3o dependia da proximidade: um indiv\u00edduo infectado expele as part\u00edculas de saliva com o v\u00edrus dentro, que s\u00e3o ejetadas a uma dist\u00e2ncia de at\u00e9 dois metros e v\u00e3o parar no rosto de outras pessoas, onde iniciam um novo ciclo da doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa situa\u00e7\u00e3o, as m\u00e1scaras de tecido at\u00e9 que s\u00e3o uma boa. Elas conseguem barrar a sa\u00edda ou a entrada dessas got\u00edculas de saliva maiores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o passar do tempo, por\u00e9m, os cientistas foram observando que a covid-19 tem uma segunda forma de transmiss\u00e3o: os aeross\u00f3is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEles tamb\u00e9m s\u00e3o part\u00edculas de saliva, mas de tamanho muito reduzido. Como s\u00e3o menos pesadas, elas ficam vagando pelo ambiente por muito mais tempo, numa din\u00e2mica parecida ao que acontece, por exemplo, com a fuma\u00e7a do cigarro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed uma pessoa desavisada pode aspirar esse material e botar o coronav\u00edrus pra dentro do sistema respirat\u00f3rio se n\u00e3o estiver com uma prote\u00e7\u00e3o adequada, capaz de filtrar essas estruturas diminutas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Um indiv\u00edduo infectado com o coronav\u00edrus pode entrar num elevador, espirrar e sair. E os aeross\u00f3is ficam pairando por algum tempo naquele ambiente&#8221;, explica o infectologista Celso Granato, diretor do Fleury Medicina e Sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n&#8220;Da\u00ed voc\u00ea pode entrar nesse mesmo elevador vazio em outro andar e acabar se contaminando&#8221;, conclui o m\u00e9dico, que tamb\u00e9m \u00e9 professor da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 justamente para evitar que cen\u00e1rios como esse virem realidade que existem as m\u00e1scaras PFF2 ou N95: elas vedam todas as poss\u00edveis entradas da face, especialmente a ma\u00e7\u00e3 do rosto, as bochechas e o queixo, bloqueando e filtrando os aeross\u00f3is carregados de v\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2. Desinfetar n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante assim<\/strong><br \/>\nUma &#8220;moda&#8221; que marcou os primeiros meses da pandemia foi a limpeza constante das m\u00e3os e de superf\u00edcies, corrim\u00f5es, ma\u00e7anetas, objetos de uso pessoal e compras de supermercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Itens de limpeza, como o \u00e1lcool 70%, o \u00e1lcool em gel, o desinfetante e a \u00e1gua sanit\u00e1ria tiveram um crescimento significativo \u2014 segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Dom\u00e9stico e de Uso Profissional (Abipla), esse mercado cresceu 13% no Brasil durante o primeiro semestre de 2020, com destaque para um aumento de 67% na venda de produtos \u00e0 base de \u00e1lcool.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E esse interesse todo tinha a ver com as recomenda\u00e7\u00f5es dos especialistas e das ag\u00eancias p\u00fablicas, que apontavam a desinfec\u00e7\u00e3o como uma das principais medidas preventivas contra a covid-19.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o tempo, essa ideia perdeu muita for\u00e7a, conforme se observou a relev\u00e2ncia dos aeross\u00f3is na transmiss\u00e3o do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como voc\u00ea viu mais acima, as got\u00edculas de saliva com coronav\u00edrus n\u00e3o necessariamente se depositam nas superf\u00edcies, mas ficam pairando no ar e podem ser aspiradas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, muitas institui\u00e7\u00f5es, como o CDC americano, ainda consideram o contato com objetos contaminados como uma poss\u00edvel fonte de infec\u00e7\u00e3o, mas admitem que a probabilidade de isso acontecer na pr\u00e1tica \u00e9 baix\u00edssima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que fique claro: a higiene das m\u00e3os e do ambiente \u00e9 sempre uma atitude bem-vinda, inclusive para prevenir outras doen\u00e7as infecciosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nMas quando falamos de v\u00edrus respirat\u00f3rios, existem outras a\u00e7\u00f5es mais importantes, sobre as quais dever\u00edamos focar mais as nossas aten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o caso, por exemplo, de usar m\u00e1scaras de melhor qualidade, de evitar aglomera\u00e7\u00f5es e de caprichar na circula\u00e7\u00e3o do ar pelos ambientes \u2014 o que nos leva, ali\u00e1s, ao nosso pr\u00f3ximo t\u00f3pico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3. O ar precisa circular<\/strong><br \/>\nUm trabalho publicado em maio de 2020 foi decisivo para que a ci\u00eancia entendesse melhor a din\u00e2mica de transmiss\u00e3o do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os especialistas do condado de Skagit, em Washington, nos Estados Unidos, relataram o caso dos cidad\u00e3os que participavam de um coral, que se reunia periodicamente para praticar o canto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 17 de mar\u00e7o de 2020, 61 integrantes do grupo se reuniram para um ensaio numa sala fechada. Detalhe importante: uma pessoa estava infectada com o coronav\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado disso foi que, alguns dias depois, 52 tinham suspeita ou covid-19 confirmada, o que representa 87% de todos os presentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A partir dali, n\u00f3s come\u00e7amos a prestar mais aten\u00e7\u00e3o aos clusters de superespalhamento do coronav\u00edrus, que geralmente acontecem em locais fechados e pouco ventilados&#8221;, diz Mori.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E isso faz todo o sentido quando lembramos que o v\u00edrus \u00e9 transmitido atrav\u00e9s dos aeross\u00f3is, que saem da boca e do nariz quando espirramos, tossimos e falamos (ou cantamos, no caso do coral).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como voc\u00ea viu no primeiro t\u00f3pico, essas got\u00edculas ficam vagando pelo ambiente, especialmente quando n\u00e3o h\u00e1 circula\u00e7\u00e3o de ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o local conta com uma brisa ou um sistema eficiente de troca do ar, os aeross\u00f3is infectados acabam &#8220;dilu\u00eddos&#8221; e descartados antes de serem inalados por outras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi atrav\u00e9s deste trabalho americano e de outras investiga\u00e7\u00f5es publicadas na sequ\u00eancia que foi poss\u00edvel entender a import\u00e2ncia de manter as janelas abertas e o ambiente arejado \u2014 ou, de prefer\u00eancia, realizar atividades ao ar livre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n&#8220;Para mim, a falta de \u00eanfase sobre a import\u00e2ncia dos locais abertos e da ventila\u00e7\u00e3o foi o maior erro que tivemos na condu\u00e7\u00e3o da pandemia&#8221;, avalia Mori.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4. S\u00f3 medir febre n\u00e3o adianta<\/strong><br \/>\nOutro &#8220;protocolo&#8221; cl\u00e1ssico desde o in\u00edcio da pandemia envolve os term\u00f4metros: um funcion\u00e1rio era designado para ficar na frente de estabelecimentos comerciais para medir a temperatura das pessoas que passavam por ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No come\u00e7o, ali\u00e1s, a medi\u00e7\u00e3o era feita na testa, mas uma not\u00edcia falsa que circulou por redes sociais e WhatsApp apontava que os &#8220;raios infravermelho&#8221; do aparelho podiam mexer com o c\u00e9rebro. Isso fez com que a temperatura fosse checada no pulso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa pr\u00e1tica, ali\u00e1s, continua a acontecer em muitas regi\u00f5es do Brasil, apesar de as evid\u00eancias cient\u00edficas terem evolu\u00eddo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema \u00e9 que essa estrat\u00e9gia n\u00e3o faz sentido e pode deixar escapar muita gente com covid-19.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E esse interesse todo tinha a ver com as recomenda\u00e7\u00f5es dos especialistas e das ag\u00eancias p\u00fablicas, que apontavam a desinfec\u00e7\u00e3o como uma das principais medidas preventivas contra a covid-19.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o tempo, essa ideia perdeu muita for\u00e7a, conforme se observou a relev\u00e2ncia dos aeross\u00f3is na transmiss\u00e3o do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como voc\u00ea viu mais acima, as got\u00edculas de saliva com coronav\u00edrus n\u00e3o necessariamente se depositam nas superf\u00edcies, mas ficam pairando no ar e podem ser aspiradas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, muitas institui\u00e7\u00f5es, como o CDC americano, ainda consideram o contato com objetos contaminados como uma poss\u00edvel fonte de infec\u00e7\u00e3o, mas admitem que a probabilidade de isso acontecer na pr\u00e1tica \u00e9 baix\u00edssima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que fique claro: a higiene das m\u00e3os e do ambiente \u00e9 sempre uma atitude bem-vinda, inclusive para prevenir outras doen\u00e7as infecciosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nMas quando falamos de v\u00edrus respirat\u00f3rios, existem outras a\u00e7\u00f5es mais importantes, sobre as quais dever\u00edamos focar mais as nossas aten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o caso, por exemplo, de usar m\u00e1scaras de melhor qualidade, de evitar aglomera\u00e7\u00f5es e de caprichar na circula\u00e7\u00e3o do ar pelos ambientes \u2014 o que nos leva, ali\u00e1s, ao nosso pr\u00f3ximo t\u00f3pico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5. A doen\u00e7a vai muito al\u00e9m do sistema respirat\u00f3rio<\/strong><br \/>\nParecia simples: o coronav\u00edrus invade o organismo atrav\u00e9s das c\u00e9lulas da superf\u00edcie dos olhos, do nariz ou da boca. Com o passar do tempo, ele ganha terreno e vai parar nas vias a\u00e9reas superiores (que se estendem at\u00e9 a regi\u00e3o da garganta), onde d\u00e3o os sintomas cl\u00e1ssicos de tosse seca, febre e cansa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos casos mais graves, os pulm\u00f5es s\u00e3o tomados (o que ocasiona a falta de ar), e isso exige tratamentos mais intensivos e h\u00e1 risco de morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00e1tica, por\u00e9m, revelou que essa trajet\u00f3ria viral \u00e9 muito mais complexa do que o esperado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Em alguns pacientes, come\u00e7amos a encontrar o coronav\u00edrus em outras partes do corpo. Detectamos, por exemplo, o agente infeccioso nas fezes de algumas pessoas, que tinham a diarreia como \u00fanico sintoma&#8221;, relata Granato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Percebemos ent\u00e3o que n\u00e3o est\u00e1vamos lidando com uma doen\u00e7a pulmonar, mas, sim, com uma enfermidade do endot\u00e9lio, que \u00e9 uma camada de c\u00e9lulas que reveste o interior de nossos vasos sangu\u00edneos&#8221;, continua o infectologista.<br \/>\n&#8220;Com isso, apesar do foco maior nos pulm\u00f5es, passamos a entender que covid-19 tamb\u00e9m poderia acometer os intestinos, o cora\u00e7\u00e3o, o sistema circulat\u00f3rio, os rins, o c\u00e9rebro&#8230;&#8221;, completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6. A surpresa da covid longa<\/strong><br \/>\nE h\u00e1 mais um ingrediente fundamental nessa hist\u00f3ria. Muitas das doen\u00e7as infecciosas s\u00e3o autolimitadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outras palavras, a pessoa contrai o v\u00edrus, a bact\u00e9ria ou o fungo, desenvolve os sintomas e, ap\u00f3s alguns dias, o quadro melhora ou piora de vez. O final dessa hist\u00f3ria \u00e9 a cura ou a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 o rito que sucede na maioria das vezes ap\u00f3s o resfriado, a gripe, o ebola\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a covid-19 mostrou ser muito mais complexa e h\u00e1 muitas pessoas que seguem apresentando inc\u00f4modos meses ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o inicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para piorar, a diversidade desses desdobramentos \u00e9 algo que intriga m\u00e9dicos e cientistas: um artigo da Universidade College London, no Reino Unido, publicado em julho de 2021, chegou a listar 200 poss\u00edveis sintomas diferentes da covid longa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nAlguns afetam o c\u00e9rebro e podem estar por tr\u00e1s de problemas de mem\u00f3ria e racioc\u00ednio. Outros prejudicam o ciclo menstrual das mulheres ou a capacidade de ere\u00e7\u00e3o dos homens. H\u00e1 ainda aqueles que causam palpita\u00e7\u00f5es no cora\u00e7\u00e3o ou deixam a vis\u00e3o borrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Esses s\u00e3o fen\u00f4menos que n\u00e3o pens\u00e1vamos que fossem acontecer e eram absolutamente desconhecidos&#8221;, admite Granato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ao longo desse tempo, n\u00f3s aprendemos a ficar de olho nos sintomas diferentes e acionar colegas especialistas naquilo, como cardiologistas e neurologistas&#8221;, complementa a infectologista Raquel Stucchi, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Em muitos casos, essa abordagem multidisciplinar \u00e9 necess\u00e1ria para acompanhar os pacientes com covid longa, algo que n\u00e3o era esperado originalmente&#8221;, conclui a especialista, que tamb\u00e9m integra a Sociedade Brasileira de Infectologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7. Testes devem ser usados com intelig\u00eancia<\/strong><br \/>\nA princ\u00edpio, o racioc\u00ednio at\u00e9 fazia sentido: por que n\u00e3o fazer exames peri\u00f3dicos em toda a popula\u00e7\u00e3o, de modo a encontrar os casos assintom\u00e1ticos ou logo antes de os primeiros sinais da doen\u00e7a aparecerem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A l\u00f3gica, por\u00e9m, esbarra em quest\u00f5es pr\u00e1ticas. Fazer programas de testagem amplos sem nenhum crit\u00e9rio \u00e9 algo dif\u00edcil de se manter no longo prazo, por falta de equipamentos e recursos humanos, e pode levar ao desperd\u00edcio de insumos valiosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por isso que muitos especialistas defendem o uso desses exames de forma otimizada, com o objetivo de reduzir a transmiss\u00e3o do coronav\u00edrus na comunidade \u2014 foi essa a estrat\u00e9gia adotada por pa\u00edses como Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia, que alcan\u00e7aram os \u00f3timos resultados na condu\u00e7\u00e3o da pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Vamos supor que um paciente com sintomas faz o teste e ele d\u00e1 positivo. O pr\u00f3ximo passo seria ir atr\u00e1s das pessoas com quem ele teve contato nos \u00faltimos dias, para que elas tamb\u00e9m sejam avaliadas&#8221;, exemplifica Granato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Da\u00ed aqueles indiv\u00edduos que estiverem infectados, mesmo sem sintomas, s\u00e3o identificados e isolados antes que transmitam o v\u00edrus para outros, cortando as cadeias de transmiss\u00e3o&#8221;, completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse m\u00e9todo, chamado de rastreamento de contatos, nem \u00e9 algo t\u00e3o inovador assim. Mas hoje em dia \u00e9 poss\u00edvel adot\u00e1-lo e at\u00e9 aumentar sua efic\u00e1cia com a ajuda da tecnologia \u2014 os quarentenados podem fazer consultas por aplicativos de videochamada e receber orienta\u00e7\u00f5es por mensagens de texto, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>8. Tratamento precoce (ainda) n\u00e3o teve sucesso<\/strong><br \/>\nO sonho de todo m\u00e9dico que atua na linha de frente era ter um rem\u00e9dio que pudesse ser prescrito logo no in\u00edcio dos sintomas para curar de vez a covid-19.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E v\u00e1rios medicamentos foram testados nesse meio tempo, mas nenhum mostrou um bom resultado at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi o caso da hidroxicloroquina, da ivermectina, da azitromicina, da nitazoxanida e v\u00e1rios outros integrantes do &#8220;kit covid&#8221;, que se mostraram ineficazes ou at\u00e9 prejudiciais (quando os efeitos colaterais superam qualquer benef\u00edcio).<br \/>\n&#8220;Nos testes iniciais, com culturas de c\u00e9lulas e cobaias, algumas dessas subst\u00e2ncias at\u00e9 mostravam algum efeito. Mas quando as pesquisas evolu\u00edram para seres humanos, esses resultados n\u00e3o se mantiveram&#8221;, contextualiza Granato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A evolu\u00e7\u00e3o terap\u00eautica foi um pouco maior quando consideramos os casos mais graves de covid-19, que exigem cuidados hospitalares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Com o tempo, aprendemos o valor da ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e de medica\u00e7\u00f5es que aumentam a sobrevida do paciente, desde que administrados no momento certo, como \u00e9 o caso de alguns anti-inflamat\u00f3rios e anticoagulantes&#8221;, conta Stucchi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>9. O v\u00edrus tem m\u00faltiplas facetas, mas pode ser derrotado<\/strong><br \/>\nPor \u00faltimo, o virologista Paulo Eduardo Brand\u00e3o, da Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), chama a aten\u00e7\u00e3o para o surgimento de m\u00faltiplas variantes do Sars-CoV-2, o coronav\u00edrus respons\u00e1vel pela pandemia atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Isso n\u00e3o era algo que esper\u00e1vamos l\u00e1 no in\u00edcio&#8221;, avalia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o observamos esse mesmo comportamento nos surtos de Sars [S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave], em 2003, e de Mers [S\u00edndrome Respirat\u00f3ria do Oriente M\u00e9dio], em 2011, que tamb\u00e9m foram causados por tipos de coronav\u00edrus&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aparecimento das novas linhagens, como a Alfa, a Beta, a Gama e a Delta, explica o pesquisador, tem a ver com a r\u00e1pida dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus por todo o planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As variantes n\u00e3o s\u00e3o exatamente uma surpresa, mas no in\u00edcio n\u00f3s n\u00e3o sab\u00edamos que esse coronav\u00edrus seria a causa de uma pandemia, se espalharia nessa velocidade e permaneceria por tanto tempo entre n\u00f3s&#8221;, aponta Brand\u00e3o.<br \/>\nA boa not\u00edcia \u00e9 que as vacinas dispon\u00edveis atualmente continuam a funcionar contra essas novas vers\u00f5es virais, apesar de sofrerem uma diminui\u00e7\u00e3o de sua efic\u00e1cia original.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomar as doses, ali\u00e1s, \u00e9 o melhor caminho para proteger a si e contribuir para o controle coletivo da pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 o meio mais seguro e eficaz para sairmos dessa e conseguirmos retomar nossa vida pr\u00f3ximo ao que viv\u00edamos l\u00e1 em 2019&#8221;, finaliza Stucchi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que a crise sanit\u00e1ria se instalou, o avan\u00e7o do conhecimento alterou muitas das recomenda\u00e7\u00f5es de diagn\u00f3stico, tratamento e preven\u00e7\u00e3o da infec\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus. 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