{"id":62593,"date":"2022-01-12T14:00:17","date_gmt":"2022-01-12T17:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=62593"},"modified":"2022-01-14T13:29:13","modified_gmt":"2022-01-14T16:29:13","slug":"medicos-da-upa-olinda-denunciam-ameacas-sofridas-por-pacientes-e-pedem-seguranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/medicos-da-upa-olinda-denunciam-ameacas-sofridas-por-pacientes-e-pedem-seguranca\/","title":{"rendered":"M\u00e9dicos da UPA Olinda denunciam amea\u00e7as sofridas por pacientes e pedem seguran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;N\u00e3o estamos pedindo nenhum luxo, estamos pedindo para viver&#8221;, foi assim que m\u00e9dicas e m\u00e9dicos da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Greg\u00f3rio Bezerra, em Olinda, localizada no bairro da Tabajara, denunciaram que toda a equipe de trabalho da Unidade, desde vigia, t\u00e9cnicos de enfermagem, enfermeiros e m\u00e9dicos v\u00eam sofrendo agress\u00f5es e amea\u00e7as recorrentes h\u00e1 um tempo. A situa\u00e7\u00e3o se agravou ap\u00f3s a Pol\u00edcia Militar tirar os policiais dos plant\u00f5es das unidades de atendimento que, de acordo com a equipe, ocorreu no segundo semestre de 2019 por falta de contingente. Uma m\u00e9dica da unidade chegou a receber uma coroa de flores de um paciente em m\u00e3os. A diretoria da UPA entrou em contato com o Cremepe (Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco), Simepe (Sindicato dos M\u00e9dicos de Pernambuco), e Secretaria de Sa\u00fade de Pernambuco (SDS-PE) informando sobre os casos.<\/p>\n<p>Em janeiro de 2020 os m\u00e9dicos da UPA Olinda chegaram a realizar um protesto contra a amea\u00e7a de redu\u00e7\u00e3o no quadro profissional do local. Na ocasi\u00e3o, j\u00e1 havia reclama\u00e7\u00f5es sobre a sobrecarga de trabalho dos m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Em documento enviado ao Simepe em outubro de 2021, os m\u00e9dicos da UPA Olinda manifestaram a apreens\u00e3o com a &#8220;inseguran\u00e7a di\u00e1ria vivenciada em nossa unidade e o impacto negativo que as atuais condi\u00e7\u00f5es de trabalho t\u00eam sobre a qualidade da assist\u00eancia prestada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o&#8221;, e pediram as m\u00ednimas garantias de seguran\u00e7a no ambiente de trabalho. &#8220;\u00c9 de conhecimento p\u00fablico que o Governo do Estado retirou o policiamento fixo das UPAs alegando a falta de efetivo policial. Desde esse fato, as condi\u00e7\u00f5es t\u00eam se deteriorado progressivamente, apontando para a imin\u00eancia de uma trag\u00e9dia. T\u00eam se tornado constantes os casos de agress\u00e3o verbal, intimida\u00e7\u00e3o e amea\u00e7a, chegando a agress\u00e3o f\u00edsica em m\u00faltiplos casos&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com o texto, o livro de ocorr\u00eancia registra 16 casos entre 2020 e 2021. Ao DP, uma m\u00e9dica que n\u00e3o quis ser identificada disse ter feito um levantamento no livro de ocorr\u00eancias e ficou perplexa com a quantidade de acontecimentos. &#8220;\u00c9 absurdo a gente precisar trabalhar nessas condi\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma hist\u00f3ria pior que a outra e todo dia tem uma. Tem hist\u00f3ria que a gente sabe que ocorreu e o colega n\u00e3o registrou, ou seja, tem mais do que tem no livro&#8221;, contou.<\/p>\n<p>O of\u00edcio alega o direito de seguran\u00e7a no ambiente de trabalho que \u00e9 assegurado pelo c\u00f3digo de \u00e9tica m\u00e9dica no cap\u00edtulo III, &#8220;apontar falhas em normas, contratos e pr\u00e1ticas internas das institui\u00e7\u00f5es em que trabalhe quando as julgar indignas do exerc\u00edcio da profiss\u00e3o ou prejudiciais a si mesmo, ao paciente ou a terceiros, devendo comunic\u00e1-las ao Conselho Regional de Medicina de sua jurisdi\u00e7\u00e3o e \u00e0 Comiss\u00e3o de \u00c9tica da institui\u00e7\u00e3o, quando houver&#8221;. Al\u00e9m de outras disposi\u00e7\u00f5es, como a recusa do exerc\u00edcio da profiss\u00e3o onde as condi\u00e7\u00f5es de trabalho n\u00e3o sejam dignas ou possam prejudicar a pr\u00f3pria sa\u00fade ou a do paciente e a suspens\u00e3o das atividades quando a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o oferecer condi\u00e7\u00f5es adequadas para o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Um \u00fanico m\u00e9dico da UPA Olinda n\u00e3o teve medo e registrou um boletim de ocorr\u00eancia ap\u00f3s ser amea\u00e7ado por um paciente por n\u00e3o ter entregue um atestado m\u00e9dico ap\u00f3s a consulta. No B.O \u00e9 relatado que enquanto o m\u00e9dico esperava para tomar a segunda dose da vacina contra Covid-19, o paciente se aproximou dele, tirou uma foto e em seguida disse \u201cvou lhe matar\u201d. O registro foi feito no dia 7 de outubro de 2021.<\/p>\n<p>Ao DP, o diretor do Simepe, Rodrigo Rosas, relatou ter enviado um of\u00edcio \u00e0 Secretaria de Sa\u00fade de Pernambuco solicitando provid\u00eancias para o enfrentamento das agress\u00f5es. Al\u00e9m disso, houve um encontro com o \u00f3rg\u00e3o para alinhar poss\u00edveis melhorias n\u00e3o s\u00f3 nas UPAs, como tamb\u00e9m no Hospital da Restaura\u00e7\u00e3o. &#8220;A quest\u00e3o j\u00e1 vem cronificando h\u00e1 muito tempo e aumentou agora com essa epidemia da gripe. Existe uma demanda muito grande de pacientes e n\u00e3o existe um aumento na demanda de m\u00e9dicos, causando ac\u00famulo na demora do atendimento que culmina com essa situa\u00e7\u00e3o. O paciente come\u00e7a a ficar um pouco exaltado e numa situa\u00e7\u00e3o em que existe uma multid\u00e3o de pessoas, acaba contagiando e as coisas acabam tomando esse rumo. Pedimos \u00e0s autoridades para refor\u00e7ar as escalas de plant\u00f5es e, al\u00e9m disso, o aumento do patrulhamento nas unidades de sa\u00fade, n\u00e3o permitir acompanhantes de pacientes, a n\u00e3o ser em casos que existe uma obriga\u00e7\u00e3o legal, como menores de idade, idosos e defici\u00eancia&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Rodrigo Rosas disse, ainda, que o secret\u00e1rio de Sa\u00fade de Pernambuco, Andr\u00e9 Longo, argumentou que iria conversar com a Secretaria de Defesa Social (SDS). &#8220;Estamos esperando que as autoridades sanit\u00e1rias se sensibilizem com a situa\u00e7\u00e3o e aumentem o n\u00famero de plantonistas, e que fa\u00e7a uma interlocu\u00e7\u00e3o com a SDS e aumentar o patrulhamento pelo menos com essa epidemia de gripe e pandemia da Covid-19, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 calamitosa&#8221;.<\/p>\n<p>Em nota, a SDS informou ter um planejamento operacional que contempla as unidades de sa\u00fade atrav\u00e9s do policiamento motorizado executado por viaturas a quatro e duas rodas. &#8220;O que garante mais mobilidade, estando sempre \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, caso seja empenhado atrav\u00e9s do Copom ou da equipe de servidores do local, para intervir diante de uma situa\u00e7\u00e3o que exija presen\u00e7a policial no interior da unidade de sa\u00fade de pronto atendimento&#8221;.<\/p>\n<p>No entanto, uma outra m\u00e9dica, que tamb\u00e9m n\u00e3o quis revelar a identidade, afirmou que &#8220;n\u00e3o \u00e9 bem assim que acontece&#8221;. &#8220;Eu nunca vi uma ronda. Se a quest\u00e3o for um problema naquele momento e a gente chamar, a pol\u00edcia n\u00e3o chega em tempo, nunca \u00e9 resolutivo. A gente sabe que n\u00e3o tem contingente, que a seguran\u00e7a tamb\u00e9m sofre com o Governo assim como a sa\u00fade, mas cabe \u00e0 Secretaria contratar seguran\u00e7as. Se n\u00e3o vai botar a Pol\u00edcia Militar, tem que botar uma seguran\u00e7a privada, o que n\u00e3o d\u00e1 \u00e9 ficar sem seguran\u00e7a. \u00c0s vezes, quando chega algum policial com algum suspeito para ter a libera\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, a gente conta o que aconteceu e pede para eles tentarem conversar com o paciente. Eles conversam, mas seguem com a ocorr\u00eancia deles pouco depois porque eles n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1 para garantir a seguran\u00e7a de quem est\u00e1 trabalhando ou em atendimento. Existe a chance de o paciente se aquietar, mas tamb\u00e9m tem a chance dele perceber que o policial foi embora e at\u00e9 ficar pior com a equipe&#8221;, relatou.<\/p>\n<p>No que lhe diz respeito, a Secretaria de Sa\u00fade, atrav\u00e9s de nota, reconheceu o aumento expressivo de pacientes que procuram as Unidades de Pronto Atendimento e refor\u00e7ou o cumprimento das normas do sistema de classifica\u00e7\u00e3o de risco, tendo os casos graves como prioridade, mas sem muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0 UPA Olinda. &#8220;As UPAS estaduais j\u00e1 refor\u00e7aram suas as escalas de profissionais com o objetivo de oferecer um atendimento mais \u00e1gil aos pacientes que procuram atendimento. As Unidades, com o apoio da SES-PE, tamb\u00e9m j\u00e1 realizaram os tr\u00e2mites necess\u00e1rios para instala\u00e7\u00e3o de toldos e cadeiras nas \u00e1reas externas para acomodar essa demanda de pacientes, como a UPA Caxang\u00e1 e a UPA Nova Descoberta&#8221;.<\/p>\n<p>Elas tamb\u00e9m contaram alguns casos de agress\u00f5es sofridas pelo vigia do local, como ser empurrado, cuspe no rosto, dentre outras coisas. Al\u00e9m disso, a equipe de enfermagem que fica na linha de frente em maior contato com os pacientes, tem um bot\u00e3o de seguran\u00e7a para chamar a portaria em casos de maior exalta\u00e7\u00e3o\/amea\u00e7a\/agress\u00e3o de pacientes.<\/p>\n<p>Por sua vez, em resposta aos m\u00e9dicos, o Cremepe disse ter entrado em contato com a SDS que \u201ccomunicou que a Diretoria de Planejamento Operacional DPO\/PMPE, por meio do Comando do 1\u00ba BPM, est\u00e1 empregando, diariamente, guarni\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas e motos ordin\u00e1rias na localidade\u201d. \u201cSalientou ainda o comando que, o efetivo da \u00e1rea da 2\u00aa Companhia, motos e guarni\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas ordin\u00e1rias, tamb\u00e9m refor\u00e7am o policiamento no bairro da cidade Tabajara\/PE, tendo sido orientados a intensificarem as abordagens no local\u201d. O Conselho teve como resposta da gest\u00e3o da UPA Olinda que \u201co planejamento operacional mencionado neste of\u00edcio n\u00e3o existe nesta unidade. Ocorrem visitas di\u00e1rias de minutos\u201d.<\/p>\n<p>O Cremepe n\u00e3o respondeu a solicita\u00e7\u00e3o da reportagem at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Segundo a profissional, houve aumento de m\u00e9dicos para atendimento adulto na cl\u00ednica m\u00e9dica. &#8220;Antes da pandemia a gente tinha tr\u00eas cl\u00ednicos de dia e tr\u00eas \u00e0 noite. Durante a pandemia, aumentou um m\u00e9dico de dia e agora s\u00e3o quatro de dia e tr\u00eas \u00e0 noite. Pela regulamenta\u00e7\u00e3o do Cremepe, \u00e9 para ser um m\u00e9dico para 35 atendimentos em 12 horas. Era pra a gente ter pelo menos uns seis de dia e uma equipe de remo\u00e7\u00e3o, porque quando tem algum paciente mais grave a gente tem que sair para lev\u00e1-lo para outra unidade e desfalca o plant\u00e3o. O Cremepe tem essa regulamenta\u00e7\u00e3o, a Secretaria sabe disso e eles v\u00e3o empurrando goela abaixo, a gente vai aceitando e fica por isso mesmo. J\u00e1 a escala da pediatria \u00e9 um m\u00e9dico por plant\u00e3o \u00e0 noite. Mas as agress\u00f5es e amea\u00e7as continuam, porque mesmo com o aumento, o contingente continua sendo insuficiente. J\u00e1 era antes e, n\u00e3o se iluda, assim que der, eles v\u00e3o tentar reduzir&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um trabalho imenso conseguir algu\u00e9m para trabalhar na UPA Olinda. Na segunda onda da pandemia, por exemplo, n\u00e3o fechava a escala, tinha dia que s\u00f3 tinha um m\u00e9dico para o plant\u00e3o do dia todo e tinha dia que n\u00e3o tinha nenhum. Ningu\u00e9m queria ir para l\u00e1 por conta do trabalho insalubre e risco de agress\u00e3o e amea\u00e7a. O trabalho \u00e9 muito pesado, um volume absurdo de coisas para fazer e a equipe \u00e9 insuficiente para a [ala] vermelha, amarela, remo\u00e7\u00e3o e verde. N\u00e3o \u00e9 dividido&#8221;, contou a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Uma das m\u00e9dicas pontuou que os problemas da UPA s\u00e3o infinitos, mas &#8220;a gente s\u00f3 quer a garantia de que vai voltar para casa no fim do turno&#8221;. &#8220;O que mais incomoda a gente \u00e9 que sabemos que nada vai ser corrigido. O fato \u00e9 que a gente precisa pelo menos que seja garantido o m\u00ednimo, que \u00e9 a vida da gente sem estar sob risco, porque estamos sob risco de vida, a verdade \u00e9 essa. Depois do que aconteceu com a m\u00e9dica da UPA Torr\u00f5es, a pr\u00f3xima coisa \u00e9 morrer algu\u00e9m, s\u00f3 falta isso, n\u00e3o tenho d\u00favida\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 cheio, falta medica\u00e7\u00e3o, profissional, falta &#8216;N&#8217; coisas, mas j\u00e1 \u00e9 prec\u00e1rio do jeito que \u00e9 e a gente n\u00e3o tem seguran\u00e7a para trabalhar, estamos sendo amea\u00e7ados de morte. Um colega amea\u00e7ado de morte, outra recebeu uma coroa de flores, outra \u00e9 agredida fisicamente. Falta o que para o Governo ver que n\u00e3o d\u00e1 para ficar sem seguran\u00e7a nessas unidades?&#8221;, questionou. &#8220;N\u00e3o estamos pedindo nenhum luxo, estamos pedindo para viver, para n\u00e3o arriscar a vida trabalhando. As pessoas est\u00e3o com os \u00e2nimos inflamados por estarem doentes e a gente fica exposto a isso sem nenhum tipo de seguran\u00e7a, s\u00f3 esperando acontecer, porque vai acontecer&#8221;.<\/p>\n<p>A inseguran\u00e7a tamb\u00e9m ocorre na sala de repouso da equipe, que por vezes tem a porta arrombada a chutes pelos pacientes. A seguran\u00e7a armada causa maior intimida\u00e7\u00e3o aos pacientes, que tendem a se conter. &#8220;Os hospitais grandes t\u00eam seguran\u00e7a, estrutura, e a gente fica de bode expiat\u00f3rio do caos da sa\u00fade. Quando tem PM ou seguran\u00e7a armada ningu\u00e9m passa da porta do consult\u00f3rio e da emerg\u00eancia. Se voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 m\u00e9dico ou n\u00e3o est\u00e1 de plant\u00e3o, n\u00e3o entra. Na UPA Olinda, entram at\u00e9 no repouso quando a chave est\u00e1 quebrada, ou tamb\u00e9m arrombam. Na UPA Nova Descoberta j\u00e1 invadiram, volta e meia tem algu\u00e9m dando porrada na porta. A fechadura do repouso de Olinda j\u00e1 foi quebrada na porrada mais de uma vez. J\u00e1 aconteceu de eu entrar no repouso para ir ao banheiro ou beber \u00e1gua, come\u00e7ar a confus\u00e3o na porta e eu ligar para a recep\u00e7\u00e3o para algu\u00e9m ir me pegar. Voc\u00ea fica querendo sair para voltar a trabalhar, mas tem medo de sair e apanhar&#8221;, afirmaram as m\u00e9dicas.<\/p>\n<p>&#8220;A entrada para a sala vermelha \u00e9 aberta, em outras UPAs a porta \u00e9 travada ou tem porteiro fixo. Em Olinda \u00e9 s\u00f3 entrar. Nesse abriu e entrou, um cara entrou de capacete, entregou uma coroa de flores para amea\u00e7ar uma das m\u00e9dicas e foi embora&#8221;, relataram.<\/p>\n<p><strong>Caso UPA Torr\u00f5es<\/strong><br \/>\nNo dia 21 de dezembro, uma m\u00e9dica foi agredida com arranh\u00f5es e chutes por uma paciente na UPA Torr\u00f5es, na Avenida Abdias de Carvalho, no Prado, Zona Oeste da cidade. O caso foi gravado por um paciente que estava no local e chegou a p\u00fablico. A m\u00e9dica agredida optou por n\u00e3o processar a paciente &#8220;para preservar a minha integridade f\u00edsica&#8221;.<\/p>\n<p>Em conversa com a reportagem, a m\u00e9dica, que n\u00e3o quis ser identificada, contou que a UPA estava superlotada no dia do ocorrido e s\u00f3 tinham tr\u00eas m\u00e9dicos, que era o normal do plant\u00e3o da noite. &#8220;A demanda de l\u00e1 sempre \u00e9 alta. A gente recebe plant\u00e3o com 40 pacientes em tela, que s\u00e3o os j\u00e1 classificados que est\u00e3o esperando para serem chamados, fora os que ainda est\u00e3o em processo de classifica\u00e7\u00e3o, preenchimento de formul\u00e1rio, botar a pulseira de acordo com a sua necessidade. E houve um aumento muito grande da demanda neste fim de ano com o quadro gripal, ou seja, o que a gente sempre recebia \u00e0 noite e j\u00e1 era bem dif\u00edcil, porque fica um m\u00e9dico na sala vermelha vendo os pacientes mais graves e dois atendendo no consult\u00f3rio, piorou&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Nesse dia, o colega que trabalha comigo repassou o plant\u00e3o para uma novata que tinha dificuldade com o sistema. Sempre recebemos plant\u00e3o com 40 pacientes em tela, mas nesse dia tinham 90 e n\u00e3o baixava de jeito nenhum. Al\u00e9m desses 90, tinham os retornos de exames e medica\u00e7\u00e3o para serem reavaliados, eram muito mais de 100 pessoas na UPA e n\u00e3o tinha nem cadeira para todo mundo. Comuniquei v\u00e1rias vezes \u00e0 chefia que precisava restringir o atendimento aos pacientes mais graves para n\u00e3o tumultuar muito com os verdes, que n\u00e3o s\u00e3o graves, o que demoraria o atendimento deles, mas n\u00e3o pode restringir&#8221;, relatou.<\/p>\n<p>Ela disse que precisou parar de atender no consult\u00f3rio por ter surgido uma demanda urgente. &#8220;Um paciente convulsionou na minha sala e eu tive que sair para remanej\u00e1-lo na vermelha, quando cheguei l\u00e1, o m\u00e9dico respons\u00e1vel estava entubando outro paciente e eu precisei maneja-lo, pedir remo\u00e7\u00e3o e demorei um pouco para voltar. Eu s\u00f3 sa\u00ed da sala nesse caso e para ir ao banheiro uma vez, e aqui a gente n\u00e3o janta \u00e0 noite para poder dar vaz\u00e3o logo aos pacientes. Como eu era mais experiente fiquei atendendo os casos amarelos e laranjas, que s\u00e3o mais graves, e a colega ficou com verde e retorno, s\u00f3 que ela precisou sair em remo\u00e7\u00e3o com o paciente que convulsionou, porque a ambul\u00e2ncia do Samu chegou sem m\u00e9dico e eu fiquei sozinha com 90 pacientes em tela&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com a m\u00e9dica, a primeira paciente da pulseira verde a ser atendida por ela entrou no consult\u00f3rio exaltada pela demora. &#8220;Ela chegou dizendo que eu tinha chamado gente na frente, eu disse que estava chamando por ordem de hor\u00e1rio e ela ficou questionando que eu tinha demorado muito a atender; falei que n\u00e3o tinha parado um minuto e estava atendendo o mais r\u00e1pido poss\u00edvel e ela continuou insistindo, foi quando eu percebi que n\u00e3o tinha di\u00e1logo e perguntei se ela ia me deixar atender, mas ela continuou questionando. Nessa hora eu levantei, disse que precisava atender e ia fechar a porta, foi nesse momento que ela me empurrou, me arranhou nos bra\u00e7os e continuou discutindo. Voltei a perguntar se ela ia me deixar atender ou continuar atrapalhando o atendimento, at\u00e9 cheguei a cham\u00e1-la de ego\u00edsta, foi quando ela se exaltou mais ainda, disse que eu n\u00e3o sabia com quem estava me metendo, me amea\u00e7ou e deu um chute e, por instinto, acabei revidando puxando o cabelo dela&#8221;.<\/p>\n<p>A profissional de sa\u00fade explicou que, por conta da grande demanda, o seguran\u00e7a do local estava na primeira recep\u00e7\u00e3o. &#8220;Ele s\u00f3 se locomoveu depois para ajudar porque foi quando viu o tumulto, e ainda chegou a levar o segundo chute que ela deu, a\u00ed eu entrei na sala. Quando voltei [para a sala] at\u00e9 pensei em voltar a atender, mas quando olhei para as minhas m\u00e3os uma unha tinha quebrado e a outra descolado parcialmente, fora os arranh\u00f5es. Liguei para a Pol\u00edcia, registrei a ocorr\u00eancia, fui para a Delegacia e para o IML. J\u00e1 tem mais de 20 dias que aconteceu e at\u00e9 hoje estou sem a minha unha&#8221;.<\/p>\n<p>Ela afirmou que o contingente de m\u00e9dicos aumentou na UPA Torr\u00f5es ap\u00f3s o epis\u00f3dio da agress\u00e3o, e que a situa\u00e7\u00e3o poderia ter sido evitada. &#8220;A gente entende que \u00e9 um caos, que os pacientes estavam esperando muito, mas o m\u00e9dico n\u00e3o tem culpa, eu estava fazendo o meu trabalho e mod\u00e9stia parte, estava fazendo muito r\u00e1pido para dar maior vaz\u00e3o e evitar tumulto, mas as pessoas n\u00e3o compreendem. Entendo que h\u00e1 motivo para estarem exaltados. Quando aconteceu e foi veiculado, rapidamente aumentou a quantidade de m\u00e9dicos, j\u00e1 no outro dia. Por um lado eu achei bom pelo maior suporte, mas at\u00e9 que ponto a gente chega? Precisou acontecer uma situa\u00e7\u00e3o como essa para haver mudan\u00e7a&#8221;, pontuou.<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/noticia\/vidaurbana\/2022\/01\/medicos-da-upa-olinda-denunciam-graves-ameacas-sofridas-por-pacientes.html<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;N\u00e3o estamos pedindo nenhum luxo, estamos pedindo para viver&#8221;, foi assim que m\u00e9dicas e m\u00e9dicos da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Greg\u00f3rio Bezerra, em Olinda, localizada no bairro da Tabajara, denunciaram que toda a equipe de trabalho da Unidade, desde vigia, t\u00e9cnicos de enfermagem, enfermeiros e m\u00e9dicos v\u00eam sofrendo agress\u00f5es e amea\u00e7as recorrentes h\u00e1 um 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