{"id":716,"date":"2011-01-24T15:55:13","date_gmt":"2011-01-24T15:55:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=716"},"modified":"2011-07-20T17:47:57","modified_gmt":"2011-07-20T17:47:57","slug":"o-desafio-de-acabar-com-as-filas-do-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/o-desafio-de-acabar-com-as-filas-do-sus\/","title":{"rendered":"O desafio de acabar com as filas do SUS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Regulamentado pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade ainda n\u00e3o conseguiu superar um problema hist\u00f3rico, a espera por atendimento <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RIO \u2013 A imagem do marido agonizando n\u00e3o sai da cabe\u00e7a da l\u00edder comunit\u00e1ria S\u00f4nia Regina Gon\u00e7alves, que o internou em 1\u00ba de dezembro de 2010 para tratar de um c\u00e2ncer nas cordas vocais no Hospital do Andara\u00ed, no Rio. Por dez dias, aguardou que uma vaga fosse aberta no andar onde os casos de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o s\u00e3o tratados. S\u00f4nia diz que, durante a espera, viu o marido ficar \u201ccada vez mais fraco\u201d, at\u00e9 n\u00e3o resistir: \u201cTalvez a hist\u00f3ria fosse outra se ele tivesse ido para o lugar certo. Fiz o que pude, mas a morte venceu\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O drama de S\u00f4nia \u00e9 comum a muitos brasileiros. Regulamentado na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) \u2013 que engloba desde atendimento ambulatorial at\u00e9 transplante \u2013 interna, em m\u00e9dia, nove milh\u00f5es de pessoas por ano, faz mais de dois milh\u00f5es de partos e realiza cerca de 16 mil transplantes. No entanto, outras milhares de pessoas no Pa\u00eds aguardam atendimento. Estudo do pesquisador Alexandre Marinho, do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), baseado em dados de 2007, mostra que, no Brasil, o tempo m\u00e9dio de espera por uma interna\u00e7\u00e3o \u00e9 de seis dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00fameros reunidos por secretarias de Sa\u00fade, sindicato dos m\u00e9dicos, sociedades brasileiras de v\u00e1rias especialidades e profissionais do setor s\u00e3o ainda mais dram\u00e1ticos. No Instituto Nacional de Traumatologia (Into), 21 mil aguardam cirurgia. Na fila da cirurgia bari\u00e1trica, s\u00f3 no Estado do Rio, h\u00e1 cinco mil. No munic\u00edpio, espera-se 12 meses por uma cirurgia vascular eletiva.<br \/>\nEm Minas, segundo a Sociedade Brasileira de Radioterapia, sete mil pessoas esperam para iniciar tratamento. Em Pernambuco, s\u00e3o 4.458. Operar o joelho no Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo pode demorar quatro anos, segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ministro da Sa\u00fade, Alexandre Padilha reconhece que as filas s\u00e3o um problema e prop\u00f4s a cria\u00e7\u00e3o de um indicador nacional de qualidade de acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade: \u201cO indicador mostrar\u00e1 a realidade e poderemos estabelecer metas e melhorias. Mas para que ele exista, faremos um mapa sanit\u00e1rio nacional, que permitir\u00e1 que sejam comparadas as necessidades com a oferta do SUS\u201d, explica. \u201cO mapa \u00e9 a base do indicador, e pode ser que tenhamos um da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e outro da m\u00e9dia e alta complexidade. Mas para cada regi\u00e3o, o mapa vai nos ajudar a pensar estrategicamente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Investir em preven\u00e7\u00e3o \u00e9 o caminho <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RIO \u2013 M\u00e9dico da rede p\u00fablica h\u00e1 30 anos, J. N. trabalha na central estadual de regula\u00e7\u00e3o de vagas do Rio de Janeiro e acompanha semanalmente o drama de adultos que precisam de leitos de Unidade de Terapia Intensiva: \u201cEm m\u00e9dia, num plant\u00e3o de 24 horas, recebemos de cem a 150 pedidos de interna\u00e7\u00e3o, e, muitas vezes, deixamos o plant\u00e3o sem conseguir internar uma pessoa. Temos muita dificuldade tamb\u00e9m para conseguir leitos para doentes de aids que desenvolvem tuberculose. A m\u00e9dia de espera \u00e9 de uma semana\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Levantamento da Promotoria de Justi\u00e7a de Tutela Coletiva da Sa\u00fade da capital fluminense mostra que o d\u00e9ficit de leitos de CTI adulto chega a cem, e que crian\u00e7as esperam de cinco a dez dias para serem internadas. Uma bi\u00f3psia pode levar seis meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Presidente do Conselho Nacional de Sa\u00fade, Francisco Batista Junior acredita que as filas podem ser reduzidas se o Pa\u00eds investir em preven\u00e7\u00e3o. \u201cTratar com anteced\u00eancia problemas simples que evoluem para casos mais graves pode evitar, por exemplo, que pessoas precisem fazer hemodi\u00e1lise, que hoje tem fila em todo o Pa\u00eds. O SUS consegue evitar o \u00f3bito daqueles que t\u00eam um trauma, que chegam \u00e0s emerg\u00eancias, mas o atendimento eletivo tem problemas grav\u00edssimos, que n\u00e3o s\u00e3o resolvidos s\u00f3 com dinheiro\u201d, diz Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisador do Ipea, Alexandre Marinho concorda que nem o maior or\u00e7amento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade desde 1995 \u2013 ser\u00e3o R$ 77 bilh\u00f5es em 2011 \u2013 sozinho resolver\u00e1 a superlota\u00e7\u00e3o dos hospitais e as filas. \u201cEsse problema \u00e9 maior dependendo do lugar, e piora porque n\u00e3o existe gest\u00e3o de fila no Brasil nem estudo sistem\u00e1tico sobre o tema. A proposta do ministro Padilha \u00e9 um primeiro passo, porque como a demanda de sa\u00fade \u00e9 imprevis\u00edvel, a gest\u00e3o \u00e9 imprescind\u00edvel. N\u00e3o d\u00e1 para administrar o que n\u00e3o \u00e9 conhecido\u201d, diz Marinho, que j\u00e1 se debru\u00e7ou sobre dados de filas para interna\u00e7\u00f5es relacionadas com a gravidez, parto e puerp\u00e9rio e descobriu que em 1990 e em 2002, em Salvador, o tempo de espera era de mais de 48 horas. Segundo o Ipea, em m\u00e9dia, no Brasil, nos mesmos anos, uma mulher esperava 20 horas para dar \u00e0 luz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O alto pre\u00e7o pago pela espera<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00c3O PAULO \u2013 A espera de um ano e seis meses por uma pr\u00f3tese agravou a osteomielite de Vin\u00edcius Alexsander de Almeida, 21 anos. Ele teve o p\u00e9 direito amputado na manh\u00e3 do \u00faltimo dia 14, no Hospital das Cl\u00ednicas (HC), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). \u201cNos \u00faltimos tr\u00eas meses, ele piorou muito\u201d, contou sua m\u00e3e, Rita de C\u00e1ssia de Almeida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vin\u00edcius teve a osteomielite \u2013 processo inflamat\u00f3rio do tecido \u00f3sseo produzido por bact\u00e9rias produtoras de pus \u2013 diagnosticada no p\u00e9 esquerdo ainda beb\u00ea. Antes dos 3 anos, fez a primeira amputa\u00e7\u00e3o e passou a depender da pr\u00f3tese. H\u00e1 cerca de seis anos a doen\u00e7a se manifestou no p\u00e9 direito. Vin\u00edcius precisou de uma segunda pr\u00f3tese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa pe\u00e7a ortop\u00e9dica \u00e9 distribu\u00edda no HC a pacientes do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Para conseguir uma outra pr\u00f3tese, que substituiria a primeira, gasta, ele precisou entrar na fila. \u201cSempre fomos muito bem atendidos aqui. Mas essa parte da pr\u00f3tese depende de conv\u00eanio. Parece que o governo federal cortou a verba\u201d, disse a m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pai de Vin\u00edcius, Elias Ramos de Almeida, diz que agora, depois da nova cirurgia de amputa\u00e7\u00e3o, o filho ter\u00e1 uma outra etapa longa e dif\u00edcil para superar: \u201cA fila agora \u00e9 mais demorada ainda. A pr\u00f3tese que ele vai precisar \u00e9 mais dif\u00edcil, mais cara. A gente sofre. Mas n\u00e3o vamos desistir, n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Belo Horizonte, uma consulta m\u00e9dica viabilizada pela camaradagem de um amigo m\u00e9dico, em um hospital da rede municipal, salvou a vida do irm\u00e3o do serigrafista Vagner Monteiro Dion\u00edsio, 41 anos. Sem conseguir engolir nem uma gota d\u2019\u00e1gua, ele precisaria esperar tr\u00eas meses no posto de sa\u00fade para uma consulta com o gastroenterologista. O paciente acabou diagnosticado com c\u00e2ncer de es\u00f4fago e iniciou o tratamento imediatamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando chegou l\u00e1 em casa o papel com o hor\u00e1rio da consulta do gastro, no fim de dezembro, meu irm\u00e3o j\u00e1 tinha feito cirurgia e estava na metade da quimioterapia. Imagina, a doen\u00e7a ia se proliferar\u201d, conta Vagner.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Regulamentado pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade ainda n\u00e3o conseguiu superar um problema hist\u00f3rico, a espera por atendimento RIO \u2013 A imagem do marido agonizando n\u00e3o sai da cabe\u00e7a da l\u00edder comunit\u00e1ria S\u00f4nia Regina Gon\u00e7alves, que o internou em 1\u00ba de dezembro de 2010 para tratar de um c\u00e2ncer nas cordas vocais 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