{"id":7713,"date":"2010-11-16T15:24:43","date_gmt":"2010-11-16T15:24:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=7713"},"modified":"2012-08-28T15:26:11","modified_gmt":"2012-08-28T15:26:11","slug":"artigo-refletindo-a-partir-dos-fatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/artigo-refletindo-a-partir-dos-fatos\/","title":{"rendered":"Artigo: Refletindo a partir dos fatos"},"content":{"rendered":"<div id=\"texto2\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Lia Giraldo da Silva Augusto <\/p>\n<p>Entre o  discurso e a pr\u00e1tica, diz o dito popular, h\u00e1 uma enorme dist\u00e2ncia. A lideran\u00e7a  que atuou pela reforma sanit\u00e1ria brasileira e que ascendeu ao poder \u00e9 tamb\u00e9m  respons\u00e1vel pelas derrotas que este importante projeto social transformador tem  amargado. E isto sim, \u00e9 uma grande trai\u00e7\u00e3o! Um exemplo desse descaminho \u00e9 o  processo acelerado de privatiza\u00e7\u00e3o do SUS nos \u00faltimos anos. Um risco que era  previs\u00edvel, mas que pela conveni\u00eancia corporativa recebeu muito pouca  resist\u00eancia dos &#8220;gestores de plant\u00e3o&#8221;. A integralidade das a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade  sucumbiu ao velho modelo medicalizante. Eliminou-se a cr\u00edtica e promoveu-se o  adesismo \u00e0 chapa branca. Ali\u00e1s, este tem sido o pecado da esquerda, que  abandonou o compromisso ao movimento social e aderiu avidamente ao poder, n\u00e3o  para aprofundar as reformas necess\u00e1rias, mas para atender ao fisiologismo  pol\u00edtico e partid\u00e1rio. M\u00e9todos escusos de gest\u00e3o tornaram-se normal no espa\u00e7o  p\u00fablico.<\/p>\n<p>Assim, tenho que refletir a partir do meu trabalho na esfera  p\u00fablica. Sou testemunha de casos emblem\u00e1ticos que ilustram esse abandono, apesar  do esfor\u00e7o cotidiano que se faz na ponta do sistema, para enfrentar esses  descaminhos. A pr\u00e1tica de &#8220;dois pesos e duas medidas&#8221; \u00e9 a grande quest\u00e3o. Quando  \u00e9 o &#8220;outro&#8221;, se \u00e9 contra, quando \u00e9 da turma, justifica-se. Modelos  inconcili\u00e1veis para tratar o desenvolvimento da agricultura, o meio ambiente, a  seguran\u00e7a nutricional e a sa\u00fade coabitam ambiguamente. Por exemplo, dentro do  governo atual se tem dois minist\u00e9rios para a agricultura, um gordo, que apoia o  agroneg\u00f3cio (Mapa) e outro, magro, para as quest\u00f5es da agricultura familiar  (MDA). <\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 promotora de profundas injusti\u00e7as sociais e  implica em jogar fora princ\u00edpios, inclusive \u00e9ticos, fundamentais para a  sustentabilidade do verdadeiro desenvolvimento social da popula\u00e7\u00e3o brasileira.  Temos testemunhado a press\u00e3o da bancada ruralista sobre o governo (n\u00e3o  esque\u00e7amos o tratora\u00e7o em Bras\u00edlia) e que nesta elei\u00e7\u00e3o se tornou ainda mais  forte. \u00c9 muito preocupante a busca pela desregula\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o para  favorecer o modelo de agricultura qu\u00edmico dependente, energ\u00e9tico intensivo,  expropriador de terra, promotor de enormes danos ambientais e para a sa\u00fade,  trazendo a viol\u00eancia e a pobreza. Uma das implica\u00e7\u00f5es socioambientais desse  modelo pode ser aqui analisada: sabemos que para abastecer toda a humanidade com  \u00e1gua pot\u00e1vel, estima-se serem necess\u00e1rios 65 quil\u00f4metros c\u00fabicos por ano.  <\/p>\n<p>No entanto, cada safra de soja exportada pelo Brasil, para a China,  consome 45 km\u00b3 de \u00e1gua por ano. Pergunta-se: quem lucra? \u00c9 certo que s\u00e3o os  magnatas da soja. Quem paga a conta ambiental e social? \u00c9 certo que \u00e9 o povo  brasileiro. O subs\u00eddio n\u00e3o \u00e9 declarado e o custo socioambiental n\u00e3o \u00e9  internalizado. Em Mato Grosso, at\u00e9 a \u00e1gua da chuva est\u00e1 contaminada por  agrot\u00f3xicos, conforme estudos da Fiocruz e da UFMT. Outro grande problema dessa  pol\u00edtica trazida do &#8220;sindicalismo de resultados&#8221; est\u00e1 na sa\u00fade p\u00fablica. Por  exemplo, a quest\u00e3o da dengue. <\/p>\n<p>Apesar de todas as demonstra\u00e7\u00f5es de  inefic\u00e1cia dos modelos oficiais para seu controle, o governo sustenta a ferro e  fogo a utiliza\u00e7\u00e3o de venenos, gastando em todos estes anos bilh\u00f5es de reais em  inseticidas e larvicidas para o controle dos mosquitos sem resultados efetivos,  quando, na verdade, o problema \u00e9 de saneamento ambiental, educa\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o  integral \u00e0 sa\u00fade. Dados recentes do IBGE nos indicam a falta de saneamento e  ainda o analfabetismo. Resta perguntar: quando as reformas de base v\u00e3o ocorrer?  Como promov\u00ea-las? Temos que cobrar por estas pol\u00edticas.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u00bb Lia Giraldo da Silva Augusto \u00e9 m\u00e9dica sanitarista,  pesquisadora em sa\u00fade ambiental da Fiocruz e professora da UPE<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lia Giraldo da Silva Augusto Entre o discurso e a pr\u00e1tica, diz o dito popular, h\u00e1 uma enorme dist\u00e2ncia. A lideran\u00e7a que atuou pela reforma sanit\u00e1ria brasileira e que ascendeu ao poder \u00e9 tamb\u00e9m respons\u00e1vel pelas derrotas que este importante projeto social transformador tem amargado. E isto sim, \u00e9 uma grande trai\u00e7\u00e3o! 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