Sedentarismo e má alimentação: vilões

Segundo especialistas, o crescimento expressivo no percentual de jovens obesos no Brasil resulta, sobretudo, de uma transformação dos hábitos alimentares, do aumento do sedentarismo e de pressões sociais. Professora do departamento de nutrição da UFPE, Poliana Cabral destaca, como possível causa, o processo de transição demográfica e econômica vivenciado por países em desenvolvimento. “Isso contribui para mudanças no padrão alimentar, tais como uma tendência a uma dieta densa em energia, rica em gordura e açúcares, além de um baixo consumo de alimentos com muita fibra, como frutas, legumes e hortaliças”, diz. Esse cenário, aponta, soma-se ao declínio da atividade física para implicar no excesso de peso.
O psicólogo infanto-juvenil Carlos Brito observa que, no cenário atual, as crianças e adolescentes têm dificuldades de criar vínculos sociais, vivem sem limites e estão sujeitos a diversas pressões, tecnologias e atividades. Tudo isso, pode gerar ansiedade. “A comida surge como possibilidade de diminuição dessa sensação. Isso pode se tornar causa do sobrepeso ou obesidade. Às vezes, até as famílias, sentindo-se culpadas ou desamparadas, tentam dar alimento como afeto.” Para o especialista, o quadro é agravado pelo “achatamento da infância”, pela chegada antecipada da adolescência. “Crianças com 9 ou 10 anos, infelizmente, já estão com o padrão de estética incorporado. Daí, começa o bullying contra os obesos, que, muitas vezes, desenvolvem problemas emocionais.”

A pressão ligada à estética, aliás, é apontada como uma explicação ao aumento mais expressivo do sobrepeso entre os jovens. “Pelo padrão de beleza ocidental, o corpo feminino deve ser esguio e o masculino, com músculos desenvolvidos. Isso faz com que meninas, principalmente as de melhor nível socioeconômico, busquem várias alternativas para o controle e perda de peso”, afirma a nutricionista. Outras consequências negativas da obesidade podem ser a hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e cérebro-vasculares, diabetes, câncer, distúrbios menstruais ou infertilidade.

Fonte: Diario de Pernambuco

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