O nó dos honorários médicos

A bomba-relógio da saúde privada é a remuneração dos prestadores de serviços. Área turbulenta que deixa o usuário vulnerável. Médicos reclamam dos baixos honorários. Hospitais, clínicas e serviços de diagnósticos alertam para a defasagem das tabelas de preços das operadoras. Algumas especialidades médicas ameaçam suspender os convênios, proposta defendida pelo presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto D’Ávila.

O argumento dos médicos é convincente. O vice-presidente do CFM, Aloísio Tibiriçá, diz que há operadoras que não reajustam os honorários médicos há anos. Exemplifica que, em dez anos, os planos de saúde aumentaram 170%, enquanto a inflação foi de 110%. Já os médicos tiveram reajuste de 70% no mesmo período. Ele defende que a ANS entre em campo para criar um mecanismo de reajuste e uma data base para os médicos dos planos de saúde.

Diretor executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), José Cechin representa o grupo das 15 maiores empresas do setor privado. Ele tem outra visão sobre o impasse dos honorários. Argumenta que os problemas são pontuais e garante que as seguradoras pagam os valores mais altos de honorários médicos, com reajuste anual acima da inflação e do reajuste autorizado pela ANS para os planos individuais. “Não vejo crise no setor.”

Arlindo de Almeida, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Medicina de Grupo (Abramge), descarta problemas assistenciais por falta de rede de atendimento dos planos de saúde. Almeida acrescenta que o problema com os hospitais está parcialmente resolvido com a reformulação dos pacotes de remuneração. Em relação aos médicos, ele descarta a criação de novas tabelas de honorários médicos.

Representante da rede de hospitais privados que atende os planos de saúde em Pernambuco, o presidente do Sindhospe, Mardônio Quintas, alerta para queda de qualidade do atendimento dos planos de saúde. “O polo médico é atingido em efeito cascata pela crise das operadoras. A verdade é que um plano de saúde cujo valor per capita fica abaixo de R$ 140 é inviável.” (R.F.)

Fonte: Diario de Pernambuco (20.01.13)

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