BRASÍLIA (ABr e Folhapress) – O Ministério da Saúde informou ontem que pelo menos três laboratórios manifestaram interesse em assumir a venda do medicamento L-asparaginase, indicado para o tratamento da leucemia linfóide aguda. Em dezembro, o laboratório Bagó, que comercializa o remédio no Brasil, anunciou que só tem estoque para seis meses de abastecimento. Hoje, às 14h, representantes do laboratório Bagó e o secretário de Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos, Carlos Gadelha, se reúnem para que fiquem claros os motivos que levaram à interrupção do fornecimento do L-asparaginase no Brasil.
O governo deve sugerir como alternativa à situação a transferência de tecnologia ou algum tipo de parceria que facilite a retomada da comercialização do produto no país. A expectativa do ministério é que, até a próxima sexta-feira, haja um posicionamento sobre o assunto.
Especialistas se reuniram ontem para avaliar a suspensão das vendas no Brasil. Como era a única marca desse princípio ativo com registro no país, os médicos começaram a se preocupar com a possível falta do produto no País. “Diferentemente do que foi declarado pelo laboratório, a droga já está em falta em diversos serviços do país”, informou nota divulgada pela Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica. No documento, os médicos pediram para que as principais entidades da área participem de discussões sobre as medidas emergenciais do Ministério da Saúde. Para eles, o acesso às drogas importadas emergencialmente precisa universal e as marcas compradas devem ser de fabricantes conhecidos. Eles pediram que o governo arque com os custos adicionais das drogas usadas.
A eventual falta da asparaginase é vista por especialistas como “uma tragédia”. Segundo a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, a taxa de cura entre crianças, por exemplo, chega a 80% e está fortemente relacionada ao uso do medicamento. Todos os anos, cerca de 3 mil pessoas, entre adultos e crianças, usam a droga no Brasil.
Segundo o hematologista do Hospital Israelita Albert Einstein Cláudio Galvão de Castro Junior, as drogas que utilizam a asparaginase são altamente eficazes, mas, por serem baratas e terem nicho de mercado pequeno, estão deixando de ser produzidas pelos laboratórios. A dose da asparaginase custa menos de R$ 100.
Fonte: Folha de Pernambuco



