POLÊMICA Texto em blog de hospital paulista orientava sobre alisamento de cabelo crespo em crianças e foi considerado preconceituoso por internautas. O material foi retirado do ar
SÃO PAULO – O Hospital e Maternidade Santa Joana, na capital paulista, causou ontem revolta nas redes sociais por suspeita de racismo. A origem das críticas foi um texto publicado no blog do hospital no dia 16 sob o título “Minha filha tem o cabelo muito crespo. A partir de qual idade posso alisá-lo?”. Abordava o que fazer em relação às muitas crianças (que) nascem com os cabelos crespos ou rebeldes demais”. Após a má repercussão, o post – ilustrado com a foto de uma menina negra – foi tirado do ar.
Lembrando que muitas mães recorrem ao alisamento “para deixarem as crianças mais bonitas”, o texto sugeria que não se use formol de jeito nenhum e que “há opções de escovas que podem ser feitas nas meninas de pouca idade sem causar danos”.
O advogado Sílvio Luiz de Almeida, presidente do Instituto Luiz Gama, que atua na defesa de negros, minorias e direitos humanos, classificou como racismo. “É a forma sutil com que o racismo aparece, não nas intenções, mas na prática”, disse. “ê não reconhecer uma característica que é natural dos afrodescendentes, considerando o cabelo como algo indesejado, inferior. Eles podem dizer que só estão respondendo a uma perguntas, mas estão reproduzindo práticas racistas.”
No Twitter, os internautas foram da bronca à ironia. “Alô, Hospital e Maternidade Santa Joana, tirem logo esse post do ar e retratem-se!”, escreveu @flahqueiroz. “Minha filha tem nariz de batatinha, a partir de qual idade a rinoplastia é recomendada?”, brincou @por_toutatis, que também mandou: “Agende uma cesárea e ganhe uma progressiva”.
Após receber mais de 340 comentários no post no Facebook e mais de 300 compartilhamentos com críticas, o hospital se manifestou. Em nota, disse que “não foi de sua intenção ofender qualquer pessoa” e que a finalidade foi “puramente informativa, com o intuito de orientar as mães no que diz respeito à utilização de produtos químicos em crianças, de acordo com as normas da Anvisa”.
Disse ainda que “lamenta que tenha causado tal aborrecimento a seus seguidores nas redes sociais” e “que não é adepta a nenhuma forma de preconceito ou racismo”. Por fim, informou que “em respeito aos seus pacientes e leitores que se sentiram desconfortáveis com essa publicação removeu o texto de suas redes sociais e pede desculpas pelo mal-entendido”.
Fonte: Jornal do Commercio



