Os donos da Ideal Saúde, a primeira das três operadoras que atuam no mercado local e que estão quebradas, são acusados de estelionato por terem passado cheques sem fundos para o grupo dos hospitais Santa Joana e Memorial São José no valor de R$ 18 milhões. A emissão de pré-datados para pagamento de serviços no setor é uma prática que alimenta o calote entre operadoras e prestadores de serviço e, em casos como o da Ideal, Real e Recife Meridional, servem para mascarar a crise financeira das empresas. Essa é a opinião do diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), André Longo.
“Houve movimentos equivocados nesses casos. O cheque pré-datado não é uma prática saudável. Ele dificulta a fiscalização, pois ao receber o cheque com data para frente, as empresas dão a quitação da dívida à operadora. Então, quando a gente chega para analisar o balanço, ela está sem dívidas.”
Longo avalia que a prática retarda o descredenciamento dos planos por parte dos prestadores. “Quando as histórias aparecem na imprensa, outros prestadores passam a descontar o cheque antes da data combinada e, assim, a operadora que já estava ruim, fica mais desestabilizada”, explica.
Prestadores de serviço já contaram várias vezes ao JC sobre a prática do cheque pré de 30 dias que, na prática, dá à operadora dois meses de conta “quitada” antes de realmente pagar o débito. O dono de laboratório Boris Berenstein já relatou seu caso. Ele foi um dos primeiros a denunciar, no final de 2012, a situação de insolvência da Real Saúde, que hoje se encontra em situação de portabilidade extraordinária. “Negociamos o passivo que tinham conosco, mas os cheques voltaram depois de dois meses”, comentou o empresário, salientando que a operadora tem 30 dias para pagar um procedimento e com o pré-datado a fatura fica para mais 30 dias. “Os cheques voltam, mas na contabilidade deles a conta está em dia”, salientou.
O presidente do Sindicato dos Hospitais (Sindhospe) Mardônio Quintas, concorda que os prestadores não deveriam aceitar a negociação e que, ao aceitarem, acabam alimentando as fraudes no sistema. A advogada da Ideal Saúde, Lidiane Fabel, e os donos da Ideal não foram localizados.
Fonte: Jornal do Commercio



