Para médicos, MEC deu apenas 1º passo

SÃO PAULO – Para o Conselho Federal de Medicina (CFM) e outras entidades médicas, a restrição dos municípios onde poderão ser criadas novas vagas em faculdades de medicina, determinada pelo Ministério da Educação, não será suficiente para resolver o problema da má distribuição de médicos e de cursos no País. Problemas como falta de infraestrutura hospitalar, plano de carreira e baixos salários também precisam ser equacionados, dizem os médicos.

O presidente do CFM, Roberto D’Ávila, elogiou a medida do MEC, pleiteada há anos pelo conselho, mas afirmou que ela sozinha não resolverá a carência de médicos em determinadas regiões. “Acho difícil encontrar hospitais que sirvam de escola em regiões como o interior da Bahia e do Maranhão, e que já existam residências médicas funcionando lá. O Sudeste concentra a maioria das residências”, afirmou.

Para D’Ávila, é preciso melhorar a infraestrutura de saúde no interior, com hospitais e postos de saúde mais bem equipados. No Amapá, Estado onde os números de vagas em cursos de medicina e o de médicos são baixos (0,47 e 0,76 por 10 mil habitantes, respectivamente), o curso federal de medicina não tem hospital universitário.

Em Alagoas, o Sindicato dos Médicos acredita que os baixos salários da rede pública desestimulam a fixação de profissionais, que ganham R$ 1.528 por carga horária de 20 horas.

Já a Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR) disse temer pela qualidade dos cursos no interior do País. “Se nesses locais não há nem médico, como vão conseguir professores qualificados?”, questionou o vice-presidente da ANMR, Marcelo Barbisan.

Fonte: Jornal do Commercio

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