Veronica Almeida – valmeida@jc.com.br
Já se foi o tempo em que bastava uma ou duas marquinhas no braço para confirmar imunidade adquirida. Nos últimos 20 anos o leque de vacinas oferecidas pela saúde pública cresceu tanto no Brasil que a única forma de certificar-se da proteção a doenças é guardar e manter sempre à mão o cartão de vacinas. “No início do ano letivo é sempre bom conferir a situação do filho e de todos da casa”, alerta Laeci Manguinho, do Programa de Imunizações da Secretaria de Saúde do Recife.
Ela lembra que há vacinas para todas as idades. Protegendo-se, o adulto também amplia a proteção das crianças. É o que também pensa a professora Marina Parente, que guarda com cuidado seu próprio cartão de vacina e o do filho Matheus, 7 anos. Ela chegou a perder a certidão de nascimento, mas nunca o cartão. “Guardo como um documento”, afirma. Quando Marina completou 18 anos, recebeu o cartão que a mãe dela, profissional de saúde, guardava. Ensinava assim que a partir da idade adulta cada um deve cuidar de sua saúde e isso inclui preservar a caderneta de imunização como ato de cidadania.
E é esse o cuidado que o cartão merece, completa Adriana Baltar, coordenadora estadual de imunização. Como os registros de uso do SUS ainda não estão totalmente informatizados, o cidadão sempre vai precisar do cartão de vacina impresso, com as anotações feitas no posto de saúde, para comprovar a vacinação. Para Adriana, deveria ser obrigatória a apresentação nas escolas, para evitar que crianças fiquem sem tomar vacina. “A cobertura vacinal é ampla homogeneamente no Estado. Mas quando analisamos o quadro de forma localizada, encontramos problemas”, explica. Segundo ela, a vacina mais esquecida é a de hepatite B em adolescentes. Eles precisam tomar três doses se não se vacinaram na infância, mas é comum não voltarem ao posto depois da segunda visita.
Ter o cartão é uma forma de comprovar se o calendário vacinal está sendo cumprido. Em caso de perda do documento, é possível recuperar as anotações nos postos de saúde, mas o trabalho é demorado. Uma forma de se prevenir é fazer uma cópia do cartão e preferencialmente se vacinar sempre no mesmo local, para que a busca do registro em livro seja mais fácil em caso de perda do documento.
Na ausência do cartão, os profissionais de saúde recomendam cumprir o calendário de acordo com a idade, mesmo que a pessoa acabe tomando doses repetidas. O Programa Nacional de Imunizações trabalha com quatro calendários: o da criança, o do adolescente, o do adulto e o do idoso.
Quem já passou dos 10 anos e não cumpriu com todas as vacinas da infância, pode receber imunização não só contra hepatite B, mas também a que protege de sarampo, caxumba e rubéola.
Até a velhice, é preciso repetir a cada dez anos a vacina contra difteria e tétano. Anualmente também é oferecida vacina contra gripe para grupos de risco. A da febre amarela deve ser renovada por moradores e visitantes de área de transmissão da doença.
Fonte: Jornal do Commercio



