O Hospital Universitário Evangélico de Curitiba, segundo maior da cidade, reposicionou ontem 47 funcionários da unidade de terapia intensiva (UTI). Na última terça-feira, a chefe do departamento, Virgínia Helena Soares de Souza, foi presa acusada de causar a morte de pacientes do setor. Segundo a unidade de saúde, a realocação dos servidores atende uma exigência da Secretaria Municipal de Saúde para facilitar o trabalho das sindicâncias de apuração das denúncias. Ao todo, 13 médicos e 34 pessoas da equipe de enfermagem foram transferidas para outros setores. A Polícia Civil investiga a participação de outros funcionários nos casos e, até a noite de ontem, 60 pessoas já haviam prestado depoimento. O delegado-geral, Marcos Vinícius Michelotto, acredita que, se comprovada a ação da médica, ela não seria isolada. Para ele, este tipo de ato demanda conivência.
Na tarde de ontem, o advogado de Virgínia, Elias Assad, parentes e amigos deram uma entrevista coletiva para defender a atuação da profissional. Eles negam as acusações. Em nota, Virgínia argumenta que a polícia colocou em dúvida, sem provas válidas, os procedimentos e critérios científicos da terapia intensiva, atestados de óbitos e laudos do Instituto Médico Legal (IML). O texto frisa que não está provada “sequer a existência do fato, quanto mais a materialidade de qualquer crime”. A médica trabalhou no Hospital Evangélico por mais de 20 anos, e há sete, chefiava a UTI. Para ela, a partir de agora o “livre exercício da medicina está em risco no Brasil”. O manifesto público da acusada termina com a citação de Galileu Galilei: “A verdade é filha do tempo e não da autoridade…”
Todas as pessoas que trabalharam no setor no período em que ela foi chefe serão ouvidas pela Polícia Civil. O relatório de uma sindicância interna deverá ser entregue em 30 dias ao CRM.
Fonte: Diario de Pernambuco



