De parabéns, incontestavelmente, o novo prefeito da nossa capital ao priorizar a instalação de mais uma maternidade entre nós, o que foi cabalmente demonstrado e consagrado logo nos primeiros dias de sua gestão.
Será, dizem, o mais moderno centro obstétrico a ser “presenteado” ao SUS-PE, situado na BR-101, próximo a Ceasa e ao estratégico cruzamento BR-101/BR-232. Polo de atendimento de alto risco materno-fetal, com 110 leitos, UTIs adulto e infantil, centros cirúrgicos e obstétrico capacitados para 400 partos e 250 cirurgias mensais. Enfim, um lugar em que a gestante metropolitana saiba onde vai parir, resolvendo outro dos problemas atuais, ou seja o de vagas, respeitando a territorialização, um critério do SUS. Agradeçam, pois, a Deus e a GJ.
Pelo que conheço do problema, após lidar por mais de 50 anos com assistência obstétrica e pelas funções que exerci, guardo um certo temor, por incrível que pareça, com o quesito pessoal, para tão nobre e sério empreendimento, apelando para que o tempo programado ainda possa resolver. Isto porque, apesar de aposentado, estou atento ao fato, já nacional, da surpreendente carência atual de pediatras, obstetras e ginecologistas, três das mais queridas, desejadas e procuradas especialidades pelos estudantes de Medicina, até relativamente pouco tempo atrás. Confesso que ainda não consegui até o momento interpretar logicamente esse fenômeno desprofissionalizante, pois eles repercutem também em outras áreas do atendimento.Por exemplo, onde estão os fundamentais clínico-gerais, tidos por muitos ainda como os autênticos médicos, generalistas que são, esteios de qualquer emergência?
Tenho, contudo minhas suspeitas de que trata-se do lamentável agigantamento da comercialização da medicina através dos famigerados “Planos de Saúde” (ou de doenças?), com suas tabelas asfixiantes, desviando vocações,concorrendo com o SUS, porém empregando e ocupando o tempo da nova geração profissional.Assim, acho que só um concurso, pela prefeitura, para o pessoal da nova unidade, e evidentemente com melhores salários, selecione e resolva essa questão. Não devemos esquecer que ainda é grande a demanda de pacientes interioranas para as nossas maternidades, inclusive de estados visinhos.
Estamos também sentindo falta das antigas e eficientes parteiras que eram um esteio das nossas maternidades, afastadas das mesmas, por injunções dizem, das Escolas de Enfermagem e do COFEN e que apesar de constituírem um quadro seleto e qualificado com as chamadas enfermeiras-obstétricas ou obstetrizes para outros , lamentavelmente nunca substituíram as tradicionais parteiras nas Salas de Partos. Elas eram uma tranqüilidade para o hospital como sentinelas atentas para qualquer emergência obstétrica, um apoio confiável do obstetra ás suas pacientes internadas, e mesmo á própria parturiente, que sabia da importância das mesmas para a Maternidade e para seu médico..Enfim, essa é a minha colaboração: pensar muito e preventivamente na constituição do quadro do pessoal em todos os seus níveis.
*Médico
Mário V. Guimarães
Fonte: Diario de Pernambuco



