O fechamento da maternidade do Centro de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), que ajudou a estrangular mais ainda a assistência ao parto de alto risco nos últimos cinco meses em Pernambuco, vai perdurar até setembro. A reabertura estava prevista para abril, mas foi adiada em razão de uma ampliação das obras e de atrasos no processo de dispensa de licitação (o serviço é considerado de emergência) e de liberação de recursos estaduais.
“O processo de dispensa de licitação, que deveria ter sido concluído em dezembro de 2012, foi fechado em janeiro de 2013. Por isso, falta a liberação da segunda parcela da verba total de pouco mais de R$ 5 milhões”, explica Fátima Maia, diretora do Cisam. Segundo ela, além do conserto do telhado e das instalações elétricas, objetivo inicial da reforma, haverá ampliação da UTI neonatal de 12 para 20 leitos e de outros espaços para acomodação de recém-nascidos. Desde ontem, 700 profissionais da maternidade que estavam sem espaço para trabalhar começaram a reforçar o quadro de outros serviços de obstetrícia do SUS que têm déficit nas escalas, como os estaduais Barão de Lucena e Agamenon Magalhães, além de hospitais municipais da RMR. A intenção de alugar um espaço no Hospital Alfa, particular, caiu por terra devido à burocracia.
A secretária-executiva de Atenção à Saúde, Tereza Campos, reconhece como insatisfatórias a taxa de mortalidade materna e a estrutura oferecida para partos no Estado. Alega, no entanto, que número de leitos vem crescendo para atenção a casos de alto risco. Foram incluídas para essa demanda, desde o ano passado, as maternidades de Vitória (João Murilo), Palmares e o Hospital Santa Lúcia, no Recife, complementar ao SUS. Por outro lado, explicou, o Estado vem cobrando maior empenho das prefeituras na assistência às mulheres. “Os municípios tiveram no ano passado aporte de R$ 6,2 milhões do Ministério da Saúde e R$ 7 milhões do Estado para melhorar a qualidade do pré-natal.”
Questionada sobre o direito a acompanhante no parto, previsto em lei desde 2005, alegou que é preciso fazer adequações físicas nos serviços. Quanto a casas de parto normal, reivindicadas há mais de 20 anos pelo movimento de mulheres, informou que dez estão programadas para apenas oito dos 184 municípios.
Fonte: Jornal do Commercio



