Um pequeno estudo realizado na França com 14 pacientes portadores do vírus HIV permaneceram saudáveis durante anos. Apesar de terem parado o tratamento dá novas pistas de que a intervenção precoce poderia levar a uma “cura funcional” da Aids, afirmaram cientistas.
A pesquisa, publicada na revista norte-americana PLoS Pathogens, foi divulgada logo depois de, na semana passada, um bebê do Mississipi aparentar estar curado de HIV após um tratamento com anti-retrovirais realizado 30 horas após seu nascimento.
Os especialistas concordam em que, embora o paralelismo entre os dois estudos seja intrigante, o fenômeno é raro e advertem que a maioria das 34 milhões de pessoas infectadas com HIV no mundo sofreria todos os sintomas da doença se deixasse de tomar medicamentos.
Para Myron Cohen, conhecida especialista americana em HIV e chefe do Centro de Doenças Infecciosas da Universidade de Duke, o estudo é “instigante”. “Nos faz pensar: quem no universo dos tratados precocemente pode deixar o tratamento? Nos dá algumas pistas, mas é uma pergunta que exige mais estudos”.
O grupo de 14 adultos acompanhados no estudo francês foi tratado contra o vírus com uma série de remédios anti-retrovirais e deixou o tratamento, em média, entre dois e três anos depois. Eles conseguiram manter a carga viral sob controle durante uma média de 7,5 anos, sem nenhum medicamento, acrescentou a pesquisa.
Os resultados são surpreendentes porque os indivíduos não têm as características genéticas de outros grupos raros de pessoas – menos de 1% da população – que são, aparentemente, capazes de se livrar da Aids de forma espontânea sem qualquer remédio e são conhecidos como “controladores naturais ou de elite”.
Os 14 indivíduos foram denominados “controladores pós-tratamento” e não eliminaram completamente o HIV de seus corpos. Mas continuam mantendo-o em um nível baixo em suas células e não adoeceram.



