RIO – O Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fundação Oswaldo Cruz (Farmanguinhos/Fiocruz) vai iniciar a distribuição de medicamento para tratamento da doença de Parkinson, o dicloridrato de pramipexol. O acordo com o laboratório Boehringer Ingelheim prevê a transferência de tecnologia em cinco anos e permitirá a economia de R$ 90 milhões ao governo nesse período. A estimativa é de que 20 mil pessoas estejam hoje em tratamento para Parkinson em instituições públicas.
“Hoje os Estados fazem a compra do pramipexol, por licitação. O Ministério da Saúde centralizará a aquisição desses medicamentos e passará a comprá-los do Farmanguinhos”, explicou Hayne Felipe da Silva, diretor executivo do Farmanguinhos. “A transferência de tecnologia reduz custos e amplia a oferta de medicamento, desse produto ou de outro item.”
Nos primeiros três anos da transferência de tecnologia, o remédio será produzido na Alemanha, com acompanhamento de técnicos do Farmanguinhos, e embalado no Brasil. Nos dois anos seguintes, representantes do laboratório irão ao Rio de Janeiro para supervisionar a fabricação do medicamento. Nesse período, metade da demanda nacional será produzida pelo Farmanguinhos. O restante continuará sendo importado. A partir de então, o pramipexol será produzido integralmente no Brasil.
Hayne ressalta que a produção nacional é importante do ponto de vista da inovação tecnológica – a partir do que for aprendido na fabricação do pramipexol, pode-se chegar ao desenvolvimento de outras substâncias. “Outro aspecto importante é aumentar a soberania. Não sofre, por exemplo, com interrupção da produção caso a empresa desista de fabricar o medicamento”, disse.
É o que está acontecendo com o quimioterápico L-asparginase, indicado para leucemia aguda. “A empresa anunciou que não produzirá mais o medicamento a partir do segundo semestre e o Ministério da Saúde está trabalhando parcerias para evitar o desabastecimento”.
Fonte: Jornal do Commercio



