Procape vai dar prioridade aos doentes graves

Com demanda duas vezes maior do que a quantidade de leitos, a emergência do Pronto-Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape) vai restringir atendimento a pacientes encaminhados pela central de leitos. A medida entra em vigor a partir da próxima segunda-feira e tem como objetivo priorizar os cuidados a pacientes com doenças do coração e casos mais complexos, como infartes, edemas agudos de pulmão e arritmias graves. Mas a Associação de Defesa dos Usuários (Aduseps) alerta para risco da restrição: a demora no encaminhamento pode provocar a morte de pacientes.

De acordo com a superintendência do Complexo Hospitalar da Universidade de Pernambuco (UPE), 60% das pessoas que procuram a urgência do Procape poderiam ser atendidas por unidades de baixa e média complexidade, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). “Hoje, a emergência do Procape é disforme, atende todas as demandas. Mas a gente precisa atender as demandas do coração. Essa é a especialidade do hospital. Não podemos deixar que os três cardiologistas de plantão continuem atendendo casos simples enquanto pessoas infartam na fila de espera”, analisa o superintendente do complexo, João Veiga. Ainda segundo o médico, o ambulatório da unidade também enfrenta superlotação e restringirá os serviços em um segundo momento.

Já o ouvidor da Aduseps Carlos Freitas considera que a mudança pode colocar em risco a vida dos pacientes. Para ele, o tempo de espera pelo encaminhamento é longo demais para quem precisa de cuidados imediatos. “Essa triagem é covardia, porque os pacientes não vão encontrar cardiologistas disponíveis nas UPAs. Um ataque cardíaco não espera. Não dá tempo fazer o encaminhamento. O número de óbitos provocados por doenças cardíacas já é grande e vai aumentar”, avisa o ouvidor.

Na fila de espera por um leito na emergência para o pai, a dona de casa Kátia do Nascimento, 48 anos, vivencia a gravidade da superlotação do Procape. Na última segunda-feira, o aposentado sofreu o terceiro AVC e acabou sendo atendido na UPA do Ibura, na Zona Sul do Recife. Na quinta, foi encaminhado para a urgência do Procape, onde dormiu e passou o dia de ontem esperando um leito. “Ele está grave, mas não tem vaga. Não tenho do que me queixar do atendimento aqui no Procape, mas essa superlotação é muito séria. Os pacientes dormem em cadeiras até conseguir ir para o quarto”, opina.

As pessoas que procuram a emergência, diz a direção da unidade de saúde, estão sendo orientadas a se dirigirem às UPAs. Os pacientes que chegarem precisando de cuidados urgentes, assegura, serão atendidos.

Fonte: Jornal do Commercio

 

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