Recurso é essencial para os pacientes

O paciente diagnosticado com mal de Parkinson, uma das doenças possíveis de serem incluídas na lista que autoriza saques do FGTS, precisa de um acompanhante permanente. “A pessoa fica incapacitada. Ela não pode dirigir, andar de ônibus”, resume Paulo Calumbi, auxiliar da Associação de Parkinson de Pernambuco. Quando um parente não assume a função, deixando de lado o seu trabalho, é preciso contratar um cuidador, pagando, pelo menos, um salário mínimo (R$ 678).

O remédio mais comum, o Prolopa, custa, em média, R$ 70 a caixa. “Normalmente são consumidas três por mês”, informa Calumbi. O Mantidane, outro medicamento, custa entre R$ 130 e R$ 200. As cifras envolvidas no tratamento do mal de Parkinson dão a medida dos custos financeiros que doenças graves provocam no orçamento. E como é importante ter acesso aos recursos do FGTS no momento do diagnóstico.

Wladimir Reis, coordenador-geral da organização não governamental Grupo de Trabalho Prevenção Posithivo (GTP+), comenta como o diagnóstico de doenças como Aids (foco principal da atuação da entidade e já incluída na lista de saques do FGTS), tuberculose e hanseníase carregam o peso do preconceito no mercado de trabalho.

“Normalmente, quem é acometido por essas doenças vive em uma situação de exclusão social forte e se depara com mais um desafio na sobrevivência. Quem é diagnosticado com tuberculose ou hanseníase deixa de ter uma fonte de renda, pois se ausenta do trabalho para se tratar. E, mesmo curado, enfrenta resistência em retornar aos postos. Ter acesso aos recursos do FGTS nesses casos pode não garantir um tratamento eficaz na iniciativa privada, mas faz com que os pacientes possam se manter economicamente, ao menos assegurar alimentação e moradia com dignidade”, aponta.

O cardiologista Orlando Medeiros explica que o número elevado de medicamentos que precisam tomar por toda a vida é o maior peso financeiro para quem sofre com cardiopatias graves.

“São quatro, cinco remédios necessários todos os dias. E há casos em que os pacientes apresentam diabetes, colesterol e hipertensão altos, ampliando ainda mais a lista. É um peso considerável”, elucida.

Medeiros alerta para a dificuldade atual nas perícias médicas de identificarem cardiopatias que de fato levem à incapacidade de trabalho.

Fonte: Jornal do Commercio

 

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