SAMU Recife pede socorro e denuncia descaso

“Serviço de Atendimento Móvel às Urgências (SAMU 192) Ao discar o número 192, o cidadão estará ligando para uma central de regulação que conta com profissionais de saúde e médicos treinados para dar orientações de primeiros socorros por telefone. São estes profissionais que definem o tipo de atendimento, ambulância e equipe adequados a cada caso. Há situações em que basta uma orientação por telefone. O SAMU atende pacientes na residência, no local de trabalho, na via pública, ou seja, através do telefone 192 o atendimento chega ao usuário onde este estiver.

A equipe presta atendimento no menor tempo possível já no local, ainda fora do ambiente hospitalar, salvando vidas e diminuindo sequelas. O programa oferece o direcionamento para o serviço mais próximo e adequado, assim a equipe que está na ambulância ganha tempo (diminui o tempo/resposta), o que é crucial em emergências.” (Portal do Ministério da Saúde).

Hoje, médicos do SAMU  Recife, no limite da exaustão, pedem ajuda ao SIMEPE para que sua pauta reivindicatória seja atendida pela Prefeitura da Cidade do Recife.

Em um dia normal de trabalho do sindicato, recebemos os médicos de rotina desconhecida para muitos, os médicos do SAMU! Eles vieram nos revelar suas angustias, do árduo  e tenso trabalho dos seus plantões. Que seriam uma opção de especialidade se em boas condições de trabalho, mas não nas condições atuais, eles tem o plus da precariedade. Começaram narrando que em 2007 contavam com 12 plantonistas, e hoje as escalas contam com 6 a 9 médicos por plantão.

De acordo com o Censo IBGE 2011 a população de Recife é de 1.546.516 habitantes, e a Portaria 1864/GM de 2003 diz que para 400.000 a 450.000 hab deverão ser adquiridos um veículo de suporte avançado à vida (USA), tripulados com 01 médico, 01 enfermeiro, e 01 motorista, logo, Recife precisa funcionar com 04 unidades e 04 médicos.

No Recife funciona a central do SAMU da Região Metropolitana, para dar cobertura a uma população de acordo com o censo de 2011 de 3.953.162 habitantes. A Portaria 2970/GM de 2008, determina que as centrais de regulação médica de urgência deverão seguir os quantitativos mínimos de 8 médicos reguladores no plantão para uma população entre 3.750.001 e 4.500.000 habitantes.

A necessidade do serviço em Recife é de 13 médicos por plantão, já que temos 12 meses no ano, e há que se contabilizar um ferista.

Em virtude destas escalas reduzidas os médicos do SAMU Recife precisam exercer dupla atividade, regulação e intervenção, para que não haja solução de continuidade no atendimento médico à população. Como não há ainda um método de trabalho sistematizado na atual gestão, são solicitados que façam a rendição nas bases descentralizadas, dificultando a otimização e permitindo ocorrências logísticas que aumentam em muito o tempo-resposta.

Há problemas no funcionamento de aparelhos de radiocomunicação o que acarreta limitação no estabelecimento de hipóteses diagnósticas e determinação de condutas e destino de equipes em atendimento.

Os médicos do SAMU, além de conviverem com o stress diário inerente à profissão, convivem com ambulâncias quebradas, manutenção inadequada das viaturas, retenção de ambulâncias em unidades de saúde, falhas de comunicação, cadeiras não ergonômicas e quebradas na central de regulação com encostos folgados, metais expostos, sem regulagem de altura, e braços danificados.

Relataram inúmeros problemas de segurança nos processos de descentralização das bases. Questões reais e sérias de desrespeito à central de regulação. Em algumas bases descentralizadas o improviso das instalações é alarmante, havendo inclusive casos onde os profissionais são acessados diretamente pela população.

Ouvimos atônitos o desabafo, o relato, o pedido e a pauta reivindicatória, que é a pauta foco da existência do SAMU, prestar atendimento no menor tempo possível, salvando vidas e diminuindo sequelas. Uma pauta que necessita, da Prefeitura do Recife hoje:

  1. O chamamento dos 28 médicos aprovados do concurso de 2012, pois a população precisa dos 91 médicos na escala do SAMU.
  2. Segurança para as unidades e profissionais nela lotados, com acesso apenas pelos profissionais em serviço.
  3. Melhoria da capacidade instalada do SAMU

3.1.        Manutenção adequada das viaturas

3.2.        Adequação do numero de teleatendentes

3.3.        Melhoria das instalações de repouso

3.4.        Adequação ergonômica do mobiliário da central de regulação

Melhoria da comunicação radiofônica

 

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