Agrava-se a crise na Fundação Geap, entidade de autogestão que gerencia os planos de saúde dos servidores públicos federais. Sob a intervenção da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) há dez dias, a empresa tem um rombo superior a R$ 300 milhões decorrente de dívidas com prestadores e fornecedores. São 592.624 usuários no país, sendo 33.325 em Pernambuco. Faltam especialistas nas diversas áreas e apenas dois hospitais de grande porte (Alfa e Albert Sabin) são credenciados no Recife. Para conseguir realizar cirurgias e exames, os usuários recorrem à Justiça.
Aposentada da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Lúcia Maria de Holanda Pimentel, 74 anos, é cardíaca, tem ponte de safena e dois stents. Ela precisa de revisão periódica e não tem médico pela Geap. Em 2012, o plano de saúde subiu 300% – atualmente, a mensalidade é superior a R$ 700. “Quando preciso de um cardiologista, tenho de pagar a consulta de R$ 250”, protesta.
Jairo Onório, 53 anos, trabalha na Biblioteca Central da UFPE e tem o convênio há quatro anos. Ele reclama da dificuldade para marcar consultas com especialistas. “Toda vez que tento marcar para mim e minha filha o médico está descredenciado, sempre espero mais de dois meses.” Jairo teme pelo futuro da operadora, após a intervenção da ANS. “Acho que o governo não vai manter a Geap e o servidor vai ficar sem assistência médica, porque não pode pagar um plano privado.”
A coordenadora jurídica da Associação de Defesa dos Usuários de Planos de Saúde (Aduseps), Karla Guerra, confirma a situação precária dos usuários da Geap. Ela cita o caso de Cloberto de Melo Bezerra, que obteve uma liminar para realizar a cirurgia de Parkinson e ainda espera o cumprimento da ordem judicial.
Em Pernambuco, os usuários estão concentrados nos órgãos públicos federais ligados aos ministérios da Educação, Trabalho e Emprego, Saúde, Previdência Social e à Funai. A secretária-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Federais (Sindsep), Graça Oliveira, conta que existem casos graves de pacientes portadores de câncer sem tratamento. “É preocupante. Estamos em contato com os ministérios para evitar que os servidores fiquem sem convênio.”
A ANS informou que a direção fiscal na Geap pode durar até 365 dias, quando será avaliada de perto a situação financeira da operadora e sua possibilidade de recuperação.
Fonte: Diario de Pernambuco



