Mudam os gestores, mas a situação de rede pública de saúde continua inalterada. Principalmente das maternidades. Semana passada, houve várias denúncias de gestantes que já estavam passando do tempo de parir e não conseguiam ter o filho na Maternidade Bandeira Filho, em Afogados, uma das três do Recife. Não havia profissionais suficientes para atender. E não apenas obstetra. Para fazer um parto, também é preciso ter anestesista (quase sempre) e pediatra, que está virando artigo de luxo.
Se a superlotação não é novidade, a causa dela é menos ainda. Muitos municípios do interior não oferecem o serviço – alegam, geralmente, que não conseguem contratar médicos por falta de interesse dos profissionais – e acabam obrigando a população a se deslocar à capital. Outro fator que perturba o equilíbrio da rede é o fechamento, ainda que temporário, da maternidade da Encruzilhada (Cisam). A unidade está em reforma e sem atender desde setembro do ano passado.
O drama poderia ser amenizado se as obras fossem mais rápidas. O Cisam, por exemplo, só deve reabrir em setembro, um ano após o início dos serviços. O poder publico também poderia agilizar as contrações dos médicos. O último concurso feito pelo Estado perderá a validade em junho com muitos aprovados sem nomeação. Por fim, é urgente um plano para estimular a permanência de médicos no interior. Só assim será possível conter o êxodo de grávidas desesperadas.
Fonte: Jc nas ruas / Jornal do Commercio



