O plano de saúde dos servidores da Fazenda teve um déficit de R$ 37,2 milhões em 2012, um rombo proporcionalmente mais alto que o da Cassi, considerando a base de usuários. Mas quando se observa o índice de reclamações, a Assefaz desde maio passado descolou completamente do segmento e atingiu o equivalente a seis vezes o número de queixas de operadoras do mesmo porte.
Todos os procurados sobre o assunto – Cassi, Assefaz e ANS – responderam através de nota.
A Cassi argumenta que seu déficit se deu pelo crescente aumento dos gastos em toda saúde suplementar, que em 2012 teria subido muito acima das receitas: “O impacto, ainda que maior nas autogestões, por possuírem cobertura ampla, abrangência nacional e limitações regulatórias da ANS para o incremento das suas receitas, acontece também nas empresas privadas.”
De acordo com a empresa, um estudo com base em nove operadoras, que juntas concentram 50% dos beneficiários do setor, mostrou apenas uma operadora com aumento de lucro, três em queda e o restante em manutenção de resultados.
Na sua nota, a Assefaz afirma que “o déficit observado no exercício 2012 é um reflexo do cenário da saúde suplementar no País, que apresentou contínuo aumento nos custos médios dos procedimentos e na frequência de utilização, acarretando crescimento da taxa de sinistralidade. Somado a esses fatores, tivemos a pressão da classe médica por reajustes nos valores praticados, a ampliação do Rol de Procedimentos da ANS em 2012, com a inclusão de 54 novos procedimentos com cobertura obrigatória, e a judicialização da saúde. Todos esses fatores impactaram negativamente o mercado de saúde suplementar, em especial as autogestões.”
A operadora dos servidores da Fazenda diz ter promovido estudos e medias para reduzir despesas assim que o déficit foi observado, ano passado. A Assefaz informa ainda que a União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas) convocou as associadas para discutir as altas de custos. Já a ANS entende que “não há problema conjuntural específico no segmento de autogestão e cada operadora enfrenta desafios específicos no desempenho de suas atividades de assistência à saúde.
Em linhas gerais, o grande desafio de uma autogestão está no gerenciamento de riscos assistenciais de sua carteira de beneficiários e no controle dos custos de suas operações. Com um grupo definido de beneficiários, sem a possibilidade de ofertar produtos num mercado mais abrangente, conforme definido em lei, essas entidades devem estar constantemente atentas aos aspectos de gestão econômica e financeira da sua atividade, além da manutenção dos requisitos prudenciais regulatórios exigidos nos normativos publicados pela ANS”.
Fonte: Jornal do Commercio



