Carlos Vital, vice-presidente do CFM, ressalta a necessidade de levar os serviços para as regiões mais distantes do Brasil, como a Norte. Em Roraima, mulheres que conseguiam autorização para o aborto de anencéfalos, muitas vezes já com complicações graves na gestação, tinham que ser levadas a outros estados para atendimento.
O risco de deslocamento prematuro da placenta é três vezes maior em uma gravidez de fetos sem o cérebro, de acordo com dados do CFM. Em 75% dos casos, a criança morre ainda dentro do útero. Os 25% restantes têm sobrevida vegetativa de até 24 horas. São pouquíssimos os bebês com essa anomalia que sobrevivem mais que isso. A partir de oito semanas de gravidez, pode haver suspeita da anencefalia. O diagnóstico é possível a partir de 12 semanas, com 100% de certeza apenas com o exame da ultrassonografia.
Apesar dessas certezas científicas, o CFM decidiu criar uma comissão para definir parâmetros de diagnóstico e atendimento em caso de anencefalia, que serão transformados em resolução. Não há, segundo a entidade, levantamento sobre erros na identificação da anomalia, mas casos apresentados na imprensa, especialmente pelos grupos contrários à legalização do aborto nessas circunstâncias, chamaram a atenção dos médicos. É que muitas crianças apresentadas no debate foram diagnosticadas como anencéfalas quando têm, na verdade, outras malformações, como acrania.
Fonte: Diario de Pernambuco



