Doença misteriosa na África

Brasília – As crianças nascem saudáveis e brincam com os amigos naturalmente. No fim da primeira infância, porém, surgem as crises. Parecendo um ataque epilético, garotos e garotas se contorcem e precisam ser amparados.

Apesar de o problema surgir por volta dos 4 ou 5 anos, é na adolescência que a situação se torna extremamente grave. As crises passam a ser constantes e cada vez mais fortes. Os jovem ficam apáticos, não querem comer e enfrentam episódios de espasmos na cabeça. As famílias temem que o mal seja contagioso, e muitas abandonam seus filhos. Outras os amarram em árvores para que eles, em crise, não caiam no fogo, em rios ou em penhascos. A vida se arrasta, até que, um a um, os atingidos pela doença terminam por sucumbir.

A situação dramática dessas crianças que vivem no sul da África é acompanhada por um agravante. Os médicos pouco podem fazer por elas. Não existe tratamento. Na verdade, os especialistas nem sequer sabem o que vem causando o mal. Os primeiros casos foram relatados pela médica canadense Louise Jilek-Aall, em 1960, na região de Mahenge, cidadezinha isolada nas montanhas da Tanzânia. “As pessoas com epilepsia eram temidas, pois acreditava-se que a doença fosse contagiosa”, contou Louise à revista Science, que, na edição desta semana, traz um especial sobre o mal misterioso. “Eles foram evitados pelos outros. Alguns morreram por maus-tratos”, relata a atual professora emérita da Universidade da Columbia Britânica, em Vancouver, no Canadá.

A falta de estrutura de saúde dos países africanos atrapalha o dimensionamento real da doença, que é conhecida como síndrome do balanço de cabeça, em função de os pacientes chacoalharem freneticamente o crânio durante as crises espasmódicas. O Ministério da Saúde de Uganda já contabiliza 3 mil crianças com a síndrome. No caso do Sudão do Sul, não existem estatísticas que deem conta do tamanho do problema.

O continente e suas doenças

Ebola

Encontrada pela primeira vez próximo ao Rio Ebola, é uma infecção causada por um filovírus. Apesar de ser moderadamente contagioso, é altamente letal. Nas epidemias de ebola, mais de 80% dos infectados morreram poucos dias depois da infecção. Vilas inteiras na África já foram eliminadas pela doença. O modo de transmissão é sanguíneo, sexual e por contato com doentes graves.

Cólera

Causada pelo vibrião colérico, que se aloja no intestino liberando uma toxina que provoca forte diarreia. Em geral, os pacientes morrem por desidratação ou por complicações causadas pelo enfraquecimento do organismo. Na maioria das vezes, as vítimas são crianças. Transmissão está ligada à falta de higiene e de saneamento básico. Água e alimentos contaminados por fezes perpetuam a doença.

Malária

Caracterizada pela febre intensa intermitente, é causada pelo protozoário Plasmodium e transmitida pelo mosquito Anopheles. Na forma aguda, a doença pode levar à morte. Cerca de 3 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência da malária. A grande maioria na África. A ausência de condições adequadas de habitação facilita a proliferação do mosquito e a propagação do mal.

Aids

Causada pelo vírus de imunodeficiência humana, o HIV, a doença enfraquece o sistema imunológico do indivíduo, levando-o a contrair facilmente qualquer doença. O caráter mutante do vírus impede, até agora, o desenvolvimento de uma vacina. As populações pobres africanas têm menos acesso a métodos de proteção. Questões culturais impediram a prevenção da doença por muito tempo.

Fonte: Diario de Pernambuco

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