Entrevista >> Joyse Breenzinckr, gestora do IML Recife

A Polícia Científica ainda não definiu qual será o procedimento para a identificação das vítimas. A pedido do Diario, a gestora do IML Recife, Joyse Breenzinckr, explicou as três técnicas primárias de identificação: papiloscopia, análise por arcada dentária e DNA. Os corpos de Alexandra Falcão, 20, e Gisela Silva, de 30, estão acondicionados em câmaras frigoríficas desde a quarta-feira passada.

Quais os elementos que dificultam a identificação de casos como esse?
O procedimento é mais demorado, mais sofisticado. Não sabemos quantos corpos existem. Não sabemos se eles estão completos. Precisamos identificá-los. Outra dificuldade seria a causa mortis. São diversas partes separadas. Trabalharemos com um quebra-cabeça, diferentemente de um corpo inteiro. O IML não entrou em contato com as famílias. Vamos aguardar o início dos exames e dependendo do que for necessário para definir a identificação vamos buscar informações junto aos familiares.

Será preciso fazer exames de DNA?
Os corpos ainda não foram examinados. Precisamos definir o que temos no IML, o que nos foi enviado. Primeiro, necessitamos saber se há mãos e se os dedos contêm as impressões digitais. As impressões da palma não adiantam. A papiloscopia é universalmente aceita. Aponta as diferenças. Não havendo isso, mas existindo o crânio com a arcada dentária, faremos esse exame. Os nossos dentes são únicos. Se tudo isso não for possível, se não existir a documentação suficiente para a análise da arcada, aí partiremos para o DNA. Não sabemos o estado dos corpos. Essas são as três formas primárias de identificação.

O DNA é mais complexo?
Não se trata de complexidade. A coleta do DNA é uma coisa relativamente simples. Ou retiramos de músculos viáveis, ou de ossos, dentes. Normalmente, com um mês de putrefação, esse é o relato, a gente encontra DNA suficiente para fazer o exame. Trabalharemos com uma equipe multidisciplinar, formada por antropologistas (especialidade dentro da Medicina Legal), para identificar sexo e idade, e médicos legistas, que ajudarão a descobrir a causa mortis. Não sabemos o que vamos achar.

Fonte: Diario de Pernambuco

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